Memórias: Luís Buñuel

24 02 2017

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No dia 22 de fevereiro de 1900, nasceu Luís Buñuel. Foi um realizador de cinema espanhol, cuja obra o tornou um dos mais controversos do mundo. Foi influenciado por Salvador Dali e Frederico Garcia Lorca, entre outros. Por António José André.
Em 1906, Buñuel entrou para o Colégio dos Irmãos Coraçonistas, onde começou os primeiros estudos. Completou o ensino médio no Instituto de Segunda Enseñanza de Saragoça. Em 1917, foi para Madrid com o obejtivo de tirar o curso de engenheiro agrónomo. Depois estudou Ciências Naturais.
Em Madrid, conheceu Salvador Dalí e Garcia Lorca, bem como outras personalidades (Rafael Alberti, Emílio Prados, Pedro Garfías e Pepín Bello), que exerceram grande influência na sua obra. Interessou-se por teatro e montou uma peça de teatro cómica com Garcia Lorca e Dalí.
Apreciava o cinema cómico norte-americano e atores como: Buster Keaton e Harold Lloyd. Escreveu poemas para as revistas “Ultra” e “Horizonte”. Estudou História na Universidade de Madrid, fazendo amizade com Miguel de Unamuno, Juan Jiménez, Manuel de Falla, Ortega y Gasset.
Em 1925, mudou-se para Paris e trabalha como assistente de Jean Epstein. Em 1926, montou a peça de teatro “El Retablo de Maese Pedro”, em Amsterdão. Publicou poemas e crítica cinematográfica em “Cahiers d’Art” e “La Gaceta Literaria”.
Um filme Fritz Lang “As Três Luzes” impressionou-o e começou a dedicar-se ao cinema. Entrou para a Academia de Cinema de Paris, onde assistiu aos cursos de Epstein. Em 1927, escreveu o seu primeiro guião para a celebração do centenário da morte de Goya.
Em 1929, rodou “Um Cão Andaluz”, curta metragem muda de 17 minutos, verdadeiro manifesto surrealista. A sua estreia causou escândalo e teve a exibição suspensa por atentar contra os princípios morais e costumes estabelecidos. Em 1930, dirigiu “A Idade do Ouro”.
Em 1931, a Metro-Goldwyn Mayer contratou-o por seis meses. Aí conheceu Charles Chaplin e Sergei Eisenstein. Regressou a Espanha. Em 1932, afastou-se do surrealismo e aproximou-se do Partido Comunista, colaborando com a Associação de Escritores e Artistas Revolucionários.
Nesse ano, fez o documentário “Terra sem Pão”, proibido pela censura. Quando começou a Guerra Civil, Buñuel foi destacado para França a fim de coordenar as missões de propaganda. Ajudou André Malraux a rodar “Sierra de Teruel”.
Depois, o governo republicano enviou-o a Hollywood para supervisionar filmes sobre a Guerra Civil. Em 1941, Buñuel foi contratado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, como produtor associado na área de documentários.
Em 1946, chegou ao México para filmar uma adaptação de “A Casa de Bernarda Alba de Lorca”. Projeto que foi suspenso. Em 1949, naturalizou-se mexicano e dirigiu “La Gran Calavera”. Em 1950, rodou “Os Esquecidos”, dando início a uma série de filmes de denúncia social.
Em 1951, Buñuel filmou “La Hija del Engaño”, “Una Mujer Sin Amor” e “Subida ao Céu”. Em 1952, rodou “O Bruto” e “Robinson Crusoé”. Em 1953, rodou “Escravos do Rancor” e “A Ilusão Viaja de Trem”. Em 1954, filmou “O Rio e a Morte”. Em 1955, rodou “Ensaio de um Crime”.
Em 1956, Buñuel dirigiu “La Mort en ce Jardin”, co-produção franco-mexicana. Em 1958, rodou “Nazarin” com o qual conquista a Palma de Ouro, em Cannes. Regressou a Espanha, em 1961, rodando “Viridiana” que recebe furiosos ataques da Santa Sé.
Em 1963, Buñuel dirigiu “Diário de uma Camareira”. Depois de interpretar alguns pequenos papeis no cinema, filmou “Simon do Deserto”, inspirando-se em ideias de Lorca. Com a estreia de “La Belle de Jour”, em 1966, conquista um estrondoso êxito e o Leão de Ouro de Veneza.
Em 1970, Buñuel rodou “Tristana”, filme sobre a obra de Galdós, com um grande elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey e Franco Nero. Em 1972, rodou “O Charme Discreto da Burguesia” e obtém o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 1974, Buñuel rodou “O Fantasma da Liberdade”. Em 1977, terminou o seu último filme “Esse Obscuro Objeto do Desejo”. Em 1982, foi publicado “Meu Último Suspiro”, memórias ditadas a Jean-Claude Carrière.
Veja também: http://www.luisbunuel.org/biogra/biograf.html

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Memórias: Anta Diop

2 01 2017

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No dia 29 de dezembro de 1923, nasceu Anta Diop. Foi um historiador, antropólogo, filósofo, matemático e físico senegalês. Escreveu diversas obras sobre a raça humana e a cultura africana pré-colonial. Diop foi um dos maiores historiadores africanos do século XX. Por António José André.
Diop nasceu, em Thieytou (Senegal). Formou-se em História, no Senegal. Em 1946, mudou-se para Paris e formou-se em Matemática. Ao mesmo tempo, matriculou-se na Faculdade de Filosofia e Letras da Sorbonne e participou na criação da Associação de Estudantes Africanos, em Paris.
Em 1947, Diop iniciou investigações linguísticas sobre o wolof e o sérère. Ao concluir Filosofia, começou a estudar Física, sob a direção de Frederic Joliot-Curie (genro de Marie Curie). Traduziu parte da Teoria da Relatividade, de Einstein, para o seu idioma: o wolof.
Em 1951, a Universidade de Paris recusou a sua tese de doutoramento sobre a ideia de que o antigo Egito tinha sido uma cultura negra. Em 1955, a tese de Diop foi publicada no livro, “Nations Nègres et Culture” (‘Nações Negras e Cultura’).
Em 1960, Diop teve êxito na defesa da sua tese e obteve o doutoramento. Nesse ano publicou, “Les Fondements Economiques et Culturels d’un Etat Federal d’Afrique Noire (‘Os Fundamentos Económicos e Culturais de um Estado Federal da África Negra’).
Diop regressou ao Senegal, onde continuou a escrever e a investigar. A Universidade de Dakar criou um laboratório de radiocarbono para o ajudar na investigação. Diop usou essa técnica para determinar o conteúdo de melanina das múmias egípcias.
Naquela época, Diop começou a sua atividade política, participando na criação do partido da oposição: o Bloc des Masses Sénégalaises (BMS). Foi preso, em julho de 1962, e libertado um mês depois. Em 1963, o BMS foi declarado ilegal e foi dissolvido, mas Diop criou um novo partido, que também foi dissolvido pelo Governo de Leopold Sedar Senghor, em 1964.
Em 1966, no 1º Festival das Artes Negras, recebeu o Prémio de escritor que mais influência exerceu no pensamento africano do século XX. Em 1974, participou num debate, promovido pela Unesco (Cairo), onde apresentou as suas teorias a outros especialistas em egiptologia.
Em 1976, Diop criou um novo partido, o Rassemblement National Democratique (RND), que foi declarado ilegal. Leopold Senghor deixou o poder, em 1980. O seu sucessor, Abdou Diouf, aboliu as leis que proibiam a formação de partidos políticos.
Deste modo, o RND foi legalmente reconhecido. No entanto, após as eleições, Diop recusou assumir o cargo de deputado na Assembleia Nacional, como froma de protesto, por considerar que as eleições tinham sido fraudulentas.
Anta Diop faleceu, no dia 7 de fevereiro de 1986. O seu corpo foi enterrado na sua aldeia natal, Caytou (Thieytou, Senegal).





Memórias: Aldous Huxley

24 11 2016

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No dia 22 de novembro de 1963, faleceu Aldous Huxley. Foi um escritor inglês conhecido pela obra “Admirável Mundo Novo”. Huxley publicou contos, ensaios, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes. Foi entusiasta do uso responsável do LSD e também uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas. Por António José André.
Huxley cresceu numa família de tradição intelectual. Licenciou-se em literatura inglesa, no Balliol College de Oxford (1913-1915). Trabalhou para a revista “Athenaeum” e, como crítico de teatro, na “Westminster Gazzette”.
As suas primeiras publicações foram coleções de versos: “The Burning Wheel” (1916), “Jonah” (1917) e “Leda” (1920). Em 1921, publicou a novela “Férias em Crome”, uma crítica mordaz aos ambientes intelectuais.
Huxley viajou constantemente pela Europa, Estados Unidos, América e India. Em 1932, publicou o seu livro mais conhecido, “Admirável Mundo Novo”: ficção futurista e pessimista duma sociedade regida por castas, onde imagina uma substância ou droga utilizada para fins totalitários.
A partir de 1940, Huxley começou uma “época mística”, aproximando-se à literatura religiosa da India. A partir de 1950, Huxley iniciou uma etapa relacionada com experiências com drogas, das quais resultou, “As Portas da Perceção” (1954), uma obra que teve muita influência na sociedade norte-americana. Como foi o caso da escolha do nome para a banda “The Doors”.
Considerado um dos iniciadores do psicadelismo, pelas suas meditações e experiências com mezcalina e LSD, Huxley também foi uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas.





29 NOV: Apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo”

10 11 2016

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No dia 29 de novembro (3ªfeira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria , para a apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo” (Edições Combate)**. O evento, que contará com as presenças de Alda Sousa (Prof. Universitária), Catarina Agreira (Estudante) e João Gaspar (Jornalista), decorrerá no Café Santa Cruz (Coimbra), às 21h30.
Em 2017, assinalar-se-ão os 100 anos da Revolução Russa. Esta edição comemorativa do clássico de John Reed, prefaciada por Francisco Louçã e ilustrada por Catherine Boutaud, constitui um documento fundamental para a compreender em tudo aquilo que ela teve de transformador e contraditório.
** Ver em: http://www.combate.info/





Memórias: Primeira Internacional

28 09 2016

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No dia 28 de setembro de 1864, foi fundada, em Londres, a Associação Internacional de Trabalhadores (conhecida como Primeira Internacional), que defendia a abolição dos exércitos nacionais, o direito à greve e a coletivização dos bens de produção. Por António José André.
Na década de 1860, uma conjugação de acontecimentos sacudiu a letargia em que o mundo revolucionário e sindical se encontrava. Em 1861, Garibaldi comandando as suas tropas, que enverganvam camisas vermelhas, ocupou a Sicilia e integrou-a, juntamente com Nápoles, no Reino de Itália (em formação).
A unificação da península italiana foi a primeira grande derrota das forças ultraconservadoras da Europa: a Igreja Católica e o Império Austro-Húngaro. A isso juntou-se a Guerra da Secessão, nos Estados Unidos, a abolição da escravatura e a rebelião polaca (1863) contra o domínio czarista.
Em todos esses acontecimentos, houve uma onda de solidariedade internacional a favor das lutas pela liberdade. Impactadas com o que acontecia no mundo, as lideranças sindicais e ativistas socialistas começaram a pensar em fundar uma organização que defendesse a luta dos trabalhadores e das nações oprimidas.
A Primeira Internacional era uma confederação de diversas tendências ideológicas. sindicalistas que não queriam envolver-se na política, cooperativistas prudhonianos, blanquistas, republicanos e democratas radicais. Solicitaram a Karl Marx que redigisse uma declaração de princípios e os estatutos provisórios.
O programa de lutas incluía uma conjunto de reivindicações e propostas: permanente solidariedade com todos trabalhadores e as suas lutas; promoção do trabalho cooperativo; redução da jornada das mulheres e crianças; estímulo à organização sindical; defesa da autodeterminação das nações…
O Conselho Geral da Primeira Internacional era formado por George Odger (presidente), George Wheeler (tesoureiro), Karl Marx (secretário pela Alemanha), G.Fontana (secretário pela Itália), J. Holtorp (secretário pela Polónia), Herman Jung (secretário pela Suíça) e P. Lebez (secretário pela França).
As atividades da Primeira Internacional foram interrompidas, em 1870, e retomadas no Congresso de Paris (1889) sob o nome de Segunda Internacional. Em 1914, a Segunda Internacional sofreu golpes e adotou posições nacionalistas.





22 SETEMBRO – Apresentação do livro: “Segurança Social: Defender a Democracia”

16 09 2016

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No próximo dia 22 de setembro (5ª.feira), vai haver mais uma sessão pública, promovida Por Mão Própria, para a apresentação do livro “Segurança Social: Defender a Democracia“. O evento, que contará com as presenças de dois autores, Francisco Louçã e José Luís Albuquerque, será apresentado por Pedro Nogueira Ramos, no Café Santa Cruz, às 21h30.
“Segurança Social: Defender a Democracia” (Bertrand Editora, 2016), obra coordenada por Francisco Louçã, José Luís Albuquerque, Vítor Junqueira e João Ramos de Almeida, que teve a colaboração de Manuel Pires, Maria Clara Murteira, Nuno Serra e Ricardo Antunes, foi prefaciada por Ferro Rodrigues.

“Este livro nasceu dos trabalhos das Oficinas Sobre Políticas Alternativas, desenvolvidas durante dos anos da troika no âmbito do Observatório sobre Crises e Alternativas (do Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra). Nessas Oficinas cruzaram-se diversos investigadores em políticas sociais, e um dos seus temas foi o futuro da Segurança Social.
Para todos esses investigadores, o conceito de Estado Social corresponde a uma forte política redistributiva que defina regras de proteção do rendimento pessoal dos trabalhadores e das suas condições de vida. A redistribuição é aqui entendida como a conjugação de pelo menos quatro políticas essenciais (pensões mas também formas de proteção social com o apoio ao rendimento no desemprego e na doença; serviço nacional de saúde; educação pública; e habitação), mas é a primeira que é discutida.
Conhecendo as dificuldades e resistências ao desenvolvimento dessas regras sociais, o livro apresenta perguntas e sugere respostas sobre a Segurança Social. Muitas destas questões são as mais correntes, muitas delas as mais difíceis. E, mesmo quando os autores discutem respostas diferentes, partem de uma preocupação comum: os sistemas de proteção social são formas essenciais da democracia. Procura-se, por isso, responder com cuidado, com informação estatística, com os documentos de referência e com grande inquietação.
O futuro da Segurança Social tornou-se um dos temas mais importantes das pressões internacionais sobre o Estado português e um dos debates nacionais mais intensos. Responde-se a esse debate com este livro. Contra as ideias feitas, estudamos os dados concretos; contra as ideias simples, apresentamos soluções detalhadas; e contra as soluções destruidoras, o livro mostra que se pode construir um sistema sólido de segurança social, que garanta o futuro do contrato inter-geracional que é o pilar da democracia.”





Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

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No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.