Memórias: René Magritte

14 08 2018

No dia 15 agosto de 1967, morreu René Magritte. Foi um pintor surrealista belga, que deixou uma extensa obra artística. Foi influenciado por Breton, Ducjhamp, Miró, Dali e Chirico, mas mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia. Por António José André.
René Magritte nasceu em Lessines (sul da Bélgica), no dia 21 de novembro de 1898. A família tinha baixos recursos: o pai era alfaiate; a mãe era chapeleira. Magritte e os seus dois irmãos mudaram frequentemente de casa. A mãe suicidou-se, quando Magritte era adolescente.
Em 1910, René Magritte começou a estudar pintura em Châtelet. Prosseguiu os estudos, em Charleroi, quando tinha 15 anos. Nessa altura, eram evidentes as influências que teve de Fântomas, das viagens de Robert Louis Stevenson e da literatura de Edgar Allan Poe.
Em 1916, Magritte entrou na Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde permaneceu dois anos. As suas primeiras obras foram cubistas e depois futuristas. Enquanto estudava, andava em tertúlias e discussões políticas nos cafés de Bruxelas, conhecendo alguns pintores e poetas
Em 1920, Magritte realizou a sua primeira exposição profissional no Centro de Artes de Bruxelas. Em 1926, assinou contrato com a Galeria “Centaure” e pode dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Nesse ano, inspirado na obra de Chirico, apresentou a sua primeira obra surrealista, “O Jóquei Perdido”.
Em 1927, mudou-se para Paris, entrando em contato com o movimento de vanguarda liderado por André Breton. Em 1928, produziu “Os Amantes” no qual os rostos estão cobertos por panos. Nesse ano, produziu “O Falso Espelho” no qual o olho humano reflete um céu com nuvens.
Em 1930, Magritte regressou a Bruxelas aprofundando a sua técnica e rejeitando a suposta espontaneidade do automatismo surreal. São dessa época as obras: “O Retrato” (1938) e “O Tempo Trespassado” (1939).
Apesar de ter produzido um grande número de obras, Magritte começou a ser reconhecido na década de 60. Tendo sido influenciado por Breton, Duchamp, Miró, Dali e Chirico, mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia.

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Memórias: 100 anos do Cabaret Voltaire

16 02 2016

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No dia 5 de fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o “Cabaret Voltaire”, ponto de encontro de artistas pacifistas de todas as nacionalidades. Foi o início do Dadaísmo, uma vanguarda artístico-cultural anti burguesa. Por António José André.
A Iª Guerra Mundial estava às portas. Hugo Ball (filósofo, poeta e diretor de teatro) e a sua amiga, Emmy Hennings (cantora e poeta) tinham chegado à Suíça (solo neutro, quanto à Guerra) e criaram o “Cabaret Voltaire”.
Zurique era o refúgio de vários personagens irregulares: desertores, emigrados políticos, agentes secretos, etc. Havia também artistas e escritores, que chegaram a Zurique por motivos diversos.
Hugo Ball, que estava alistado no exército alemão, escolheu a Suíça como asilo. Tzara e Janco vieram da Roménia para estudar (Tzara estudava filosofia e Janco, arquitetura). Hanz Arp veio de Paris para se encontrar com a mãe. Richard Huelsenbeck e Hans Richter também vieram da Alemanha.
Hugo Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com vários objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas.
Este espaço dava aos artistas as condições para a liberdade artística e para a experimentação. Formado por escritores, poetas, músicos e artistas plásticos, dois deles desertores do serviço militar alemão, Tristan Tzara e Hans Arp, Cabaret Voltaire foi também o nome duma revista criada pelo grupo dadaísta de Zurique, a partir de Maio de 1916, em línguas alemã e francesa.
No dia 9 de abril de 1919, o movimento encontrou o seu apogeu e declínio numa gigantesca exposição de arte, com poemas simultâneos e danças de máscaras ao som de música atonal.
Fora da Suíça, o dadaísmo continuou a viver. Em Nova Iorque, Marcel Duchamp continuou o dadaísmo com muito humor e a proposta de dessacralizar as obras de arte. Duchamp criou um alter ego feminino, Rose Sélavy, e travestia-se nas ruas de Nova Iorque.
Em Berlim, Huelsenbeck fundou o Club Dada, de orientação sóciocrítica. O poeta e colagista sonoro, Kurt Schwitters, não era um dos seus membros, mas o seu nome ficou estreitamente ligado ao dadaísmo.
Nos seus desdobramentos mais recentes, encontramos na música industrial uma mistura de futurismo com dadaísmo na banda britânica, “Cabaret Voltaire (década de 1980), cujas performances seguiam a proposta Dada .





Memórias: Francis Picabia faleceu há 61 anos

3 12 2014

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No dia 30 de novembro de 1953, faleceu Francis-Marie Martinez Picabia: pintor e poeta vanguardista.
Francis Picabia nasceu, a 22 de janeiro de 1879, em Paris e era duma família aristocrática. Em 1890, estudou na Escola de Belas Artes e na Escola das Artes Decorativas, em Paris.
Em 1894, começou a sua carreira no âmbito do impressionismo e do fauvismo, influenciado por Picasso e Sisley, produzindo obras que lhe proporcionaram um certo êxito comercial.
O seu temperamento inquieto e subversivo levou-o a procurar outros caminhos, entrando na órbitra do cubismo e produzindo obras com elementos simbólicos e títulos sem relação com o tema.
Entre 1909 e 1911, foi membro do grupo “Puteaux” e conheceu os irmãos Duchamp: Marcel, Suzanne e Raymond. Em 1913, foi aos E.U.A. onde contactou com o fotógrafo Alfred Stieglitz e o grupo dadaísta norte-americano.
Depois conheceu o grupo dadaísta de Zurique, ficando encantado com o dadaísmo. Em 1917, publicou o primeiro número da sua revista dadaísta “391”, contando com as colaborações de Apollinaire, Tristan Tzara, Man Ray e Arp.
A este período corresponde o seu estilo “maquinista” por se centrar na representação de máquinas. A partir de 1919, frequentou o grupo surrealista de Paris. Em 1924, realizou uma cenografia para o filme “Entr’acte”, de René Clair.
Em 1925, estabeleceu-se na Costa Azul, onde desenvolveu um novo estilo definido como dos monstros e das transparências. Depois regressou a Paris e criou com André Breton a revista “491”.
Veja também: http://www.picabia.com/FP_WEB/FR/accueil.awp





500 anos de Gioconda

12 06 2009

124481958413920090612-2275511dnA localidade natal de Leonardo da Vinci (1452-1519) vai homenagear o artista com uma exposição sobre os 500 anos de “Mona Lisa“. O quadro, cuja data exacta da criação se desconhece, ainda assombra visitantes do Museu do Louvre, em Paris, pelo sorriso e olhar enigmáticos da protagonista.

Esta obra, que, segundo as últimas teorias, retrataria a jovem florentina Lisa Gherardini, foi precursor de toda uma série de pinturas femininas, que chegaram ao século XX, como a do Marcel Duchamp, que lhe colocou um bigode, ou as criações de Jean Margat, feitas para a revista “Bizarre“.