Memórias: Ottavio Bottecchia

4 08 2016

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No dia 1 de agosto de 1894, nasceu Ottavio Bottecchia. Foi um ciclista italiano, que venceu duas vezes a Volta à França, em 1923 e 1925. Era comunista e morreu aos 33 anos num acidente misterioso. Por António José André.
Bottecchia nasceu em Colle Umbertonuma, pequena aldeia da Úmbria (Itália). De família humilde e quase analfabeto, começou a trabalhar como pedreiro até aprender a andar de bicicleta, na época da Iª Guerra Mundial.
Bottecchia foi encontrado moribundo, a 3 de Junho de 1927, com uma fratura no crânio, numa clavícula e escoriações noutros ossos. Levado para o hospital de Gemona del Friuli, acabaria por falecer 11 dias depois. Tinha 33 anos de idade.
A estranha morte de Ottavio Bottecchia
Bottecchia faleceu, a 14 de junho de 1927, em circunstâncias estranhas. Um agricultor de Peonis, localidade próxima da povoação onde residia Bottecchia, encontrou-o moribundo na berma da estrada.
Oficialmente, a sua morte foi considerada resultado de um acidente, quando treinava. A primera teoria falava de uma insolação que o fizera cair ao solo. A sua bicicleta estava a alguns metros dali: não sido roubada, nem danificada.
Alguns, defenderam que teria sido a participação de uma quadrilha de fascistas, como represália pelas ideias comunistas de Bottecchia e pela sua oposição frontal ao regime de Mussolini.
A investigação oficial encerrou, dando por certa a teoria do acidente e a famiíia do ciclista, que receceu uma suculenta indemnização pela sua morte, não mostrou interesse em procurar saber mais.
Mas, nos anos seguintes, para acrescentar confusão à história, 2 pessoas culparam-se da morte de Bottecchia. Primeiro, foi um emigrante italiano detido, em Nova Iorque, que declarou ter assassinado Bottecchia a mando de um dirigente fascista.
Duas décadas depois, um camponês propietário da vinha, onde tinha sido encontrado o corpo moribundo de Bottecchia, confessara ter assassinado acidentalmente o ciclista.
Quase nove décadas depois da morte de Bottecchia, as causas da mesma continuam envoltas – tal como a sua personalidade – num manto misterioso.





MEMÓRIAS: A INVENÇÃO DO LÁPIS

6 04 2016

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No dia 6 de abril de 1564, foi inventado o lápis, na Inglaterra, um utensílio que continua a ser útil nos dias de hoje. O lápis foi concebido para marcar, riscar e até mesmo cortar superfícies. Por António José André.

O lápis é uma ferramenta para escrever, desenhar ou até riscar papel, habitualmente constituído por um estilete cilíndrico de grafite revestido de madeira – o tradicional lápis de escrever preto. Mudando-se o material do estilete, produzem-se de forma similar lápis de diversas cores.

O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.

Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.

O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.

Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.

Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.

De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.

A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.

A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.

Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.

Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidor de lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.





Memórias: Howard Zinn

30 01 2016

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No dia 27 de janeiro de 2010, faleceu Howard Zinn: historiador, dramaturgo e cientista político norte-americano. Zinn foi uma figura proeminente nos movimentos pacifista e pelo reconhecimento dos direitos civis. A sua vida pessoal ficou inevitavelmente ligada à sua obra. Por António José André.
Zinn era filho de imigrantes judeus da Europa Central. Essa origem percorreu a sua vida e obra. Durante a IIª Guerra Mundial incorporou-se na força aérea norte-americana e participou no bombardeamento “experimental” de Royan (mais tarde, chamado de napalm). Essa missão transformou-o num pacifista resoluto.
Após a IIª Guerra Mundial, estudou história, defendendo um doutorado e lecionou em várias universidades. Nunca hesitou em empenhar-se em manifestações, por vezes, duramente reprimidas. Lutou contra a segregação racial e contra a Guerra do Vietname.
Em 1980, publicou “História popular dos Estados Unidos”, obra traduzida em numerosas línguas e adaptada para crianças em desenhos animados. O livro mudou toda a percepção da historiografia norte-americana ao desmontar a sua versão oficial e heróica.
Zinn dedicou, entre outras peças de teatro, uma a Emma Goldman, militante anarquista do começo do século XX, que foi expulsa dos EUA para a Rússia revolucionária.
A influência de Howard Zinn no seu país e no mundo, foi imensa. A partir de 2003, multiplicou conferências e posicionamentos públicos contra as diferentes intervenções norte-americanas e, em particular, contra a invasão do Iraque.
Zinn não era pessinista. Repetia que as liberdades tinham progredido nos EUA, depois da IIª Guerra Mundial, mas o povo poderá impor dentro dalguns anos as mudanças que se acreditariam impossíveis.

Como tributo a Zinn, pode escutar “Down”, canção dos Pearl Jam, que conviveram com ele: https://www.youtube.com/watch?v=jrnf9WoYqJo





Memórias: Frida Kahlo

20 07 2015

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No dia 13 de julho de 1954, morreu Frida Kahlo, grande pintora mexicana e uma das maiores pintoras do século XX. Comunista e revolucionária, Frida foi criadora da sua própria personagem e tema da sua obra. Por António José André.
Frida Kahlo nasceu na cidade do México, em 6 de julho de 1907. Em 1913, foi-lhe diagnosticada uma poliomielite, doença que acabou por deixar sequelas na sua perna direita. Em 1922, iniciou os estudos na Escola Nacional, onde teve a oportunidade de observar Diego Rivera a pintar o mural “A Criação”.
Em 17 de setembro de 1926, sofreu um acidente, quando viajava de autocarro. tendo uma rutura da coluna em 3 lugares. Um cano atravessou-lhe a bacia até à região púbica, produzindo uma tripla fratura da pélvis. Assim, ficou impedida de ter filhos. Esse acidente marcaria toda a sua vida.
Durante a convalescença, começou a pintar os seus primeiros quadros. Em 1927, reencontrou-se com Diego Rivera, quando ele regressou da União Soviética. O pintor mostrou interesse pela artista e pela sua obra. Dois anos depois, casaram-se e viajaram para os Estados Unidos.
Em Nova Iorque, Frida Kahlo pintou “My dress hanging there”, quadro que prenunciava a sua obra repleta de símbolos, com influência da estética popular e religiosa mexicana. Em 1934, regressaram ao México e instalaram-se, em San Ángel. Sofre. O processo de desfiguração do seu corpo é constante e isso refletiu-se nos seus trabalhos.
Separou-se de Diogo Rivera e viajou para Nova Iorque. Em 1937, Frida regressaria ao México, época em que Leon Trotsky e Natália, chegaram ao país. Frida foi recebê-los e.instalaram-se na sua casa de Coyoacán. Foi um ano muito prolífico para Frida. Produziu “Minha irmã e eu”, “O defunto Dimas”, “Meus avós, meus país e eu” e vários autorretratos.
Em 1938, André Breton chegou ao México e partilhou as suas ideias com Frida. Nesse ano, Frida foi a Paris visitar a exposição “México”, que André Breton organizou com obras pré-hispânicas e 18 quadros de Frida.
Em 1940, Frida participou da Exposição Internacional do Surrealismo na Galeria de Arte Mexicana com as telas “As Duas Fridas” e “A Mesa Ferida”. No dia 21 de agosto desse ano, Trotsky foi assassinado. A sua admiração pelo dirigente revolucionário russo levaram a ter um romance com ele.
Frida voltou aos Estados Unidos para receber tratamento médico. Participou na Exposição Internacional Golden Gate (São Francisco) e na Exposição Vinte Séculos de Arte Mexicana (Nova Iorque). No final desse ano, voltou a juntar-se a Rivera. Em 1941, regressaram ao México e Frida pintou vários auto-retratos.
Em 1942, expôs no Museu de Arte Moderna (Nova Iorque). Em 1943, foi nomeada professora da Escola de Pintura e Escultura La Esmeralda. De 1944 a 1949, participou em exposições nacionais e internacionais. Em 1950, Frida ficou internada nove meses por causa da complicação do enxerto dum osso na coluna vertebral.
Em 1951, pintou várias naturezas mortas e o “Retrato do meu pai Wilhelm Kahlo”. Em 1953, Frida organizou uma ampla Exposição individual na Galeria de Arte Contemporânea (México). Depois foi internada para a amputação da perna direita, devido a um quadro de gangrena.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=ou0EOcpdJm4





Apresentação de Privataria

13 07 2015

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No dia 15 de julho (quarta-feira), haverá uma sessão pública, no Café Santa Cruz, às 18h, promovida Por Mão Própria*, para a apresentação do livro “Privataria”/1 (Bertrand Editora – 2015). O evento vai contar com as presenças de Mariana Mortágua (Economista e co-autora do livro), Jorge Costa (Jornalista e co-autor do livro) e Mariana Oliveira (Jornalista e moderadora da sessão).

1/ “Privataria: Quem Ganha e Quem Perde com as Privatizações em Portugal”
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados (os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos), é isso mesmo: uma revolução.
Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do “mercado comum”, ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»





Memórias: Manu Chao

30 06 2015

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No dia 21 de junho de 1961, nasceu Manu Chao, músico hispano-francês criador de um estilo que sintetiza músicas de todo o mundo e uma figura destacada dos movimentos anti-globalização. Por António José André.
Manuel Chao nasceu, em París, filho de Ramón Chao (jornalista) e de Felisa (física), ambos galegos imigrantes. Manu conviveu desde cedo com intelectuais, compositores, músicos e pintores, refugiados das várias ditaduras latino-americanas que frequentavam a casa dos seus pais.
Essa foi certamente a base do multiculturalismo que impregna o seu trabalho musical. Manu Chao foi um aluno brilhante e nos tempos livres jogava futebol com amigos e escutava música, desde o rock até às canções revolucionárias.
Desde pequeno, Manu Chao aprendeu o rigor intelectual do pai (correspondente da revista Triunfo e Le Monde diplomatique). Ramón Chao relatou posteriormente que o filho tinha impressionado alguns amigos seus: Alejo Carpentier e António Saura.
Na adolescência, esteve imerso na cena alternativa de Paris, que se desenvolvia em locais improvisados (bares, casas ocupadas ou fábricas abandonadas) e integrou algumas bandas: Joint de Culasse, Los Carayos e Hot Pants (rockabilly).
Em 1987, foi criada a banda Mano Negra. O nome foi uma homenagem a uma organização anarquista que existiu, em Espanha, no final do século XIX. Mano Negra era um rock multi-étnico (rumba, hip-hop, salsa e punk cantadas em francês, espanhol, inglês e árabe).
Em 1988, os Mano Negra publicaram o seu primeiro disco “Patchanka”, nome com que batizaram o seu estilo. A faixa “Mala Vida” ganhou a reputação de rumba electrizante e o sucesso garantiu-lhes um contrato com a Virgin.
Em 1989, gravaram “Puta’s Fever”, que foi um sucesso graças ao single “King Kong Five” (mistura de hip-hop com guitarras hardcore). “King of Bongo” (1991) foi um álbum orientado para o rock e cantado na sua maioria em inglês.
Durante a Conferência Mundial Eco-92, no Rio de Janeiro, os Mano Negra contaram com a participação de Jello Biafra (da banda norte-americana Dead Kennedys). Os Mano Negra tocaram também nas Noites do Parque, em Coimbra.
Depois duma digressão nos Estados Unidos, fazendo as primeiras partes de Iggy Pop, os Mano Negra concentraram-se na América Latina. Em 1992, alugaram um barco e fizeram uma digressão por cidades costeiras do Brasil, Venezuela e México.
Durante essa experiência, ouviram falar de linhas ferroviárias abandonadas na Colômbia e decidiram reparar um comboio para percorrerem a selva e atuarem em povoações onde nunca tinha tocado banda alguma.
Essa aventura foi extenuante e acabou por exacerbar as tensões numa banda já instável (variava entre 8 e 12 membros). Depois de publicarem “Casa Babylon (1994), os Mano Negra dissolveram-se. Manu Chao e alguns membros atuaram com o nome Radio Bemba, por causa das disputas legais da sua separação.
Colaborando com várias bandas (os mexicanos Tijuana No, os brasileiros Skank, os argentinos Todos Tus Muertos ou Tonino Carotone), Manu Chao preparou “Clandestino” (1998): o seu primeiro disco a solo.
“Clandestino” foi um êxito, tanto pelas letras como pela mistura de inglês, francês, espanhol, galego e português. Músicas como “Desaparecido” e a faixa título tocaram em rádios e TVs, mas Manu Chao não quis uma digressão convencional.
Em 2000, Manu Chao participou no Free Jazz Festival (Rio de Janeiro), onde esteve Caetano Veloso e outros artistas brasileiro. Entretanto, Manu embarcou na “Feira das Mentiras”, espetáculo circense com o qual percorreu Espanha.
Quando publicou “Próxima estación: Esperanza” (2001), a sua dimensão social crescera. O disco foi gravado com uma banda estável e garantiu a Manu Chao manter-se como um dos artistas mais populares.
Na sua digressão de 2001, a capacidade de convocatória de Manu Chao manifestou-se em cidades de toda a Europa e em Nova Iorque. Num concerto em Barcelona aglomerou cerca de 90.000 pessoas.
Em 2005, Manu Chao gravou a faixa “Soledad Cidadão”, numa participação especial com a banda brasileira Paralamas do Sucesso. Nesse ano, tocou no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desde 2010, Manu Chao tem tocado gratuitamente em vários cidades brasileiras: Santos, Belém, São Paulo e Fortaleza.
O ativismo político de manu Chao adquiriu uma estatura quase mítica: viajante impenitente, membro do movimento ATTAC, simpatizante dos zapatistas e da legalización da marijuana, impulsionador de um sem fim de projetos…
Veja também: http://www.manuchao.net/





Memórias: Ella Fitzgerald

19 06 2015

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No dia 15 de junho de 1996, morreu Ella Fitzgerald, grande ícone da história da música popular norte-americana. Ella elevou o swing, o bebop e as baladas ao seu mais alto potencial. Por António José André.
Ella Fitzgerald nasceu em Newport News (Virginia-EUA), no dia 25 de abril de 1917. Mudou-se com a mãe para Nova Iorque, após a morte do pai. Frequentou a escola pública, cantou no coral do colégio e recebeu educação musical.
O seu primeiro sonho era ser dançarina. Inspirada pelo bailarino “Snake Hips” Tucker, estudou os seus movimentos e praticou-os. Em 1932, faleceu a mãe. O trauma provocou uma queda no seu desempenho escolar, deixando a escola.
Ella trabalhou como vigia num bordel e numa casa de apostas ligada à máfia. Acabou por ser presa e enviada para um reformatório. Fugiria de lá, morando na rua e acabando por ser internada no Asilo de Orfãos de Riverdale (Bronx).
Numa noite de 1934, o Apollo Theater promoveu um show para amadores, após o espetáculo de dança das Irmãs Edwards. Este número conquistaria a plateia. Ella, com apenas 16 anos, subiu ao palco, teve vergonha de dançar e resolveu cantar.
Ella Fitzgerald entoou “Judy”, no estilo de Connee Boswell, e “The Object of My Affection” das Boswell Sisters, impressionando o público e conquistando um prémio de 25 dólares. Esse foi o início da sua famosa carreira.
Ella Fitzgerald foi convidada a juntar-se à banda de Chick Webb. Em pouco tempo, tornou-se a sua principal atração, conquistando vários sucessos com a sua marca registrada: A-tisket, A-tasket (1938).
Ella Fitzgerald gravou com diversos músicos, inclusivamente com Benny Goodman. Em 1939, após a morte de Webb, liderou a banda durante 3 anos e já era uma figura muito respeitada no meio musical.
Com “Jazz at the Philharmonic” (título duma série de concertos e gravações de jazz, produzidos por Norman Granz), o prestígio de Ella Fitzgerald cresceu. As gravações com Cole Porter, Ira e George Gershwin tiveram um enorme sucesso.
Ella Fitzgerald foi uma das primeiras intérpretes do “scat” (género que abriu espaço a palavras sem sentido, como dubidubidá, babedibabá, babedubidabedubabá), colocando o seu nome entre os inovadores do jazz,
Nos anos 50 e 60, Ella Fitzgerald gravou duetos com Billie Holiday, Duke Ellington e Louis Armstrong. O seu verdadeiro génio residiu nas interpretações impecáveis das belas canções populares do seu tempo.
Nos anos 70 e 80, Ella trabalhou com um trio, encabeçado pelo pianista Tommy Flanagan, e com dezenas de orquestras sinfónicas. Em 1990, Ella Fitzgerald retirou-se dos palcos para cuidar da sua saúde.
Dos primeiros dias nas ruas de Harlem até aos céus da fama, a vida de Ella Fitzgerald representou uma história de sucesso. Ao longo de 58 anos de carreira, conquistou 13 Grammys e vendeu mais de 40 milhões de discos.