Tributo a António Sérgio

2 11 2009

antoniosergioMorreu António Sérgio, a voz inigualável que fez o «Som da Frente» (1982/1993), “Lança-Chamas”, “Grande Delta” (1993/1997) e “A Hora do Lobo” (1997/2007), entre outros programas.

António Sérgio, para além de produtor e editor discográfico, foi um grande divulgador da música da “frente”, que ia sendo feita, nos anos.70, 80 e 90, rompendo com o marasmo instalado.

É pena ter desaparecido! As noites catárticas, que regressarão em breve, contavam com a possibilidade da sua presença. Em seu tributo, aqui fica esta faixa de Gang Of Four.





Almanaque: Outubro

20 10 2009

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Outubro é o décimo mês do ano no calendário gregoriano e um dos sete meses com a duração de 31 dias. Deve o seu nome à palavra latina octo (oito), dado que era o oitavo mês do calendário romano, que começava em Março. Outubro começa sempre no mesmo dia da semana que o mês de Janeiro, quando o ano não é bissexto.

Datas:

1 de Outubro de 1949. A República Popular da China é proclamada, tendo Mao-Tse-Tung como seu primeiro presidente.
3 de Outubro de 1990. A Alemanha Ocidental e Oriental dão origem a uma Alemanha reunificada, tendo Berlim como capital.
4 de Outubro de 1957. Lançamento do primeiro satélite artificial terrestre – o Sputnik-1 -  lançado pela União Soviética.
5 de Outubro de 1910. A República é proclamada em Portugal, cerca das 10 horas da manhã, nos Paços do Concelho de Lisboa.  
6 de Outubro de 1981. O presidente egípcio Anwar el-Sadat  é assassinado, num desfile militar, por muçulmanos fundamentalistas.
7 de Outubro de 1949. Fundação da República Democrática Alemã, na zona ocupada pelo exército soviético na Alemanha. 
9 de Outubro de 1967. Che Guevara (1928-1967), é preso e morto na Bolívia.  
10 de Outubro de 1954. Ho Chi Minh entra em Hanoi depois do abandono da cidade pelo exército francês.
11 de Outubro de 1976. O «Gang dos Quatro», em que se incluía a viúva de Mao-Tse-Tung Chiang-Ching, foi preso.
13 de Outubro de 1961. Amílcar Cabral dirige uma carta ao governo português reclamando a independência da Guiné e do arquipélago de Cabo Verde.
15 de Outubro  de 1921. É publicado o primeiro número da revista Seara Nova. 
19 de Outubro de 1926. Leon Trotski é expulso do Politburo da URSS..
 20 de Outubro de 1935. Termina a Longa Marcha, realizada pelo Exército do PC Chinês, dirigido por Mao-Tse-Tung.
21 de Outubro de 1833. Nascimento do engenheiro sueco Alfred Nobel inventor da dinamite e criador dos prémios Nobel.
23 de Outubro de 1956. Começo da revolta da população húngara contra o domínio do partido comunista apoiado pela União Soviética
24 de Outubro de 1945. A Organização das Nações Unidas (ONU) foi fundada.
29 de Outubro de 1936. O primeiro grupo de prisioneiros políticos chega ao Campo de concentração do Tarrafal, constituída por 157 deportados, formado por dirigentes anarquistas, comunistas e sindicais.
 31 de Outubro de 1984. Morte de Indira Gandhi, primeira-ministra da Índia, assassinada por dois dos seus guarda-costas Sikhs.





Tributo a Mercedes Sosa

19 10 2009

250px-Mercedes_SosaMercedes Sosa, cantora argentina empenhada na luta pelos direitos  dos povos da América Latina, morreu no dia 4 de Outubro. Nasceu, em San Miguel de Tucumán, em 1935. Iniciou a sua carreira aos quinze anos.

Após o golpe fascista, em 1976, os seus discos foram proibidos na Argentina. A partir de 1977, viveu exilada em Paris e Madrid. Em 1982, regressou à Argentina, onde realizou concertos históricos contra a ditadura.

Além de gravar setenta discos, participou em dez filmes e documentários. Neste tributo, recordo a canção “Gracias a La Vida” (1970), hino dedicado à América Latina e as suas lindas palavras:

 “Gracias a la vida que me ha dado tanto/ Me ha dado la risa y me ha dado el llanto/ Así yo distingo dicha de quebranto/ Los dos materiales que forman mi canto/ Y el canto de ustedes que es el mismo canto/ Y el canto de todos que es mi propio canto”.

 





Fassbinder relembrado

16 10 2009

c5d469b497Rainer Werner Fassbinder, criticou a história do seu país com uma série de filmes: «O Casamento de Maria Braun» (1978), «A Terceira Geração» (1979), «Lili Marleen» (1981), «Lola» (1981) e «A Vida Secreta de Veronika Voss» (1982).

Adaptado do romance de Jean Genet, «Querelle» (1982) foi o seu último filme. Querelle (Brad Davis) amava, manipulava e sofria com o seu irmão, madame Lysiane (Jeanne Moreau), o marido desta e o seu superior, Seblon (Franco Nero).

Fassbinder faleceu, em 10 de Junho de 1982, sem reallzar duas  adaptações que pretendia – «Azul do Céu» de George Bataille e «Cocaína» de Pitigrill – e um filme sobre a revolucionária Rosa Luxemburgo.





Jim Jarmusch

14 10 2009

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Contemporâneo do underground vivido na cidade de Nova Iorque, nos anos 80, a par do  movimento «No New York», dos Ramones, Richard Hell, Lydia Lunch e Lounge Lizards, Jim Jarmusch inventou um cinema independente, com o filme «Stranger than Paradise», foi Câmara de Ouro, no Festival de Cannes, em 1984, e continua a ser um dos ícones das culturas alternativas. O seu novo filme, «The Limits of Control», estará nas salas de cinema em Dezembro próximo.





Recordando Harold Pinter

13 10 2009

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Harold Pinter (10 de Outubro de 1930 — 24 de dezembro de 2008) foi actor, director e um dos grandes dramaturgos do século XX, além de ter sido um destacado activista político.
Foi um dos representantes do teatro do absurdo, tal como Samuel Beckett e Eugène Ionesco. Há 4 anos, este dramaturgo britânico foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.





Young Marble Giants

15 09 2009

Eis uma faixa dos Young Marble Giants que sabe bem revisitar. Brevemente, haverá um texto sobre esta banda dos anos 80.





Tributo a Isaac Babel

15 09 2009

sem-isaac2“Para escrever sobre alguma coisa, hei-de conhecê-la até ao mais pequeno detalhe. Por isso, escrevo de vez em quando e tão pouco”, disse de si mesmo Isaac Babel (1894-1940), escritor ucraniano e autor de “Cavalaria Vermelha”, bem como de alguns pequenos contos: “Contos de Odessa” e “Contos Judaicos”.

Babel foi um dos grandes escritores emergentes da Revolução Russa. Estudou Ciências Sociais e depois incorporou-se no Exército Vermelho. Trabalhou no Comissariado do Povo para a Educação e depois participou na Comissão Governamental de Odessa.

Com a ascensão do estalinismo, Babel ficou numa posição muito crítica e, após a morte de Gorki /1936, foi preso e enviado para um campo de concentração, onde terá sido morto. Após a morte de Estaline, a sua obra foi reabilitada e republicada.

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Tributo a Huey Newton

27 08 2009

101659_copy_huey_newtonHá 20 anos, foi assassinado um homem negro, em Oakland. Não foi simplesmente mais um homem morto. Nesse dia, acabaram com Huey Newton, aquele que foi declarado “perigo para a segurança nacional dos EUA” e que fundou o Partido Pantera Negra, nos anos 60.

Herdeiro do pensamento de Malcolm X, esse partido transformou-se numa organização de auto-defesa, como direito legítimo de uma comunidade para preservar a sua segurança, relacionando a opressão dos negros com a sociedade capitalista com uma certa visão do marxismo.





Stockhausen: estreia de peça

24 08 2009

18-ph_stockhausen_k_mrz-04Estreia amanhã uma obra do chamado pai da música electrónica, Karlheinz Stockhausen. Trata-se de uma parte de um ciclo dedicado às 24 horas do día, última peça que Stockhausen compôs antes de morrer, em 2007. Intitulada “Paraíso”, a peça será interpretada no Festival de Música de Schleswig-Holstein (Hamburgo) e a realização do projecto está a cargo de Bryan Wolf, antigo assistente de Stockhausen.





Eis um novo espaço…

11 11 2008

Por Mão Própria = serviço de entrega de correspondência ao próprio destinatário

in Wikipédia





“A vitória de Obama é boa para o rock’n'roll!”

13 11 2008

Billy Bragg declarou o seu apreço pelo novo presidente norte-americano. Entrevistado pelo SociéNME, no regresso de uma tournée pelos Estados Unidos, o conhecido músico britânico declarou: “Quando eles elegem o seu presidente, fazem-no por todos nós. A vitória de Obama é boa para a América, para o mundo e para o rock’n'roll !”

 

 

 

 





RAGE AGAINST GUANTANAMO

16 12 2008

Na semana passada, um relatório do Senado norte-americano sobre a utilização, pelo Ministério da Defesa, de técnicas  controversas de interrogatório  (como a obrigação de se manter em posições stressantes, nudez, privação de sono, etc.) salientava que estas tinham comprometido notavelmente a “autoridade moral” dos Estados Unidos.  

Por altura dos 60 anos da Declaração universal dos direitos humanos, muitos activistas norte-americanos pediram o encerramento das prisões, em Guantanamo, para que findem os actos de tortura perpetrados. Esta causa junta artistas, entre os quais Massive Attack, Rage Against The Machine ou Elbow, na campanha «Zero Db» contra a tortura musical.

Segundo a Reprieve, organização caritativa de defesa dos direitos humanos, a música – sobretudo dos Metallica, AC/DC, Eminem ou Bruce Springsteen  – é difundida nas celaas, em alto volume, durante várias horas por dia. O objectivo é “criar medo, , desorientar (…) e prolongar o choque da captura”, conforme palavras do general Ricardo Sanchez, que autorizou esta prática, em 2003, no Iraque, que depois foi banalizada em Guantanamo.

Unidos contra esta forma de tortura psicológica, aqueles artistas exigem que o exército deixe de utilizar as suas instalações para manter os detidos e preparam-se para respeitar alguns minutos de silêncio nos seus próximos concertos.

 

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STOP GUANTANAMO

16 12 2008

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novidades cinéfilas 1

17 12 2008

 “My son, my son, what have you done?” será o próximo filme a ser produzido por David Lynch (com um escasso orçamento) que contará com a participação dos actores Willem Dafoe (Platoon), Michael Shannon (Shotgun Stories) e o “habitué” dos filmes de Lars von Trier: Udo Kier.

Apesar de ser uma história sórdida, o filme inspira-se em factos reais: um homem, que vive em San Diego, perde a cabeça e mata a mãe com uma espada.

O cineasta alemão – Werern Herzog – será o realizador deste filme, cujas rodagens serão feitas entre Janeiro e Março próximos.

 





sobre Werner Herzog

18 12 2008

Werner Herzog (na realidade Werner H. Stipetic) nasceu, em Munique, a 5 de Setembro de 1942. Cresceu numa aldeia remota da Bavária e durante a infância, nunca viu filmes, televisão ou telefones.

Aos 14 anos, começou a viajar a pé. Aos 17, fez o seu primeiro telefonema. Durante o liceu, arranjou um trabalho nocturno, como mecânico, numa fábrica de aço de forma a poder produzir os seus filmes.

Realizou o seu primeiro filme, em 1961, com 19 anos. Desde aí produziu, escreveu e dirigiu mais de 40 filmes, publicou uma dúzia de livros em prosa, e dirigiu várias óperas.

Filmografia

THE WILD BLUE YONDER (2005)
Grizzly Man (2005)
The White Diamond (2004)
Wheel of Time (2003)
Ten Thousand Years Older (2001)
Christ and Demons in New Spain (2000)
Invincible (2000)
The Lord and the Laden (1999)
My Best Fiend (1999)
Wings of Hope (1999)
Little Dieter Needs to Fly (1997)
Death for Five Voices (1995)
The Transformation of the World into Music (1994)
Bells from the Deep (1993)
Lessons of Darkness (1992)
Film Lesson (1992)
Scream of Stone (1991)
Jag Mandir: The Eccentric Private Theater of the Maharaja of
Udaipur (1991)
Echoes from a Sombre Empire (1990)
Wodaabe – Herdsmen of the Sun (1989)
Les Gauloises (1988)
Cobra Verde (1987)
Where the Green Ants Dream (1984)
The Dark Glow of the Mountains (1984)
Ballad of the Little Soldier (1984)
Fitzcarraldo (1982)
Huie’s Sermon (1980)
God’s Angry Man (1980)
Woyzeck (1979)
Nosferatu (1978)
La Soufrière (1977)
Stroszek (1976)
No One Will Play with Me (1976)
How Much Wood Would a Woodchuck Chuck (1976)





Herzog, uma de entre muitas fotos

18 12 2008

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por outros BLOGs 1

18 12 2008

Televisão a preto e branco

Tínhamos uma televisão a preto e branco. Sobre o ecrã estava uma tela azul de plástico. Havia dois fios que passavam sobre a televisão e que, atrás, tinham dois pesos de chumbo. A tela transformava as imagens a preto e branco, os desenhos animados, as telenovelas, os telejornais, em imagens que se moviam em diversos tons de azul. Em domingos, o sol entrava pelas janelas, torrentes oblíquas de luz sobre os mosaicos do chão da cozinha. Sei hoje que a minha mãe era nova. A minha avó vinha visitar-nos. A minha avó estava viva. Era a minha avó. Não sei que idade tinha. Começamos a saber a idade das avós apenas quando nos tornamos adultos. Quando somos crianças, sabemos que as avós são velhas. As mães são velhas porque são mães. As avós são as mães das mães. Sei hoje que a minha avó era nova. Não conheci a minha avó mais nova do que naqueles dias. Nesses domingos, eu podia estar a fazer qualquer coisa, podia estar apenas a passar pela cozinha. A minha avó estava sentada numa cadeira. A minha mãe, sob a janela, atravessada pela luz, estava inclinada sobre o lava-loiças e, com detergente, lavava a tela azul da televisão.

Às vezes, no Natal, os meus pais contavam a história de quando tinham aparecido as primeiras telefonias. As pessoas, todas em silêncio, sentadas na casa do povo à noite. Os rapazes a olharem para as raparigas. Essas eram histórias que eu conseguia imaginar, mas eu conseguia imaginar mesmo as histórias que o meu padrinho me contava do tempo da primeira república. Nesses dias, eu e os meus amigos víamos os mesmos desenhos animados e víamos as mesmas telenovelas. Falávamos disso a caminho da escola. Falávamos disso no recreio. Quando tínhamos cães acabados de nascer, davámos-lhes nomes de personagens das telenovelas. Entre os cães que tive, havia o Neco e o Quintanilha. Havia também a nossa cadela mais querida, aquela que vi nascer, que vi morrer e que aprendi a respeitar, que recordo sempre com todo amor que é possível entre uma pessoa e um animal, a Grisla, que tinha o nome da mãe de um ursinho dos desenhos animados, o Misha, mascote dos jogos olímpicos de Moscovo em 1980. No recreio, chamávamos nomes de personagens das telenovelas uns aos outros. Se havia um par de namorados, chamávamos-lhes os nomes das personagens que eram o casal mais apaixonado da telenovela. Alguns desses nomes duram até hoje. Alguns desses nomes, já passaram para os filhos. O Nacibe, o Mundinho ou a Gerusa fizeram com que, mais tarde, existissem também o Nacibe pequeno, a filha do Mundinho ou Gerusa pequena. As minhas irmãs compravam revistas brasileiras que tinham entrevistas dos actores das telenovelas. Eu lia essas revistas. Lia as fotonovelas: “Você já não me ama”, “Amo sim”… Continuava a folhear páginas e dizia: “Olha a Malvina!” Eram personagens do “Casarão”, ou da “Escrava Isaura” ou do “Dancing Days”. No início de cada ano lectivo, as minhas irmãs reuniam essas revistas, tesouras e rolos de fita-cola sobre a mesa da cozinha. Depois, começavam a recortar as fotografias dos actores das telenovelas. Forravam os livros com essas fotografias e, depois, forravam essas fotografias com folhas de plástico. Eu haveria de estudar mais tarde por alguns desses livros, livros de geografia, gramáticas, livros com exercícios de matemática resolvidos a lápis. No seu interior tinham frases escritas por caligrafias de raparigas sobre o amor, frases que carregavam a esperança que as raparigas daquelas idades tinham sobre o amor. Raparigas de treze anos, que andavam no oitavo ano. Raparigas que imaginavam palavras como “amor”, “paixão”, “beijo”, “carícia”. Raparigas de treze anos que dançavam slows em matinés e em festas de anos. À hora da telenovela, oito e meia da noite, toda a gente sabia que não havia ninguém na rua. As mulheres que não tinham televisão, as mais velhas, as mais pobres, iam para casa de vizinhos. Sentavam-se muito direitas nos sofás. Os homens ficavam nos cafés. Em nossa casa, as minhas irmãs zangavam-se se alguém falava durante a telenovela. Pediam aos meus pais para se calarem. Ao fazê-lo, falavam. Os meus pais diziam que elas é que estavam a falar. De uma frase, nascia uma discussão que só parava quando as minhas irmãs ou os meus pais, sem estarem convencidos, deixavam de responder.

Eu e os meus amigos sabíamos que existiam televisões a cores, mas nunca tínhamos visto nenhuma. Quando alguns dos rapazes que andavam comigo na escola começaram a ter televisões a cores, não foi algo que nos surpreendesse. Nós sabíamos que existiam televisões a cores. No entanto, foi espantoso ver a abelha Maia ou o Dartacão pela primeira vez a cores. As cores. Às vezes, alguns dos rapazes que tinham televisões a cores deixavam-nos ver os desenhos animados na casa deles. As mães entravam e punham-se à frente da televisão. Tentavam oferecer-nos pão com tulicreme. Nós recusávamos de cabeça baixa, dizíamos “Não, obrigado”. Outras vezes, viravam-se para os filhos e, como se nós não estivéssemos ali, diziam: “Jà te disse para não trazeres esta cachopada toda cá para casa”. Às vezes, durante as brincadeiras, os rapazes que tinham televisões a cores diziam: “Se não me passares a bola para marcar golo, se não me emprestares o teu carrinho vermelho, se correres mais depressa do que eu, não te deixo ir a minha casa ver os desenhos animados.” Às vezes, os rapazes que tinham televisões a cores escolhiam dois ou três entre o grupo de rapazes que estava a brincar na rua e, na hora dos desenhos animados, iam com eles para casa ver televisão. Nós ficávamos a vê-los enquanto desciam a rua e não conseguíamos fingir que não nos importava.

No dia em que o meu pai trouxe a nossa televisão a cores, já há muito tempo que eu dizia aos meus amigos que íamos ter uma televisão a cores. Poucos se impressionaram. Eu, no entanto, estava impressionado. Fui com o meu pai à loja. Entre televisões, o meu pai disse-me: “É uma destas.” Depois, a carregá-la, tão pesada. Depois, a chegarmos a casa. A minha mãe a ver tudo. Eu, um pouco mais perto, a participar um pouco mais. O meu pai a tirar a televisão de dentro da caixa de cartão, a separar as proteções de esforovite. A televisão a preto e branco a ser tirada do seu lugar como algo que envelheceu. A minha mãe a limpar o pó do móvel e a televisão nova, brilhante. O meu pai começou a sintonizar os dois canais que existiam e a primeira imagem que apareceu foi um jogo entre o Benfica e o Estoril Praia. Eu conhecia os jogadores quase todos, conhecia as cores dos seus equipamentos. Tinha uma caderneta de cromos com as suas fotografias e os seus números. Eu e os rapazes da minha idade, trazíamos sempre connosco os cromos que tínhamos repetidos. Trazíamos sempre connosco uma lista, escrita à mão, com os números dos cromos que nos faltavam. O primeiro a acabar a colecção ganhava uma bicicleta que estava na montra do café do terreiro. Todos sabíamos quando alguém tinha acabado a colecção, todos sabíamos quem tinha ganho a bicicleta. Eu nunca acabei a colecção primeiro. Uma vez, ganhei uma bola. No primeiro dia em que tívemos televisão a cores, fiquei a ver o jogo de futebol. Teria ficado a ver outra coisa se fosse outra coisa que estivesse a dar na televisão. Depois, cresci.

Hoje, o meu filho e as minhas sobrinhas têm televisão por cabo. Têm canais que só passam desenhos animados. Há muitas telenovelas diferentes. Às vezes, no Natal, conto-lhes a história de como, quando eu era da idade deles, tinha uma televisão a preto e branco com uma tela azul de plàstico. Nem o meu filho, nem as minhas sobrinhas sabem a minha idade ao certo. Um dia, os meus filhos saberão que, hoje, ainda sou novo. Nesse dia, o meu filho e as minhas sobrinhas contarão as histórias de hoje a crianças que nâo conhecerei. Talvez nesse dia eu esteja, na cozinha, com as minhas irmãs, os meus pais e a minha avó a ver a nossa televisão a preto e branco.

 

Postado por: José Luís Peixoto | 16/12/2008





José Luís Peixoto: uma de entre muitas fotos

18 12 2008

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sapatada global em George W. Bush

19 12 2008

Eis um movimento de apoio ao jornalista iraquiano, Muntadar al-Zaidi, que, na passada semana, atirou os seus sapatos a George W. Bush. É um sítio na internet com muitas fotos vindas dos quatro cantos do planeta, com indivíduos exibindo pantufas, sapatilhas ou sapatos em efectiva solidariedade odífera. Também o podes fazer, participando aqui. aqui.

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Björk: plano de relançamento económico

21 12 2008

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Não é por se ser artista que não há preocupação com os problemas económicos do seu país. A cantora islandesa Bjork deu o nome a um fundo de investimento de 574.000 euros para tentar ajudar a resolver a crise económica.

Audur, sociedade de serviços financeiros islandesa, associou-se a Björk para criar um fundo de investimento intitulado “Björk”. O fundo é orientado para “actividades duradouras que valorizem os recursos naturais e culturais da Islândia” e  demonstra os vários compromissos da cantora em desejar “participar no tratamento da economia do país”.

Conhecido pelos seus geysers, a lagoa azul e Reykjavik, a pequena ilha foi efectivamente tocada por uma grave crise financeira. Em parte, o facto deveu-se às dívidas contraídas com o Reino Unido e  os seus três mais maiores bancos foram à falência. Enquanto há  existe a ameaça de falência nacional, o valor da moeda local (coroa) caiu 40% desde Janeiro de 2008.

Resolutamente comprometida com o regresso “às raizes verdes” da Islândia, Björk descreveu o seu projecto associativo – Náttúra – como um movimento encarregue de promover o desenvolvimento de uma economia respeitadora do ambiente. Essa campanha foi lançada como resposta às ameaças de implantação na ilha de fundições de alumínio, em parte financiadas por capital estrangeiro.

Promovido pela Náttúra, Björk organizou um concerto gratuito, na Islândia, com Sigur Ros para sensibilizar a população em relação aos problemas ambientais.

 





Countdown para 2009… (1)

22 12 2008

Aí está uma nova banda para nos fazer saltar até 2009 ao som do indie rock, garage punk, raw…  WHITE DENIM surgiu, há pouco mais de um ano,  e é composta por três músicos – Joshua Block, Janes Petralli e Steve Terebecki – de Austin (Texas).

No seu recente álbum “Workout Holiday” podem ser escutadas algumas boas e potentes malhas: “Let´s Talk About It”, “I Can Tell” ou “Shake Shake Shake” .

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shake… shake… shake…

22 12 2008





Countdown (2)

26 12 2008

Mais uma sugestão para o salto até 2009: RAHID TAHA, músico argelino, a residir em França, com as  excelentes faixas “BARRA BARRA” e “ROCK EL CASBAH” (vide em cima).

Também poderás saber algo mais sobre este músico no site: http://rachidtaha.artistes.universalmusic.fr/





“Barra, Barra”

26 12 2008





Rock El Casbah

26 12 2008





E se Beethoven tivesse inventado o rock?!

28 12 2008

Há quem sempre tenha afirmado e continue a afirmar que escutar rock ensurdece. Mas não é verdade. Ludwig van Beethoven (1770-1827) já estava quase surdo, quando compôs, no princípio do séc. XIX, o primeiro verdadeiro riff da história da música, como argumenta Friedrich Pohl em  Die Welt.
Um riff, para os amantes do rock’ n’ roll, é uma frase curta, repetida diversas vezes, cujo ritmo é menos importante que a melodia.
Há precisamente dois séculos (22 de Dezembro de 1808), foi tocada pela primeira vez, em público, a 5ª Sinfonia, Opus 67, de Beethoven: Ba-ba-ba-baaaa. “Duas notas foram usadas, a saber – DO e MI bemol. Beethoven fez uma obra que se tornou mítica”, prossegue o jornalista alemão.
A Die Welt cita também outros célebres riffs: “You Really Got Me” (The Kinks,1964), “Satisfaction” (The Rolling Stones,1969), “Smoke On The Water” (The Deep Purple,1972) e, mais recentemente, “Seven Nation Army” (The White Stripes, 2003).
Há certamente uma relação de paternidade entre o “Ba-ba-ba-baaaa” de Beethoven e o “Oooh-o-o-o-oooh” de muitas bandas de rock.  A propósito,  porque não escutar o mítico “Roll Over Beethoven” de Chuck Berry (1956) ?


 
 





Lágrimas pela Palestina

30 12 2008

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Dir Yassin

30 12 2008

Em qualquer lugar do mundo, o punk rock é feito como protesto político ou simplesmente para curtir a energia desse tipo de som. Em Israel, isso não seria diferente. Mas músicos judeus em defesa de palestinianos causa alguma surpresa para quem acompanha o que se passa no Médio Oriente.
Dir Yassin é nome de uma banda, criada em 1997, para “trazer de volta à consciência das pessoas os actos sangrentos do sionismo, que durante anos foram sublimados”, afirma o vocalista desta banda no site:  http://www.angelfire.com/il/deiryassin/

Dir Yassin foi também um vergonhoso massacre praticado contra palestinianos, em Abril de 1948. Podes ler mais,  em:
http://www.deiryassin.org/

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Countdown (3)

31 12 2008

 

E para findar este ano, pleno de inúmeras contradições, porque não esta faixa dos HOT CHIP, grupo da electro-pop britânica: “READY FOR THE FLOOR”??

 





Morreu Helen Suzman

1 01 2009

A sul-africana Helen Suzman, que foi, por muito tempo, a única deputada branca, que se opôs ao regime segregacionista do apartheid, morreu hoje, aos 91 anos, na sua casa, em Joanesburgo.

Helen Suzman, deputada do antigo regime racista sul-africano, foi a primeira parlamentar a visitar o herói da luta contra o apartheid, Nelson Mandela, na sua cela, em Robben Island. De 1961 a 1974, ela foi a única representante do partido progressista, no Parlamento sul-africano, quando todos os outros deputados apoiavam o regime segregacionista.
Eleito em 1994, para a presidência da África do Sul, nas primeiras eleições multirraciais da história do país, Mandela entregou a Suzman a medalha de ouro da ordem do mérito, em 1997. “A sua coragem, probidade e compromisso com os princípios de justiça, designaram-na como uma das figuras de proa da história da África do Sul”, declarou Mandela, em 2007, por ocasião do 90º aniversário da ex-deputada.1230820145747suzmanc3





Nkosi Sikeleli Africa

1 01 2009

Depois de postada a notícia anterior, eis-me a viajar no tempo, escutando um hino que entoavamos como símbolo da resistência contra um regime hediondo – o apartheid sul-africano.

Em homenagem a milhares de vítimas do apartheid e do  terror que o regime sul-africano instalou nos países vizinhos da África Austral,  aqui fica “Nkosi Sikeleli Africa” (God Bless Africa) numa versão cantada por Miriam Makeba.





Stop Israel

1 01 2009

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novidades cinéfilas 2

2 01 2009

Isabelle Huppert será presidente do júri do Festival de Cannes

“Je suis très heureuse. Cannes et moi, c’est une longue histoire. Ce prochain rendez-vous scelle définitivement mon amour pour le festival.” Foi assim que Isabelle Huppert reagiu ao anúncio da sua presidência do 62º Festival de Cannes. Será o segundo ano consecutivo que o júri do Festival é presidido por um actor. Em 2008, foi Sean Penn quem teve essa honra.

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Chiapas: fez ontem 15 anos

2 01 2009

zapata“Durante 15 anos, o mau governo fundou, financiou e treinou grupos paramilitares com a tarefa de provocar, ameaçar e dividir os nossos  povos”, afirmou ontem o comandante David, durante a celebração dos 15 anos do levantamento armado do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).

Foi feito também um apelo para que se tornem “fortes e grandes” a luta e a rebeldia. “Nestes 15 anos, aprendemos a resistir e a sobreviver com o apoio e a solidariedade de muitos irmãos e irmãs do México e do mundo.”





Final Fantasy

3 01 2009

Eis mais um projecto interessante: Final Fantasy. É o cantor e violinista canadiano, Owen Pallett, que faz parte dos Arcade Fire, num projecto a solo, onde mistura música erudita com baladas “indie”.

A não perder esta belíssima faixa: “The CN Tower Belongs to the Dead”.

 

 





Linz e Vilna, capitais europeias da cultura

3 01 2009

Estas duas cidades – a austríaca Linz e a lituana Vilna – inauguraram o seu período de capitalidade cultural, em 2009, com fogos de artifício, na noite do dia 1 de Janeiro.

Em Linz houve a instalação, por parte de 70 trabalhadores, de um  relógio digital com quatro metros de altura, sob o lema “O tempo constrói-se”. Linz terá 220 projectos culturais ao longo deste ano.linzPor seu lado, a cidade lituana, até agora a capital europeia da cultura mais oriental, desde que se introduziu este título honorífico, em 1985, tem 120 projectos culturais para o ano.

Desde 1985, pelo menos, uma cidade europeia recebe anualmente o título de capital europeia da cultura. Em 2008, foram: a britânica Liverpool e a norueguesa Stavanger. Em 2010, serão: a alemã Essen, a turca Istambul e a húngara Pecs.





Almanaque 1

4 01 2009

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Desde há um bom tempo, Janeiro é o primeiro mês do ano. Está associado com o momento em que o nosso planeta se encontra mais distante dos raios solares. Porque se chamou Janeiro ao primeiro mês do calendário gregoriano?

Acredita-se que, para efeitos do calendário romano, foi Numa Pompilio que, no século VI AC, agregou os meses de Janeiro e Fevereiro para completar um ano lunar com 355 dias.

O nome do mês provém do latím jenuarius, palavra que, por sua vez, procede do nome do deus latino Jano, representado com duas faces: era o espírito das portas, do princípio e do fim. Nesse sentido, ocupa a posição de ómega e alfa do calendário.

Também se associa Janeiro com Capricórnio e Aquário, signos que habitam o mês. Nasceram em Janeiro, Edgar Allan Poe, Geena Davies, Gene Hackman, Martin Luther King, Nastassja Kinski, Paul Cezanne e Wolfgang Amadeus Mozart.





STOP Israel

4 01 2009

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Orgia na Disneylândia

5 01 2009

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Em 1967, Paul Krassner, desenhador da Disney, publicou numa revista obscura, «The Realist», um quadro intitulado «Disney: Memorial Orgy».

Veja o original em : http://www.ep.tc/realist/74/12.html

Também pode apreciar esse quadro a cores, que mantém ainda hoje algum sentido divertido,  em : http://paulkrassner.com/





El Pueblo Unido

5 01 2009

Nos tempos que correm, aqui vai esta faixa bem conhecida, “El Pueblo Unido”, tocada por Thievery Corporation, e que faz parte do seu último álbum «Radio Retaliation».

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Oriundos de Washington DC, os Djs Rob Garza e Eric Hilton, revolucionaram o conceito da música electrónica, misturando sonoridades – dub, acid jazz, boss nova - cantadas em várias línguas.

 

Os Thievery Corporation têm quatro álbuns, onde contaram com diversas colaborações: Wayne Coyne (Flaming Lips), Perry Farrell (Jane’s Addiction/Porno For Pyros), Emiliana Torrini, entre outros.

 www.thieverycorporation.com/

 

 

 





Actor de «Gomorra» membro da Camorra

6 01 2009

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Um actor do filme «Gomorra» de Matteo Garrone, adaptado do livro do jornalista italiano, Roberto Saviano, foi preso recentemente, em Nápoles, por actividades mafiosas.

Condenado a dois meses de trabalhos cívicos, por tráfico de droga, Giovanni Venosa aproveitou a permissão de saída, no Natal, para extorquir dinheiro a comerciantes de Nápoles – o pizzo – imposto dado à Máfia em troca de protecção.

Giovanni Venosa é o terceiro actor de «Gomorra» a ser encarcerado por actividades mafiosas, após Salvatore Fabbricino, ter sido denunciado por um arrependido da Camorra, e Bernardino Terracciano, ter sido preso, em Outubro passado.

Quanto ao filme «Gomorra», após ter ganho o Grande Prémio do júri de Cannes e o European Award do melhor filme europeu do ano, representará Itália nos Oscars na categoria do melhor filme estrangeiro.





BD: Popeye é nosso

6 01 2009

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Desde o dia 1 de Janeiro, o mais popular dos marinheiros, Popeye, está livre de direitos, na União Europeia, onde a propiedade intelectual expira 70 anos, depois da morte do autor.

A partir de agora, quem quiser poderá utilizar a imagem do Popeye – criar uma nova BD, produzir t-shirts ou posters – sem pedir autorização a ninguém, nem pagar um cêntimo por isso.

O pai de Popeye, Elsie  Crisler Segar, morreu, em 1938, aos 43 anos, quando o seu protagonista era tão famoso como Mickey Mouse. Popeye começou por ser personagem secundário, em 1919, nas aventuras de Olívia Olivo. Com a sua cara de boxeur – nunca se soube como perdeu o olho direito – e desmesurados braços, Popeye encarnava, nos anos 30, o super-herói das classes populares, disposto a salvar crianças e mulheres de todos os males da Terra, quando os EUA atravessavam a maior crise económica da sua história.

 

Ganâncias milionárias

Ao longo dos anos, a industria Popeye desenvolveu-se mais rápido que a própria BD. Libros, jogos, videojogos e latas de espinafres… Popeye converteu-se numa  marca. Até existem restaurantes com o seu nome.

O personagem gera, em cada ano, 1.500 milhões de euros de lucro. A marca Popeye pertence à King Features Syndicate, que já deixou claro que lutará para defender cada um dos seus dólares.

Fora das fronteiras europeias, não se poderão comercializar objectos criados a partir da figura de Popeye. Nos EUA, a lei protege os direitos de copyright. Os norte-americanos terão que esperar até 2024 para explorarem livremente a imagem do marinheiro.

Capital dos espinafres

Olívia sempre contou com Popeye contra Bruto. Popeye tinha força e valor graças aos espinafres. Um engano histórico, pois a ciência aclarou que não é dos alimentos com mais ferro.

Popeye foi o primeiro personagem de BD a ter uma estátua, construída, em 1937, em Crystal City, cidade que se auto-proclamou “Capital mundial dos espinafres”.

Popeye é um dos primeiros personagens de BD do siglo XX a ficar livre de direitos. Ainda falta muito tempo para poder utilizar a imagen de Mickey Mouse ou Betty Boop.





Indiana Jones, arqueólogo de pacotilla

7 01 2009

Segundo a lista elaborada pela www.moviemistakes.com, foram contabilizados 63 disparates no filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” de Steven Spielberg, apesar de não terem sido contados erros históricos crassos.

 

Deixando de lado o facto de o (presumível) arqueólogo, Indiana Jones, sobreviver a uma explosão nuclear, escondendo-se numa gruta, e apanhar aviões em cidades que ainda não têm aeroportos, os maiores disparates do filme são do tipo histórico. Indy confunde, várias vezes, Maias (México e América Central) com Quechuas (Peru e resto dos Andes).

 

No  filme, também se diz que o revolucionário mexicano, Pancho Villa, falava quechua. Além disso, Indiana Jones enfrenta guerreiros maias, que falam quechua na selva peruana, situada na pirâmide de Chichen Itzá (México). Por último, ainda que não menos delirante, cada vez que Indy pisa o Peru, ouve-se música ranchera mexicana.

 

No mesmo ranking também se encontram “Mamma Mia!” (45), ”High School Musical 3” (40), “Viagem ao Centro da Terra” (31), “Superagente 86” (23) e “Quantum of Solace” (23). A maior parte dos erros nestes filmes, têm a ver com imperceptíveis faltas de continuidade entre planos. Coisas como uma minúscula ruga no traje de Batman, que aparece e desaparece de um plano para outro.

 

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Al Franken: senador night life

7 01 2009

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Al Franken é a prova viva que se pode parodiar Mick Jagger e conseguir ser eleito senador democrata, conquistando o lugar ao seu predecessor republicano, no Estado do Minnesota.

Considerado como simpatizante comunista, pelos conservadores, Al Franken tem um background sympático. Começou a carreira como cómico, participando em sketches de «Saturday Night Live», que lhe valeram uma caução formidável.

Após diversos talk-shows, uma passagem pela rádio e pequenos papéis no cinema, Al Franken lançou-se na política. A comissão eleitoral encarregue de contar os votos, no Estado de Minnesota, confirmou a sua vitória, no passado dia 6 de Janeiro.





Obama e o Homem-Aranha

9 01 2009

obamaspiderman420A ideia de lançar uma edição especial com o Spider-Man, veio de Joe Quesada, editor da Marvel Comics, depois de ter lido uma entrevista em que Baracko Obama revelou os seus “10 pequenos factos desconhecidos”.

No topo dessa lista estava a paixão de Obama pela BD de Spider-Man, de que era  coleccionador. “Um fã de Spider-Man na Sala Oval. é um acontecimento que deve ser comemorado no Amazing Spider-Man“, afirmou Joe Quesada.

Dito e feito: seis páginas da edição especial “Inauguration Day” sairão dentro de dias. Talvez se veja também Peter Parker e o seu alter ego, dia 20 de Janeiro, em Washington, na investidura de Obama, como presidente dos EUA !!!





Rupa and The April Fishes

9 01 2009

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Rupa & The April Fishes é um projecto multicultural, residente em São Francisco, com diversas influências musicais (french chanson, gypsy swing, tango, música indiana e latina), instantaneamente apelativas. Veja mais em: http://www.myspace.com/aprilfishes

Eis esta bela faixa “Une Americaine à Paris”, que faz parte do álbum “Extarordinary Rendition”.





BD: Tintin faz hoje 80 anos

11 01 2009

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A 10 de Janeiro de 1929, foi publicada a primeira aventura de Tintin, no suplemento infantil do jornal belga “Vingtième Siècle”: “Tintin no País dos Sovietes”, surgiu como reacção ao que se passava na União Soviética.

 

O êxito da primeira aventura fez com que Tintin viajasse depois para o Congo. A segunda aventura tinha uma matriz racista e uma  conotação colonialista, ao apoiar a Bélgica na sua pretensão em relação ao seu antigo território.

 

Tintin tornou-se depois um dos maiores ícones da BD mundial. Hergé, que deu vida ao jovem repórter, criou uma imensa galeria de personagens: Milou, cão inteligente e cúmplice de Tintin, Haddock, os irmãos Dupond(t)…

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E, para comemorar 80 anos de Tintin, eis os Gato Fedorento com “As Aventuras do Major Valentintin”:

 

 

 





Cinema: “Cristóvão Colombo, o enigma”

11 01 2009

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Cristóvão Colombo, o enigma“, de Manoel de Oliveira, é um filme que se baseia na tese do nascimento de Colombo, em Cuba, defendida no livro publicado, em 2006, pelo historiador luso-americano Manuel Luciano da Silva e pela sua mulher, Sílvia Jorge da Silva.


Manoel de Oliveira frisou que o filme não é “científico ou histórico, nem de carácter propriamente biográfico”, mas “uma ficção de teor romanesco, evocativa da grandiosa gesta dos Descobrimentos Marítimos”. O filme estreou-se no Festival de Cinema, em Veneza.

Com 100 anos de idade e 76 anos de cineasta, Manoel de Oliveira é o mais velho realizador de cinema do mundo em actividade e o mais premiado do cinema português, desde que rodou “Douro, Faina Fluvial”, em 1931, o primeiro dos mais de 40 filmes que realizou.

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Leitura em Diagonal das Páginas Amarelas

11 01 2009

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Num fim de tarde assim, sabe bem escutar Adriana Calcanhotto, recitando “Jornal de Serviço (leitura em diagonal das páginas amarelas)”, poema de Carlos Drummond de Andrade, com uma base dançante onde se mistura drum”n”bass com bossa nova.

 





Parabéns à MOTOWN!

12 01 2009

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A 12 de Janeiro de 1959, Berry Gordy criou a Tamla Records com 800 dólares emprestados pela família. Colocou assim a primeira pedra no que se tornaria a casa-mãe da música negra americana da segunda metade do século vinte.

Mais tarde, a editora passou a chamar-se Motown em homenagem à indústria automóvel de Detroit (Motor-Town). O primeiro contrato foi com The Matadors. Seguir-se-iam Smokey Robinson & The Miracles, Martha & The Vandellas, The Temptations, The Supremes, The Jacksons, Stevie Wonder, Diana Ross, Marvin Gaye…

Para celebrar os 50 anos, sairá um disco com mais de 190 canções que chegaram aos tops. Aqui vai uma faixa de Smokey Robinson com The Miracles “The Tears of a Clpwn”

 

Encontra mais informações em:

http://classic.motown.com/





30 Anos de Xutos & Pontapés

12 01 2009

Os Xutos & Pontapés tocaram pela primeira vez ao vivo, na festa de despedida dos Faíscas (de Pedro Ayres Magalhães), a 13 de Janeiro de 1979. Foram quarto temas em seis minutos cheios da fúria do punk rock.


O percurso dos Xutos & Pontapés nem sempre foi linear. No começo, deu-se a passagem fugaz de Francis, como segundo guitarrista e a saída de Zé Leonel como vocalista, lugar ocupado por Tim. Entraram ainda o guitarrista João Cabeleira e o saxofonista Gui, que completam a formação actual.


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e Toca e Foge foram os primeiros singles a sair. Em 1982, lançaram o álbum 78/82, que reunia os temas daquele período. Depois gravaram Cerco, no Rock Rendez-Vous. O grande sucesso foi Circo de Feras, em 1987, e depois o single A Minha Casinha.


No começo dos anos 90, o grupo passou por uma crise interna. Voltariam com Dizer Não De Vez, em 1992. Até hoje, fizeram dezenas de concertos e lançaram onze discos. Recentemente foi publicada a história dos Xutos & Pontapés em BD acompanhada de um CD.

 

 

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Woody Allen ressuscita” nos Estados Unidos

13 01 2009

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 “Vicky Cristina Barcelona” ganhou o Globo de Ouro, como melhor comédia do ano. Woody Allen já tinha ganho um Globo de Ouro, como melhor guião original com A Rosa Púrpura do Cairo”, em 1986.

Depois de ganhar, em 1977, os prémios de melhor filme, director e guião original com “Annie Hall”, Allen acumulou 18 nomeações, mas só lhe serviram para ganhar um Oscar do melhor guião original com “Hannah e Suas Irmãs”, em 1987.

O prémio agora recebido vem confirmar que se renova o interesse pela obra de Woody Allen nos Estados Unidos.

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“Vicky Cristina Barcelona”

Sinopse: Duas jovens americanas, a conservadora Vicky (Rebecca Hall) e a aventureira Cristina (Scarlett Johansson), viajam até Barcelona para passar férias de Verão e acabam por se envolver em confusões amorosas com um artista extravagante, Juan António (Javier Bardem) e a sua ex-esposa (Pénelope Cruz).

Ficha Técnica
Título Original: Vicky Cristina Barcelona
Duração: 96 minutos
Direcção: Woody Allen
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum e Gareth Wiley
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Desenho de Produção: Alain Bainée
Figurino: Sonia Grande
Edição: Alisa Lepselter
Efeitos Especiais: Big Film Design

Veja mais em: http://vickycristina-movie.com/





Animal Colective: novo álbum

14 01 2009

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Acabou de sair o novo álbum dos Animal Colective:  “Merriweather Post Pavilion. É um disco que confirma um certo clima experimental associado a opções mais meticulosas na produção.

A banda criada, em Baltimore (EUA – 2000), tem como referências os compositores minimalistas norte-americanos, as culturas tribais índia e africana, o psicadelismo e a música folk aliadas à electrónica. Veja mais em: http://www.myspace.com/animalcollectivetheband

Os Animal Colective já editaram os seguintes álbuns: “Sung Tongs, (2004), “Feels”, (2005), e “Strawberry Jam(2007). Aqui vai uma brisa desta banda com a faixa Fireworks”.

 

 

 





Os extremos tocam-se

14 01 2009

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Created Equal” é uma série de retratos a preto e branco do fotógrafo Mark Laita. O autor percorreu os EUA, nos últimos sete anos, para encontrar os arquétipos mais típicos do seu país: cowboys, mecânicos, barbeiros, delinquentes, agentes da polícia…

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“Todos somos iguais até que o ambiente ou a sorte nos faça ser quem somos” afirma Mark Laita. Essa ideia levou-o a construir “Created Equal. Opina ainda que, nos EUA, os extremos são cada vez mais severos e os abismos entre ricos e pobres,, conservadores e progressistas estão a crescer.

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O artista escolheu o formato díptico para juntar fotografias num contraste permanente onde mostra a polaridade do seu país. Explora  temas como a religião, o poder, a beleza, a riqueza e o sexo. Laita procura construir um arquivo parcial da cultura norte-americana com os seus 105 dípticos.

Veja mais em: http://www.marklaita.com/





Cinema: VENENO CURA

15 01 2009

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Chegou o novo filme de Raquel Freire, que faz parte de uma trilogia sobre a intimidade e o amor, sendo produzido por Paulo Branco. Esta é a segunda longa-metragem da realizadora de “Rasganço” (2001).

“Veneno Cura” é interpretado por cinco actores (Sofia Marques, Margarida Carvalho, Sandra Rosado, Miguel Moreira e Gustavo Vicente), protagonistas de histórias sobre a crueza do amor e os falhanços emocionais.

O segundo filme da trilogia será ”Leis do corpo“, está na fase de argumento, mas Raquel Freire sabe que contará com os mesmos actores de “Veneno Cura”, em papéis secundários, e com Ana Brandão. O terceiro filme chamar-se-á “Amor Omni”.

 





BEIRUT: novo maxi

15 01 2009

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Brevemente teremos oportunidade de ouvir um novo maxi de Beirut. «March of the Zapotec» foi gravado no México com «The Jimenez Band», uma fanfarra de Oaxaca, e deverá sair em Fevereiro.

Beirut é um projecto de Zach Condon (Santa Fé, Novo México), que combina sonoridades balcânicas com folk. Os dois primeiros álbuns, «Gulag Orkestar» (2006) e «The Flying Club Cup» (2007), foram preciosidades.

Para nossa delícia, eis o video «Postcards From  Italy»

 





Jorge Colombo expõe

16 01 2009

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O ilustrador e fotógrafo Jorge Colombo (45 anos e residente, nos EUA, há 20 anos) inaugurou, na Casa Fernando Pessoa, a sua primeira exposição de fotografia, em Portugal.

Chama-se “Lisboa Revisitada” e é composta por imagens da cidade sobre poemas do heterónimo Álvaro de Campos. A ideia nasceu do desafio feito pela Casa Fernando Pessoa e a exposição segue a “Ode Triunfal” como guião inicial.

Nas 52 fotografias, que compõem a mostra, Jorge Colombo tentou captar aspectos da capital portuguesa de que o poeta poderia gostar, caso “andasse” pela Lisboa de início do século XXI. Doze das fotografias, podem já ser vistas no site da Internet

www.jorgecolombo.com/lisboarevisitada/press.





Relembrar Richard Yates

17 01 2009

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Está para breve a chegada do filme ‘Vía Revolucionária’, realizado por Sam Mendes (de Beleza Americana) e que conta com a presenta dos actores Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

O filme recupera um dos escritores mais brilhantes e esquecidos da geração que criticou o falso modelo de vida norte-americano dos anos cinquenta: Richard Yates (1926/1992).

Richard Yates nasceu em Yonkers (Nova Iorque, 1926). Filho de uma escultora falida e de um cantor frustrado. Os pais divorciaram-se, quando tinha apenas três anos e viveu uma infância como nómada urbano, de subúrbio em subúrbio.

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 Revolutionary Roadpublicado, em 1961, foi nomeado para o National Book Award, em 1962, e revela uma visão contra o consumismo e sentimentalismo, que alimentaram o comodismo e a amnésia.

Foi também autor de várias obras – A Special Providence”, “A Good School”,” The Easter Parade e Disturbing the Peace” – e de duas colecções de contos – “Eleven Kinds of Loneliness” e “Liars in Love”.

A sua vida poderia ser como a das suas personagens. O alcool e a solidão tinham-no convertido num atormentado. Morreu em 1992, em Birmingham. Veja mais em:

http://www.tbns.net/elevenkinds/elevenkinds.index.html

 

 

 





FELA KUTI

17 01 2009

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Fela Kuti, inventor do afrobeat, mistura de jazz com funk e música tradicional, foi também um militante anti-conformista nigeriano. Devido à sua actividade política esteve preso vezes. Aqui vai «Zombie», faixa dedicada aos militares nigerianos contra os quais protestatva.





Por Outros Blogs 2

21 01 2009

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Not dead

Tenho um punk dentro de mim, debaixo da minha pele. Há vezes em que sou obrigado a pôr-me à sua frente e a segurá-lo pelos ombros, quer fugir, quer dar pontapés nos caixotes do lixo e deixá-los espalhados no meio da rua. Seguro-o como se tentasse evitar um briga. Não faças isso, não vale a pena. Na maior parte do tempo, esse punk está a dormir, sentado num passeio dentro de mim, encostado a uma parede, com as costas tortas, o pescoço torto, inconsciente, bêbado ou drogado com o perfume dos lugares onde vou. Esse punk dentro de mim não os suporta, prefere comer restos abandonados na mesa de esplanadas do que jantar de fato e gravata na casa de príncipes, prefere vomitar aguardente destilada pelo estômago do que ter de responder palavras vazias às palavras vazias dessas conversas. Já houve ocasiões em que esse punk quis puxar a toalha da mesa posta, aquilo que mais desejou foi ver o serviço inteiro de jantar suspenso por um instante no ar da sala e, depois, a desfazer-se no chão.

Esse punk não é uma metàfora ou uma ironia. É um punk a sério. Tem um casaco que é sempre o mesmo e tem uma camisola, tem umas calças que são sempre as mesmas, com remendos de G.B.H. e de Chaos UK que não tapam os buracos nos joelhos. Aliás, os remendos não servem para tapar os buracos nas calças, servem para outras coisas. Também os buracos têm uma função que, aqui, agora, seria difícil de explicar. É possível olhar para os olhos desse punk que está debaixo da minha pele. Há vezes em que todo o seu rosto está escuro, coberto de sombras e apenas se distinguem os seus olhos, fixos, a brilhar. É mais ou menos divertido que alguém possa pensar que esse punk é uma metáfora ou uma ironia porque, se há algo que ele rejeita no seu discurso são as metáforas e as ironias. Esse punk gosta de escrever frases nas paredes, gosta de repetir refrões quatro vezes e considera que tanto as metáforas como as ironias são subterfúgios que algumas pessoas utilizam para não serem directas, para serem mentirosas, para serem cobardes e se protegerem daquilo que têm para dizer, para se protegerem do olhar dos outros sobre aquilo que têm para dizer. Esse punk engana-se muitas vezes, mas não tem medo de utilizar o verbo ser.

Em conversas com outras pessoas, estando a falar ou a ouvir, é muito frequente que esse punk me esteja a sussurrar palavras ao ouvido. Tem uma voz riscada por grãos de areia. É como se a sua garganta fosse rugosa, e talvez seja. Esse punk prefere gastar aquilo que tem, prefere gastar-se, a ter tudo muito guardadinho em gavetas, apenas para ser usado em dias especiais, com muito cuidado para não riscar, para não sujar. Esse punk gosta de sujar-se. As outras pessoas têm dificuldade em entender o prazer imenso de estar sujo, de não tomar banho, de deixar o tempo acumular-se na pele, de torná-la morna, da certeza de vida que existe por baixo de tudo isso. Porque esse punk também tem muito dentro de si, também há muito debaixo da sua própria pele. Eu tenho um punk dentro de mim, debaixo da minha pele, e esse mesmo punk tem muito dentro de si. Não vou enumerar, não vou cair nessa vertigem. Vou apenas assinalá-la. Essa arqueologia pode exigir a vida inteira.

Passamos muito tempo sozinhos, eu e esse punk. Se precisamos um do outro, basta chamarmos. Entendemo-nos bem, sabemos escutar-nos e, para alám da idade, somos dois velhos. Ele é um punk velho, que nunca desistiu, que nunca baixou a voz, apesar de tudo o que inventaram para o demover, para mudar o mundo que descobriu com 14, 15 anos, ou talvez antes. Eu sou um velho que, entre outras coisas, carrega um punk velho dentro de si. Ele conhece aquilo que faço quando não o estou a ouvir, ele perdoa-me aquilo que faço contra as suas convicções. Ele finge que não vê, mas vê. E entende. Eu também conheço aquilo que ele faz e que contraria o que diz, que é o exacto oposto daquilo que diz quando se exalta com as pessoas que falam na televisão ou que escrevem nos jornais. Também eu finjo que não vejo, mas vejo. E entendo. Entendo muito bem os instantes em que ele está a tratar de si, despenteado, em que passa as mãos pelo rosto, e é como um menino frágil. Esse punk, que grita rouco, que diz que quer matar este e aquele, que quer partir isto e aquilo, é como um menino fràgil, à mercê de mil coisas que o podem matar, partir, e que o matam devagar, que o desgastam, mas às quais ele resiste, porque ele tem memória, ele não esquece.

Muitas vezes, quando estamos sozinhos, falamos de muitos assuntos, rimo-nos como pessoas normais. E ele não é esse punk que tenho dentro de mim, mas é uma pessoa com um nome, que chegou de um lugar. E eu não sou eu, sou também uma pessoa com um nome, que também chegou de um lugar. Rimo-nos. E parece-nos que não há outra pessoa que possa compreender as nossas histórias. Talvez seja mesmo assim: ficamos os dois, tatuados e rodeados de livros. Depois, quando estamos no centro de uma multidão, esse punk quer sair, mas eu digo-lhe que não, ninguém pode vê-lo mais do que apenas um pouco, quase nada. Se o vissem, os professores universitários iriam chocar-se. Apenas pelo seu reflexo, acreditariam saber tudo acerca dele. As senhoras que têm netas, filhas, deixariam de achar-me graça, ficariam baralhadas. Por isso, sou obrigado a pôr-me à frente do punk que está dentro de mim, debaixo da minha pele, sou obrigado a segurá-lo pelos ombros. Quando estamos sozinhos, sentamo-nos à mesa e, às vezes, juntos, ficamos em silêncio durante muito tempo.

José Luís Peixoto
*Publicado originalmente no Jornal de Letras.

 

 





Palestina no Coração 1

22 01 2009

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Poema de Fadwa Tuqan*

 “SÓ QUERO ESTAR NO SEU SEIO”

Só quero morrer na minha terra,

que me enterrem nela.

Fundir-me e desvanecer-me na sua fertilidade

para ressucistar como erva na minha terra,

 ressucistar como flor.

Só quero estar no seio da minha pátria

como terra

erva

ou flor.

*Fadwa Tuqan – considerada a maior poeta palestiniana, nasceu na cidade de Nablus, 1917, e morreu, em 2003. Lírica e intimista, adquiriu tons nacionalistas, depois da guerra de 1967. Com a ocupação israelita, passou a falar dos humilhantes controles fronteiriços, da indignidade das demolições e do fervor do levantamento dos jovens





WAR CHILD HEROES

22 01 2009

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Está na forja uma nova e sumptuosa compilação, “War Child Heroes”, dedicada às crianças vítimas da guerra, que incluirá versões diversas: Scissor Sisters (Roxy Music -’Do The Strand’), TV On The Radio (David Bowie-’Heroes’), Hot Chip (Joy Division-’Transmission’), The Kooks (The Kink-’Victoria’), Peaches (Iggy And Stooges – ‘Search And Destroy’), Yeah Yeah Yeahs (Ramones- Sheena Is A Punk Rocker’), e a excelente faixa «Straight To Hell» dos Clash, tocada por Mick Jones e Lily Allen, afilhada de Joe Strummer (na foto abaixo).

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The Americans

23 01 2009

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Há meio século, Robert Frank fotografou a América que os norte-americanos não queriam ver: a América do racismo, da injustiça e da superficialidade. Para celebrar este aniversário, as suas fotos estão expostas, desde domingo passado, na Galeria Nacipnal de Arte, a meio caminho entre o Congresso e a Casa Branca.

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 The Americans”, livro de Robert Frank, publicado nos EUA, em 1959, denunciava o fosso entre os poderosos e os fracos. Na altura, o livro foi criticado e considerado “anti-americano”, mas acabou por ser “ressuscitado”, nos anos 60, com o movimento pelos directos cívicos e acabou por mudar o rumo da fotografia do século XX,

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Oumou Sangaré

23 01 2009

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Oumou Sangaré, é uma cantora do Mali, cujo primeiro álbum “Moussoulou (2003) contou com a presença de Ali Farka Touré. Após seis anos de silêncio, regressa com “Seya”, álbum que confirma Sangaré como uma voz de referência da música africana actual.

Sangaré mantém-se comprometida na defesa dos direitos da mulher africana, batalhando contra a poligamia, o matrimónio forçado e a ablação. “A mulher representa a coragem e valor para avançar, a energia para prosperar”, afirma Sangaré.





Incontornáveis 2009 (1)

25 01 2009

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BD : Conrad Botes

 

Conrad Botes (Cabo – 1969) retrata cruelmente a África do Sul «post-apartheid» através da BD. Estudou design gráfico na Universidade de Stellenbosch e criou, em 1992, com Anton Kannemeyer a revista underground Bitterkomix, que continua a ser publicada regularmente. As suas histórias perturbantes, duras e cruas, constituem reflexões sobre a violência e a redenção, estando em voga em diversas revistas internacionais de BD.

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MÚSICA : Andrew Bird

 

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Andrew Bird (Chicago – 1973) é um multi-instrumentista, que já tem o seu próximo álbum “Noble Beast” disponível em:

http://www.andrewbird.net/

Musicalmente,Bird preocupa-se com o pormenor, a melodia e as letras, misturando música clássica, rock e folk moderno. A sonoridade deste álbum remete-nos para Belle and Sebastian e Arcade Fire.

 





Tributo a Amilcar Cabral

25 01 2009

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Amílcar Cabral (Bafatá, Guiné – 1932) foi um dos mais carismáticos líderes africanos, cuja acção não se limitou ao plano político, mas desempenhou um importante papel cultural.

Formou-se em Agronomia (Santarém – 1950). Regressou a Bissau (1952) contratado pelos Serviços Agrícolas e Florestais. O governador impõs a sua saída da Guiné (1952) e vai trabalhar para Angola. Criação do PAIGC (Partido Africano para Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde), em Bissau (1956). Início da luta armada, na Guiné-Bissau (1963 – 23 de Janeiro). É assassinado, na Guiné-Conacri (1973 – 20 de Janeiro).

Eis um poema escrito por Amilcar Cabral:

 ILHA

                Tu vives – mãe adormecida - 

                nua e esquecida,

                seca,

                fustigada pelos ventos,

                ao som de músicas sem música

                das águas que nos prendem…  

 

                Ilha:  

                teus montes e teus vales  

                não sentiram passar os tempos  

                e ficaram no mundo dos teus sonhos  

                – os sonhos dos teus filhos -  

                a clamar aos ventos que passam,  

                e às aves que voam, livres,  

                as tuas ânsias!  

 

                Ilha:  

                colina sem fim de terra vermelha  

                – terra dura  - 

                rochas escarpadas tapando os horizontes,  

                mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias! 

 





WALKER EVANS

28 01 2009

250px-walker_evans_1937-02Walker Evans (1973-1975) nasceu no Illinois (Missuri, EUA). Estudou na Sorbonne (França), onde se dedicou às obras de Flaubert, Baudelaire e Joyce. Depressa abandonou a intenção de escrever e pintar, passando a dedicar-se à fotografia.

1232187441275evans11gdQuando regressou a Nova Iorque, foi trabalhar para a Farm Security Administration (FSA), fazendo fotografia sobre a condição camponesa durante a crise de 1929. Em 1936, saiu da FSA e foi para a revista Fortune.

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O modo como os norte-americanos se olhavam, uma América em desenvolvimento, em guerra e com conflitos internos, passaram a ter como referências visuais o trabalho deste fotógrafo, que se tornou uma referência para toda uma geração de fotógrafos.

Fotos:  “Camião e letreiro” – 1930; “Família cubana indigente” – 1933

 

 

 

 





Música: FANFARE CIOCARLIA

28 01 2009

Fanfare Ciocarlia é uma orquestra de metais originária da pequena aldeia de Zece Prăjini (literalmente “Dez Campos”), situada na zona montanhosa do nordeste da Roménia. Trata-se de uma espectacular fanfarra cigana, que mistura a tradição balcânica com sonoridades de todo o planeta. O resultado é um estilo único, enérgico e festivo.

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Discografia: “Queens and Kings” (2007), “Gili Garabdi – Ancient Secrets of Gypsy Brass” (2005), “Gypsy Brass Legends” (2004), “Iag Bari – The Gypsy Horns From The Mountains Beyond” (2001), “Baro Biao – World Wide Wedding” (1999) e “Radio Pascani” (1998).

 

Eis a versão de“Born to be wild” tocada por esta fantástica fanfarra:





Tributo a Buddy Holly

6 02 2009

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Houve um dia em que a música morreu, ainda o “rock and roll” era uma criança. Foi há 50 anos, quando Buddy Holly, perdeu a vida num acidente de avioneta, em Iowa (EUA).

Em 1959, a tournée “The Winter Dance Party” era uma loucura. A banda de Buddy Holly tinha 24 concertos para dar em três semanas, atravessando os EUA num autocarro. O autocarro avariou-se e a opção foi viajar de avioneta, factor determinante para o destino de Holly.

Este tributo é assinalado com a faixa “Ready Teddy”.

 





Fotografia: Despedimentos na Kodak

2 02 2009

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Durante este ano, a multinacional norte-americana Eastman Kodak, especializada em aparelhos fotográficos, despedirá 4500 funcionários, em todo o mundo, conforme comunicado divulgado pela empresa, em Rochester (Nova Iorque).

Os despedimentos corresponderão a 18% dos postos de trabalho da empresa, que registou uma queda de 24% na facturação, em relação a 2007. Entretanto, a Eastman Kodak concluiu a sua reestruturação, investindo prioritariamente na fotografia digital.

 





Música: Bigmouth Strikes Again

2 02 2009

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Não, não é nenhum manifesto contra o uso da pele de animais. Desta vez Morrissey, o conhecido ex-líder dos Smiths, decidiu tirar a roupa para promover o seu novo single “I’m Throwing My Arms Around Paris”. Na foto, surgem também quatro músicos desnudados e tapados com um disco de vinil. Nada melhor do que ver e ouvir o vídeo que se segue.





Tributo a Eduardo Mondlane

3 02 2009

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Eduardo Mondlane (1920/1969), um dos fundadores da FRELIMO, organização que lutou pela independência de Moçambique, foi assassinado há 40 anos.

Mondlane nasceu em Manjacaze, estudou numa missão, em Moçambique; terminou o ensino secundário, na África do Sul; esteve na Universidade de Lisboa e doutorou-se em sociologia, nos EUA.

Trabalhou para a ONU, como investigador e foi professor de sociologia na Universidade de Syracuse, em Nova Iorque. Em 1961, visitou Moçambique e teve contactos com vários nacionalistas.

A FRELIMO foi criada, em 25 de Junho de 1962, e Mondlane eleito seu presidente. A luta armada foi desencadeada, em 25 de Setembro de 1964, em Cabo Delgado.

Mondlane escreveu “Lutar por Moçambique, livro onde detalha o sistema colonial português e o que seria necessário para desenvolver o país.

Eduardo Mondlane morreu, a 3 de Fevereiro de 1969, em Dar-Es-Salam (Tanzânia), ao abrir uma encomenda que continha uma bomba enviada pela PIDE.

Em tributo a Eduardo Mondlane, aqui fica a faixa “As Mentiras da Verdade” do rapper Azagaia.





LOL

4 02 2009

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O «lol», acrónimo de “laughing out loud“, surgiu com o objectivo de exprimir o riso numa conversa na internet, onde a concisão predomina sobre a retórica. Tendando exprimir a hilariedade, o “lol” tornou-se uma pontuação simbólica.

Uma pequena franja da população, que usa a internet, ainda pretendeu ter uma sintaxe gramaticalmente correcta, defendendo o uso do «ahah», mas o «lol» impôs-se rapidamente como termo e tornou-se massivamente utilizado.

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Lux Interior is dead…

5 02 2009

images2Lux Interior, vocalista dos Cramps e ícone do rock alternativo, morreu esta noite com 62 anos, no Hospital de Glendale (Califórnia – EUA), devido a problemas cardíacos conhecidos…

O músico, cujo nome era Erick Lee Purkhiser, fundou os Cramps com Poison Ivy, nos anos 70. Mais do que dissertar sobre quem foi Lux Interior, que influências teve e que descendências deixará, importa relembrar que os Cramps inventaram o psychobilly.

Em seu tributo, aqui ficam dois videos que falam por si.

 

 

 





Por Outros Blogs 3

6 02 2009

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Asseio

 

Nesta época do ano, quando vivia na casa de lareiras que sempre pertencerá aos meus pais, uma das coisas que mais gostava de fazer era atear o lume. Acender uma pinha com fósforos ou no bico do fogão. Acender um fósforo. A explosão de um fósforo na ponta dos dedos é um assunto simultaneamente intenso e frágil, como o coração de uma ave. Da chama de um fósforo pode nascer um incêndio, o inferno, ou pode nascer um lume como aquele onde me aquecia na casa dos meus pais e que ardia durante todo o dia. E coloca-se a pinha no ponto onde a construção de lenha se cruza. Depois as chamas, depois as brasas, depois a cinza.

É assim que espero que as palavras peguem. No resto do tempo, faço como no poema de Billy Collins, que aqui deixo traduzido por mim para português:

 

CONSELHO PARA ESCRITORES


Mesmo que te mantenha a pé toda a noite,

lava as paredes e esfrega o chão

do teu estúdio antes de compores uma sílaba.


Limpa como se o Papa estivesse para vir.

O asseio imaculado é sobrinho da inspiração.


Quanto mais limpares, mais brilhante

será a tua escrita; não hesites, pois em sair

a campo aberto e lavar a face oculta

das pedras, nem de passar um trapo nos ramos mais altos

das florestas sombrias, pelos ninhos cheios de ovos.


Quando encontrares o caminho de volta para casa

e guardares as esponjas e escovas debaixo do lava-loiça,

contemplarás a luz da aurora,

o altar imaculado da tua secretária

uma superfície limpa no centro de um mundo limpo.


Então, de um pequeno copo, azul reluzente, tira

um lápis amarelo, o mais afiado do bouquet,

e cobre páginas com frases miúdas

como longas filas de formigas devotas,

que te seguiram desde o bosque.

 

José Luís Peixoto

 





Música: Chiwoniso

6 02 2009

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Chiwoniso nasceu, em 1976, em Olympia (Washington, EUA). Aos 14 anos, mudou-se com a família para o Zimbabwe. Desde então, tem sido uma voz em defesa da mulher africana.

 

Rebel Woman” é o seu novo álbum, onde se podem escutar cantos de igualdade e contos de liberdade acompanhados pela percussão de Sam Mataure, teclas de Charles Eller e a guitarra de Louis Mhlanga – músicos de renome na África Austral.





Christie’s vai leiloar fotos de Madonna

9 02 2009

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© Foto de Lee Friedlander. Madonna aos 20 anos, em 1979.

 

A Christie’s vai leiloar duas fotos de Madonna tiradas, em 1979, quando ela tinha 20 anos. O lance mínimo será de 10 mil dólares. Na altura, Madonna ganhou 25 dólares por posar nua para o fotógrafo Lee Friedlander. Estas imagens foram publicadas na revista “Playboy”, em 1985.

Segundo o responsável do departamento de fotografia da Christie’s, Matthieu Humery,  Madonna era uma dançarina que precisava de dinheiro e, por isso, respondeu ao anúncio de Friedlander, que procurava uma modelo para posar nua, em 1979.

Veja outra foto de Madonna (completamente nua) que irá a leilão em:

http://www.christies.com/LotFinder/lot_details.aspx?from=searchresults&intObjectID=5176357&sid=6e6cf1e0-1265-4b5c-ba6e-e996895d46c7





King of Blue: suprassumo do cool

9 02 2009

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Miles Davis em estúdio (1959).

Ele fundou o jazz modal, conceito que revolucionou o estilo dando mais liberdade aos músicos.

 

Miles Davis e um grupo fantástico de músicos lançaram o álbum “Kind of Blue”, em 1959. O grupo era formado por John Coltrane/Julian Adderley (saxofone), Wynton Kelly/Bill Evans (piano), Paul Chambers (contrabaixo), Jimmy Cobb (bateria) e Miles Davis (trompete).

 

Este álbum fundou o jazz modal: a harmonia musical é feita sem a progressão dos acompanhamentos, permitindo mais liberdade aos músicos. Para comemorar os 50 anos, há uma caixa com dois CDs, um DVD com registos da época e uma brochura com 60 páginas.





Faleceu Cachaíto Lopéz…

11 02 2009

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A música cubana perdeu mais um grande músico. Cachaíto Lopéz, morreu anteontem, em Havana, com 76 anos de idade.

Cachaíto nasceu, em 1933. Desde cedo, tocou contrabaixo. Com treze anos compôs Isadora. Aos 17 anos já tocava com Arsénio Rodriguez. Depois tocou na orquestra Riverside y Maravillas e, em 1960, tocou na Sinfónica Nacional.

Do seu contrabaixo alimentou-se a Orquesta Cubana de Música Moderna, disfarce para o jazz que Fidel Castro não deixou tocar por ser “música inimiga”. Cachaíto sobreviveu ao naufrágio, surgindo em Buena Vista Social Club.





Madonna fotografada por Steven Klein

11 02 2009

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Na sua recente passagem pelo Rio de Janeiro, o fotógrafo Steven Klein fez um ensaio fotográfico com a pop star, Madonna, intitulado “Blame it on Rio“, realizado no Copacabana Palace e no Hotel Glória, com a presença de alguns modelos brasileiros.

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Fotografo da Magnum faz ensaios com candidat@s ao Oscar deste ano

13 02 2009

robert_downey_jr© Paolo Pellegrin/Magnum Photos. O ator Robert Downey, Jr

Paolo Pellegrin, fotógrafo da Agência Magnum, fez um ensaio fotográfico para o “New York Times Magazine“, mostrando candidat@s ao Oscar deste ano. Entre eles, estão: Robert Downey Jr, Brad Pitt, Kate Winslet, Mickey Rourke, Kate Dennings e Sean Penn. Vale a pena visitar o sito do New York Times Magazine:

 

http://www.nytimes.com/packages/html/magazine/20090205-great-performers/index.html?adxnnl=1&adxnnlx=1234528401-iwaJ35qaP35PFDconOuj3w

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 © Foto Paolo Pellegrin/Magnum Photos. A atriz Kate Dennings

 

 





Darwin: herança científica em evolução

13 02 2009

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Fez ontem 200 anos que nasceu Charles Darwin. Em Novembro comemorar-se-ão 150 anos da publicação da sua obra “A origem das espécies, a primeira que expôs de maneira exaustiva e fundamentada a noção de que as espécies evoluíram a partir de ancestrais comuns num processo contínuo e gradual que lhes permitiu adaptarem-se ao meio.

A originalidade do británico consistiu em propor mecanismos directores da evolução, sobretudo a chamada selecção natural. A sua proposta foi constatada na natureza, experimentada em laboratório e simulada com modelos informáticos. A semente de Charles Darwin frutificou numa árvore da qual brotaram muitos ramos da biología moderna.





São Valentim: 1 cartoon e 5 clips

14 02 2009

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Salman Rusdie: 20 anos da fatwa

14 02 2009

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A 14 Fevereiro de 1989, Khomeini lançou uma fatwa contra Salman Rushdie. Hoje, é importante relembrar os 20 anos da fatwa lançada contra o autor dos «Versículos Satânicos».

Cada caso de censura e ameça de morte a um/a artista e/ou intelectual é um sintoma a ter profundamente em conta ; uma pequena parte vísivel de um iceberg bastante mais inquietante.

A fatwa ajudou a unificar os islamistas integristas (iranianos, sauditas, paquistaneses, indianos e do Ocidente), que encontraram no livro de Rushdie um catalisador do seu ódio e do seu medo..

Houve livrarias destruídas, tradutores atacados e editores em perigo de vida e sob protecção policial, durante 24 horas. Vinte anos depois, não se pode fazer de conta que o atentado à liberdade de expressão nada conte.





O fotografo que coleccionava postais

16 02 2009

walker© Foto de Walker Evans. Easton, Pennsylvania. EUA, 1935.

O fotógrafo norte-americano Walker Evans (1903/1975) coleccionou mais de nove mil postais, durante 60 anos. Os postais foram adquiridos pelo Met, em 1994, quando a instituição comprou o arquivo do fotógrafo.

A exposição “Walker Evans and the Picture Postcard” está no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque e mostra como os postais influenciaram o desenvolvimento artístico de Walker Evans, que ficou famoso por documentar o quotidiano das famílias pobres durante a Grande Depressão nos EUA.

 





pensar LEGO… logo existe

16 02 2009

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A Lego foi criada pelo dinamarquês Ole Kirk Christiansen. Passou a ser fabricada à escala industrial, desde a década de 1950, popularizando-se em todo o mundo.

legocam2Quando se pensa que já se fez de tudo com as peças da Lego, (ver: http://lego4all.blogspot.com/), eis que surge alguém com algo de novo: Lego All Star.

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Inédito de Pedro Almodovar

16 02 2009

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Eis a nova e divertida curta-metragem.de Pedro Almodóvar, que conta com a presença de Penelope Cruz e foi realizada durante a rodagem do seu último filme. Almodóvar não fazia uma curta há mais de trinta anos, mas não perdeu o jeito.

«La Concejala antropófaga» concentra-se num monólogo em que Carmen Machi, actriz que interpreta o papel de uma conselheira municipal de direita, demonstra um forte apetite sexual. 





JERÓNIMO: batalha legal 100 anos depois

18 02 2009

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Os descendentes do lendário chefe indígena Jerónimo anunciaram um pedido feito ao governo dos EUA, no centenário da sua morte, para libertar os seus restos e pertenças, que continuam nas mãos do exército norte-americano.

Depois de décadas de resistência contra as vagas de colonos brancos que invadiram as terras dos apaches, Jerónimo aceitou um acordo, em 1886, com o general Miles, que lhe oferecia protecção em troca da rendição. Mas o presidente ordenou a rendição incondicional e Jerónimo mais os seus homens ficaram prisioneiros de guerra.

A fase final da sua resistência foi feroz. Durante 18 meses mais de 5 mil soldados norte-americanos e 500 auxiliares indígenas perseguiram o grupo de apaches formado por 35 homens, 8 jovens e 101 mulheres, que operava nos Estados Unidos e México. Jerónimo e 14 guerreiros foram encarcerados no forte Sill, em Oklahoma.

Os seus descendentes continuam a investigar acusações de que, em 1918, um grupo de estudantes da Universidade Yale, entre eles um avô do presidente George W. Bush, Prescott Bush, invadiu a tumba de Jerónimo, roubando o seu crânio e outros restos, levando-os para a sociedade secreta Skull and Bones (que ainda existe).





Guy Debord: caça ao tesouro

18 02 2009

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Estranho destino para aquele que escreveu Mereci o ódio universal da sociedade do meu tempo”. O acervo de Guy Debord foi agora classificado de  “tesouro nacional” por um decreto assinado pelo actual ministro francês da Cultura. Uma honra que Debord rechaçaria.

O autor de «A Sociedade do Espectáculo» foi co-fundador da Internacional Situacionista criada, em 1957, pela aliança de três grupos artísticos (Movimento Internacional por um Bauhaus Imaginista, Cobra e Internacional Letrista) que tinha como ambição realizar uma alternativa revolucionária à cultura dominante e participar na revolução da vida quotidiana pela subversão cultural.

 

A praxis revolucionária dos situacionistas exerceu uma forte influência no Maio de 68, antes de Debord se afastar do movimento, em 1972, para preservar a autenticidade das teses situacionistas e evitar a sua recuperação.  





Edward Steichen: auto-retrato

19 02 2009

steichen© Copyright: Condé Nast Publications. Auto-retrato de Edward Steichen. 1929.

O auto-retrato de Edward Steichen (1879-1973) foi publicado, em Outubro de 1929, na revista Vanity Fair. Nascido, em Luxemburgo, é reconhecido como um dos mais criativos fotógrafos do mundo.

Tornou-se fotógrafo da Vanity Fair e da Vogue, em 1923, cargo que ocupou até 1973. Retratou grandes nomes da literatura, do jornalismo, da dança, da política e da moda. Dirigiu o departamento de fotografia do MOMA (Nova Iorque).

Steichen esteve na vanguarda com os seus retratos pictóricos e oníricos de naturezas mortas (sobretudo flores) e nus que aplicava à fotografia de moda, dança, teatro, reportagem, documentário e publicidade.





Não ao IC2 no Choupal

19 02 2009

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New York Post publica desenho racista

19 02 2009

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Na sua edição de ontem, o New York Post, diário norte-americano muito popular, publicou um cartoon de Sean Delonas, no qual dois polícias afirmam, depois de terem abatido um chimpanzé: “devem encontrar alguém para escrever o próximo plano de relançamento“.

O cadáver do chimpanzé faz referência a um facto que aconteceu, na última segunda-feira, quando, no Connecticut, a polícia respondeu ao apelo de uma mulher atacada por um símio.

O plano de relançamento (787 milhões de dólares) foi aprovado, na terça-feira pelas duas câmaras do Congresso norte-americano (Senado e Câmara de representantes).

O Huffington Post  classifica o cartoon de racista e sublinha que a promiscuidade entre o cartoon e uma foto de Barack Obama é o resultado de uma montagem que não é inocente.





Fotos que aparentam desafiar a gravidade

20 02 2009

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Li Wei é um fotografo chinês de 38 anos, que nasceu, em Hubei, e mora actualmente, em Pequim. Usa guindastes, espelhos e fios praticamente invisíveis para criar, com o mínimo de manipulação digital, imagens onde aparece “voando” nos prédios e nos campos.

Este artista também usa o seu treino de artes marciais para dar mais realidade às imagens. As imagens de Li Wei já foram expostas na China, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, Espanha e Itália. Fonte: BBC

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Cesária Évora: SODADE

20 02 2009

e82b7c3839Graças ao disco «Radio Mindelo», editado nos anos 60, Cesária Évora teve que  percorrer um longo caminho até se tornar uma diva e uma figura de proa da canção caboverdeana. Cesária Évora cantava mornas e coladeras. As mornas são tristes e as coladeras mais alegres. Aqui fica “SODADE” para sempre recordar…





novo filme de Horatiu MALAELE

20 02 2009

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«Ao diabo Estaline. Vivam os casados!» é o novo filme do realizador romeno Horatiu Malaele. Esta comédia, sob o pretexto de estigmatizar algunas dogmas daquele tempo, contribui para valorizar o folclore, à boa maneira de Emir Kusturica.

A história passa-se, em 1953, quando os habitantes de uma aldeia romena decidem não acatar a interdição de festividades. na semana de luto, após a morte de Estaline, e organizam uma boda de casamento em silêncio. Apesar das precauções, são brutalmente punidos.

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UXU KALHUS

22 02 2009

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“Transumâncias Groove” é o álbum da banda “Uxu Kalhus”, projecto bastante interessante, que afirma produzir “folk subversivo” com “sonoridades camaleónicas”, e constituído por Celina Piedade (Voz e Acordeão), Eddy Slap (Baixo), Paulo Pereira (Flauta), Luis Salgado (Percursões) e Tó Zé (Guitarra).

Veja em: http://www.myspace.com/uxukalhus

Aqui vai um cheirinho de “Erva Cidreira”:

 





Razzies: os piores do ano no cinema

23 02 2009

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No passado sábado à noite, foram entregues os prémios menos desejados de Hollywood, os Razzie, paródia aos Óscares promovida pela Fundação Framboesas de Ouro e destinada aos piores do ano da indústria cinematográfica.

Paris Hilton foi a grande vencedora em três categorias: pior actriz e pior casal em The Hottie and the Nottie” e pior atriz secundária em “Repo! The Genetic Opera“, dois filmes que deixaram um gosto amargo ao público e à crítica.

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Pierce Brosnan foi premiado pela fraca actuação musical em “Mamma Mia”. Mike Myers obteve o troféu de pior actor em “Love Guru”, que também venceu como pior longa-metragem. “Indiana Jones e o Reino do Caveira de Cristal” recebeu o prémio da “pior sequência”.

Estes troféus, que existem desde 1980, consistem num conjunto constituído por uma falsa framboesa, do tamanho de uma bola de golfe, colocada numa bobina Super 8, no valor de 5 dólares. Os vencedores galardoados raramente assistem a esta cerimónia.

Veja mais em: www.razzies.com

 

 

 

 





Tributo a ZECA AFONSO

23 02 2009

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Zeca Afonso morreu há 22 anos. No dia 23 de Fevereiro de 1987, desapareceu um dos mentores da canção de intervenção, em Portugal, e que soube conciliar a música popular com a palavra de protesto.

Zeca Afonso trilhou um percurso de coerência, recusando o mais fácil, denunciando os “vampiros“, cantando a utopia e permanecendo contra a corrente. Em sua memória, aqui ficam estes três videos:





Almanaque 2

24 02 2009

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É o segundo mês do ano do calendário gregoriano. Tem a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, em que é adicionado um dia a este mês. O nome Fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca.

Originariamente, Fevereiro tinha 29 e 30 dias, como ano bissexto, mas por exigência do imperador romano César Augusto, um dos seus dias passou para o mês de Agosto, para que este ficasse com 31 dias, semelhante a Julho, mês batizado assim, em homenagem a Júlio César.

Desde a sua criação até hoje, as pessoas nascidas a 29 de Fevereiro questionam-se: Comemorariam o aniversário somente de 4 em 4 anos? Viveriam elas mais tempo? Nasceram em Fevereiro: John Ford (realizador de cinema), Clark Gable (actor), Glenn Miller (músico).

 





As várias faces de SAMUEL FOSSO

24 02 2009

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Samuel Fosso nasceu, em Kunmba (Camarões), em 1962. É um reconhecidíssimo fotógrafo africano, cujos retratos mostram uma grande imaginação criativa e um provocador jogo de máscaras e fantasias.

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Fosso começou por fazer auto-retratos para enviar à mãe, que ficara na Nigéria como refugiada da guerra do Biafra. O seu objectivo inicial era mostrar que estava vivo, mas o seu interesse em explorar o género cresceu e experimentou novas técnicas. Eis mais algumas das suas fotografias:

 

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The End

26 02 2009

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No final de um filme, surge sempre “The End”. Eis uma conjunto com mais de cem finais de filmes e desenhos antigos, que o norte-americano Tom Djll teve a brilhante ideia de coleccionar e colocar no Flickr .

Veja em:

http://www.flickr.com/photos/djll/sets/72157608369709836/show/





BUSH: vilão do ano

26 02 2009

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O prestigiado semanário musical britânico, New Musical Express (NME), concedeu o galardão de vilão do ano ao ex-presidente dos EUA, George W. Bush, pelo sexto ano consecutivo, algo sem precedentes. Pelo contrário, o seu substituto no poder, Barack Obama, foi eleito herói do ano. Eis outras escolhas do NME:

Melhor grupo britânico: Oasis

Melhor grupo internacional: The Killers

Melhor artista a solo: Peter Doherty

Melhor álbum: Only By The Night

Melhor video: My Mistakes Were Made For You

Pior álbum: A Little Bit Longer

Pior grupo: Jonas Brothers

Melhor página web: YouTube

 

 





IGGY POP: novo álbum em breve

26 02 2009

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Vai surgir um novo álbum de Iggy Pop.com ambiências jazzísticas. Intitular-se-á «Preliminaires» e abordará temas como a droga, o sexo e a morte, estando a sua saída está prevista para Maio. Entretanto, sabe sempre bem rever Yggy Pop com a sua energia contagiante ao vivo, tal como em «Louie, Louie».

 





Art Spiegelman

27 02 2009

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Art Spiegelman começou a publicar as primeiras páginas de “Maus”, banda desenhada sobre a sobrevivência dos seus pais no campo de concentração de Auschwitz, protagonizada por ratos (judeus), gatos (alemães) e porcos (polacos), que recebeu o Prémio Pulitzer, em 1992.

Em 1978, viu publicado “Break-downs”, uma sequência de relatos auto-biográficos em banda desenhada, que reflectiam as suas experiêncas alucinogénias influidas por Robert Crumb  O autor afirma que sobrevive graças à sua utopia.

 

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Revisitando… Edgar Broughton Band

27 02 2009

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Esra banda de Warwick (Inglaterra) foi criada, em 1968. Começaram com o nome “Edgar Broughton Blues Band”. Depois retiraram ‘blues’ do nome e passaram a tocar um hard rock progressivo. Gravaram o seu primeiro disco, em 1969.

Com o lançamento do álbum “Edgar Broughton Band”, em 1971, as coisas mudaram de figura. Passaram a ter composições ritmadas com violões e teclados, vozes mais trabalhadas e com bastante influência do folk, sem deixar de lado a crítica social.

Eis uma versão tocada por esta banda, cujo original era dos Shadows.





DENGUE FEVER

28 02 2009

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Dengue Fever” é um projecto dos irmãos Ethan e Zac Holtzman surgido em 2001. A inspiração veio de uma viagem feita ao Cambodja. A banda conta também com as participações de Senon Williams, David Ralicke, Paul Smith e da cambodjana Chhom Nimol.

A febre desta banda californiana é a pop e rock, que dominou as rádios e jukeboxes do Cambodja, nos anos 60, sons influenciados pelo rock americano e das primeiras bandas de garagem do Vietname.

Tocam versões de surf e garage rock misturadas com bandas sonoras de Bollywood, soul, funk, jazz, blues e folk cambodjana. Resulta daqui uma mistura de sons de todo o planeta, tal como podemos apreciar em “Sni Bong”.





Simpsons: 20 anos de vida

28 02 2009

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A familia amarela mais famosa da televisão celebra este ano o seu 20º aniversário. Os Simpsons foram transmitidos pela primeira vez, em Dezembro de 1989. Desde então, os habitantes de Springfield receberam 24 prémios Emmy em duas décadas.

Marge, Homer, Bart, Lisa e “bebé” – tal como o pai chama à pequena Maggie – converteram-se na série que mais tempo permaneceu em prime time na Fox. Sem dúvida, que a febre amarela deste tratado sociológico de Matt Groening tem futuro.





Revista da Web 1

1 03 2009

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Chegou uma nova e prática caixa de ritmos, pronta a ser utilizada por quem queira dar uns toques de música. Experimente em:  

http://www.ronwinter.tv/drums.html

albert-einstein-at-beach-1945Eis uma foto bastante de Einstein tirada numa praia, em 1945.

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Os retratos de Kate Moss, feitos por Banksy, foram um flop : ninguém os comprou. É a crise que chega ao mercado da arte.

 

 





Almanaque 3

1 03 2009

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Março

 

É o terceiro mês do ano no calendário gregoriano e um dos sete meses com 31 dias. Por volta de 21 de Março, o Sol cruza o equador celestial rumo a Norte. É o começo da Primavera no hemisfério Norte e do Outono no hemisfério Sul.

O nome Março surgiu na Roma Antiga, quando era o primeiro mês do ano e chamava-se Martius, depois Marte, deus romano da guerra. Como o clima é mediterrânico, era o primeiro mês da Primavera, evento para se iniciar o novo ano.

Na Rússia, o ano iniciava-se a 1 de Março, até ao final do século XV. Na Grã-Bretanha e suas colónias continuaram a utilizar o dia 25 de Março para iniciar o ano até 1752, ano em que adoptaram o calendário gregoriano.

Em finlandês, o mês é chamado de maaliskuu, que tem origem em maallinen kuu significando o mês terrestre. Isto é porque em maaliskuu a terra começa a aparecer sob a neve derretida.

Algumas pessoas nascidas neste mês: Frédéric Chopin – compositor e pianista: Lou Reed – cantor e guitarrista: Gabriel, o Pensador – cantor e compositor; Andrzej Wazda – realizador de cinema.





EUA: suspensa Lei que proibia imagens de caixões

2 03 2009

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© Foto de Todd Heisler. Mulher de soldado morto no Iraque faz vigília ao lado do caixão do marido.

O Pentágono decidiu anular uma lei que impedia a imprensa de mostrar imagens de caixões com soldados norte-americanos mortos em combate. A suspensão foi confirmada, dia 26 de Fevereiro, pelo Secretário de Defesa, Robert Gates.

Segundo o Secretário da Defesa, a medida tem o apoio do presidente Barack Obama. Esta decisão suspende a Lei estabelecida, em 1991, por George W. Bush. De acordo com o Pentágono, cerca de 5000 militares morreram em guerra, no Iraque e no Afeganistão.

 





Fotos inéditas dos Beatles e Rolling Stones

2 03 2009

beatles_expo_copy© Foto de Bob Bonis: Mick Jaegger assiste à sua actuação no programa “The Red Skelton Show”, 1964.

Quando os Beatles e os Rolling Stones foram aos EUA, pela primeira vez, em 1964, o responsável da tournée, Bob Bonis, percebeu que algo de especial estava a acontecer e decidiu fotografar os primeiros shows e viagens das bandas.

Durante décadas, Bonis manteve as imagens guardadas. Mas depois da sua morte, em 1991, o filho, Alex Bonis, descobriu uma caixa de sapatos com mais de 3500 fotos inéditas feitas pelo pai com os ensaios e brincadeiras das bandas.

Bonis e Marion decidiram abrir uma galeria, em Nova Iorque, para mostrar as imagens, a partir de 4 de Março, numa exposição intitulada “The british are coming”.

Veja mais fotos aqui:

http://www.foxnews.com/photoessay/0,4644,6686,00.html

 





SIN FANG BOUS

2 03 2009

8e5217f985Este é o primeiro disco que chega da Islândia, depois do espectacular afundamento económico daquele país. A imaginação foi espicaçada pela crise e o islandês Sindri Már Sigfússon, que fez uma pausa nos Seabear, decidiu avançar com o projecto Sin Fang Bous.

O resultado é este álbum “Clangour”, onde se escutam melodias que parecem vir dos anos 60 (Love ou Left Banke), misturadas com sons do nosso século (Animal Collective ou Akron/Family) e ritmos dos extintos Beta Band ou dos Mùm. Aqui fica esta deliciosa faixa:





Sites Tridimensionais

3 03 2009

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Quem não se lembra da primeira vez que usou uns óculos 3D, que nada mais eram do que um pedaço de papel recortado com dois furos preenchidos de um lado com papel celofane azul e do outro vermelho, para ver alguns filmes?

Muita coisa mudou, mas a magia das imagens tridimensionais continua. Ultimamente, vários sites (http://www.swell3d.com/) começaram a usar essa “tecnologia”. Um bom exemplo é o do estúdio alemão Barcinski & Jeanjean (http://www.barcinski-jeanjean.com/).





Coen: publicidade ecológica

3 03 2009

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Joel e Ethan Coen fizeram um spot publicitário contra os malefícios do carvão. O filme é uma paródia que elogia os méritos de um aerossol «limpo», mas que provoca uma nuvem preta e uma terrível crise de tosse em qualquer família americana exemplar…

Mal findaram a rodagem de «The Serious Man», os irmãos Coen aproveitaram o seu tempo livre para se oporem ao lobby do carvão, que procura convencer os americanos dos benefícios deste combustível, juntando-se à causa da associação The Reality Coalition.

 

 





Fotografia manipulada

4 03 2009

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Foto de Annie Leibovitz: Sam Mendes e Kate Winslet.

Kate Winslet e Sam Mendes foram fotografados, em Nova Iorque, no passado mês de Outubro, por Annie Leibovitz para um portfólio da Vanity Fair, que saiu no mês de Fevereiro.

Por motivos desconhecidos, a fotografia foi manipulada, deixando aparecer a manga esquerda do casaco de Sam Mendes, sendo que no resto da imagem ele apenas usa uma camisa.





Luzes, Câmaras, Acção…

4 03 2009

Assim se rodou“Los abrazos rotos”, último filme de Almodovar.

 

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Penélope Cruz, premiada em Hollywood, antes de iniciar uma cena do filme.

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Almodovar dando indicações aos actores, durante a rodagem do filme.





Cinema em África

4 03 2009

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O 21º Festival Africano de Cinema e Televisão (FESPACO) está a decorrer, em Ouagadougou (Burkina Faso), até ao dia 7 de Março, festejando o seu 40º aniversário.

Na cerimónia de abertura, que teve lugar no estádio de Pissy, prestou-se homenagem ao “pai do cinema africano”, o senegalês Ousmane Sambène, falecido há dois anos.

Numa semana, serão projectados 300 filmes produzidos em diversos países africanos. Mas a falta de dinheiro é a causa principal da crise da indústria cinematográfica, em África.

Por exemplo, nos Camarões, as três últimas salas de cinema do país fecharam as portas, em Janeiro de 2009. No Burkina Faso, já foram encerradas vinte salas e só dez estão em actividade.

Cada vez mais, os cineastas deslocam-se para a Nigéria e trabalham em “Nollywood”, assim conhecida por ser a 3ª indústria de cinema mundial, depois de Hollywood e Bollywood.





Sonic Youth: novo álbum

5 03 2009

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Está na calha o 16º álbum dos Sonic Youth, que se intitulará «The Eternal» e sairá em Junho, com as seguintes faixas :

1. Sacred Trickster
2. Anti-Orgasm
3. Leaky Lifeboat(for Gregory Corso)
4. Antenna
5. What We Know
6. Calming The Snake
7. Poison Arrow
8. Malibu Gas Station
9. Thunderclap For Bobby Pyn
10. No Way
11. Walkin Blue
12. Massage The History

Resta, aguardarmos esta obra com alguma ansiedade sónica…





Depeche Mode: novo álbum

5 03 2009

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Sounds Of The Universeé o novo álbum que os Depeche Mode lançarão, em Abril, e, ao que consta, é marcado pelo regresso da banda á sonoridade do início da sua carreira.

Martin Gore andou a adquirir equipamentos originais dos anos 70/80 para que o som realmente soasse como nos velhos tempos. As composições foram todas escritas por Dave Gaham e Martin Gore.

Eis o novo single “Wrong”.





Topless nas ruas de Nova Iorque

6 03 2009

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“Uncovered” é uma colecção de cem fotografias em que cerca de oitenta mulheres mostram os seus seios nas ruas, nos mercados, nas pontes e cenas quotidianas da cidade de Nova Iorque.

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Esta obra é do fotógrafo nova-iorquino Jordan Matter, que coloca a questão: “Porque é que os homens podem andar nas ruas sem camisa e as mulheres não?” Veja mais fotos aqui:

https://www.jordanmatter.com/previewUncovered.asp

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PJ Harvey: novo álbum

6 03 2009

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«A Woman A Man Walked By» é o novo álbum de PJ Harvey com John Parish, que sairá em finais de Março e terá as seguintes faixas:

01. Black Hearted Love
02. Sixteen, Fifteen, Fourteen
03. Leaving California
04. The Chair
05. April
06. A Woman a Man Walked By / The Crow Knows Where All the Little Children Go
07. The Soldier
08. Pig Will Not
09. Passionless, Pointless
10. Cracks in the Canvas

«Black Hearted Love» é uma faixa desse álbum, que já está disponível no Youtube e foi difundida na BBC 6. Uma óptima oportunidade para a escutar.





Annie Lennox: Shining Light

7 03 2009

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“The Annie Lennox Collection” é a primeira compilação de sucessos de Annie Lennox, cantora e compositora que canalizou alegrias e mágoas pessoais para os temas, contribuindo de forma genuína para a música soul.

Esta compilação contem 12 faixas dos 4 quatro primeiros álbuns – Diva (1992), Medusa (1995), Bare (2003) e Songs of Mass Destruction (2007) – e 2 faixas inéditas: “Pattern of My Life” e “Shining Light“.

Entre as várias faixas do álbum, encontra-se “Sing”, tema que faz referência à SING Campaign, organização humanitária que a cantora fundou para sensibilizar e dar apoio à luta contra o HIV/SIDA, em África.

 





Vozes da Islândia

7 03 2009

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Emiliana Torrini é uma cantora islandesa, que se tornou conhecida com o álbum “Love in the Time of Science, produzido pelos Tears for Fears.

Em 2005, lançou “Fisherman’s Woman, álbum com belas canções: “Sunnyroad” e “Heartstopper“. Anteriormente lançou 3 álbums em islandês: “Spoon”, “Crouçie d’Où La”, e “Merman”.

Bela descoberta a de Lay Low, que tocou na primeira parte do concerto de Emiliana Torrini, tanto pela sua voz encantadora como pelas canções folk que toca. Veja mais em :www.myspace.com/baralovisa

 

 

 

 

 





Andreas Feininger: fotografia artística e fotojornalismo

9 03 2009

and© Foto de Andreas Feininger, The Photojournalist. 1951.

Andreas Feininger (1906/1999) foi um dos mais importantes fotógrafos do século passado. Nasceu em Paris, mas foi criado em casa dos avós na Alemanha. Era filho do pintor Lyonel Feininger. Em 1939, foi viver para Nova Iorque. Em 1943, começou a trabalhar na revista Life, onde permaneceu até 1962. O fotógrafo morreu com 93 anos. Veja mais fotos em:

http://www.geh.org/fm/feininger/htmlsrc/feininger_sld00001.html





3 mulheres fotógrafas

9 03 2009

tina_modotti© Foto de Tina Modotti. Campesinos, 1926.

 

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© Foto de Eve Arnold. Paul Newman, 1955.

 

diane_arbus© Foto de Diane Arbus, 1970.

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, eis três fotografias de três mulheres que, como muitas outras, fizeram história da fotografia: Tina Modotti (1896/1942), Eve Arnold (1912/…) e Diane Arbus (1923/1971).

 

 

 

 

 

 

 





Philip Glass

11 03 2009

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Philip Glass (1937/…) é um compositor norte-americano bastante conhecido, que tem produzido muitos trabalhos (óperas, sinfonias, concertos e bandas sonoras para filmes) seja a solo ou em colaboração com outros músicos. A sua música é chamada de minimalista. Aqui fica esta bela e tranquila faixa.





Devo: novo álbum

11 03 2009

 

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Os DEVO anunciaram hoje o lançamento de um novo álbum, que irá sair no próximo Outono. Excelente notícia e boa ocasião para revermos «Whip It ».





Anita Lane

15 03 2009

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Anita Lane partiu de Melbourne para Londres, em 1980, com os Birthday Party, banda de Nick Cave, tendo escrito letras de algumas canções da banda: “A Dead Song”, “Kiss Me Black” e “Dead Joe”.

Mais tarde, foi co-fundadora dos Bad Seeds, banda que tem acompanhado Nick Cave, e ajudou a escrever algumas faixas dos álbuns “From Her To Eternity” e “Stranger Than Kindness”.

Anita Lane tem mantido um bom relacionamento com os restantes membros dos Bad Seeds e já colaborou em diversos trabalhos de Barry Adamson, Mick Harvey e Einsturzende Neubaten.

 

Com uma carreira a solo muito discreta, já lançou os álbuns: “Dirty Sings” (1988), “World’s a Girl” (1995), Dirty Pearl (1995) e “Sex O’Clock” (2001). Aqui fica uma versão de “Bella Ciao”.

 

 





Poema de Baudelaire

23 03 2009

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O gato

Vem, gatito meu, contra o meu amoroso coração,
Reprime as garras da tua pata.
E deixa submergir-me nos teus belos olhos,
Mistura de metal e ágata.

 

 

Quando os meus dedos acariciam por momentos
A tua cabeça e o teu pescoço,
A minha mão embriaga-se de prazer
Ao tocar o teu corpo eléctrico.

 

Vejo o espírito da minha amada.

O seu olhar,
Como o teu, amável besta,
Profundo e frio, corta e rasga como uma lança.

 

E, dos pés à cabeça,
Um desejo subtil,

um perfume perigoso,
Flutua sobre o seu corpo castanho.

 





Memórias 1

23 03 2009

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Há quarenta anos, depois de de se terem casado, em Gibraltar, no dia 20 de Março de 1969, John e Yoko voaram para Amsterdão e fecharam-se no Hotel Hilton, onde passaram a tão famosa Lua de Mel pela Paz.

 





A Etiópia dos contrastes

24 03 2009

O fotógrafo Castro Prieto partilha as percepções que teve durante as quatro viagens que fez à Etiópia, entre 2002 e 2006, onde captou instantes da vida quotidiana dos habitantes etíopes e mergulhou nos contrastes que compõem a realidade de um país, em que convivem três religiões: a cristã, a muçulmana e a animista.de, Sheik Hussein, 2005. Juan Manuel Castro 1237906900617etiopia0gd1Oração da tarde, 2005. Juan Manuel Castro Prieto.

1237906531929etiopia1gdIdolo Naga, 2002. Juan Manuel Castro Prieto.

1237906634375etiopia2gdJovem Hamer, 2005. Juan Manuel Castro Prieto.





Jack Kerouac

25 03 2009

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Jack Kerouac (1922/1969) fez parte da beat generation. Nos anos cinquenta, com Allen Ginsberg, William Burroughs e Neal Cassidy esse movimento rompeu com os valores que a América  apregoava e vendia.

Kerouac morreu prematuramente, aos 47 anos, destruído pelo alcool. Escreveu “On The Road e “Big Sur. Além do descontentamento que influenciou a geração dos anos 60 e 70, consegiuiu galvanizar os olfactos do seu tempo.

Passados 40 anos da sua morte, tem havido um interesse renovado pela sua vida e obra. Eis uma boa razão para (re)ver uma entrevista que Kerouac deu à jornalista  italiana Fernanda Pivano.





Nobuyoshi Araki

27 03 2009

139_bi_nus_gSem Título, 1999

Nobuyoshi Araki (1940/…) é um fotógrafo japonês. Entre 1996 e 1997, publicou uma colecção intitulada “The Works of Nobuyoshi Araki“, na qual percorria toda a sua carreira artística, mostrando a sua obsessão fotográfica, em mais de 5000 fotografias.

Sem título, 1994

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Araki fotografa a noite e o dia; erotiza a natureza; denuncia a situação da mulher no Japão; pinta as suas fotografias. Em suma, vive diariamente para a fotografia e tudo é aproveitável para publicar.

 

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Memórias 2: Revista Orpheu

27 03 2009

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No final de Março de 1915, surgia a revista Orpheu fundada por Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e Luís de Montalvor. A publicação revelou nomes como Santa-Rita Pintor e Ângelo de Lima.

No primeiro número colaboraram Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Alfredo Pedro Guisado, Almada Negreiros, Armando Côrtes-Rodrigues e José Pacheco. Fez também parte desse número, enquanto editor, António Ferro.

A revista abalou o ambiente literário português pela ousadia e vanguardismo dos textos que nela se reuniram. Foi um sinal de vida que rompeu com as tradições literárias e significou o advento do modernismo, em Portugal.





Retratos de Nova Iorque

28 03 2009

‘Retratos de Nova Iorque’ é uma exposição multifacetada e desenfreada, que mostra a confusão da grande metrópole através da visão de grandes fotógrafos do século XX. Todas estas obras pertencem ao MOMA (Museu de Arte Moderna) daquela cidade.

walker-evansWalker Evans (1903-1975) – Nova Iorque. 1929

henri-cartierHenri Cartier-Bresson (1908–2004) – Nova Iorque, 1947

lewisLewis W. Hine (1874–1940) – Empire State Building, 1930

lisete1Lisette Model (1901–1983) -  Times Square, 1940





BD britânica: liberdade em perigo

28 03 2009

1238183635570comicdnLost Girls – vinheta de Moore.

Uma cláusula num projecto de lei contra a pornografía infantil desencadeou revolta no mundo da BD britânica. O texto quer “proibir a posse de qualquer imagem de uma actividade sexual com crianças” para colmatar, declarou o ministro da Justiça, Jack Straw, “uma brecha na legislação”.

James Graham, da organización britânica “Unlock Democracy”, afirma que “a forma como está redigida esta lei é ambigua e excessivamente ampla. De acordo com a definição actual, a lei contemplará imagens que dão impressão que a pessoa que se mostra é uma criança”.

O colectivo “Comic Shop Voice” declarou que a actual redacção pode levar à censura de contos de culto, como “Lost Girls. Neles aparecem cenas que, segundo esta lei, poderão ser consideradas pornografía infantil. Uma involução moral: é assim que editores, desenhadores e escritores consideram o projecto de lei.

 

 





Julio Cortázar

29 03 2009

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Julio Cortázar (Bruxelas,1914Paris,1984), escritor argentino e um dos autores mais inovadores e originais do seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe.

O seu livro mais conhecido é “Rayuela”, publicado em 1963. No entanto, “Histórias de Cronópios e de Famas”, publicado em 1962, é muito interessante como uma espécie de reinvenção do mundo através de diferentes personagens: “cronópios”, “famas” e “esperanças”.

“Cronópios” são criaturas verdes, húmidas e distraídas; a sua força é a poesia. Cantam como as cigarras, esquecem-se de tudo, choram, perdem o que trazem nos bolsos e, quando fazem uma viagem, levam coisas que não servem.

“Famas” são criaturas organizadas, práticas e prudentes. Fazem cálculos e embalsamam as recordações. Quando fazem uma viagem, mandam alguém na frente para verificar os preços.

“Esperanças” são criaturas sedentárias. Deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens. São como as estátuas. É preciso ir vê-las, porque elas não vêm até nós.

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Júlio Cortázar inspirou um grande número de realizadores de cinema, entre eles, o italiano Michelangelo Antonioni, cujo filme “Blow-up foi baseado no conto “As Babas do Diabo” (do livro As Armas Secretas).

 





Moleskine: a magia do marketing

30 03 2009

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O fabricante italiano Modo e Modo inundou o mercado com esses cadernos pretensamente «míticos», lançando 4,5 milhões de exemplares por ano,  e conseguindo sucesso ao fazê-los passar por produto cultural.

O sucesso de Moleskine encaixa bem nos tempos que correm: o tempo do nomadismo triunfante, o tempo da blogosfera (outro tipo de cadernos), o tempo das comunidades (a marca criou uma para quem tem moleskines)…

O marketing conseguiu fazer passar a ideia que Hemingway, Picasso, Matisse, Apollinaire e Sartre teriam usado esses cadernos. Mas nada disso aconteceu, por uma simples razão: a marca não existia no início do século XX.

É tudo muito recente. O fabricante Modo e Modo lançou os cadernos, em 1998. Foi o escritor inglês Bruce Chatwin quem primeiro falou sobre «Moleskines» no seu romance «O Canto das Pistas», publicado em 1987. 

Veja mais em:

http://eco.rue89.com/2009/03/28/le-moleskine-dhemingway-ou-la-magie-du-marketing





Os nossos pés

31 03 2009

pesOs nossos pés percorrem cidades que não são as que vêem os olhos. Enquanto caminhamos e observamos fachadas, monumentos e semáforos, pés lutam por entre diversos objectos tombados nas ruas.

As cidades são disfarces para que os nossos pés andem também disfarçados. Talvez uns pés humildes, franciscanos, aspirem sempre a usar sandálias contra o zelo excessivo de um dono que insiste em usar sapatos ou botas elegantes.

 

Máxima que uns pés doloridos ditam aos viajantes: nunca digas que foste aonde os teus pés te levaram, nem os culpes pelas tuas andanças e extravagâncias. Por eles, estarias muito bem em lugares distintos.

 

Talvez os nossos pés sejam cada um diferente do outro e odeiem usar sapatos iguais, como aqueles gémeos uniformizados por pais amantes da simetria e sem qualquer imaginação criativa.

 

Por isso, às vezes, quando vamos comprar sapatos, é comum que um deles nos aperte. É a maneira do pé nos dizer que, na realidade, preferiria outro modelo completamente diferente.

 

Muitas vezes os pés caem connosco. O mesmo acontece aos pés que deslizam sobre patins: são pés que se esquecem de ser pés. O sonho dos pés – ou o seu pesadelo – deve ser andar em cima de nós e não por baixo.





Bush-Obama: o mesmo combate

1 04 2009

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Segundo o realizador Michael Moore, Obama não incarna a ruptura esperada em relação à administração Bush. Em causa está  envio de tropas norte-americanas para o Afeganistão e a estratégia defendida para aquela região por Obama.

Escalada dramática!” – afirma Michael Moore – “Mais gastos financeiros, mais soldados para o Afeganistão e mais acções na fronteira do Paquistão. O discurso actual de Barack Obama assemelha-se ao de George W. Bush, em 2003.”





Gorillaz e Bananaz

1 04 2009

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O primeiro anúncio de Bananaz, documentário consagrado a Gorillaz, foi realizado por Ceri Levi e remonta a 2007. Bananaz oferece um conjunto de imagens do mundo real da banda animada mais célebre da história. A coisa ainda está nos limbos, mas o documentário deverá surgir nas próximas semanas.

É um documentário sobre o relacionamento entre os músicos desta banda, Albarn e Hewlett, onde aparecem muitos que ocasionalmente se cruzam com eles: Dennis Hopper, De La Soul, Ibrahim Ferrer, Dangermouse, Dan the Automator, D12, Bootie Brown e Neneh Cherry.

E para recordar, nada melhor do escutar/ver “Feel Good Inc.”








Torre Eiffel fez 120 anos

1 04 2009

a08n2esp-1 Símbolo de Paris, a Torre Eiffel fez ontem 120 anos. Pelo seu aniversário, recebeu uma capa de pintura cor de bronze, a 19ª desde que foi inaugurada, em 1889.

Construída por Gustavo Eiffel, é constituída por 18038 peças metálicas, com 2 milhões e meio de parafusos.

As suas 10100 toneladas de ferro suportam também o peso das capas de pintura anteriores, calculadas em 250 toneladas.

A torre foi durante 40 anos o edifício mais alto do mundo, até que foi que superada, em 1929, pelo edifício Chrysler (Nova Iorque).





Soledad Córdoba

2 04 2009

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Soledad Códoba é uma fotógrafa espanhola, que através de várias sequências fotográficas dá vida a um ser genérico que se move num espaço inventado com diferentes elementos externos que representam os medos, as experiências, os ciclos vitais…

cuadro159Veja mais em:

http://www.soledadcordoba.com/





Almanaque 4

6 04 2009

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Abril é o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome deriva de Aprilis, que significa abrir em Latim, referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril derive de Aprus, nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. Uma outra versão é que se relaciona com Afrodite, nome grego da deusa Vénus, que teria nascido da espuma do mar que, em grego antigo, era “abril”.

Entre muitas outras pessoas, nasceram neste mês: Siddhartha Gautama (fundador do budismo), Leonardo da Vinci (artista e arquitecto), Hans Christian Andersen (poeta e escritor) e Vladimir Lenine (revolucionário russo).

Provérbios do mês:

Abril, Abril, está cheio o covil.
Em Abril águas mil.
Em Abril, cada pulga dá mil.
Não há mês mais irritado do que Abril zangado.
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.

 

 





Memórias 3: Jacques Brel

9 04 2009

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Jacques Brel nasceu há oitenta anos, na Bélgica, no dia 8 de Abril de 1929. Foi compositor e cantor, mas também esteve ligado ao cinema. Faleceu aos 49 anos com um cancro de pulmão.

 

 

Jacques Brel continua a ser um dos maiores nomes da música e serviu de inspiração para artistas tão diversos como Frank Sinatra, David Bowie, Marc Almond, Sting ou Nina Simone.

Aqui ficam estas três faixas inolvidáveis: “Quand on n’a que l’ Amour, “Dans le port d’ Amsterdam” e “La Valse à Mille Temps”.

 

 

 





Por Outros Blogs

9 04 2009

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Sim significa Não

   

     A única vez em que estive na presença da actriz Alexandra Lencastre foi em 1995. O país atravessava um período de alegre contestação. Toda a gente que eu conhecia estava contra o governo e Março, a confiar na minha memória, não tinha sido demasiado frio ou chuvoso. Se Portugal fosse um carro, bastava destravá-lo e deixá-lo deslizar, não se vislumbrava a necessidade de esforçar o motor contra qualquer espécie de subida. Os penteados e os bigodes dos anos oitenta estavam extintos. Os hipermercados prosperavam. Não tínhamos telemóvel ou internet, mas se estávamos destinados à felicidade, éramos felizes. Eu tinha vinte anos e estudava em Lisboa. Quem me via não desconfiava mais do que normalmente se desconfia de alguém com essa idade.

     Quando fui chamado para comparecer na pré-selecção, num apartamento em Sete Rios, ao lado do Jardim Zoológico, custou-me a acreditar. Para mim, os concursos de televisão eram uma realidade distante. Eu era anarquista, vegetariano, punk friendly e quase virgem. É certo que tinha autorizado a minha irmã a escrever o meu nome nos cupões, mas imaginava que concorressem milhares de pessoas e não conhecia ninguém que alguma vez tivesse participado num concurso de televisão. Eu nem tinha a certeza que a minha irmã se lembrasse mesmo de enviar os postais. Mas lembrava. Acordei cedo, faltei a uma aula e, com um pull-over cinzento, que ainda tenho, respondi às perguntas que me fizeram. Quando saí, não pensei se ia ser apurado, pensei no almoço.

     Telefonaram poucos dias depois. Eu não estava em casa. Foi a minha irmã que atendeu. O concurso chamava-se “Trocado em Miúdos”. Havia palavras e crianças a tentarem explicá-las. Havia palavras e o seu significado mais inocente. Depois, quem acertasse nas palavras-mistério ia acumulando pontos. Os parceiros dos concorrentes eram figuras públicas. A minha parceira foi a actriz Alexandra Lencastre. Havia palmas gravadas e, por isso, sempre que chegava um momento de aplaudir, fazíamos o gesto, mas não podíamos fazer barulho. Sozinhos no estúdio, com as luzes e com as câmaras, passámos grandes períodos a bater palmas em silêncio. Creio que não haveria grande possibilidade de contestar a nossa vitória. Foi clara. Eu e a actriz Alexandra Lencastre sorrimos um para o outro e não voltámos a ver-nos.

     O prémio foi um fim-de-semana em Londres para duas pessoas. A minha irmã agradeceu. Levantei o bilhete e os pormenores do hotel numa agência de viagens nas Olaias. À hora em que o concurso ia ser transmitido, a minha irmã, o meu cunhado e eu estávamos em frente à televisão, tínhamos o vídeo ligado e uma cassete preparada. A minha irmã tinha o dedo sobre o botão REC do comando. Esperámos duas horas. A minha irmã telefonou para lá. Sem aviso, o concurso tinha sido suspenso. Não cheguei a aparecer na televisão. Os bilhetes estavam guardados numa gaveta.

     Foi assim que viajei pela primeira vez de avião. A minha irmã tinha um guia de bolso e um plano exacto para aqueles três dias e meio. Creio que estávamos convencidos de que nunca mais voltaríamos a Londres. À noite, chegávamos ao nosso quarto na Russel Square e não tínhamos força para falar. No dia seguinte, acordávamos às sete. Os dias eram longos como quilómetros. No fim daqueles três dias e meio éramos uma espécie de emigrantes. Um para o outro, dizíamos “lá, na Trafalgar Square”, ou “lá, no British Museum”. Tínhamos feito tudo. Tínhamos a barriga cheia. E, na minha segunda viagem de avião, regressávamos felizes. Trazíamos porta-chaves para todos, ímanes de frigorífico e chocolates. No aeroporto, as malas chegaram ao tapete rolante como nos filmes. Tínhamos um carrinho para levá-las. Seguindo as indicações para a saída, ao longe, começámos a ver o meu cunhado e o nosso pai. Ao longe, os nossos sorrisos chocaram com os seus rostos sérios. Logo nesse momento percebemos que tinha acontecido algo.

    Foi o meu pai que nos disse que a nossa avó tinha morrido. Saímos do aeroporto e fomos para um velório quase deserto em Massamá. Caminhámos na direcção da nossa mãe, órfã. A nossa avó estava deitada num caixão. Chamava-se Joaquina e, a mim, chamava-me “o meu Zé Luís”. Havia velas eléctricas que se acendiam com moedas de vinte escudos. Nessa sala de uma igreja moderna, passámos a noite. O enterro aconteceu no dia seguinte, já na nossa terra. Eu e a minha irmã não chegámos a contar as histórias da viagem a Londres. As fotografias foram reveladas e guardadas. Dessa maneira, aprendi uma lição que continua comigo. Dessa maneira, aprendi que há palavras que significam o seu absoluto contrário. Às vezes, sim significa não.

 

 





Bendito ou Maldito?

9 04 2009

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Um grupo de activistas lançou estes fantásticos preservativos com a imagem do Papa como forma de protesto contra as estúpidas e homicidas afirmações que fez acerca da prevenção do sida na sua última viagem a África.

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Excelente capa da última edição do semanário francês Charlie Hebdo, que ironiza o Papa e o seu papel no meio da crise financeira internacional com um título bem criativo “Vendez Durex, Achetez Rolex”.





Viva Zapata… cabrones!

10 04 2009

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Emiliano Zapata (8 de Agosto de 187910 de Abril de 1919) foi um dos principais líderes da Revolução de 1910. Criou o Exército Libertador do Sul e uniu-se a Francisco Madero para derrubar o ditador Porfirio Díaz