Memórias: Joan Miró

26 04 2016

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No dia 20 de abril de 1893, nasceu Joan Miró. Foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista catalão. Miró criou formas imaginárias, figuras coloridas e símbolos próprios formados por manchas e linhas carregadas. Por António José André.

Joan Miró nasceu, em Barcelona (Espanha). Não completou os seus estudos, apesar da insistência da família. Estudou comércio e trabalhou durante dois anos ao balcão de uma farmácia até sofrer uma crise nervosa. Passou um longo tempo na casa da família, em Mont-Roig del Camp. Em 1912, voltou para Barcelona, ingressando na Academia de Artes, dirigida por Francisco Gali, que o apresentou às últimas tendências artísticas europeias.

Inicialmente, Joan Miró apresentou uma pintura com um estilo expressionista, com influencias fauvistas e cubistas, distorcendo formas e usando cores pouco reais, que destruíam os valores tradicionais. Entre 1915 e 1919, Miró vivia entre Mont-Roig e Barcelona. Em 1919, foi para Paris, onde conheceu Picasso e Tristan Tzara, um dos fundadores do Dadaísmo. Aos poucos a sua pintura evoluiu para uma maior definição de forma.

Em 1924, a pintura de Miró foi influenciada pelo movimento surrealista, surgido, em Paris, apresentando cenas oníricas e paisagens imaginárias. É dessa época a tela “O Carnaval do Arlequim”. Em 1928, Miró pintou “O Interior Holandês”, uma das pinturas marcantes do artista. Nesse  ano, o Museu de Arte Moderna adquiriu duas telas de Joan Miró.

Após uma viagem à Holanda, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, fez ressurgir elementos figurativos nas suas obras. Na década de 1930, Miró tornou-se mundialmente famoso, expondo em galerias francesas e americanas. Fez ilustrações para livros e cenários para bailado. Miró passou a interessar-se por colagens e murais. O seu grafismo reduziu-se a linhas, pontos e manchas coloridas.

Auando eclodiu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Miró estava, em Paris, e a sua produção artística foi fortemente influenciada pelos horrores da guerra. São dessa época “O Ceifeiro” e “Cabeça de Mulher”. No começo da Segunda Guerra Mundial, Miró regressou a Espanha. Nessa época conclui “Constelação”. A partir de 1944, iniciou uma série de murais para o edifício da UNESCO, em Paris, e para a Universidade de Harvard.

Em 1954, Miró ganhou o Prémio de gravura da Bienal de Veneza. Em 1956, mudou-se para Palma de Maiorca. Em 1959, ganhou o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1975, abriu a Fundação Miró, em Barcelona. Joan Miró faleceu, em Palma de Maiorca (Espanha), no dia 25 de dezembro de 1983.

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Memórias: Francis Picabia faleceu há 61 anos

3 12 2014

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No dia 30 de novembro de 1953, faleceu Francis-Marie Martinez Picabia: pintor e poeta vanguardista.
Francis Picabia nasceu, a 22 de janeiro de 1879, em Paris e era duma família aristocrática. Em 1890, estudou na Escola de Belas Artes e na Escola das Artes Decorativas, em Paris.
Em 1894, começou a sua carreira no âmbito do impressionismo e do fauvismo, influenciado por Picasso e Sisley, produzindo obras que lhe proporcionaram um certo êxito comercial.
O seu temperamento inquieto e subversivo levou-o a procurar outros caminhos, entrando na órbitra do cubismo e produzindo obras com elementos simbólicos e títulos sem relação com o tema.
Entre 1909 e 1911, foi membro do grupo “Puteaux” e conheceu os irmãos Duchamp: Marcel, Suzanne e Raymond. Em 1913, foi aos E.U.A. onde contactou com o fotógrafo Alfred Stieglitz e o grupo dadaísta norte-americano.
Depois conheceu o grupo dadaísta de Zurique, ficando encantado com o dadaísmo. Em 1917, publicou o primeiro número da sua revista dadaísta “391”, contando com as colaborações de Apollinaire, Tristan Tzara, Man Ray e Arp.
A este período corresponde o seu estilo “maquinista” por se centrar na representação de máquinas. A partir de 1919, frequentou o grupo surrealista de Paris. Em 1924, realizou uma cenografia para o filme “Entr’acte”, de René Clair.
Em 1925, estabeleceu-se na Costa Azul, onde desenvolveu um novo estilo definido como dos monstros e das transparências. Depois regressou a Paris e criou com André Breton a revista “491”.
Veja também: http://www.picabia.com/FP_WEB/FR/accueil.awp





Joel-Peter Witkin nasceu há 75 anos

14 09 2014

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O fotógrafo Joel-Peter Witkin, nasceu, no dia 13 de setembro de 1939, em Brooklyn (Nova Iorque). As suas fotografias constituem uma crítica contundente ao modelo de organização e vida proposto pela sociedade ocidental atual. Por António José André.

Durante a infância, várias experiências serviram de inspiração para as suas obras. No livro “The Bone House”, Witkin conta que, em criança, presenciou um acidente de carro, no qual uma rapariga foi decapitada e a cabeça dela rolou até aos seus pés. O que lhe chamou a atenção foi a impressão obtida a partir dos olhos da rapariga já sem vida.

Depois do liceu, teve um emprego que lhe proporcionou os primeiros conhecimentos sobre técnicas fotográficas De 1961 a 1964, trabalhou como fotoógafo de guerra, no Vietname. Depois do serviço militar, voltou para Nova Iorque, trabalhando como fotógrafo profissional na Cooper Union.

Witkin estudou Escultura e recebeu uma bolsa de estudos em Poesia da Universidade Columbia. Em 1974, recebeu uma bolsa de estudos em Fotografia do New York State Council on the Arts. Em 1977, ganhou uma bolsa da Fundação Ford. Em 1982, 1984 e 1986 foi premiado com a bolsa NEA.

Em 1988, recebeu o International Center of Photography Award. Em 1990, o ministro francês da cultura, Jack Lang, premiou-o como “Cavaleiro das Artes e Letras”. Em 1993, o American Center (Paris) e o NEA possibilitaram-lhe criar um programa permanente de fotografia na França, que depois expandiu para Itália, Eslováquia e Reino Unido.

Vários museus possuem fotografias de Joel-Peter Witkin nos seus acervos permanentes: a Biblioteca Nacional (Paris), o MOMA (São Francisco), o Museu Stedelijk (Amsterdão), o MOMA (Nova Iorque).

A natureza-morta aparece numa grande parte das obras de Witkin. Witkin substituiu as flores, frutas e animais exuberantemente arrumados por corpos humanos sem vida, arranjados em cenas cuja mensagem é realçada pelo nome escolhido para a obra.

Nas suas obras verificam-se nítidas referências aos pintores Picasso, Diego Velásquez, Bosch, Leonardo da Vinci e Goya, entre outros. Witkin, que trabalha principalmente a P/B, desenvolveu técnicas de tratamento das imagens em laboratório para obter fotografias com o aspeto de “envelhecidas”.