Memórias: Emily Davison

11 10 2018

No dia 11 de outurbro de 1872, nasceu Emily Davison. Foi uma militante inglesa que defendeu, lutou e morreu pelos direitos das mulheres. Por António José André.
Emily Davison nasceu, no dia 11 de Outubro de 1872, em Blackheath (sudeste de Londres). Filha de Margaret Davison e Charles Davison, tinha duas irmãs, um irmão e muitos meio-irmãos.
Teve um bom desempenho na Escola e ganhou uma bolsa para estudar Literatura no Holloway College. Emily Davison foi obrigada a interromper os estudos devido à morte do pai e às dificuldades da mãe, que não podia pagar as taxas mensais.
Apesar das dificuldades e com esforço, Emily Davison preparou-se e foi professora, em Edgbaston e Worthing, o que lhe permitiu ter dinheiro para voltar a estudar. Depois, obteve o Bacharel, no colégio St. Hugh’s pertencente à Universidade de Oxford e deu aulas, em Berkshire.
Em 1906, Emily Davison filiou-se na Women’s Social and Political Union, movimento fundado por Emmeline Pankhurst com o lema “Ações, Não Palavras”. Em 1908, abandonou o seu emprego como professora para se dedicar a tempo inteiro na luta pelos direitos das mulheres.
Emily Davison foi detida e presa várias vezes. Uma vez, por atacar um homem que confundiu com o ministro da Fazenda, David Lloyd George. Noutra ocasião, fez greve de fome, na prisão de Strangeways. Na prisão de Holloway, atirou-se duma escada e sofreu danos na coluna vertebral.
No dia 4 de junho de 1913, durante a Corrida de Cavalos de Epsom, onde se reunia a alta sociedade britânica e milhares de espetadores, Emily Davison atravessou a cerca e manifestou-se. Mas foi pisada cavalo do rei Jorge V.
Emily Davison faleceu, no dia 5 de junho de 1913, no hospital “Casa Epsom”, devido a uma fratura no crânio e lesões internas. A sua família insistiu na apuração das causas do acidente, mas nada foi conclusivo.
A luta das mulheres inglesas continuou… Em 1918, as mulheres com mais de 30 anos obtiveram o direito ao voto. Ironia das ironias…

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Memórias: Mercedes Sosa

4 10 2018

No dia 4 de outubro de 2009, morreu Mercedes Sosa. Foi uma cantora argentina. das grandes expoentes do movimento conhecido como “Nueva Canción”. Ficou conhecida como a voz das/dos “sem voz”. Por António José André.
Mercedes Sosa nasceu a 9 de julho de 1935, em San Miguel de Tucumán (noroeste da Argentina). Desde pequena, gostava de expressões artísticas populares. Mais tarde, gostava de bailar e ensinar danças folclóricas.
Quando tinha 15 anos, ganhou um concurso promovido pela rádio da sua cidade, apresentando-se com o pseudónimo de Gladys Osório. Foi o início de uma carreira dedicada à música folclórica argentina e latino-americana.
Em 1965, Mercedes Sosa foi a revelação do Festival Nacional de Folclore de Cósquin. Em 1967, realizou a sua primeira tournée pelos Estados Unidos e Europa. No início dos anos 70, gravou “Cantata sudamericana” e “Mujeres argentinas”, dois álbuns que a confirmaram como grande artista.
As obras desse período evidenciaram a sua rebeldia para com os tradicionalismos e a sua relação inorgânica de trinta anos com o Partido Comunista Argentino.
Essa relação custar-lhe-ia a perseguição da extrema direita, do governo Juan Perón e a censura das canções nos meios de comunicação durante a ditadura militar argentina
Em 1979, durante um concerto na cidade de La Plata, foi presa juntamente com o público. A partir daí começou o exílio que a levou a Paris e Madrid. Em 1982, regressou à Argentina, quando os militares deixaram o poder.
Nesse ano, realizou também uma sequência de apresentações, que foram compiladas num disco histórico: “En Vivo en Argentina”. Desde então, foi uma figura de relevância internacional e gravou canções com os melhores músicos do seu tempo.
Mecedes Sosa ficou conhecida como a voz das/dos “sem voz”. Tornou-se uma das grandes expoentes do movimento “Nueva Canción”, que propunha uma evolução da música folclórica com a integração de outras vertentes populares.
Escutemos esta bela canção:





Memórias: Wangari Maathai

26 09 2018

No dia 25 de setembro de 2011, morreu Wangari Maathai. Foi uma professora, bióloga e ativista queniana. Lutou para melhorar a vida das mulheres e pela defesa do meio ambiente. Foi a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel da Paz. Por António José André.
Wangari Maathai nasceu no dia 1 de abril de 1940, na vila de Ihithe (distrito de Nyeri), então colônia britânica. Em 1956, concluíu a Escola Primária e entrou na Loreto High School, em Limuru (Quénia).
Em 1959, findou o ensino secundário. Em 1969, recebeu uma bolsa da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. e foi estudar para os Estados Unidos. Em 1964, obteve o bacharelato em Biologia, no Mount St Scholastica College, em Atchison (Kansas).
Em 1966, Maathai obteve o título de Mestre em Ciências, na Universidade de Pittsburgh. Posteriormente, foi trabalhar como pesquisadora em Medicina Veterinária na Alemanha: em Munique e Giessen.
Depois, regressou ao Quénia. Em 1971, Maathai doutorou-se em Medicina Veterinária na Universidade de Nairobi. Depois, foi professora e responsável do Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi.
Maathai manteve a sua atividade profissional a par da preocupação pelas condições extremas de pobreza em que viviam milhares de mulheres quenianas. Desde 1976, foi ativista no Conselho Nacional de Mulheres do Quénia. Vindo a presidi-lo, entre 1981 e 1987.
Sob o lema “não podemos ficar sentadas a ver como morrem de fome os nossos filhos”, promoveu a criação do “Green Belt Movement” com o objetivo de plantar árvores para impedir a erosão dos solos, fornecer sombras e criar uma fonte de abastecimento de madeira para melhorar as condições de vida das populações.
Esse projeto era destinado e protagonizado maioritariamente por mulheres. Em 1986, o seu ãmbito ampliou-se a mais de trinta países africanos. Até hoje, o movimento plantou mais de 15 milhões de árvores e gerou rendimento para 80 mil pessoas
O ativismo político de Maathai contra o regime ditatorial de Daniel Arap Moi, fez com que manifestase vontade de se candidatar à presidência do Quénia, mas desistiu. Em 2002, foi eleita deputada no Parlamento do Quénia.
Em 2003, foi nomeada Ministra do Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem. Em 2004, Maathai fundou o Partido Verde do Quénia. Em 2004, recebeu o Prémio Nobel da Paz, sendo a primeira mulher africana a receber esse prémio. Em 2005, foi eleita Presidente do Conselho Económico, Social e Cultural da UA (União Africana).





Memórias: Paulo Freire

19 09 2018

No dia 19 de setembro de 1921, nasceu Paulo Freire. Foi um pedagogo e filófoso brasileiro. Influenciou o movimento chamado “Pedagogia Crítica” e destacou-se na área da educação popular, voltada para a escolarização e para a formação da consciência política. Por António José André.
Paulo Frreire nasceu, no dia 19 de setembro de 1921, em Recife (Pernambuco). Aprendeu a ler e a escrever com os pais no quintal da casa onde nascera. Em 1929, mudou-se com a família para Jaboatão.
Em 1933, Paulo Freire perdeu o pai e os estudos foram adiados. Em 1943, entrou na Faculdade de Direito do Recife onde se licenciou. Depois, doutorou-se em Filosofia da Educação na mesma universidade.
As suas primeiras atividades profissionais foram o ensino da língua portuguesa e a alfabetização de pessoas pobres. Na década 60, destacou-se por desenvolver um método de alfabetização de adultos/as que dispensava o uso das cartilhas tradicionais.
O método “Paulo Freire” consistia em procurar palavras e temas significativos da vida do/a aluno/a, mostrando o seu significado social de modo a superar a visão acrítica do mundo e ter uma postura conscientizada.
Em 45 dias, Paulo Freire alfabetizou 300 trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte. Esses excelentes resultados fizeram com que o método fosse incluído no Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart.
Após o golpe militar de 1964, Paulo Freire esteve preso durante 70 dias. Depois teve que se exilar na Bolívia e no Chile, onde desenvolveu atividades educativas e humanitárias, além de escrever algumas obras.
Em 1968, Paulo Freire escreveu a sua obra mais célebre: “Pedagogia do Oprimido”. Até 1980, foi desenvolvendo atividades relacionadas com a alfabetização em Genebra e em países africanos de língua portuguesa
Em 1980, Paulo Freire regressou ao Brasil. Filiou-se no Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, tendo sido supervisor do programa do PT para a Alfabetização de Adultos.
Paulo Freire publicou, entre outros, o seguintes livros: “Educação como prática da Liberdade”, “Cartas à Guiné-Bissau. Registos de uma Experiência em Processo”, “Educação e Mudança” e “Pedagogia de Autonomia”.
Paulo Freire destacou-se pelo seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política. Faleceu, no dia 2 de maio de 1997, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.





Memórias: José Orozco

13 09 2018

No dia 7 de setembro de 1949, morreu José Clemente Orozco. Foi um pintor mexicano, que se destacou no Muralismo juntamente com Diego Rivera e Alfaro Siqueiros. Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. Por António José André.
José Clemente Orozco nasceu, no dia 23 de novembro de 1883, em Zapotlán (México). Aos dois anos mudou-se com a famíla para Guadalajara. Aos cinco anos, foi para a Cidade de México.
Em 1890, Orozco entrou na Escola Primaria anexa à Escola Normal de Professores. À noite, tinha aulas de desenho na Academia de Belas Artes de S. Carlos. Em 1897, a familia enviou-o para a Escola Agrícola de S. Jacinto
Orozco deixou a Escola Agricola para estudiar Arquitetura, mas a sua obsessão pela pintura, fê-lo entrar na Academia de Belas Artes, onde esteve de 1906 a 1910.
Em 1916, Orozco fez a sua primeira exposição na livraria Biblos da Cidade do México. Em 1917, viajou pelos Estados Unidos, tendo morado em San Francisco e Nova Iorque, vivendo da pintura de cartazes.
Em 1922, Orozco juntou-se a Diego Rivera e Alafaro Siqueiros no Sindicato dos Pintores. Em 1926, por encomenda da Secretaria da Educação, pintou em Orizaba, o mural “Reconstrução” no edificio que hoje é Palácio Municipal.
Em 1927, Orozco voltou para Nova Yorque, onde pintou uma série de óleos – “Queensboro Bridge”, “Winter” e “The Subway” – demostrando o caráter desumanizado da grande cidade.
Em 1934, Orozco regressou ao México. Produziu “Katharsis”, no Palácio de Belas Artes. É a representação sangrenta do conflito entre o homem moderno e o mundo caótico e mecanizado que o rodeia e o oprime.
Em 194, produziu dois murais no Corte Suprema do México com 4 motivos. Em 2 deles, critica e satiriza a prática da justiça. Num outro, refere-se às riquezas naturais do país sob proteção da bandeira e do jaguar, símbolos nacionais. O último tema, relaciona-se com os movimentos sociais operários.
Entre 1941 e 1944, Orozco dedicou-se à pintura de cavalete e a uma outra grande obra mural na abóbada e nas paredes do coro da igreja de Jesus Nazareno.
Até 1946, Orozco integrou com Rivera e Siqueiros a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Nesse ano, recebeu o Prémio Nacional de Belas Artes.
No ano seguinte, Orozco encarregou-se da pintura do teto da Câmara Legislativa de Guadalajara. O tema relacionava-se com o decreto que se promulgou naquele lugar abolindo a escravatura.
José Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. O seu estilo era de um realismo expressionista ligado às velhas tradições artísticas mexicanas e com um intenso dinamismo.





Memórias: Edward Palmer Thompson

29 08 2018

No dia 28 de agosto de 1993, morreu Edward Palmer Thompson. Foi um historiador marxista, escritor e militante socialista inglês. É considerado um dos maiores historiadores do século XX. Por António José André.
E.P. Thompson nasceu em Oxford, no dia 3 de fevereiro de 1924. Estudou História na Universidade de Cambridge, mas interrompeu o curso e alistou-se no exército para lutar contra o nazismo durante a IIª Guerra Mundial.
Enquanto estudava história, tornou-se militante do Partido Comunista da Grã-Bretanha (PCGB). Thompson licenciou-se, em 1946. Depois, alistou-se como voluntário numa brigada de solidariedade para com a Jugoslávia.
No partido, Thompson criou um grupo de historiadores, em 1946, ao qual pertenceram Eric Hobsbawm, Christhopher Hill, Doroty Thompson, entre outros. A militância nesse grupo foi fundamental para a sua formação.
Em 1948, Thompson foi contratado pela Universidade de Leeds para dar aulas noturnas a trabalhadores. Essa experiência foi fundamental para escrever a sua obra “A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa”.
Em 1956, Thompson e cerca de sete mil membros romperam com o PCGB. Nesse ano, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética revelou os crimes de Estaline e a URSS invadiu a Hungria.
Os dissidentes do PCGB constituíram o núcleo do movimento político “Nova Esquerda” e fundaram a revista “New Reasoner Review”. Desse grupo faziam parte vários intelectuais marxistas: Raymond Willians, John Saville, Doroty Thompson, Ralph Miliband…
Em 1959, a “New Reasoner Review” fundiu-se com a “Universities and Left Review” (da qual fazia parte o jovem Perry Anderson) para criar a revista “New Left Review”, instrumento de debate teórico e político na Inglaterra e uma das principais revistas de orientação marxista no mundo.
Na década 80, Edward P. Thompson participou em diversas campanhas políticas, sobretudo como militante do movimento pacifista antinuclear.
Thompson lecionou em diversas Universidades: Warwich e Manchester (Inglaterra); Pittsburg, Rutgers, Brown e Dartmoth College (EUA); Queen’s de Kingston (Canadá). Morreu, no dia 28 de agosto de 1993, em Worcester.
Thompson deixou uma vasta obra onde abordou histórias do Trabalho e da Cultura. As suas preocupações eram avessas ao dogmatismo. A sua trajetória intelectual esteve ligada à trajetória da sua militância política.





Memórias: René Magritte

14 08 2018

No dia 15 agosto de 1967, morreu René Magritte. Foi um pintor surrealista belga, que deixou uma extensa obra artística. Foi influenciado por Breton, Ducjhamp, Miró, Dali e Chirico, mas mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia. Por António José André.
René Magritte nasceu em Lessines (sul da Bélgica), no dia 21 de novembro de 1898. A família tinha baixos recursos: o pai era alfaiate; a mãe era chapeleira. Magritte e os seus dois irmãos mudaram frequentemente de casa. A mãe suicidou-se, quando Magritte era adolescente.
Em 1910, René Magritte começou a estudar pintura em Châtelet. Prosseguiu os estudos, em Charleroi, quando tinha 15 anos. Nessa altura, eram evidentes as influências que teve de Fântomas, das viagens de Robert Louis Stevenson e da literatura de Edgar Allan Poe.
Em 1916, Magritte entrou na Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde permaneceu dois anos. As suas primeiras obras foram cubistas e depois futuristas. Enquanto estudava, andava em tertúlias e discussões políticas nos cafés de Bruxelas, conhecendo alguns pintores e poetas
Em 1920, Magritte realizou a sua primeira exposição profissional no Centro de Artes de Bruxelas. Em 1926, assinou contrato com a Galeria “Centaure” e pode dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Nesse ano, inspirado na obra de Chirico, apresentou a sua primeira obra surrealista, “O Jóquei Perdido”.
Em 1927, mudou-se para Paris, entrando em contato com o movimento de vanguarda liderado por André Breton. Em 1928, produziu “Os Amantes” no qual os rostos estão cobertos por panos. Nesse ano, produziu “O Falso Espelho” no qual o olho humano reflete um céu com nuvens.
Em 1930, Magritte regressou a Bruxelas aprofundando a sua técnica e rejeitando a suposta espontaneidade do automatismo surreal. São dessa época as obras: “O Retrato” (1938) e “O Tempo Trespassado” (1939).
Apesar de ter produzido um grande número de obras, Magritte começou a ser reconhecido na década de 60. Tendo sido influenciado por Breton, Duchamp, Miró, Dali e Chirico, mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia.