Memórias: Langston Hughes

23 05 2018

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No dia 22 de maio de 1967, morreu Langston Hughes. Foi um poeta, novelista, dramaturgo, colunista e ativista social norte-americano. Foi um dos líderes do movimento modernista “Harlem Renaissance”. Por António José André.
Hughes nasceu dia 1 Fevereiro de 1902, no Missouri. Passou a infância com a avó materna, no Kansas. Viveu algum tempo com o pai, no México, deixando-o por causa do desprezo pela raça. Viajou por mar e trabalhou em França e Itália. Depois, apareceu na cena literária de Harlem, publicando nas revistas “Crisis” e “Oportunity” (de 1921 a 1925).
Langston Hughes foi o mais famoso do movimento modernista “Harlem Renaissance”, que contou com muitos outros autores: Claude McKay, Jean Toomer, Zora Neale Hurston… Esse movimento também lançou as carreiras musicais de Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan…
“The negro Artist and the Racial Mountain” (1926) converteu-se no Manifesto desse movimento. Em 1935, pôs em cena o drama “Mulato”, violenta acusação contra o sistema racial do Sul, centrado num personagem alienado, tanto no mundo dos negros, como no dos brancos.
A experiência da Guerra civil espanhola, que presenciou em 1937, como correspondente na frente republicana, inspirou-lhe vibrantes poesías levando-o a um compromisso político com posições claramente de esquerda, pasando a fser perseguido durante o macartismo.
Hughes foi um dos maiores expoentes da “Harlem Renaissance”, sendo o principal representante da cultura afro-americana e um dos mais brilhantes poetas. A sua escrita e as suas intervenções públicas tiveram como objetivo o progresso social e civil da população afro-americana dos Estados Unidos.
O seu trabalho viria a influenciar outros autores: Léon Damas, Léopold Senghor e Aimé Césaire… Langston Hughes foi um dos escritores que mais influenciaram a poesia contemporânea africana de língua inglesa, em particular, a da África do Sul.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=B3PmUcJbFAo

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Memórias: Langston Hughes

23 05 2018

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No dia 22 de maio de 1967, morreu Langston Hughes. Foi um poeta, novelista, dramaturgo, colunista e ativista social norte-americano. Foi um dos líderes do movimento modernista “Harlem Renaissance”. Por António José André.
Hughes nasceu dia 1 Fevereiro de 1902, no Missouri. Passou a infância com a avó materna, no Kansas. Viveu algum tempo com o pai, no México, deixando-o por causa do desprezo pela raça. Viajou por mar e trabalhou em França e Itália. Depois, apareceu na cena literária de Harlem, publicando nas revistas “Crisis” e “Oportunity” (de 1921 a 1925).
Langston Hughes foi o mais famoso do movimento modernista “Harlem Renaissance”, que contou com muitos outros autores: Claude McKay, Jean Toomer, Zora Neale Hurston… Esse movimento também lançou as carreiras musicais de Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan…
“The negro Artist and the Racial Mountain” (1926) converteu-se no Manifesto desse movimento. Em 1935, pôs em cena o drama “Mulato”, violenta acusação contra o sistema racial do Sul, centrado num personagem alienado, tanto no mundo dos negros, como no dos brancos.
A experiência da Guerra Civil espanhola, que presenciou em 1937, como correspondente na frente republicana, inspirou-lhe vibrantes poesías levando-o a um compromisso político com posições claramente de esquerda, pasando a fser perseguido durante o macartismo.
Hughes foi um dos maiores expoentes da “Harlem Renaissance”, sendo o principal representante da cultura afro-americana e um dos mais brilhantes poetas. A sua escrita e as suas intervenções públicas tiveram como objetivo o progresso social e civil da população afro-americana dos Estados Unidos.
O seu trabalho viria a influenciar outros autores: Léon Damas, Léopold Senghor e Aimé Césaire… Langston Hughes foi um dos escritores que mais influenciaram a poesia contemporânea africana de língua inglesa, em particular, a da África do Sul.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=B3PmUcJbFAo





Hoje na história: Concedida licença para construir o Canal de Suez.

29 11 2017

No dia 30 de novembro de 1854, o rei egípcio Said Pascha assinou a licença para a construção de um canal entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho: o Canal de Suez.  Pascha concedeu ao engenheiro francês Ferdinand Marie de Lesseps a autorização para explorar o Canal durante 99 anos. Lesseps concretizou um anseio que existia, desde o Antigo Egito.
Os romanos tiveram essa ideia; quando invadiram a região, construíndo canais que ligaram o sul até ao delta do Nilo. Sem o canal, as mercadorias teriam de ser transportadas por terra entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Antes de Lesseps, engenheiros e cientistas planearam uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram por causa dum erro de cálculo de uma equipa encarregada por Napoleão, em 1800.
Convencido que os níveis dos dois mares eram os mesmos, Lesseps convenceu o rei Said Pascha da viabilidade do seu projeto, após ter passado um mês na corte real para conseguir a permissão da obra. O primeiro passo foi criar a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal durante 99 anos.
No dia 25 de abril de 1859, foi iniciada a obra. Com um alto custo, esse foi o maior projeto da navegação marítima mundial. O canal foi construído com 171 quilmetros de comprimento, tendo larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros.
No dia 17 de novembro de 1869, foi aberto à navegação marítima o caminho que aproximava a Europa da Ásia. Cerca de 1,5 milhão de egípcios participaram na sua construção e cerca de 125 mil morreram. Mas o canal começou logo a ser motivo de disputas políticas. No final dos trabalhos, o Egito e a França eram seus proprietários.
No entanto, a dívida externa do Egito obrigou-o a vender parte do canal ao Reino Unido, que garantia assim a rota para as Índias. Portanto, em 1875, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses. O caminho marítimo diminuía em 10 mil quilômetros a distância até as colónias na Ásia. França, Inglaterra e Egito decidiram manter a neutralidade desta área.
Mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelitas no Canal do Suez. Posteriormente, em guerras da região, o canal foi várias vezes bombardeado e chegou a ser fechado, em 1967. Passados oito anos, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir aquele caminho.

 

 





Memórias. Fritz Lang

10 08 2015

No dia 2 de agosto de 1976, morreu Fritz Lang, realizador, argumentista e produtor; um dos expoentes do Expressionismo, estilo que tentava descrever emoções subjetivas e reações que os objetos e acontecimentos provocam. Por António José André.
Fritz Lang nasceu, em Viena (Áustria), no dia 5 de dezembro de 1890. Filho de um arquiteto, Lang estudou arquitetura na Universidade Técnica de Viena e, depois de ter viajado um pouco por todo o mundo (1910 a 1914), ficou a viver em Paris, sobrevivendo como pintor.
Lang participou na Iª Guerra Mundial (oficial do exército austro-húngaro” e ficou gravemente ferido. Durante a convalescença começou a escrever guiões para filmes de suspense e horror.
Lang foi trabalhar para Berlim com o produtor alemão Erich Pommer. De referir que, parte do guião do filme “Gabinete do Dr. Caligari (1919)”, de Robert Wiene, foi escrito por Fritz Lang.
O seu primeiro filme de sucesso foi “Der müde Tod” (1921), mas a série de filmes que realizou (1919-1920), com o título “Die Spinnen”, tornaram-no um realizador muito conhecido.
O filme seguinte “Dr. Mabuse” (1922), estudava um criminoso de génio. “Os Nibelungos” (1924), baseado no romance medieval alemão celebrizado por Wagner, contava a história duma vingança auto-destrutiva.
“Metrópolis” (1926), possivelmente o mais importante filme de ficção científica, era uma visão expressionista do futuro, baseado no livro da sua mulher Thea von Harbou, com quem casou em 1922.
“M” (1931), o seu filme alemão mais famoso e o seu primeiro filme sonoro, mostrava um assassino de crianças que confessava o seu comportamento criminoso compulsivo.
O filme “O testatmento do Dr. Mabuse” (1932), onde um louco descrevia a filosofia nazi, foi proibido, pelo chefe da propaganda nazi, Joseph Goebbels, em março de 1933.
FritzLang abandonou Berlim, indo viver para Paris, onde realizou um filme com Charles Boyer. Mais tarde foi viver para os Estados Unidos, tornando-se cidadão norte-americano, em 1935.
O seu primeiro filme americano “Fúria” (1936), que estudava uma multidão a fazer um linchamento, foi considerado o melhor filme da fase americana. Seguiram-se: “Só vivemos uma vez” (1937) e “A Verdade e o Medo” (1956).
Em 1956, Lang foi viver para a Alemanha. Em 1959, realizou dois filmes, na Índia. Em 1960, realizou o último filme “Os mil olhos do Dr. Mabuse”. Ainda Atuou no filme “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard.
Em 1964, presidiu ao Festival de Cannes. Depois, regressou aos EUA, onde faleceu quase cego. Fritz Lang deixou uma forte marca na história do cinema, influenciando grandes realizadores: Alfred Hitchcock, Luis Buñuel e Orson Welles.





Memórias: Primeira emissão televisiva há 89 anos

26 01 2015

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No dia 26 de janeiro de 1926, os membros da Royal Institution assistiram, em Londres, à primeira emissão de televisão da história. Isso foi há 89 anos Por António José André.
A sessão ocorreu no laboratório do inventor, engenheiro e empresário escocês John Logie Baird. Tratava-se duma pequena imagem animada de 30 linhas verticais (a preto e branco), que permitia distinguir claramente a silhueta duma personagem transmitida a partir dum emissor na sala vizinha.
A televisão de Baird foi o resultado duma longa cadeia de inovações. Tudo começou, em 1875, quando o norte-americano G.R.Carey sugeriu o emprego de selénio, material cuja resistência elétrica varia em função da iluminação, para a transmissão de imagens à distância.
Alguns anos mais tarde, em 1883, o alemão Paul Nipkow inventou e patenteou um disco giratório capaz de analisar imagens, o “telescópio elétrico”. John Logie Baird inspirou-se nesse invento para planear o seu dispositivo.
A expressão “televisão” apareceu antes da invenção de John Logie Baird, durante a Exposição Universal de Paris, em 1900.
Em 1923, o pesquisador norte-americano de origem russa Vladimir Zworykin inventou uma câmara eletrónica (o iconoscópio), origem da televisão eletrónica. Em 18 de novembro de 1929, quando trabalhava para a Westinghouse, Zworykin apresentou o primeiro receptor de televisão inteiramente eletrónico.
Mais tarde, concorrendo com Baird, o inventor norte-americano Charles Jenkins fez, em junho de 1925, uma demonstração pública de transmissão de imagens animadas de modo similar à base de disco giratório analisador de imagens.
Em julho de 1928, John L. Baird deu os primeiros ensaios da televisão a cores. As primeiras emissões regulares televisionadas, a partir do emissor de Daventry, chegaram mais tarde, em 30 de setembro de 1929, associadas à BBC.





Revista Crítica de Ciências Sociais – edição nº103

24 11 2014

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Na 4ª feira, dia 26 de novembro, haverá uma sessão pública, no Café Santa Cruz, às 21:30h, promovida Por Mão Própria, onde será apresentada a edição nº103 da Revista Crítica de Ciências Sociais/1.

Trabalho, precaridade e rebeliões sociais” são o mote para uma sessão que contará com as intervenções de Elísio Estanque (Docente) e José Manuel Pureza (Docente) e a moderação de Paula Carmo (Jornalista).

1/
“A Revista Crítica de Ciências Sociais, uma edição quadrimestral do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, publica artigos originais que apresentem resultados de investigação avançada e de reflexão teórica inovadora em todas as áreas das ciências sociais e das humanidades.”


Edição nº 103

Índice
• Introdução, Elísio Estanque e Hermes Augusto Costa
Artigos
•Guy Standing O precariado e a luta de classes Ruy Braga
•Precariado e sindicalismo no Brasil contemporâneo: Um olhar a partir da indústria do call center
•Elísio Estanque Rebeliões de classe média? Precariedade e movimentos sociais em Portugal e no Brasil (2011­‑2013)
•Iside Gjergji O Egito em tempo de revolução. As lutas dos trabalhadores antes e depois das revoltas de 2011
•Roberto Véras Brasil em obras, peões em luta, sindicatos surpreendidos
•Maria da Paz Campos Lima e Antonio Martin Artiles Descontentamento na Europa em tempos de austeridade: Da ação coletiva à participação individual no protesto social
•Hermes Augusto Costa, Hugo Dias e José Soeiro As greves e a austeridade em Portugal: Olhares, expressões e recomposições
Recensões
•Teresa Martinho Toldy Santos, Boaventura de Sousa (2013), Se Deus fosse um activista dos direitos humanos
•José Soeiro Standing, Guy (2011), The Precariat. The New Dangerous Class
•Paula Sequeiros Báez, Fernando (2013), Los primeros libros de la Humanidad: el mundo antes de la imprenta y el libro electrónico
Espaço Virtual
•Hugo Dias Título da página eletrónica: Global Labour Column URL: http://column.global-labour-university.org/
•Hugo Dias Título da página eletrónica: Global Labour Journal URL: http://digitalcommons.mcmaster.ca/globallabour/
•José Soeiro Título da página eletrónica: Mob URL: http://moblisboa.org
•José Soeiro Título da página eletrónica: Oficina Precaria URL: http://oficinaprecaria.org





Tamiflu: um medicamento inútil? Não para os acionistas da Roche.

9 05 2014

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Gilles Godinat*

Um artigo do prestigiado British Medical Journal (BMJ) põe em dúvida a utilidade do anti-viral oseltamivir, conhecido sob o nome comercial de Tamiflu – Foto ahisgett/flickr O artigo do prestigiado British Medical Journal (BMJ), publicado a 10 de abril apresenta um estudo do grupo Cochrane (peritos independentes) que põe em dúvida a utilidade do anti-viral oseltamivir, conhecido sob o nome comercial de Tamiflu, e denuncia uma operação de mero lucro.

Quando este conhecido tipo de medicamentos anti-virais ainda não tinha nenhum sucesso, devido à sua eficácia muito limitada, a Roche conseguiu com um golpe de “marketing” 11,5 milhões de euros, vendendo enormes quantidades do seu produto diretamente aos governos, sob o pretexto de prevenir uma ameaça de pandemia do mal conhecido vírus gripal A (H1 N1), defendendo que o Tamiflu era o único remédio eficaz contra certas complicações como a pneumonia. A Suíça comprou-o gastando 4 milhões de francos (Confederação e cantões), “e se tivesse que voltar a ser feito, far-se-ia”, confiava à imprensa D. Koch, o responsável pela divisão das doenças contagiosas do Departamento Federal de Saúde Pública, provável vítima do vírus “Roche gripe”… Do lado da Swissmédic, a agência de controle dos medicamentos, as declarações são mais matizadas, mas nem falar em pôr em questão o princípio de precaução com reservas obrigatórias de Tamiflu, em caso de pandemia.

Uma impostura?

No entanto, segundo os autores do recente estudo do grupo Cochrane a Roche vendeu milhões de comprimidos dessa molécula, que não tem qualquer efeito preventivo que esteja demonstrado, nem sobre os sintomas graves nem sobre a mortalidade. Além disso, o coordenador desta investigação, Tom Jefferson, põe o acento nos efeitos secundários graves do Tamiflu (náuseas, vómitos, problemas psíquicos), que foram falsificados pela indústria farmacêutica. Em resumo, nenhuma prova de eficácia, mas efeitos negativos bem reais. Terão sido precisos quatro anos de duras batalhas para que a Roche aceitasse publicar alguns dados, ameaçada com ações judiciais por alguns governos. O gigante farmacêutico suíço, evidentemente, defende-se acenando com novos estudos favoráveis à sua causa, acusando inclusive o grupo Cochrane – cúmulo da arrogância! – de inexperiência.

A polémica em torno do Tamiflu remonta há vários anos, com as primeiras publicações do British Medical Journal a pôr em questão a eficácia desta molécula: 48 horas depois do início da infeção, o medicamento já tem apenas efeito de placebo. Mas o trabalho de lóbi da Big Pharma é de tal potência que nem a OMS nem a UE lançaram procedimentos para exigir um aumento da transparência do círculo muito fechado dos “laboratórios” farmacêuticos.

Desde os anos 1930, mas sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, estas sociedades adquiriram uma dimensão internacional com a industrialização da produção dos antibióticos. Com o desenvolvimento dos blickbusters, moléculas que garantem um volume de negócios anual que supera os mil milhões de dólares, uma vintena de empresas, apenas, impuseram-se como multinacionais do setor, gerando atualmente um volume de negócios de mais de um bilião (1.000.000.000.000) de dólares por ano, que triplicou em quinze anos.

Big Pharma, um perigo para a saúde

No seu recente livro Big pharma: une industrie toute puissante qui joue avec notre santé (Big Pharma: uma indústria todo-poderosa que brinca com nossa saúde), Las Arènes, 2013, Mikkel Borch-Jacobsen descreve o cínico marketing de moléculas perigosas, os ensaios clínicos manipulados ou dissimulados por causa dos maus resultados, “peritos” com conflitos de interesses, agências sanitárias complacentes ou passivas, sistemas de fármaco-vigilância (supervisão) pouco reativos, uma informação médica submetida a determinadas influências, graves carências éticas. Numerosos testemunhos e documentos tinham chamado já a atenção, desde há duas décadas, sobre essas práticas inaceitáveis, cujos principais escândalos foram abafados por acordos financeiros.

O Dr. Bernard Dalbergue, um médico empregado durante anos pelas Big Pharma, denuncia também o comportamento sem escrúpulos desse grupo, no seu recente livro: Omerta dans les labos pharmaceutiques (Omerta nos laboratórios farmacêuticos), Flammarion 2014. A Glaxo Smith Kline (GSK), um dos gigantes do ramo, teve que pagar 90 milhões de dólares para pôr fim aos processos judiciais derivados do seu perigoso anti-diabético Avandia e 150 milhões de dólares por prática abusiva. A Boehringer-Ingelheim pagou 90 milhões de dólares por marketing ilegal. A Eli-Lilly travou uma investigação por corrupção pagando 29,4 milhões de dólares. Para não falar do Diovan, um fármaco da Novartis usado contra a hipertensão, cujo volume de negócios atingiu 6 mil milhões de dólares em 2010 e que tem sido denunciado pelos seus efeitos perigosos.

Uma só solução: o controle público

Houve numerosos casos (Vioxx, Mediator), em que a indústria farmacêutica “ignorou” efeitos secundários perigosos. Dá-se também o caso de medicamentos cujo benefício é muito marginal para os doentes, como o anti-cancerígeno Erbitux, mas que dão muito dinheiro a ganhar. O Tamiflu é a caricatura: nenhum efeito, grandes lucros. Em 2008, Jörg Blech já tinha denunciado os aspetos mais chocantes dessas práticas em Les inventeurs de maladies : manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique (Os inventores de doenças: manobras e manipulações da indústria farmacêutica) (Actes Sud).

Quando as multinacionais tentam impor a sua lei com a ajuda de acordos internacionais negociados em segredo para enfrentar às débeis veleidades dos governos de exercer o mais pequeno controle sobre as suas atividades, e sobretudo para lhes facilitar o acesso a novos mercados e reduzir o lugar e o papel do setor público, é urgente que a sociedade civil lute pelo controle público da investigação, da produção e da venda dos produtos farmacêuticos. Devemos pôr termo aos estragos sociais e do meio ambiente provocados por esses gigantes. Os medicamentos devem ser considerados como um bem comum e a sua produção deve ser assegurada pelo setor público para garantir investigações orientadas para as necessidades sociais mais urgentes, a preços que garantam o seu acesso a todos e a todas.

Só há um único remédio eficaz contra a nocividade da indústria farmacêutica: o controle público!

Mais informação:

O que a saga Tamiflu nos conta sobre os ensaios clínicos e a indústria farmacêutica. Ben Goldacre, “The Guardian”, 10 de abril de 2014, traduzido para espanhol por saludyfarmacos.org

  • Artigo de Gilles Godinat publicado na revista bimensal de solidaritèS (Suíça), nº 247 e disponível em espanhol em vientosur.info