Memórias: Charles Alston

29 11 2018

No dia 28 de novembro de 1907, nasceu Charles Alston. Foi um professor, pintor e escultor afro-americano. Fundou o Harlem Art Workshop durante a Grande Depressão. Nos primeiros anos, centrou-se no retrato. Os seus primeiros murais inspiraram-se em Rivera e Orozco. Mais tarde, o Movimento Pelos Direitos Civis teve nele uma grande influência. Por António José André.
Charles Alston nasceu, em Charlotte (Carolina do Norte – EUA), a 28 de novembro de 1907. Filho do reverendo Primus Alston e de Ana Miller Alston, ele foi o mais jovem de 5 filhos. Em 1910, o seu pai morreu repentinamente.
Em criança, Alston copiava desenhos de comboios e carros feitos pelo seu irmão, Wendell. Também fazia esculturas em barro. Em 1915, a família mudou-se para Harlem (Nova Iorque).
Durante a Grande Depressão, a população de Harlem sofreu economicamente. A fortaleza estóica vivida por essa comunidade ficou expressa mais tarde nas obras de arte de Charles Alston.
Na Escola Primária de Manhattan, as capacidades artísticas de Charles Alston já eram conhecidas e pedíam-lhe para desenhar todos os cartazes da Escola. Durante o Ensino Secundário fez a sua primeira pintura a óleo.
Charles Alston estudou na DeWitt Clinton High School, destacando-se pela excelência académica e foi editor de arte da revista da Escola: “The Magpie”. E estudou Desenho e Anatomia, na National Academy of Design.
Em 1925, Charles Alston frequentou a Universidade de Columbia. Entrou em Arquitetura, mas perdeu interesse ao constatar a falta de êxito de muitos arquitetos afro-americanos.
Depois, experimentou Medicina até que entrou em Belas Artes. Charles Alson ligou-se a Alpha Phi Alpha, trabalhando no Columbia Daily Spectator e desenhando caricaturas para a revista da Escola Jester of Columbia.
Alston também trabalhou em restaurantes e clubes de Harlem, onde incrementou o amor pelo jazz e pela música negra. Em 1929, licenciou-se e foi estudar no Teachers College. Em 1931, obteve o Mestrado.
Entre 1942 e 1943, Alston esteve no Exército, no Arizona. Depois regressou a Nova Iorque e casou-se com Myra Logan, em 8 de abril de 1944. Em janeiro de 1977, morreu Myra Logan. Meses mais tarde, a 27 de abril de 1977, morreu Charles Alston após uma lomga luta contra o cancro.
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Enquanto estudava para o Mestrado, Alston foi diretor da Casa das Crianças da Utopia, iniciada por James Lesesne Wells. Ele começou a lecionar influenciado pela obra de John Dewey, Arthur Wesley Dow e Thomas Munro.
Alston foi introduzido na Arte Africana pelo poeta Alain Locke. Em 1938, recebeu uma verba do Fundo Rosenwald e viajou para o sul com Giles Hubert, (inspetor da Farm Security Administration), onde fotografou situações da vida rural.
As fotografias serviram de base para uma série de retratos “que representam a vida do negro do SUL”. Em 1940, recibeu uma segunda verba do Fundo Rosenwald e passou um tempo prolongado na Universidade de Atlanta.
Entre 1930 e 1940, Alston fez ilustrações para as revistas “Fortune”, “Mademoiselle”, “Yorker Melody Maker”, entre outras. Também desenhou capas de discos de vários artistas como Duke Ellington e Coleman Hawkins.
Em 1940, Alston trabalhou no Gabinete de Informação da Guerra e Relações Públicas criando imagens de afro-americanos, utilizadas em mais de 200 jornais pelo governo para “fomentar a boa vontade da cidadania negra”.
Depois, Charles Alston deixou o trabalho comercial e centrou-se na sua própria obra de arte. Em 1950, foi o primeiro instrutor afro-americano da Art Students League, onde permaneceu até 1971.
Em 1950, as pinturas de Charles Alson foram expostas no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque, Em 1956, foi o primeiro primeiro instrutor afro-americano no Museu de Arte Moderna.
Alson foi coordenador do Centro de Crianças da Expo 58. Nesse ano, foi eleito para a Academia Americana de Artes e Letras. Em 1963, co-fundou “Alston Espiral” com Romare Bearden, Hale Woodruff e outros artistas: Emma Amos, Perry Ferguson e Merton Simpson. Em 1968, Alston foi nomeado para o Conselho Nacional da Cultura e Artes.
Charles Alson fundou o Harlem Art Workshop durante a Grande Depressão. Nos primeiros anos, centrou-se no retrato. Os seus primeiros murais inspiraram-se em Diego Rivera e José Orozco. Mais tarde, o Movimento Pelos Direitos Civis teve nele uma grande influência.

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Memórias: José Orozco

13 09 2018

No dia 7 de setembro de 1949, morreu José Clemente Orozco. Foi um pintor mexicano, que se destacou no Muralismo juntamente com Diego Rivera e Alfaro Siqueiros. Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. Por António José André.
José Clemente Orozco nasceu, no dia 23 de novembro de 1883, em Zapotlán (México). Aos dois anos mudou-se com a famíla para Guadalajara. Aos cinco anos, foi para a Cidade de México.
Em 1890, Orozco entrou na Escola Primaria anexa à Escola Normal de Professores. À noite, tinha aulas de desenho na Academia de Belas Artes de S. Carlos. Em 1897, a familia enviou-o para a Escola Agrícola de S. Jacinto
Orozco deixou a Escola Agricola para estudiar Arquitetura, mas a sua obsessão pela pintura, fê-lo entrar na Academia de Belas Artes, onde esteve de 1906 a 1910.
Em 1916, Orozco fez a sua primeira exposição na livraria Biblos da Cidade do México. Em 1917, viajou pelos Estados Unidos, tendo morado em San Francisco e Nova Iorque, vivendo da pintura de cartazes.
Em 1922, Orozco juntou-se a Diego Rivera e Alafaro Siqueiros no Sindicato dos Pintores. Em 1926, por encomenda da Secretaria da Educação, pintou em Orizaba, o mural “Reconstrução” no edificio que hoje é Palácio Municipal.
Em 1927, Orozco voltou para Nova Yorque, onde pintou uma série de óleos – “Queensboro Bridge”, “Winter” e “The Subway” – demostrando o caráter desumanizado da grande cidade.
Em 1934, Orozco regressou ao México. Produziu “Katharsis”, no Palácio de Belas Artes. É a representação sangrenta do conflito entre o homem moderno e o mundo caótico e mecanizado que o rodeia e o oprime.
Em 194, produziu dois murais no Corte Suprema do México com 4 motivos. Em 2 deles, critica e satiriza a prática da justiça. Num outro, refere-se às riquezas naturais do país sob proteção da bandeira e do jaguar, símbolos nacionais. O último tema, relaciona-se com os movimentos sociais operários.
Entre 1941 e 1944, Orozco dedicou-se à pintura de cavalete e a uma outra grande obra mural na abóbada e nas paredes do coro da igreja de Jesus Nazareno.
Até 1946, Orozco integrou com Rivera e Siqueiros a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Nesse ano, recebeu o Prémio Nacional de Belas Artes.
No ano seguinte, Orozco encarregou-se da pintura do teto da Câmara Legislativa de Guadalajara. O tema relacionava-se com o decreto que se promulgou naquele lugar abolindo a escravatura.
José Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. O seu estilo era de um realismo expressionista ligado às velhas tradições artísticas mexicanas e com um intenso dinamismo.





Memórias: René Magritte

14 08 2018

No dia 15 agosto de 1967, morreu René Magritte. Foi um pintor surrealista belga, que deixou uma extensa obra artística. Foi influenciado por Breton, Ducjhamp, Miró, Dali e Chirico, mas mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia. Por António José André.
René Magritte nasceu em Lessines (sul da Bélgica), no dia 21 de novembro de 1898. A família tinha baixos recursos: o pai era alfaiate; a mãe era chapeleira. Magritte e os seus dois irmãos mudaram frequentemente de casa. A mãe suicidou-se, quando Magritte era adolescente.
Em 1910, René Magritte começou a estudar pintura em Châtelet. Prosseguiu os estudos, em Charleroi, quando tinha 15 anos. Nessa altura, eram evidentes as influências que teve de Fântomas, das viagens de Robert Louis Stevenson e da literatura de Edgar Allan Poe.
Em 1916, Magritte entrou na Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde permaneceu dois anos. As suas primeiras obras foram cubistas e depois futuristas. Enquanto estudava, andava em tertúlias e discussões políticas nos cafés de Bruxelas, conhecendo alguns pintores e poetas
Em 1920, Magritte realizou a sua primeira exposição profissional no Centro de Artes de Bruxelas. Em 1926, assinou contrato com a Galeria “Centaure” e pode dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Nesse ano, inspirado na obra de Chirico, apresentou a sua primeira obra surrealista, “O Jóquei Perdido”.
Em 1927, mudou-se para Paris, entrando em contato com o movimento de vanguarda liderado por André Breton. Em 1928, produziu “Os Amantes” no qual os rostos estão cobertos por panos. Nesse ano, produziu “O Falso Espelho” no qual o olho humano reflete um céu com nuvens.
Em 1930, Magritte regressou a Bruxelas aprofundando a sua técnica e rejeitando a suposta espontaneidade do automatismo surreal. São dessa época as obras: “O Retrato” (1938) e “O Tempo Trespassado” (1939).
Apesar de ter produzido um grande número de obras, Magritte começou a ser reconhecido na década de 60. Tendo sido influenciado por Breton, Duchamp, Miró, Dali e Chirico, mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia.





Hoje na História: Independência da Finlândia

5 12 2017

No dia 6 de dezembro de 1917, a Finlândia tornou-se independente, após oito séculos dominada por vários países. Hoje é uma referência em qualidade de vida e tecnologia. A Finlândia emancipou-se da Rússia. proclamando a sua independência, no dia 6 de dezembro de 1917, e aproveitando as desordens provocadas pela Iª Guerra Mundial e pela Revolução Russa.
No dia 6 de dezembro, é celebrada a independência da Finlândia, duramente conquistada. No dia 28 de fevereiro, celebra-se a identidade finlandesa: – aniversário da publicação de “Kalevala” (epopeia nacional da Finlândia, escrita por Elias Lönnrot).
A Finlândia (em finlandês: ‘‘Suomi’’ ou ‘‘País dos Mil Lagos’’) foi inicialmente povoada por lapões e depois por nómadas estonianos e húngaros. Estes údeixaram um idioma bastante particular do grupo linguístico fino-úgrico, próximo do mongol e do turco.
Em 1157, os suecos ocuparam o território. Em 1809, a Suécia cedeu a Finlândia ao czar Alexandre I, após o Tratado de Hamina, tornando-se um grão-ducado dos czares russos..





Memórias: El Lissitzky

25 11 2017

No dia 23 de novembro de 1890, nasceu El Lissitzky. Foi um arquiteto, designer, fotógrafo, pintor e tipógrafo russo. Lissitzky foi uma figura relevante da vanguarda russa. Influenciado por Malevich e pelo construtivismo, produziu uma série de obras chamadas “PROUN” (“Projeto para a Afirmação do Novo”) e foi autor de inúmeras mostras de arte e trabalhos de propaganda da União Soviética. Por António José André.
Lissitzky (cujo verdadeiro nome era Lazar Morduchovitch) nasceu, no dia 23 de novembro de 1890, em Polchinok. Interessado desde cedo pelo desenho, matriculou-se no Instituto Técnico de Damstard, em 1909. Regressou à Rússia, em 1914, por causa do início da I Guerra Mundial.
Em 1915, entrou para o Instituto Politécnico de Riga e terminou os estudos como Engenheiro-Arquiteto. Começou a lecionar com 15 anos, atividade que manteve ao longo da vida.
Com a revolução de 1917, Lissitzky entrou nos movimentos vanguardistas do seu país, colaborando na decoração das rua de Moscovo. Em 1919, conheceu Malevich e tornou-se suprematista.
Em 1919, Lissitzky foi convidado por Chagal (juntamente com Malevich) para fazer parte da Academia de Arte Livre de Vitebsk, onde ensinou arquitetura e artes gráficas.  Nesse ano, Lissitzky fez o seu primeiro quadro “PROUN” (palavra formada pelas iniciais de “Projeto para a Afirmação do Novo”, em russo) e aderiu ao grupo Unovis.
Nos quadros “PROUN”, combinou elementos suprematistas e construtivistas para unir arte e arquitectura em harmonia com os modernos meios tecnológicos.
Lissitzky ficou responsável para fazer a ponte entre a vanguarda russa e o resto da Europa ocidental. Em 1920, passou a ser membro do Inkhuk (Instituto de Cultura Artística de Moscovo).
Em 1921, associou-se ao grupo construtivista, através da sua amizade com Tatlin (professor no Laboratório Estatal Superior de Arte e Técnica). Em 1922, organizou uma Exposição na Galería Van Diemen, em Berlím.
Nos anos 20, o papel de Lissitzkyfoi fundamental para propagar a nova arte russa na Europa, através de viagens, textos e organização de exposições, tendo exercido uma importante influência sobre los artistas da Bauhaus.
Lissitzky fundou com Ladovski o grupo ASNOVA (1923-1925), tentando aplicar os princípios do construtivismo na arquitetura. De 1922 a 1928, viveu na Alemanha.
Lissitzky realizou grande propaganda cultural como editor e desenhador de capas para revistas, chegando a expor as suas ideias acerca da arquitetura na revista “Gelstaltung”.
Em 1923, experimentou novos projetos tipográficos para o livro de Maiakovsky. Em 1924, passou uma temporada na Suíça, colaborando com Schwitters na revista dadaísta “Merz” e num livro de Arp.
En 1925, regressou a Moscovo. Em 1926, colaborou na organização da Internationale Kunstausstellung de Dresde, que acolheu obras de Mondrian, Picabia, Moholy-Nagy e Gabo;
Lissitzky fez cartazes e desenvolveu novos conceitos de desenho gráfico com formas geométricas simples, conseguindo uma captação imediata das mensagens propagandísticos.
Lissitzky trabalhou em muitos sectores, sobretudo na arquitetura e desenho de interiores. Móveis, ilustração e composição de revistas também ocuparam grande parte da sua vida.
El Lissitzky morreu, no dia 30 de dezembro de 1941, em Moscovo. A sua obra exerceu grande influência nos movimentos construtivistas. Foi pioneiro em técnicas que viriam a dominar o design gráfico ao longo do século XX.





Hoje na história: Roelof Frankot

24 11 2017

No dia 24 de novembro de 1911, nasceu Roelof Frankot, Foi um pintor e fotógrafo holandês. Teve uma forte relação forte com o movimento COBRA. As suas artes finais eram similares às desse movimento; pinturas muito abstratas e espontâneas em cores fortes. As publicações das suas pinturas eram acompanhadas de pequenos poemas escritos por ele mesmo. Frankot foi considerado um inovador da arte holandesa. Durante a sua carreira, fez muitas exposições na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.





Hoje na história: Lautréamont

23 11 2017

No dia 24 de novembro de 1870, morreu Lautréamont. Foi um poeta uruguaio, que viveu em França. A sua poesia foi apreciada por André Breton, que o considerava um precursor do surrealismo. Foi autor da obra: “Os Cantos de Maldoror”.
“Lautréamont” nasceu, em Montevideu (Urugyuai), e passou a infância no Uruguai, onde o pai era cônsul francês. Foi enviado para estudar, em França, onde foi aluno do Liceu de Tarbes. Em 1867, mudou-se para Paris, a fm de estudar na Escola Politécnica. Desde esse momento, a sua vida gerou uma lenda que o apresentava como enigmático e extravagante.
Em 1869, Lautreamont publicou “Os Cantos de Maldoror”, obra de poesia em prosa, composta por seis partes, com imagens apocalípticas que apelam à violência e à destruição. Nessa altura, os “Cantos” não foram distribuídos com medo do editor sofrer represálias.
A obra foi publicada, em 1920, quando os surrealistas a reinvindicaram como antecedente do surrealismo. Nota: a banda portuguesa “Mão Morta” trabalhou temas e fez encenação com base nos “Cantos de Maldoror”.