Memórias: Georges Simenon

9 09 2016

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No dia 4 de setembro de 1989, faleceu o escritor belga de língua francesa, Georges Simenon. Foi um dos mais célebres autores dos romances policiais. As tiragens dos seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. Por António José André.
Georges Simenon nasceu numa sexta-feira, dia 13 de fevereiro de 1903, em Liège (Bélgica). No colégio jesuíta de Saint-Servais, tomou consciência da sua inferioridade social: a maioria dos colegas eram internos; ele frequentava a escola em regime de semi mensalidade, especial para crianças modestas.
Simenon abandonou os estudos, antes de completar o secundário, trabalhando como aprendiz de confeitaria e bibliotecário. Aos 15 anos, tornou-se repórter no jornal católico “Gazette de Liège”, assinando com pseudónimo.
Os textos de Georges Simenon começaram a ser apreciados pelo seu tom cáustico. Colaborou com vários jornais, demonstrando uma proficuidade precoce: entre 1919 e 1922, escreveu cerca de 800 textos. Em 1920, Georges Simenon escreveu o primeiro romance, “Au Pont des Arches”.
Mudou-se para Paris com Régine Renchon, estudante de Belas-Artes com quem se casou. Para sobreviver, Simenon escreveu romances populares a um ritmo torrencial e com os diversos pseudónimos.
Em 1928, o casal Simenon viajou de navio durante meses pelos canais e rios de França. Essa seria uma das muitas viagens que se tornaram habituais e que forneceriam uma vasta paisagem à obra de Georges Simenon.
Em setembro de 1929, surgiu o comissário Maigret, em “Train de Nuit”, escrita com o pseudónimo Christian Brulls. “Pietr-le-Letton” foi o primeiro romance do comissário Maigret, assinado por Georges Simenon e publicado, em 1930.
Em 1931, foi lançada a coleção Maigret. O comissário passou a rivalizar com personagens célebres de romances policiais (Sherlock Holmes e Hercule Poirot) pois era mais humano. O sucesso da série foi imediato.
Maigret desvendava os mais variados tipos de crimes, tendo como pano de fundo painéis e críticas sociais. Os romances começam a ser adaptados para o cinema e o prestígio do autor cresceu entre a crítica.
Simenon começou a publicar romances pela Gallimard (maior editora francesa da época), mantendo um fluxo de romances na editora Fayard. Durante a ocupação nazi, a publicação de livros foi dificultada, em França.
Em 1945, o casal foi para os Estados Unidos. Com o apoio de um novo agente literário, Simenon reorganizou a sua obra e começou a publicar pela editora francesa,”Presses de la Cité”.
No final da década de 40 o prestígio literário de George Simenon cresceu na América do Norte e noutras zonas fora do eixo França-Bélgica, surgindo os primeiros estudos críticos sobre a sua obra.
Simenon tornou-se membro da Academia Real de Língua e Literatura francesas da Bélgica e foi eleito presidente da Mystery Writers of America, a mais importante associação de autores de crime e mistério.
Na década de 50, o escritor voltou a residir na França. Em 1972, decidiu parar de escrever. “Maigret et M. Charles” foi o 192º e último romance assinado por Georges Simenon.
Simenon escreveu 192 romances, 158 novelas, obras autobiográficas, numerosos artigos e reportagens com o seu nome. Escreveu 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos com pseudónimos diferentes.: Jean du Perry, Georges Sim, Christian Brulls, Luc Dorsan, Gom Gut, Georges Martin-Georges, Georges d’Isly, Gaston Vialis, G. Vialo, Jean Dorsage, J. K. Charles, Germain d’Antibes, Jacques Dersonne.
Diferente de muitos autores, Simenon propunha uma intriga simples com personagens fortes. Os seus romances colocam o leitor num mundo rico de formas, cores, sentimentos e sensações.

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Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

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No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.





Memórias: Ottavio Bottecchia

4 08 2016

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No dia 1 de agosto de 1894, nasceu Ottavio Bottecchia. Foi um ciclista italiano, que venceu duas vezes a Volta à França, em 1923 e 1925. Era comunista e morreu aos 33 anos num acidente misterioso. Por António José André.
Bottecchia nasceu em Colle Umbertonuma, pequena aldeia da Úmbria (Itália). De família humilde e quase analfabeto, começou a trabalhar como pedreiro até aprender a andar de bicicleta, na época da Iª Guerra Mundial.
Bottecchia foi encontrado moribundo, a 3 de Junho de 1927, com uma fratura no crânio, numa clavícula e escoriações noutros ossos. Levado para o hospital de Gemona del Friuli, acabaria por falecer 11 dias depois. Tinha 33 anos de idade.
A estranha morte de Ottavio Bottecchia
Bottecchia faleceu, a 14 de junho de 1927, em circunstâncias estranhas. Um agricultor de Peonis, localidade próxima da povoação onde residia Bottecchia, encontrou-o moribundo na berma da estrada.
Oficialmente, a sua morte foi considerada resultado de um acidente, quando treinava. A primera teoria falava de uma insolação que o fizera cair ao solo. A sua bicicleta estava a alguns metros dali: não sido roubada, nem danificada.
Alguns, defenderam que teria sido a participação de uma quadrilha de fascistas, como represália pelas ideias comunistas de Bottecchia e pela sua oposição frontal ao regime de Mussolini.
A investigação oficial encerrou, dando por certa a teoria do acidente e a famiíia do ciclista, que receceu uma suculenta indemnização pela sua morte, não mostrou interesse em procurar saber mais.
Mas, nos anos seguintes, para acrescentar confusão à história, 2 pessoas culparam-se da morte de Bottecchia. Primeiro, foi um emigrante italiano detido, em Nova Iorque, que declarou ter assassinado Bottecchia a mando de um dirigente fascista.
Duas décadas depois, um camponês propietário da vinha, onde tinha sido encontrado o corpo moribundo de Bottecchia, confessara ter assassinado acidentalmente o ciclista.
Quase nove décadas depois da morte de Bottecchia, as causas da mesma continuam envoltas – tal como a sua personalidade – num manto misterioso.





Memórias: Mário Dionísio

25 07 2016

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No dia 16 de Julho de 1916, nasceu em Lisboa, Mário Dionísio. Foi escritor, professor e crítico de arte. Foi um dos mais importantes teorizadores do neo-realismo português. Por António José André.

Mário Dionísio frequentou os liceus Luís de Camões e Gil Vicente, em Lisboa, e o liceu André Gouveia, em Évora. Em 1940, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Durante vinte anos, Mário Dionísio foi professor do ensino secundário no Liceu Camões, em Lisboa. Depois do 25 de Abril, foi professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, até 1986.

Mário Dionísio colaborou em diversos jornais e revistas: Altitude, Diário de Lisboa, Gazeta Musical, Mundo Literário, Presença, Revista de Portugal, Seara Nova e Vértice.

Enquanto artista plástico, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em muitas exposições colectivas, Realizou a sua primeira exposição individual, em 1989.

Mário Dionísio prefaciou obras de vários autores: Alves Redol, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, José Gomes Ferreira, Júlio Pomar e Manuel da Fonseca.

No domínio da ficção, Mário Dionísio publicou, entre outras obras, “As Solicitações e Emboscadas” (1950), “Riso Dissonante” (1950), “Memória de um Pintor Desconhecido” (1965) e “Le Feu Qui Dort” (1967).

Em Setembro de 2009, abriu a Casa da Achada, em Lisboa, que constitui um importante pólo cultural onde se pode encontrar o espólio de Mário Dionísio. Veja aqui: http://www.centromariodionisio.org/





Memórias: Vinicius de Moraes

11 07 2016

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No dia 9 de julho de 1980, morreu Vinicius de Moraes, um dos mais populares poetas brasileiros. Vinicius foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, cantor e compositor. Por António José André.
Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu, dia 19 de Outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da perfeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista amadora.
Vinicius viveu toda a infância no Rio de Janeiro. Nasceu no bairro da Gávea e, aos três anos, mudou-se para Botafogo, morando com os avós e frequentando a Escola Primaria. Foi na sua infância que escreveu os primeiros versos.
Em 1924, Vinicius entrou para o Colégio Santo Inácio, onde cantava no coro da igreja. Em 1929, a família voltou para Gávea. Nesse ano, entrou para a Faculdade de Direito. Em 1933, concluiu o curso e publicou “O Caminho para a Distância”.
Em 1935, publicou o livro “Forma e Exegese”. Em 1938, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas, na Universidade de Oxford. Nesse ano, publicou “Os Novos Poemas”.
Com o inicio da II Guerra Mundial, voltou para o Rio de Janeiro. Nos anos seguintes publicou muitos poemas e ficou conhecido como um dos grandes poetas do amor, tornando-se assim um dos mais populares da Literatura Brasileira.
A sua obra foi vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, Vinicius considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação. No campo musical, teve como principais parceiros: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Escute aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TueK35ZEW-c





Memórias: Carlos Gardel

27 06 2016

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No dia 24 de junho de 1935, morreu Carlos Gardel. O avião em que viajava chocou com um outro, ao descolar do Aeroporto da cidade de Medellin (Colômbia). Carlos Gardel é sinónimo de tango e uma das personalidades artísticas mais queridas da Argentina. Por António José André.

Carlos Gardel nasceu, no dia 11 de dezembro de 1890, na cidade de Toulouse (França). O seu verdadeiro nome era Charles Romuald Gardès. Filho de pai desconhecido, chegou a Buenos Aires com a mãe, Marie Berthe, quando tinha apenas dois anos.

Carlos Gardel viveu a sua infância e adolescência no bairro do Mercado de Abasto. Pobre, desde cedo, fazia pequenos trabalhos para ajudar a sua mãe. Começou a sua carreira em cafés e reuniões de bairro.

Em 1911, conheceu o uruguaio, José Razzano, e formou com ele um duo, “El Morocho y El Oriental”, que interpretava ritmos populares locais. Naquele momento, mudou o seu apelido para Gardel e converteu-se no fenómeno musical da década.

Em 1914, cresceu a sua popularidade, quando passou a apresentar-se regularmente no cabaré Armenonville, em Buenos Aires. Naquela época, o tango ainda era uma música meramente instrumental e dançante, sem letra.

Em 1917, surgiu a canção “Mi noche triste”, da autoria de Samuel Castriota e Pascual Contursi. Gardel interpretou-a e converteu-se, assim, no primeiro cantor de tangos. Ainda, em 1917, rodou o primeiro dos seus filmes, “Flor de Durazno”.

Na década de 1920, Carlos Gardel fez uma tournée pela Europa. O tango passou a ser admirado em diversas cidades de França e Espanha. A consagração deu-se, em Paris, onde foi aclamado por plateias que chegavam ao êxtase.

Depois do seu regresso à Argentina, em 1925, Carlos Gardel dedicou-se inteiramente à gravação de discos. O extraordinário sucesso das suas interpretações renderam-lhe uma imensa popularidade.

No início da década de 1930, Carlos Gardel já era uma celebridade mundial. A sua popularidade levou a companhia norte-americana Paramount Pictures a contratá-lo para quatro filmes que foram rodados, em França.

Em 1934, invadiu o mercado musical norte-americano. Carlos Gardel recebeu incontáveis convites para cantar em rádios, gravar discos e participar em filmes centrados na sua figura de cantor, que o transformaram num ídolo.

Foi em 1935, por ocasião de uma tournée em diversos países da América Latina, ocorreu o desastre que o matou. Gardel encontrava-se no auge da sua carreira. Milhões de admiradores em todo o mundo choraram sua morte.

O mito de Carlos Gardel atravessou vigorosamente todo o século XX. O tango está indissoluvelmente ligado ao seu nome. Os seus restos estão enterrados no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.





Memórias: José Luís Borges

17 06 2016

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No dia 14 de junho de 1986, morreu o argentino, Jorge Luís Borges. Foi um dos escritores mais importantes do século XX e procedia de uma família que contribuiu para a independência da Argentina. Borges foi um crítico literário, tradutor e ensaísta. Por António José André.

Nascido em Buenos Aires, a 24 de agosto de 1899, Jorge Luís Borges cresceu no bairro Palermo. Aprendeu a ler inglês com a avó Fanny Haslam. Com 10 anos publicou uma tradução para castelhano de “O Príncipe Feliz”, de Oscar Wilde.

Quando começou a Iª Guerra Mundial, Borges estava com a família, em Genebra (Suíça). Nessa altura devorava obras francesas, desde os clássicos (Voltaire ou Victor Hugo) aos simbolistas, até ao expressionismo alemão.

Em 1918, a família passou a morar, em Espanha. Primeiro, em Barcelona e depois, em Maiorca, onde publicou os seus primeiros versos, exaltando a Revolução Bolchevique sob o título, “Somos Vermelhos”.

Em 1921, regressou a Buenos Aires, fundando com outros jovens a revista “Prismas” e depois a “Proa”. O seu primeiro livro de poemas foi “Fervor de Buenos Aires” (1923). Publicou “Luna de Frente” (1925) e “Cuaderno San Martín” (1928).

Borges publicou “Evaristo Carriego” (1930), a “Discusión” (1932) e “História Universal da Infâmia” (19359. Nessa década, a sua fama cresceu na Argentina, porém a sua consagração internacional chegaria muito depois.

Borges fez crítica literária e traduziu obras de Virginia Woolf, Henri Michaux e William Faulkner. Em 1938, teve um grave acidente por causa da falta de visão. A partir daí, teve que se resignar a ditar os seus contos fantásticos.

Em 1945, instaurou-se o peronismo na Argentina. Por ter assinado manifestos antiperonistas, o governo demitiu Borges de bibliotecário e nomeou-o inspetor das aves e coelhos dos mercados.

Renunciou ao cargo e passou a ganhar a vida como conferencista. Mostrou-se um forte opositor do regime peronista e, nessa época, publicou “O Aleph” (1949). Borges continuou a publicar antologias de contos e volumes de ensaios até à queda do peronismo.

Em 1955, o novo governo argentino nomeou-o, devido ao seu grande prestígio literário, diretor da Biblioteca Nacional e também foi eleito para a Academia Argentina de Letras.

Borges saudou a queda de Estela Peron, em 1976, e a ascensão da Junta Militar. Arrependeu-se depois, quando entrevistou o ditador e quis saber do paradeiro de intelectuais desaparecidos.

Mas o mal estava feito. Ganhou fortes inimizades na Europa e o sueco Artur Ludkvist afirmou que Borges nunca receberia o Prémio Nobel. O Prémio Cervantes compensou em parte o facto de nunca ter recebido o Nobel.

José Luís Borges foi o escritor argentino com maior projeção internacional. Criou uma cosmovisão bastante singular, baseada num modo de entender conceitos como os do tempo, espaço, destino ou realidade.