Memórias: Yuri Gagarin

29 03 2019

No dia 9 de março de 1934, nasceu Yuri Gagarin. Foi um astronauta soviético e o primeiro ser humano a viajar no espaço. Morreu a 27 de março de 1968, durante o voo num MIG-15. Por António José André.
Yuri Gagarin nasceu a 9 de março de 1934, num kolkoz de Khouchino, (Distrito de Gjatski, que se passou a chamar Gagarin, em sua homenagem), na União Soviética. A mãe era uma leitora e o pai um hábil carpinteiro.
Gagarin foi o terceiro de 4 filhos. A irmã mais velha ajudou a criá-lo, enquanto os pais trabalhavam. Quando jovem, interessava-se pelo espaço. O professor de Matemática e Ciência, que esteve na Força Aérea Soviética durante a IIª Guerra Mundial, foi uma importante influência para o jovem.
Gagarin começou o curso de moldador numa Escola Profissionalizante perto de Moscovo. Em 1951, estagiou numa metalúrgica e foi selecionado para a Faculdade Industrial de Saratov.
Entretanto, filiou-se no aeroclube local e aprendeu a pilotar aviões leves. Em 1955, concluiu a formação técnica e entrou para a Escola de Pilotos de Orenburg, onde recebeu treino militar. Em 1957, tornou-se piloto de MiG-15.
Em novembro de 1957, tornou-se Tenente da Força Aérea Soviética. Em 1960, foi um dos 20 pilotos selecionados, após rigorosos testes físicos e psicológicos, para o programa espacial soviético.
Gagarin foi escolhido para a primeira viagem espacial pelo seu desempenho no treino, a sua origem camponesa e as suas características físicas (1,57m e 69 kg), já que a nave tinha um espaço mínimo para o piloto.
Com 27 anos, Gagarin foi o primeiro ser humano a ir ao espaço na Vostok1, que deu uma volta completa ao planeta, no dia 12 de abril de 1962. Esteve em órbita 108 minutos, a 315km de altura, num voo automatizado à velocidade de 28.000km/h.
A Vostok1 tinha 4,4m de comprimento, 2,4m de diâmetro e pesava 4.725kg. A nave tinha 2 módulos: o dos equipamentos (instrumentos, antenas, tanques e combustível para retrofoguetes) e o da cápsula para um piloto.
A Agência Tass anunciou o acontecimento e Gagarin tornou-se uma celebridade soviética e mundial. Viajou pelo mundo promovendo a tecnologia espacial soviética e sendo recebido como herói por onde passava.
Em 1962, foi deputado no Soviete Supremo da União Soviética. Depois, voltou à Cidade das Estrelas (centro espacial soviético), trabalhando no design de novas aeronaves.
Estudou na Academia de Engenharia Aeronáutica Zhukovsky. Em 1968, iniciou treinos com MiG-15. A 27 de março de 1968, durante o voo num MIG-15, Gagarin e o instrutor, Vladimir Seryogin, morreram na queda do jato.
Gagarin e Seryogin receberam honras de Estado e foram enterrados no Kremlin.

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Charles Bukowski morreu há 25 anos

12 03 2019

Charles Bukowski (Photo byJARNOUX Patrick/Paris Match via Getty Images)

No dia 9 de março, morreu Charles Bukowski. Foi um poeta, cronista e romancista norte-americano, que não se pareceu com nenhum autor da sua geração. A sua obra fascinou muita gente. Por António José André.
Charles Bukowski nasceu a 16 de agosto de 1920, em Andernach (Alemanha). Em 1922, os seus pais mudaram-se para Los Angeles. Era filho único. Teve uma infância e adolescência horrendas. O pai era violento. A mãe era calada e não ajudou a controlar a tirania paternal.
Na passagem para a adolescência, dois factos marcaram a sua vida. Por um lado, teve um acne extremo. Por outro, o pai começou a bater-lhe sistematicamente com um cinturão de couro.
Bukowski vivia num bairro operário e de classe média baixa. Durante a infância, devido à depressão económica, a maioria das pessoas não tinha trabalho.
O seu pai, também desempregado, todas as manhãs levantava-se e desaparecia, fingindo que ia trabalhar, durante o día. A mãe teve que compensar, ganhando dinheiro em empregos ocasionais.
O ambiente do seu bairro era violento e hostil, tanto entre adultos como entre crianças. Bukowski, pela sua predisposição para a solidão e pela horrível condição da sua pele, foi condenado ao ostracismo.
No fim da adolescência, Bukowski teve o seu batismo no alcool e na escrita: os eixos principais da sua vida. Quanto à primeira vez que provou vinho, escreveu: “Era mágico. Por que nunca me tinham dito? Com isto, a vida é maravilhosa.”
Descobriu o seu talento de escritor, quando a professora do quinto ano pediu aos alunos que fossem, durante um fim de semana, assistir a uma sessão pública do presidente Herbert Hoover (de visita a Los Angeles).
Bukowski não se animou com a ideia de pedir ao pai para o levar e inventou uma crónica. A professora deu conta do facto e falou do caso à turma, elogiando a sua imaginação.
Aos 14 anos, fez um tratamento ao acne. Os médicos tiveram que abrir os seus furúnculos cheios de pus, que tapavam a cara, o peito e as costas. Esse episódio foi literalmente uma tortura para Bukowski.
Durante um longo repouso em casa, começou a escrever, inventando contos sobre um aviador alemão da Primeira Guerra Mundial. Esses cadernos juvenis não existem, porque o pai os atirou-os para o lixo.
Durante a sua juventude, Bukowski descobriu a literatura, na Biblioteca pública. Foi uma descoberta parecida com a do álcool: produziu-lhe um grande alívio existencial.
Bukowski esteve na Universidade pública de Los Angeles, durante dois anos. Ali começou a beber a sério e a escrever. Em 1939, abandonou a Universidade e mudou-se para Nova Iorque.
Em 1944, Bukowski foi preso pelo FBI porque não se tinha inscrito no serviço militar obrigatório. No entanto, ficou isento de ir para a guerra, porque ficou reprovado no exame psicológico do exército.
Nessa época, Bukowski viajou muito e procurou trabalhos não especializados (em fábricas, restaurantes…) com o objetivo de ter tempo livre para escrever.
Bukowski escrevia contos e enviava-os para as grandes revistas literárias e culturais: “The Atlantic”, “Harpers” e “The New Yorker”. Tudo isso foi sempre refutado, mas nunca desanimou.
Quando tinha 24 anos, um conto seu foi aceite por uma pequena e prestigiada revista “Story Magazine”. Um importante agente literário de Nova Iorque escreveu a Bukowski a dizer que o queria representar.
Bukowski respondeu que ainda não estava preparado. Em vez de começar uma carreira literária, agarrou-se a uma borracheira durante 10 anos. Nesses anos, acumulou experiências e vivências que se converteram na sua obra.
Bukowski escreveu mais de 50 livros, incluindo 5 novelas autobiográficas. Os seus versos sobre ócio, alcoolismo, sexo embriagado, corridas de cavalos e violência doméstica são inimitáveis.
Charles Bukowski não se pareceu com nenhum autor da sua geração. A sua obra fascinou muita gente. Viveu até aos 73 anos. Faleceu há 25 anos: a 9 de março de 1994.

 

 





Memórias: Malcolm X

20 02 2019

No dia 21 de fevereiro de 1965, morreu Malcolm X. Foi um dirigente revolucionário afro-americano, foi assassinado no bairro do Harlem (Nova Iorque), quando discursava para a Organização da Unidade Afro-Americana. Por António José André.
Malcolm Little nasceu a 19 de maio de 1925, em Omaha (Nebraska-EUA). Era filho de James Earl Little, pregador batista, que defendia os ideais nacionalistas dos negros. Ameaças vindas da organização racista Ku Klux Klan obrigaram a família a mudar-se para Lansing (Michigan), onde o pai continuou os sermões.
Em 1931, o pai de Malcolm foi brutalmente assassinado pela Ku Klux Klan. No princípio passou a viver numa família adotiva e algum tempo depois num reformatório. Em 1937, mudou-se para Boston onde teve diversos empregos e com o passar do tempo envolveu-se em atividades delituosas.
Em 1946, Malcolm foi preso, acusado de roubo. Na prisão, conheceu Elijah Muhammad, líder da Nação do Islão, organização que defendia o nacionalismo negro e o separatismo racial, condenando os norte-americanos descendentes de europeus como “demónios imorais”.
As teses de Elijah Muhammad impressionaram vivamente Malcolm, que resolveu fazer um intenso programa como auto-didata. Trocou o sobrenome, derivado da herança do esclavagismo, por um X que representava um nome desconhecido dos seus antepassados africanos.
Em 1952, foi libertado e tornou-se ministro da Nação do Islão. Ao contrário dos líderes dos direitos civis, como Martin Luther King, Malcolm X defendia a autodefesa e a libertação dos afro-americanos. Orador fogoso, Malcolm era admirado pela comunidade negra de todo o país.
No final de 1963, Malcolm insinuou que o assassinato do presidente John Kennedy se resumiria em “quem semeia ventos, colhe tempestades”. Isto levou Muhammad a acreditar que Malcolm X se tornara poderoso e julgou que aquela declaração era a oportunidade para suspendê-lo da organização Nação do Islão.
Alguns meses mais tarde, Malcolm X deixou a Nação do Islão e empreendeu uma peregrinação a Meca (Arábia Saudita), onde ficou admirado com a ausência de discordância racial entre os muçulmanos ortodoxos. Devido a esta viagem e a outros países de África e Europa, deixou as suas anteriores crenças.
Voltou aos Estados Unidos, adotando o nome árabe El-Hajj Malik El-Shabazz e, em junho de 1964, fundou a Organização da Unidade Afro Americana, que defendia a identidade negra, mas sustentava que o racismo e não a raça branca era o maior inimigo dos negros norte-americanos.
O novo movimento de Malcolm X foi ganhando continuamente seguidores e a sua filosofia mais moderada tornou-se cada vez mais influente no meio do movimento pelos direitos civis, especialmente entre os líderes do Comité de Coordenação dos Estudantes Não Violentos.
No dia 21 de fevereiro de 1965, uma semana após a sua casa ter sido atingida por uma bomba incendiária, Malcolm X foi alvejado mortalmente, enquanto discursava, em Nova Iorque, perante 400 pessoas, por homens presumivelmente relacionados com a organização Nação do Islão.
Thomas Hagan foi o único dos três detidos pela morte de Malcolm X, que reconheceu a participação no seu assassinato. Hagan foi posto em liberdade condicional, em 2010, depois de ter cumprido 44 anos de prisão
Veja também:
http://www.history.com/this-day-in-history/malcolm-x-assassinated





Memórias: Alexandre de Fisterra

13 02 2019

No dia 9 de fevereiro de 2007, morreu Alexandre de Fisterra. Foi um dos inventores do futebol de mesa ou jogo de matraquilhos. Também foi um poeta, editor e exilado, entre muitas outras coisas. Por António José André.
Alexandre de Fisterra nasceu, no dia 6 de maio de 1919, em Fisterra (Corunha). Ali viveu até aos 5 anos, mudando-se depois para a cidade da Corunha. Em 1934, foi tirar um bacharelato em Madrid.
Entretanto, a sapataria do pai faliu. Alexandre tinha 9 irmãos e o pai deixou de poder pagar-lhe o colégio privado onde estudava. O diretor pô-lo a corrigir deveres dos alunos, pagando assim a sua matrícula.
Alexandre de Fisterra trabalhou na construção civil e numa tipografia. Conheceu León Felipe e com Rafael Sánchez Ortega editaram o jornal “Paso a la juventud”, que foi vendido nas ruas.
Em Novembro de 1936, Alexandre ficou soterrado num dos bombardeamentos de Madrid durante a Guerra Civil Espanhola. Foi para Valência, mas os seus ferimentos eram graves e levaram-no para um hospital de Montserrat.  Nesse hospital, conheceu muitos jovens, feridos como ele, incapazes de jogar futebol, e assim pensou num jogo de futebol, inspirando-se no jogo de ténis de mesa.
Alexandre confiou a um amigo, Francisco Xavier Altuna, carpinteiro basco, o fabrico do seu primeiro jogo de matraquilhos. Não o pôde comercializar, pois todas as fábricas de jogos estavam a fabricar armas para a guerra.
Em janeiro de 1937, Alexandre patenteou a sua invenção, em Barcelona. Devido ao triunfo franquista, teve de se exilar. Atravessou a pé os Pirenéus e por causa da chuva, que caiu durante 10 dias, perdeu a patente que levava.
Estando em París, no ano de 1948, Alexandre conseguiu uns vistos que lhe permitiram viajar para Quito (Equador), onde fundou a revista “Ecuador”. Em 1950, teve que fugir para o México, por causa do golpe de Estado.
Em 1952, Alexandre foi para a Guatemala, onde aperfeiçoou o jogo incorporando barras de aço e melhorando a qualidade do material. Depois, começou a fabricá-lo e tentou comercializá-lo..
Na década de 1960, Alexandre foi enviado de avião para o Panamá. Durante o voo, ameaçou o piloto, dizendo-lhe que tinha explosivos. Esse deve ter sido um dos primeiros desvios de avião.
Alexandre surpreendeu-se ao ver que os jogo de matraquilhos se estendera amplamente, em Espanha, já que grande parte da sua divulgação se deveu a fabricantes valencianos, que o assumiram como um jogo nacional.
Mais tarde, Alexandre foi para o México onde encontrou amigos poetas e escritores. Assim, dedicou-se às artes gráficas. Fundou e presidiu ao “Editorial Finisterre Impresora”. Editou a revista do centro galego do México..
Após a morte do ditador Franco, Alexandre Fisterra voltou para Espanha, onde continuou a escrever. Faleceu em Zamora, com 87 anos. As suas cinzas foram lançadas no rio Douro e no Atlântico.





Memórias: Charles Alston

29 11 2018

No dia 28 de novembro de 1907, nasceu Charles Alston. Foi um professor, pintor e escultor afro-americano. Fundou o Harlem Art Workshop durante a Grande Depressão. Nos primeiros anos, centrou-se no retrato. Os seus primeiros murais inspiraram-se em Rivera e Orozco. Mais tarde, o Movimento Pelos Direitos Civis teve nele uma grande influência. Por António José André.
Charles Alston nasceu, em Charlotte (Carolina do Norte – EUA), a 28 de novembro de 1907. Filho do reverendo Primus Alston e de Ana Miller Alston, ele foi o mais jovem de 5 filhos. Em 1910, o seu pai morreu repentinamente.
Em criança, Alston copiava desenhos de comboios e carros feitos pelo seu irmão, Wendell. Também fazia esculturas em barro. Em 1915, a família mudou-se para Harlem (Nova Iorque).
Durante a Grande Depressão, a população de Harlem sofreu economicamente. A fortaleza estóica vivida por essa comunidade ficou expressa mais tarde nas obras de arte de Charles Alston.
Na Escola Primária de Manhattan, as capacidades artísticas de Charles Alston já eram conhecidas e pedíam-lhe para desenhar todos os cartazes da Escola. Durante o Ensino Secundário fez a sua primeira pintura a óleo.
Charles Alston estudou na DeWitt Clinton High School, destacando-se pela excelência académica e foi editor de arte da revista da Escola: “The Magpie”. E estudou Desenho e Anatomia, na National Academy of Design.
Em 1925, Charles Alston frequentou a Universidade de Columbia. Entrou em Arquitetura, mas perdeu interesse ao constatar a falta de êxito de muitos arquitetos afro-americanos.
Depois, experimentou Medicina até que entrou em Belas Artes. Charles Alson ligou-se a Alpha Phi Alpha, trabalhando no Columbia Daily Spectator e desenhando caricaturas para a revista da Escola Jester of Columbia.
Alston também trabalhou em restaurantes e clubes de Harlem, onde incrementou o amor pelo jazz e pela música negra. Em 1929, licenciou-se e foi estudar no Teachers College. Em 1931, obteve o Mestrado.
Entre 1942 e 1943, Alston esteve no Exército, no Arizona. Depois regressou a Nova Iorque e casou-se com Myra Logan, em 8 de abril de 1944. Em janeiro de 1977, morreu Myra Logan. Meses mais tarde, a 27 de abril de 1977, morreu Charles Alston após uma lomga luta contra o cancro.
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Enquanto estudava para o Mestrado, Alston foi diretor da Casa das Crianças da Utopia, iniciada por James Lesesne Wells. Ele começou a lecionar influenciado pela obra de John Dewey, Arthur Wesley Dow e Thomas Munro.
Alston foi introduzido na Arte Africana pelo poeta Alain Locke. Em 1938, recebeu uma verba do Fundo Rosenwald e viajou para o sul com Giles Hubert, (inspetor da Farm Security Administration), onde fotografou situações da vida rural.
As fotografias serviram de base para uma série de retratos “que representam a vida do negro do SUL”. Em 1940, recibeu uma segunda verba do Fundo Rosenwald e passou um tempo prolongado na Universidade de Atlanta.
Entre 1930 e 1940, Alston fez ilustrações para as revistas “Fortune”, “Mademoiselle”, “Yorker Melody Maker”, entre outras. Também desenhou capas de discos de vários artistas como Duke Ellington e Coleman Hawkins.
Em 1940, Alston trabalhou no Gabinete de Informação da Guerra e Relações Públicas criando imagens de afro-americanos, utilizadas em mais de 200 jornais pelo governo para “fomentar a boa vontade da cidadania negra”.
Depois, Charles Alston deixou o trabalho comercial e centrou-se na sua própria obra de arte. Em 1950, foi o primeiro instrutor afro-americano da Art Students League, onde permaneceu até 1971.
Em 1950, as pinturas de Charles Alson foram expostas no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque, Em 1956, foi o primeiro primeiro instrutor afro-americano no Museu de Arte Moderna.
Alson foi coordenador do Centro de Crianças da Expo 58. Nesse ano, foi eleito para a Academia Americana de Artes e Letras. Em 1963, co-fundou “Alston Espiral” com Romare Bearden, Hale Woodruff e outros artistas: Emma Amos, Perry Ferguson e Merton Simpson. Em 1968, Alston foi nomeado para o Conselho Nacional da Cultura e Artes.
Charles Alson fundou o Harlem Art Workshop durante a Grande Depressão. Nos primeiros anos, centrou-se no retrato. Os seus primeiros murais inspiraram-se em Diego Rivera e José Orozco. Mais tarde, o Movimento Pelos Direitos Civis teve nele uma grande influência.





Memórias: Wangari Maathai

26 09 2018

No dia 25 de setembro de 2011, morreu Wangari Maathai. Foi uma professora, bióloga e ativista queniana. Lutou para melhorar a vida das mulheres e pela defesa do meio ambiente. Foi a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel da Paz. Por António José André.
Wangari Maathai nasceu no dia 1 de abril de 1940, na vila de Ihithe (distrito de Nyeri), então colônia britânica. Em 1956, concluíu a Escola Primária e entrou na Loreto High School, em Limuru (Quénia).
Em 1959, findou o ensino secundário. Em 1969, recebeu uma bolsa da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. e foi estudar para os Estados Unidos. Em 1964, obteve o bacharelato em Biologia, no Mount St Scholastica College, em Atchison (Kansas).
Em 1966, Maathai obteve o título de Mestre em Ciências, na Universidade de Pittsburgh. Posteriormente, foi trabalhar como pesquisadora em Medicina Veterinária na Alemanha: em Munique e Giessen.
Depois, regressou ao Quénia. Em 1971, Maathai doutorou-se em Medicina Veterinária na Universidade de Nairobi. Depois, foi professora e responsável do Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi.
Maathai manteve a sua atividade profissional a par da preocupação pelas condições extremas de pobreza em que viviam milhares de mulheres quenianas. Desde 1976, foi ativista no Conselho Nacional de Mulheres do Quénia. Vindo a presidi-lo, entre 1981 e 1987.
Sob o lema “não podemos ficar sentadas a ver como morrem de fome os nossos filhos”, promoveu a criação do “Green Belt Movement” com o objetivo de plantar árvores para impedir a erosão dos solos, fornecer sombras e criar uma fonte de abastecimento de madeira para melhorar as condições de vida das populações.
Esse projeto era destinado e protagonizado maioritariamente por mulheres. Em 1986, o seu ãmbito ampliou-se a mais de trinta países africanos. Até hoje, o movimento plantou mais de 15 milhões de árvores e gerou rendimento para 80 mil pessoas
O ativismo político de Maathai contra o regime ditatorial de Daniel Arap Moi, fez com que manifestase vontade de se candidatar à presidência do Quénia, mas desistiu. Em 2002, foi eleita deputada no Parlamento do Quénia.
Em 2003, foi nomeada Ministra do Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem. Em 2004, Maathai fundou o Partido Verde do Quénia. Em 2004, recebeu o Prémio Nobel da Paz, sendo a primeira mulher africana a receber esse prémio. Em 2005, foi eleita Presidente do Conselho Económico, Social e Cultural da UA (União Africana).





Memórias: José Orozco

13 09 2018

No dia 7 de setembro de 1949, morreu José Clemente Orozco. Foi um pintor mexicano, que se destacou no Muralismo juntamente com Diego Rivera e Alfaro Siqueiros. Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. Por António José André.
José Clemente Orozco nasceu, no dia 23 de novembro de 1883, em Zapotlán (México). Aos dois anos mudou-se com a famíla para Guadalajara. Aos cinco anos, foi para a Cidade de México.
Em 1890, Orozco entrou na Escola Primaria anexa à Escola Normal de Professores. À noite, tinha aulas de desenho na Academia de Belas Artes de S. Carlos. Em 1897, a familia enviou-o para a Escola Agrícola de S. Jacinto
Orozco deixou a Escola Agricola para estudiar Arquitetura, mas a sua obsessão pela pintura, fê-lo entrar na Academia de Belas Artes, onde esteve de 1906 a 1910.
Em 1916, Orozco fez a sua primeira exposição na livraria Biblos da Cidade do México. Em 1917, viajou pelos Estados Unidos, tendo morado em San Francisco e Nova Iorque, vivendo da pintura de cartazes.
Em 1922, Orozco juntou-se a Diego Rivera e Alafaro Siqueiros no Sindicato dos Pintores. Em 1926, por encomenda da Secretaria da Educação, pintou em Orizaba, o mural “Reconstrução” no edificio que hoje é Palácio Municipal.
Em 1927, Orozco voltou para Nova Yorque, onde pintou uma série de óleos – “Queensboro Bridge”, “Winter” e “The Subway” – demostrando o caráter desumanizado da grande cidade.
Em 1934, Orozco regressou ao México. Produziu “Katharsis”, no Palácio de Belas Artes. É a representação sangrenta do conflito entre o homem moderno e o mundo caótico e mecanizado que o rodeia e o oprime.
Em 194, produziu dois murais no Corte Suprema do México com 4 motivos. Em 2 deles, critica e satiriza a prática da justiça. Num outro, refere-se às riquezas naturais do país sob proteção da bandeira e do jaguar, símbolos nacionais. O último tema, relaciona-se com os movimentos sociais operários.
Entre 1941 e 1944, Orozco dedicou-se à pintura de cavalete e a uma outra grande obra mural na abóbada e nas paredes do coro da igreja de Jesus Nazareno.
Até 1946, Orozco integrou com Rivera e Siqueiros a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Nesse ano, recebeu o Prémio Nacional de Belas Artes.
No ano seguinte, Orozco encarregou-se da pintura do teto da Câmara Legislativa de Guadalajara. O tema relacionava-se com o decreto que se promulgou naquele lugar abolindo a escravatura.
José Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. O seu estilo era de um realismo expressionista ligado às velhas tradições artísticas mexicanas e com um intenso dinamismo.