Memórias: Eugène Pottier

7 11 2018

No dia 6 de novembro de 1887, morreu Eugène Pottier. Foi um poeta, desenhador, operário e militante socialista francês. Escreveu o texto daquela que é uma das canções mais conhecidas no mundo: “A Internacional”. Por António José André.
Eugène Pottier nasceu a 4 de outubro de 1816, em Paris. Era filho de uma família pobre. Começou a trabalhar aos 13 anos, embalando caixões, em Lille. Aos 14 anos escreveu a sua primeira poesia: “Viva a Liberdade!”
Esteve presente nos diferentes acontecimentos do movimento operário europeu do século XIX. Pottier fundou a Câmara Sindical de Desenhadores. e filiou-se na Primeira Internacional.
Em 1871, Pottier foi eleito por unanimidade para o Conselho da Comuna de Paris. Lutou nas barricadas em defesa da Comuna. Após a derrota destes movimento revolucionário, refugiou-se na Inglaterra e, depois, nos EUA.
Durante o seu exílio e assumindo a condição de imigrante, Eugène Pottier escreveu o poema “Operários dos EUA e Operários de França”, no qual refletia sobre a vida dos trabalhadores sob o jugo do sistema capitalista.
Estava convencido que os trabalhadores de todas as latitudes, para além das fronteiras nacionais, tinham as eismas necessidades e o mesmo interesse de lutar para tornar possível a revolução proletária mundial.
Em 1880, quando o governo francês concedeu uma amnistía geral, Pottier regressou a Paris. Participou na fundação do Partido Operário Francês e escreveu para o jornal “O Socialista”, com Paul Lafargue.
Eugène Pottier manteve a sua atividade política e literária até à morte, no dia 8 de novembro de 1887. O cortejo fúnebre foi acompanhado por cerca de 10 mil pessoas, que empunhavam bandeiras vermelhas
Os restos mortais de Eugène Pottier estão no cemitério de Peré Lachaise, onde também estão enterrados os revolucionários, que foram fuzilados após a derrota da Comuna de París.
Eugene Pottier escrevera, em junho de 1871, o texto daquela que é uma das canções mais conhecidas no mundo: “A Internacional”. Infelizmente, morreu antes dela ser transformada em música, por Pierre Degeyter. Em 1889, foi cantada, pela primeira vez, no Congreso da Segunda Internacional.

Anúncios




Memórias: Carlos Lamarca

24 10 2018

Hoje na história: no dia 23 de outubro de 1937, nasceu Carlos Lamarca. Foi um militar brasileiro e um dos dirigentes da luta armada contra a ditadura militar instaurada, em 1964. Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos. Por António José André.
Carlos Lamarca nasceu, no Rio de Janeiro, a 23 de outubro de 1937. Era filho de um carpinteiro. Fez o Ensino Secundário num Colégio de padres e, depois, entrou na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre.
Em 1955, Lamarca foi transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (Rio de Janeiro). Em 1960, chegou a aspirante a oficial. Depois foi colocado no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna (S.P.).
Lamarca foi enviado para as Forças de Paz da ONU, na Palestina. Essa experiência marcou-o quanto às injustiças sociais. Ao chegar ao Brasil, foi colocado na Polícia do Exército (Porto Alegre), quando ocorreu o golpe militar de 1964.
Em 1965, Lamarca voltou para Quitaúna. Em 1967, foi promovido a capitão. Entretanto, fez contactos com grupos de esquerda que defendiam a luta armada para derrubar a ditadura, instalada com o golpe de 1964
Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou o quartel de Quitaúna (S.P.), com 63 espingardas, algumas metralhadoras e muitas munições para se juntar à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Quando deixou Quitaúna, separou-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba na véspera da sua deserção.
Lamarca tornou-se um dos mais ativos militantes da luta armada contra o regime militar. Viveu clandestinamente 10 meses, em São Paulo, antes de seguir para o Vale da Ribeira com 16 militantes para começarem o treino de guerrilha.
Em maio de 1970, o Vale da Ribeira foi cercado por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu escapar. Nessa operação, foram presos quatro guerrilheiros.
Lamarca participou em diversas ações, como assaltos a bancos, e comandou o rapto do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro. Depois, fugiu para a Baía.
Lamarca voltou para São Paulo, planeando e comandando ações armadas. Ficou 2 anos e 8 meses na clandestinidade. Em 1971, saiu da VPR e passou a fazer parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Em junho de 1971, Lamarca foi para o sertão da Baia com a missão de estabelecer uma base do MR-8. Em agosto desse ano, com a prisão de um militante em Salvador, que conhecia o seu paradeiro, começou o cerco à região, por parte das forças integrantes da “Operação Pajuçara”,
Depois de um tiroteio entre essas forças e Zequinha, que acompanhava Lamarca já adoentado, os dois iniciaram uma fuga, percorrendo cerca de 300 quilómetros, em 20 dias. Em 17 de setembro de 1971, Lamarca e Zequinha foram fuzilados, em Ipupiara (Baia).
Essa operação foi uma das mais violentas, sobretudo em Buritis, onde houve torturas e assassinatos na praça pública e diante da população.
Em 2007, a Comissão de Amnistia do Ministério da Justiça concedeu a patente de coronel do Exército a Carlos Lamarca e o estatuto de perseguidos políticos à sua esposa, Maria Pavan Lamarca, e aos dois filhos. Em 2010, acatando uma ação do Clube Militar, a juíza Cláudia Maria Pereira Bastos Neiva suspendeu a decisão da Comissão de Amnistia.
Carlos Lamarca tinha 34 anos, quando morreu. “Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos





Memórias: Emily Davison

11 10 2018

No dia 11 de outurbro de 1872, nasceu Emily Davison. Foi uma militante inglesa que defendeu, lutou e morreu pelos direitos das mulheres. Por António José André.
Emily Davison nasceu, no dia 11 de Outubro de 1872, em Blackheath (sudeste de Londres). Filha de Margaret Davison e Charles Davison, tinha duas irmãs, um irmão e muitos meio-irmãos.
Teve um bom desempenho na Escola e ganhou uma bolsa para estudar Literatura no Holloway College. Emily Davison foi obrigada a interromper os estudos devido à morte do pai e às dificuldades da mãe, que não podia pagar as taxas mensais.
Apesar das dificuldades e com esforço, Emily Davison preparou-se e foi professora, em Edgbaston e Worthing, o que lhe permitiu ter dinheiro para voltar a estudar. Depois, obteve o Bacharel, no colégio St. Hugh’s pertencente à Universidade de Oxford e deu aulas, em Berkshire.
Em 1906, Emily Davison filiou-se na Women’s Social and Political Union, movimento fundado por Emmeline Pankhurst com o lema “Ações, Não Palavras”. Em 1908, abandonou o seu emprego como professora para se dedicar a tempo inteiro na luta pelos direitos das mulheres.
Emily Davison foi detida e presa várias vezes. Uma vez, por atacar um homem que confundiu com o ministro da Fazenda, David Lloyd George. Noutra ocasião, fez greve de fome, na prisão de Strangeways. Na prisão de Holloway, atirou-se duma escada e sofreu danos na coluna vertebral.
No dia 4 de junho de 1913, durante a Corrida de Cavalos de Epsom, onde se reunia a alta sociedade britânica e milhares de espetadores, Emily Davison atravessou a cerca e manifestou-se. Mas foi pisada cavalo do rei Jorge V.
Emily Davison faleceu, no dia 5 de junho de 1913, no hospital “Casa Epsom”, devido a uma fratura no crânio e lesões internas. A sua família insistiu na apuração das causas do acidente, mas nada foi conclusivo.
A luta das mulheres inglesas continuou… Em 1918, as mulheres com mais de 30 anos obtiveram o direito ao voto. Ironia das ironias…





Memórias: José Orozco

13 09 2018

No dia 7 de setembro de 1949, morreu José Clemente Orozco. Foi um pintor mexicano, que se destacou no Muralismo juntamente com Diego Rivera e Alfaro Siqueiros. Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. Por António José André.
José Clemente Orozco nasceu, no dia 23 de novembro de 1883, em Zapotlán (México). Aos dois anos mudou-se com a famíla para Guadalajara. Aos cinco anos, foi para a Cidade de México.
Em 1890, Orozco entrou na Escola Primaria anexa à Escola Normal de Professores. À noite, tinha aulas de desenho na Academia de Belas Artes de S. Carlos. Em 1897, a familia enviou-o para a Escola Agrícola de S. Jacinto
Orozco deixou a Escola Agricola para estudiar Arquitetura, mas a sua obsessão pela pintura, fê-lo entrar na Academia de Belas Artes, onde esteve de 1906 a 1910.
Em 1916, Orozco fez a sua primeira exposição na livraria Biblos da Cidade do México. Em 1917, viajou pelos Estados Unidos, tendo morado em San Francisco e Nova Iorque, vivendo da pintura de cartazes.
Em 1922, Orozco juntou-se a Diego Rivera e Alafaro Siqueiros no Sindicato dos Pintores. Em 1926, por encomenda da Secretaria da Educação, pintou em Orizaba, o mural “Reconstrução” no edificio que hoje é Palácio Municipal.
Em 1927, Orozco voltou para Nova Yorque, onde pintou uma série de óleos – “Queensboro Bridge”, “Winter” e “The Subway” – demostrando o caráter desumanizado da grande cidade.
Em 1934, Orozco regressou ao México. Produziu “Katharsis”, no Palácio de Belas Artes. É a representação sangrenta do conflito entre o homem moderno e o mundo caótico e mecanizado que o rodeia e o oprime.
Em 194, produziu dois murais no Corte Suprema do México com 4 motivos. Em 2 deles, critica e satiriza a prática da justiça. Num outro, refere-se às riquezas naturais do país sob proteção da bandeira e do jaguar, símbolos nacionais. O último tema, relaciona-se com os movimentos sociais operários.
Entre 1941 e 1944, Orozco dedicou-se à pintura de cavalete e a uma outra grande obra mural na abóbada e nas paredes do coro da igreja de Jesus Nazareno.
Até 1946, Orozco integrou com Rivera e Siqueiros a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Nesse ano, recebeu o Prémio Nacional de Belas Artes.
No ano seguinte, Orozco encarregou-se da pintura do teto da Câmara Legislativa de Guadalajara. O tema relacionava-se com o decreto que se promulgou naquele lugar abolindo a escravatura.
José Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. O seu estilo era de um realismo expressionista ligado às velhas tradições artísticas mexicanas e com um intenso dinamismo.





Memórias: Edward Palmer Thompson

29 08 2018

No dia 28 de agosto de 1993, morreu Edward Palmer Thompson. Foi um historiador marxista, escritor e militante socialista inglês. É considerado um dos maiores historiadores do século XX. Por António José André.
E.P. Thompson nasceu em Oxford, no dia 3 de fevereiro de 1924. Estudou História na Universidade de Cambridge, mas interrompeu o curso e alistou-se no exército para lutar contra o nazismo durante a IIª Guerra Mundial.
Enquanto estudava história, tornou-se militante do Partido Comunista da Grã-Bretanha (PCGB). Thompson licenciou-se, em 1946. Depois, alistou-se como voluntário numa brigada de solidariedade para com a Jugoslávia.
No partido, Thompson criou um grupo de historiadores, em 1946, ao qual pertenceram Eric Hobsbawm, Christhopher Hill, Doroty Thompson, entre outros. A militância nesse grupo foi fundamental para a sua formação.
Em 1948, Thompson foi contratado pela Universidade de Leeds para dar aulas noturnas a trabalhadores. Essa experiência foi fundamental para escrever a sua obra “A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa”.
Em 1956, Thompson e cerca de sete mil membros romperam com o PCGB. Nesse ano, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética revelou os crimes de Estaline e a URSS invadiu a Hungria.
Os dissidentes do PCGB constituíram o núcleo do movimento político “Nova Esquerda” e fundaram a revista “New Reasoner Review”. Desse grupo faziam parte vários intelectuais marxistas: Raymond Willians, John Saville, Doroty Thompson, Ralph Miliband…
Em 1959, a “New Reasoner Review” fundiu-se com a “Universities and Left Review” (da qual fazia parte o jovem Perry Anderson) para criar a revista “New Left Review”, instrumento de debate teórico e político na Inglaterra e uma das principais revistas de orientação marxista no mundo.
Na década 80, Edward P. Thompson participou em diversas campanhas políticas, sobretudo como militante do movimento pacifista antinuclear.
Thompson lecionou em diversas Universidades: Warwich e Manchester (Inglaterra); Pittsburg, Rutgers, Brown e Dartmoth College (EUA); Queen’s de Kingston (Canadá). Morreu, no dia 28 de agosto de 1993, em Worcester.
Thompson deixou uma vasta obra onde abordou histórias do Trabalho e da Cultura. As suas preocupações eram avessas ao dogmatismo. A sua trajetória intelectual esteve ligada à trajetória da sua militância política.





Memórias: Langston Hughes

23 05 2018

No dia 22 de maio de 1967, morreu Langston Hughes. Foi um poeta, novelista, dramaturgo, colunista e ativista social norte-americano. Foi um dos líderes do movimento modernista “Harlem Renaissance”. Por António José André.
Hughes nasceu dia 1 Fevereiro de 1902, no Missouri. Passou a infância com a avó materna, no Kansas. Viveu algum tempo com o pai, no México, deixando-o por causa do desprezo pela raça. Viajou por mar e trabalhou em França e Itália. Depois, apareceu na cena literária de Harlem, publicando nas revistas “Crisis” e “Oportunity” (de 1921 a 1925).
Langston Hughes foi o mais famoso do movimento modernista “Harlem Renaissance”, que contou com muitos outros autores: Claude McKay, Jean Toomer, Zora Neale Hurston… Esse movimento também lançou as carreiras musicais de Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan…
“The negro Artist and the Racial Mountain” (1926) converteu-se no Manifesto desse movimento. Em 1935, pôs em cena o drama “Mulato”, violenta acusação contra o sistema racial do Sul, centrado num personagem alienado, tanto no mundo dos negros, como no dos brancos.
A experiência da Guerra civil espanhola, que presenciou em 1937, como correspondente na frente republicana, inspirou-lhe vibrantes poesías levando-o a um compromisso político com posições claramente de esquerda, pasando a fser perseguido durante o macartismo.
Hughes foi um dos maiores expoentes da “Harlem Renaissance”, sendo o principal representante da cultura afro-americana e um dos mais brilhantes poetas. A sua escrita e as suas intervenções públicas tiveram como objetivo o progresso social e civil da população afro-americana dos Estados Unidos.
O seu trabalho viria a influenciar outros autores: Léon Damas, Léopold Senghor e Aimé Césaire… Langston Hughes foi um dos escritores que mais influenciaram a poesia contemporânea africana de língua inglesa, em particular, a da África do Sul.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=B3PmUcJbFAo





Memórias: Halldór Laxness

16 02 2018

No dia 8 de fevereiro de 1998, morreu Halldór Laxness. Foi um escritor islandês. Tendo sido controverso pelas suas posturas radicais, foi uma figura dominante na literatura islandesa, ao longo do século XX. Por António José André.
Laxness nasceu, no dia 23 de abril de 1902, como Halldór Kiljan GudJonsson, mas adotou como seu apelido o nome de um bairro da periferia de Reiquiavique, cidade onde nasceu.
Aos 14 anos, Laxness escreveu o seu primeiro artigo, publicado no jornal “Morgunblaðið”. Aos 19 anos, publicou o seu primeiro conto no mesmo jornal. Durante a sua juventude, Laxness viajou bastante e residiu fora da Islândia.
Nos vários países da Europa continental onde viveu, sentiu-se influenciado pelo surrealismo e pelo expresionismo alemão. A sua posterior estadia nos Estados Unidos, fê-lo deixar a fé católica, tornando-se ateu.
O socialismo foi o prisma através do qual Laxness observou o mundo durante os anos trinta e quarenta, tendo sido defensor da União Soviética, até à invasão da Hungría, em 1956.
Laxness foi duramente atacado pela sociedade conservadora. Mas os jovens islandeses víam nele alguém capaz de dar novos valores à sociedade..Tendo sido controverso pelas suas posturas radicais, Laxness foi uma figura dominante na literatura islandesa, ao longo do século XX.
Durante a sua vida, Laxness escreveu 51 romances, poesia, artigos de jornal, livros de viagens, peças de teatro, contos e outras obras. Em 1955, ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
A sua obra, traduzida em mais de 45 línguas, tem grande sucesso em todo o mundo. Em Portugal, foram editadas pela Cavalo de Ferro: “Os peixes também sabem cantar”, “Gente Independente” e “O Sino da Islândia”.