Memórias: Aldous Huxley

24 11 2016

huxley_aldous

No dia 22 de novembro de 1963, faleceu Aldous Huxley. Foi um escritor inglês conhecido pela obra “Admirável Mundo Novo”. Huxley publicou contos, ensaios, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes. Foi entusiasta do uso responsável do LSD e também uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas. Por António José André.
Huxley cresceu numa família de tradição intelectual. Licenciou-se em literatura inglesa, no Balliol College de Oxford (1913-1915). Trabalhou para a revista “Athenaeum” e, como crítico de teatro, na “Westminster Gazzette”.
As suas primeiras publicações foram coleções de versos: “The Burning Wheel” (1916), “Jonah” (1917) e “Leda” (1920). Em 1921, publicou a novela “Férias em Crome”, uma crítica mordaz aos ambientes intelectuais.
Huxley viajou constantemente pela Europa, Estados Unidos, América e India. Em 1932, publicou o seu livro mais conhecido, “Admirável Mundo Novo”: ficção futurista e pessimista duma sociedade regida por castas, onde imagina uma substância ou droga utilizada para fins totalitários.
A partir de 1940, Huxley começou uma “época mística”, aproximando-se à literatura religiosa da India. A partir de 1950, Huxley iniciou uma etapa relacionada com experiências com drogas, das quais resultou, “As Portas da Perceção” (1954), uma obra que teve muita influência na sociedade norte-americana. Como foi o caso da escolha do nome para a banda “The Doors”.
Considerado um dos iniciadores do psicadelismo, pelas suas meditações e experiências com mezcalina e LSD, Huxley também foi uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas.





29 NOV: Apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo”

10 11 2016

full_dezdias

No dia 29 de novembro (3ªfeira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria , para a apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo” (Edições Combate)**. O evento, que contará com as presenças de Alda Sousa (Prof. Universitária), Catarina Agreira (Estudante) e João Gaspar (Jornalista), decorrerá no Café Santa Cruz (Coimbra), às 21h30.
Em 2017, assinalar-se-ão os 100 anos da Revolução Russa. Esta edição comemorativa do clássico de John Reed, prefaciada por Francisco Louçã e ilustrada por Catherine Boutaud, constitui um documento fundamental para a compreender em tudo aquilo que ela teve de transformador e contraditório.
** Ver em: http://www.combate.info/





Memórias: Primeira Internacional

28 09 2016

conferenciaait1864

No dia 28 de setembro de 1864, foi fundada, em Londres, a Associação Internacional de Trabalhadores (conhecida como Primeira Internacional), que defendia a abolição dos exércitos nacionais, o direito à greve e a coletivização dos bens de produção. Por António José André.
Na década de 1860, uma conjugação de acontecimentos sacudiu a letargia em que o mundo revolucionário e sindical se encontrava. Em 1861, Garibaldi comandando as suas tropas, que enverganvam camisas vermelhas, ocupou a Sicilia e integrou-a, juntamente com Nápoles, no Reino de Itália (em formação).
A unificação da península italiana foi a primeira grande derrota das forças ultraconservadoras da Europa: a Igreja Católica e o Império Austro-Húngaro. A isso juntou-se a Guerra da Secessão, nos Estados Unidos, a abolição da escravatura e a rebelião polaca (1863) contra o domínio czarista.
Em todos esses acontecimentos, houve uma onda de solidariedade internacional a favor das lutas pela liberdade. Impactadas com o que acontecia no mundo, as lideranças sindicais e ativistas socialistas começaram a pensar em fundar uma organização que defendesse a luta dos trabalhadores e das nações oprimidas.
A Primeira Internacional era uma confederação de diversas tendências ideológicas. sindicalistas que não queriam envolver-se na política, cooperativistas prudhonianos, blanquistas, republicanos e democratas radicais. Solicitaram a Karl Marx que redigisse uma declaração de princípios e os estatutos provisórios.
O programa de lutas incluía uma conjunto de reivindicações e propostas: permanente solidariedade com todos trabalhadores e as suas lutas; promoção do trabalho cooperativo; redução da jornada das mulheres e crianças; estímulo à organização sindical; defesa da autodeterminação das nações…
O Conselho Geral da Primeira Internacional era formado por George Odger (presidente), George Wheeler (tesoureiro), Karl Marx (secretário pela Alemanha), G.Fontana (secretário pela Itália), J. Holtorp (secretário pela Polónia), Herman Jung (secretário pela Suíça) e P. Lebez (secretário pela França).
As atividades da Primeira Internacional foram interrompidas, em 1870, e retomadas no Congresso de Paris (1889) sob o nome de Segunda Internacional. Em 1914, a Segunda Internacional sofreu golpes e adotou posições nacionalistas.





22 SETEMBRO – Apresentação do livro: “Segurança Social: Defender a Democracia”

16 09 2016

1507-1

No próximo dia 22 de setembro (5ª.feira), vai haver mais uma sessão pública, promovida Por Mão Própria, para a apresentação do livro “Segurança Social: Defender a Democracia“. O evento, que contará com as presenças de dois autores, Francisco Louçã e José Luís Albuquerque, será apresentado por Pedro Nogueira Ramos, no Café Santa Cruz, às 21h30.
“Segurança Social: Defender a Democracia” (Bertrand Editora, 2016), obra coordenada por Francisco Louçã, José Luís Albuquerque, Vítor Junqueira e João Ramos de Almeida, que teve a colaboração de Manuel Pires, Maria Clara Murteira, Nuno Serra e Ricardo Antunes, foi prefaciada por Ferro Rodrigues.

“Este livro nasceu dos trabalhos das Oficinas Sobre Políticas Alternativas, desenvolvidas durante dos anos da troika no âmbito do Observatório sobre Crises e Alternativas (do Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra). Nessas Oficinas cruzaram-se diversos investigadores em políticas sociais, e um dos seus temas foi o futuro da Segurança Social.
Para todos esses investigadores, o conceito de Estado Social corresponde a uma forte política redistributiva que defina regras de proteção do rendimento pessoal dos trabalhadores e das suas condições de vida. A redistribuição é aqui entendida como a conjugação de pelo menos quatro políticas essenciais (pensões mas também formas de proteção social com o apoio ao rendimento no desemprego e na doença; serviço nacional de saúde; educação pública; e habitação), mas é a primeira que é discutida.
Conhecendo as dificuldades e resistências ao desenvolvimento dessas regras sociais, o livro apresenta perguntas e sugere respostas sobre a Segurança Social. Muitas destas questões são as mais correntes, muitas delas as mais difíceis. E, mesmo quando os autores discutem respostas diferentes, partem de uma preocupação comum: os sistemas de proteção social são formas essenciais da democracia. Procura-se, por isso, responder com cuidado, com informação estatística, com os documentos de referência e com grande inquietação.
O futuro da Segurança Social tornou-se um dos temas mais importantes das pressões internacionais sobre o Estado português e um dos debates nacionais mais intensos. Responde-se a esse debate com este livro. Contra as ideias feitas, estudamos os dados concretos; contra as ideias simples, apresentamos soluções detalhadas; e contra as soluções destruidoras, o livro mostra que se pode construir um sistema sólido de segurança social, que garanta o futuro do contrato inter-geracional que é o pilar da democracia.”





Memórias: Georges Simenon

9 09 2016

41c9fxlqsdl-_ux250_

No dia 4 de setembro de 1989, faleceu o escritor belga de língua francesa, Georges Simenon. Foi um dos mais célebres autores dos romances policiais. As tiragens dos seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. Por António José André.
Georges Simenon nasceu numa sexta-feira, dia 13 de fevereiro de 1903, em Liège (Bélgica). No colégio jesuíta de Saint-Servais, tomou consciência da sua inferioridade social: a maioria dos colegas eram internos; ele frequentava a escola em regime de semi mensalidade, especial para crianças modestas.
Simenon abandonou os estudos, antes de completar o secundário, trabalhando como aprendiz de confeitaria e bibliotecário. Aos 15 anos, tornou-se repórter no jornal católico “Gazette de Liège”, assinando com pseudónimo.
Os textos de Georges Simenon começaram a ser apreciados pelo seu tom cáustico. Colaborou com vários jornais, demonstrando uma proficuidade precoce: entre 1919 e 1922, escreveu cerca de 800 textos. Em 1920, Georges Simenon escreveu o primeiro romance, “Au Pont des Arches”.
Mudou-se para Paris com Régine Renchon, estudante de Belas-Artes com quem se casou. Para sobreviver, Simenon escreveu romances populares a um ritmo torrencial e com os diversos pseudónimos.
Em 1928, o casal Simenon viajou de navio durante meses pelos canais e rios de França. Essa seria uma das muitas viagens que se tornaram habituais e que forneceriam uma vasta paisagem à obra de Georges Simenon.
Em setembro de 1929, surgiu o comissário Maigret, em “Train de Nuit”, escrita com o pseudónimo Christian Brulls. “Pietr-le-Letton” foi o primeiro romance do comissário Maigret, assinado por Georges Simenon e publicado, em 1930.
Em 1931, foi lançada a coleção Maigret. O comissário passou a rivalizar com personagens célebres de romances policiais (Sherlock Holmes e Hercule Poirot) pois era mais humano. O sucesso da série foi imediato.
Maigret desvendava os mais variados tipos de crimes, tendo como pano de fundo painéis e críticas sociais. Os romances começam a ser adaptados para o cinema e o prestígio do autor cresceu entre a crítica.
Simenon começou a publicar romances pela Gallimard (maior editora francesa da época), mantendo um fluxo de romances na editora Fayard. Durante a ocupação nazi, a publicação de livros foi dificultada, em França.
Em 1945, o casal foi para os Estados Unidos. Com o apoio de um novo agente literário, Simenon reorganizou a sua obra e começou a publicar pela editora francesa,”Presses de la Cité”.
No final da década de 40 o prestígio literário de George Simenon cresceu na América do Norte e noutras zonas fora do eixo França-Bélgica, surgindo os primeiros estudos críticos sobre a sua obra.
Simenon tornou-se membro da Academia Real de Língua e Literatura francesas da Bélgica e foi eleito presidente da Mystery Writers of America, a mais importante associação de autores de crime e mistério.
Na década de 50, o escritor voltou a residir na França. Em 1972, decidiu parar de escrever. “Maigret et M. Charles” foi o 192º e último romance assinado por Georges Simenon.
Simenon escreveu 192 romances, 158 novelas, obras autobiográficas, numerosos artigos e reportagens com o seu nome. Escreveu 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos com pseudónimos diferentes.: Jean du Perry, Georges Sim, Christian Brulls, Luc Dorsan, Gom Gut, Georges Martin-Georges, Georges d’Isly, Gaston Vialis, G. Vialo, Jean Dorsage, J. K. Charles, Germain d’Antibes, Jacques Dersonne.
Diferente de muitos autores, Simenon propunha uma intriga simples com personagens fortes. Os seus romances colocam o leitor num mundo rico de formas, cores, sentimentos e sensações.





Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

ervinzador

No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.





Memórias: Ottavio Bottecchia

4 08 2016

Ottavio Bottecchia3

No dia 1 de agosto de 1894, nasceu Ottavio Bottecchia. Foi um ciclista italiano, que venceu duas vezes a Volta à França, em 1923 e 1925. Era comunista e morreu aos 33 anos num acidente misterioso. Por António José André.
Bottecchia nasceu em Colle Umbertonuma, pequena aldeia da Úmbria (Itália). De família humilde e quase analfabeto, começou a trabalhar como pedreiro até aprender a andar de bicicleta, na época da Iª Guerra Mundial.
Bottecchia foi encontrado moribundo, a 3 de Junho de 1927, com uma fratura no crânio, numa clavícula e escoriações noutros ossos. Levado para o hospital de Gemona del Friuli, acabaria por falecer 11 dias depois. Tinha 33 anos de idade.
A estranha morte de Ottavio Bottecchia
Bottecchia faleceu, a 14 de junho de 1927, em circunstâncias estranhas. Um agricultor de Peonis, localidade próxima da povoação onde residia Bottecchia, encontrou-o moribundo na berma da estrada.
Oficialmente, a sua morte foi considerada resultado de um acidente, quando treinava. A primera teoria falava de uma insolação que o fizera cair ao solo. A sua bicicleta estava a alguns metros dali: não sido roubada, nem danificada.
Alguns, defenderam que teria sido a participação de uma quadrilha de fascistas, como represália pelas ideias comunistas de Bottecchia e pela sua oposição frontal ao regime de Mussolini.
A investigação oficial encerrou, dando por certa a teoria do acidente e a famiíia do ciclista, que receceu uma suculenta indemnização pela sua morte, não mostrou interesse em procurar saber mais.
Mas, nos anos seguintes, para acrescentar confusão à história, 2 pessoas culparam-se da morte de Bottecchia. Primeiro, foi um emigrante italiano detido, em Nova Iorque, que declarou ter assassinado Bottecchia a mando de um dirigente fascista.
Duas décadas depois, um camponês propietário da vinha, onde tinha sido encontrado o corpo moribundo de Bottecchia, confessara ter assassinado acidentalmente o ciclista.
Quase nove décadas depois da morte de Bottecchia, as causas da mesma continuam envoltas – tal como a sua personalidade – num manto misterioso.





Memórias: Mário Dionísio

25 07 2016

mariodionisio

No dia 16 de Julho de 1916, nasceu em Lisboa, Mário Dionísio. Foi escritor, professor e crítico de arte. Foi um dos mais importantes teorizadores do neo-realismo português. Por António José André.

Mário Dionísio frequentou os liceus Luís de Camões e Gil Vicente, em Lisboa, e o liceu André Gouveia, em Évora. Em 1940, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Durante vinte anos, Mário Dionísio foi professor do ensino secundário no Liceu Camões, em Lisboa. Depois do 25 de Abril, foi professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, até 1986.

Mário Dionísio colaborou em diversos jornais e revistas: Altitude, Diário de Lisboa, Gazeta Musical, Mundo Literário, Presença, Revista de Portugal, Seara Nova e Vértice.

Enquanto artista plástico, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em muitas exposições colectivas, Realizou a sua primeira exposição individual, em 1989.

Mário Dionísio prefaciou obras de vários autores: Alves Redol, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, José Gomes Ferreira, Júlio Pomar e Manuel da Fonseca.

No domínio da ficção, Mário Dionísio publicou, entre outras obras, “As Solicitações e Emboscadas” (1950), “Riso Dissonante” (1950), “Memória de um Pintor Desconhecido” (1965) e “Le Feu Qui Dort” (1967).

Em Setembro de 2009, abriu a Casa da Achada, em Lisboa, que constitui um importante pólo cultural onde se pode encontrar o espólio de Mário Dionísio. Veja aqui: http://www.centromariodionisio.org/





Memórias: Vinicius de Moraes

11 07 2016

transferir

No dia 9 de julho de 1980, morreu Vinicius de Moraes, um dos mais populares poetas brasileiros. Vinicius foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, cantor e compositor. Por António José André.
Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu, dia 19 de Outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da perfeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista amadora.
Vinicius viveu toda a infância no Rio de Janeiro. Nasceu no bairro da Gávea e, aos três anos, mudou-se para Botafogo, morando com os avós e frequentando a Escola Primaria. Foi na sua infância que escreveu os primeiros versos.
Em 1924, Vinicius entrou para o Colégio Santo Inácio, onde cantava no coro da igreja. Em 1929, a família voltou para Gávea. Nesse ano, entrou para a Faculdade de Direito. Em 1933, concluiu o curso e publicou “O Caminho para a Distância”.
Em 1935, publicou o livro “Forma e Exegese”. Em 1938, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas, na Universidade de Oxford. Nesse ano, publicou “Os Novos Poemas”.
Com o inicio da II Guerra Mundial, voltou para o Rio de Janeiro. Nos anos seguintes publicou muitos poemas e ficou conhecido como um dos grandes poetas do amor, tornando-se assim um dos mais populares da Literatura Brasileira.
A sua obra foi vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, Vinicius considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação. No campo musical, teve como principais parceiros: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Escute aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TueK35ZEW-c





Memórias: Carlos Gardel

27 06 2016

transferir

No dia 24 de junho de 1935, morreu Carlos Gardel. O avião em que viajava chocou com um outro, ao descolar do Aeroporto da cidade de Medellin (Colômbia). Carlos Gardel é sinónimo de tango e uma das personalidades artísticas mais queridas da Argentina. Por António José André.

Carlos Gardel nasceu, no dia 11 de dezembro de 1890, na cidade de Toulouse (França). O seu verdadeiro nome era Charles Romuald Gardès. Filho de pai desconhecido, chegou a Buenos Aires com a mãe, Marie Berthe, quando tinha apenas dois anos.

Carlos Gardel viveu a sua infância e adolescência no bairro do Mercado de Abasto. Pobre, desde cedo, fazia pequenos trabalhos para ajudar a sua mãe. Começou a sua carreira em cafés e reuniões de bairro.

Em 1911, conheceu o uruguaio, José Razzano, e formou com ele um duo, “El Morocho y El Oriental”, que interpretava ritmos populares locais. Naquele momento, mudou o seu apelido para Gardel e converteu-se no fenómeno musical da década.

Em 1914, cresceu a sua popularidade, quando passou a apresentar-se regularmente no cabaré Armenonville, em Buenos Aires. Naquela época, o tango ainda era uma música meramente instrumental e dançante, sem letra.

Em 1917, surgiu a canção “Mi noche triste”, da autoria de Samuel Castriota e Pascual Contursi. Gardel interpretou-a e converteu-se, assim, no primeiro cantor de tangos. Ainda, em 1917, rodou o primeiro dos seus filmes, “Flor de Durazno”.

Na década de 1920, Carlos Gardel fez uma tournée pela Europa. O tango passou a ser admirado em diversas cidades de França e Espanha. A consagração deu-se, em Paris, onde foi aclamado por plateias que chegavam ao êxtase.

Depois do seu regresso à Argentina, em 1925, Carlos Gardel dedicou-se inteiramente à gravação de discos. O extraordinário sucesso das suas interpretações renderam-lhe uma imensa popularidade.

No início da década de 1930, Carlos Gardel já era uma celebridade mundial. A sua popularidade levou a companhia norte-americana Paramount Pictures a contratá-lo para quatro filmes que foram rodados, em França.

Em 1934, invadiu o mercado musical norte-americano. Carlos Gardel recebeu incontáveis convites para cantar em rádios, gravar discos e participar em filmes centrados na sua figura de cantor, que o transformaram num ídolo.

Foi em 1935, por ocasião de uma tournée em diversos países da América Latina, ocorreu o desastre que o matou. Gardel encontrava-se no auge da sua carreira. Milhões de admiradores em todo o mundo choraram sua morte.

O mito de Carlos Gardel atravessou vigorosamente todo o século XX. O tango está indissoluvelmente ligado ao seu nome. Os seus restos estão enterrados no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.





Memórias: José Luís Borges

17 06 2016

200px-Jorge_Luis_Borges_Hotel

No dia 14 de junho de 1986, morreu o argentino, Jorge Luís Borges. Foi um dos escritores mais importantes do século XX e procedia de uma família que contribuiu para a independência da Argentina. Borges foi um crítico literário, tradutor e ensaísta. Por António José André.

Nascido em Buenos Aires, a 24 de agosto de 1899, Jorge Luís Borges cresceu no bairro Palermo. Aprendeu a ler inglês com a avó Fanny Haslam. Com 10 anos publicou uma tradução para castelhano de “O Príncipe Feliz”, de Oscar Wilde.

Quando começou a Iª Guerra Mundial, Borges estava com a família, em Genebra (Suíça). Nessa altura devorava obras francesas, desde os clássicos (Voltaire ou Victor Hugo) aos simbolistas, até ao expressionismo alemão.

Em 1918, a família passou a morar, em Espanha. Primeiro, em Barcelona e depois, em Maiorca, onde publicou os seus primeiros versos, exaltando a Revolução Bolchevique sob o título, “Somos Vermelhos”.

Em 1921, regressou a Buenos Aires, fundando com outros jovens a revista “Prismas” e depois a “Proa”. O seu primeiro livro de poemas foi “Fervor de Buenos Aires” (1923). Publicou “Luna de Frente” (1925) e “Cuaderno San Martín” (1928).

Borges publicou “Evaristo Carriego” (1930), a “Discusión” (1932) e “História Universal da Infâmia” (19359. Nessa década, a sua fama cresceu na Argentina, porém a sua consagração internacional chegaria muito depois.

Borges fez crítica literária e traduziu obras de Virginia Woolf, Henri Michaux e William Faulkner. Em 1938, teve um grave acidente por causa da falta de visão. A partir daí, teve que se resignar a ditar os seus contos fantásticos.

Em 1945, instaurou-se o peronismo na Argentina. Por ter assinado manifestos antiperonistas, o governo demitiu Borges de bibliotecário e nomeou-o inspetor das aves e coelhos dos mercados.

Renunciou ao cargo e passou a ganhar a vida como conferencista. Mostrou-se um forte opositor do regime peronista e, nessa época, publicou “O Aleph” (1949). Borges continuou a publicar antologias de contos e volumes de ensaios até à queda do peronismo.

Em 1955, o novo governo argentino nomeou-o, devido ao seu grande prestígio literário, diretor da Biblioteca Nacional e também foi eleito para a Academia Argentina de Letras.

Borges saudou a queda de Estela Peron, em 1976, e a ascensão da Junta Militar. Arrependeu-se depois, quando entrevistou o ditador e quis saber do paradeiro de intelectuais desaparecidos.

Mas o mal estava feito. Ganhou fortes inimizades na Europa e o sueco Artur Ludkvist afirmou que Borges nunca receberia o Prémio Nobel. O Prémio Cervantes compensou em parte o facto de nunca ter recebido o Nobel.

José Luís Borges foi o escritor argentino com maior projeção internacional. Criou uma cosmovisão bastante singular, baseada num modo de entender conceitos como os do tempo, espaço, destino ou realidade.





Memórias: Criação do Selo de Correio

7 05 2016

Penny_black

No dia 6 de maio de 1840, surgiu o selo de correio em Londres. Antes dessa data, o porte de cartas era pago pelo destinatário em função da distância. O selo de correio é uma estampilha (adesiva ou fixa), destinada a comprovar o pagamento de uma taxa por serviços postais. Por António José André.

Em 1837, um professor inglês, Rowland Hill, redigiu um memorando para o primeiro ministro, Lorde Melbourne. Nesse texto, intitulado “Postal Reform; its Importance and Practicability” (A Reforma Postal: a Sua Importância e Praticidade), propondo o pagamento do porte antecipado por um preço proporcional ao peso e distância percorrida no país. O pagamento seria garantido por um selo adesivo e um carimbo que anulanva a sua reutilização.

A reforma foi incluída no orçamento aprovado pelo Parlamento britãnico, em agosto de 1839. Rowland Hill começou a trabalhar, detalhando o projeto através de um concurso de artistas. Milhares de correspondentes anónimos fizeram chegar às suas mãos as mais variadas sugestões.

O primeiro selo de correio, Penny Black, permitia enviar uma carta com o peso máximo de 14 gramas, pelo custo de um penny. Os selos de correio são a mais popular forma de pagamento para a troca de correspondência.





Memórias: Joan Miró

26 04 2016

bio_miro_joan

No dia 20 de abril de 1893, nasceu Joan Miró. Foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista catalão. Miró criou formas imaginárias, figuras coloridas e símbolos próprios formados por manchas e linhas carregadas. Por António José André.

Joan Miró nasceu, em Barcelona (Espanha). Não completou os seus estudos, apesar da insistência da família. Estudou comércio e trabalhou durante dois anos ao balcão de uma farmácia até sofrer uma crise nervosa. Passou um longo tempo na casa da família, em Mont-Roig del Camp. Em 1912, voltou para Barcelona, ingressando na Academia de Artes, dirigida por Francisco Gali, que o apresentou às últimas tendências artísticas europeias.

Inicialmente, Joan Miró apresentou uma pintura com um estilo expressionista, com influencias fauvistas e cubistas, distorcendo formas e usando cores pouco reais, que destruíam os valores tradicionais. Entre 1915 e 1919, Miró vivia entre Mont-Roig e Barcelona. Em 1919, foi para Paris, onde conheceu Picasso e Tristan Tzara, um dos fundadores do Dadaísmo. Aos poucos a sua pintura evoluiu para uma maior definição de forma.

Em 1924, a pintura de Miró foi influenciada pelo movimento surrealista, surgido, em Paris, apresentando cenas oníricas e paisagens imaginárias. É dessa época a tela “O Carnaval do Arlequim”. Em 1928, Miró pintou “O Interior Holandês”, uma das pinturas marcantes do artista. Nesse  ano, o Museu de Arte Moderna adquiriu duas telas de Joan Miró.

Após uma viagem à Holanda, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, fez ressurgir elementos figurativos nas suas obras. Na década de 1930, Miró tornou-se mundialmente famoso, expondo em galerias francesas e americanas. Fez ilustrações para livros e cenários para bailado. Miró passou a interessar-se por colagens e murais. O seu grafismo reduziu-se a linhas, pontos e manchas coloridas.

Auando eclodiu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Miró estava, em Paris, e a sua produção artística foi fortemente influenciada pelos horrores da guerra. São dessa época “O Ceifeiro” e “Cabeça de Mulher”. No começo da Segunda Guerra Mundial, Miró regressou a Espanha. Nessa época conclui “Constelação”. A partir de 1944, iniciou uma série de murais para o edifício da UNESCO, em Paris, e para a Universidade de Harvard.

Em 1954, Miró ganhou o Prémio de gravura da Bienal de Veneza. Em 1956, mudou-se para Palma de Maiorca. Em 1959, ganhou o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1975, abriu a Fundação Miró, em Barcelona. Joan Miró faleceu, em Palma de Maiorca (Espanha), no dia 25 de dezembro de 1983.





MEMÓRIAS: A INVENÇÃO DO LÁPIS

6 04 2016

1024px-YosriFeb05Kalam2

No dia 6 de abril de 1564, foi inventado o lápis, na Inglaterra, um utensílio que continua a ser útil nos dias de hoje. O lápis foi concebido para marcar, riscar e até mesmo cortar superfícies. Por António José André.

O lápis é uma ferramenta para escrever, desenhar ou até riscar papel, habitualmente constituído por um estilete cilíndrico de grafite revestido de madeira – o tradicional lápis de escrever preto. Mudando-se o material do estilete, produzem-se de forma similar lápis de diversas cores.

O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.

Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.

O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.

Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.

Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.

De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.

A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.

A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.

Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.

Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidor de lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.





Memórias: Spike Lee

21 03 2016

spike-lee-black-power

No dia 20 de março de 1957, nasceu o realizador, escritor, produtor e ator norte-americano, Spike Lee. Ele também ensina Cinema na Universidade de Nova Iorque Spike Lee sempre abordou as questões étnicas e os problemas sociais do país. Por António José André.

Nasceu a 20 de março de 1957, em Atlanta (sul dos E.U.A), com o nome de Shelton Jackson Lee. Filho de Bill Lee, um baixista de Jazz, e de Jaqueline, professora de arte (foi a mãe que o apelidou de Spike). Numa época marcada pelos preconceitos raciais, Spike mudou-se com a família, quando tinha 3 anos, para o Brooklyn.

Estudou no St.Ann College e, depois, no Morehouse College de Atlanta (uma escola exclusiva da comunidade afro-americana), onde se diplomou em Comunicação Social (1978). Frequentou a Escola de Arte da Universidade de Nova Iorque, onde realizou uma série de curtas metragens, que foram usadas na sua tese (1983). Posteriormente, foi apresentada e premiada, no Festival de Locarno.

A sua primeira longa metragem “Lola Darling”(1986), foi escrita e interpretada por ele mesmo e laureada, em Cannes. Esse filme constitui um dos maiores registos do cinema afro-americano, condição que é retomada nos seus filmes: “Aulas Turbulentas” (1988) e “Faça a Coisa Certa” (1989).

Spike Lee é um dos poucos realizadores que consegue equilibrar os seus interesses políticos com os da indústria superficial de Hollywood. Todas as suas produções têm sido um éxito, seja pela controvérsia que geram, seja pelo seu conteúdo.

A sua produtora, “40 Acres & A Mule Filmworks”, divide as produções dos seus filmes com comerciais para a televisão e videoclips (para artistas comoTracy Chapman, Miles Davis, Chaka Khan, Anita Baker, Public Enemy e Michael Jackson).

Combinando arte com negócio, Spike Lee encarregou-se de várias campanhas de publicidade para a Levi´s e a Nike, filmando Michael Jordan para a linha de roupa e sapatilhas chamada ‘Air Jordan’. 

Spike Kee também dirigiu o filme “Malcolm X”, sobre o famoso ativista afro-americano dos anos 60, e provou a sua versatilidade em “Uma Família de Pernas pró Ar” (1994), comédia escrita com o seu irmão, e “Irmãos de Sangue” (1995).

Filmografia

2015 – Chi-raq

2013 – Oldboy (remake)

2012 – Michael Jackson – Bad 25

2012 – Go Brazil Go!

2012 – Verão em Red Hook

2009 – Miracle at St. Anna

2006 – O Plano Perfeito

2005 – Quando os diques se rompem: Um requiem em quatro atos (When the leeves broke: A réquiem in four acts)

2005 – Crianças Invisíveis (All the invisible children)

2005 – Jesus children of America

2005 – Miracle’s boys (TV)

2004 – Sucker Free City (TV)

2004 – Elas me Odeiam, Mas me Querem (She hate me)

2002 – A Última Noite

2002 – Ten minutes older: The trumpet

2002 – Jim Brown all American

2001 – Come rain or come shine

2001 – The Concert for New York City (TV)

2001 – A Huey P. Newton Story (TV)

2000 – A Hora do Show (Bamboozled)

2000 – The Original Kings of Comedy

1999 – O Verão de Sam

1998 – Freak (TV)

1998 – Jogada Decisiva

1997 – 4 Little Girls (Documentário)

1996 – Todos a Bordo

1996 – The fine art of separating people from their money

1996 – Garota 6

1995 – Lumière et Compagnie

1995 – Irmãos de Sangue

1994 – Uma Família de Pernas pro Ar

1992 – Malcolm X (filme)

1991 – Febre da Selva

1990 – Mais e Melhores Blues

1989 – Faça a Coisa Certa

1988 – Lute Pela Coisa Certa

1986 – Ela quer tudo (She’s Gotta Have It)

1983 – Joe’s Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads

1981 – Sarah (filme)

1980 – The answer

1977 – Last hustle in Brooklyn





Memórias: Serge Gainsbourg faleceu há 25 anos

5 03 2016

tony-frank-----serge-fumant----8-0_0x440

No dia 2 de março de 1991, faleceu Serge Gainsbourg. Foi um músico, cantor, ator, diretor, pintor, artitsa plástico e poeta francês. Foi um talentoso compositor que soube passear por diversos ritmos e estilos: jazz, mambo, rock and roll, reggae, disco, new wave, pop e funk… Por António José André.

Serge Gainsbourg nasceu, no dia 2 de abril de 1928, em Paris. Era filho de judeus russos que tinham emigrado para França, fugindo da revolução de 1917. O pai era pianista e tocava em clubes parisenses.

Serge começou a vida a pintar e a trabalhar como pianista. O seu primeiro álbum “Du chant à la une!” foi editado, em 1958. Mas a sua carreira começou a crescer, quando passou a compor para France Gall (1966).

A sua canção mais conhecida, “Je T’aime, Moi Non Plus” (1969), foi cantada com a atriz britânica Jane Birkin, que já tinha causado escândalo em cenas do filme “Blow-Up”, de Michelangelo Antonioni.

Também foi ator e realizador de cinema. Contudo, a sua maior personagem foi ele mesmo. Viciado em cigarros e álcool, Serge colecionou escândalos e amantes, que serviram de combustível para a carreira.

Serge Gainsbourg morreu há 25 anos. O seu corpo foi enterrado no cemitério de Montparnasse, em Paris. No dia do seu funeral. o então presidente, François Mitterrand, declarou que Gainsbourg fora “o Baudelaire, o Apollinaire… que tinha elevado a música ao nível da arte”.

Discografia

1958 : Du Chant à la Une!
1959 : N°2
1961 : L’Étonnant Serge Gainsbourg
1962 : N°4
1963 : Gainsbourg Confidentiel
1964 : Gainsbourg Percussions
1967 : Anna (trilha sonora)
1968 : Bonnie & Clyde (com Brigitte Bardot)
1968 : Initials B.B. (com Brigitte Bardot)
1968 : Jane Birkin & Serge Gainsbourg
1971 : Histoire de Melody Nelson
1973 : Vu de l’Extérieur
1975 : Rock Around the Bunker
1976 : L’Homme à Tête de Chou
1979 : Aux Armes et Cætera (Versão Reggae da Marseillaise)
1980 : Enregistrement Public au Théâtre le Palace
1981 : Mauvaises Nouvelles des Étoiles
1984 : Love on the Beat
1985 : Serge Gainsbourg Live (Casino de Paris)
1987 : You’re Under Arrest
1988 : Le Zénith de Gainsbourg
1989 : De Gainsbourg à Gainsbarre (coletânea, Coffret 9 CDs)
2001 : Gainsbourg Forever (caixa integral)
2001 : Le Cinéma de Gainsbourg (caixa com 3 CDs)

Filmografia

como diretor
1976 : Je t’aime… moi non plus
1981 : Le Physique et le figuré (court-métrage)
1983 : Équateur
1986 : Charlotte for Ever
1990 : Stan the Flasher






Memórias: Howard Zinn

30 01 2016

hz_0

No dia 27 de janeiro de 2010, faleceu Howard Zinn: historiador, dramaturgo e cientista político norte-americano. Zinn foi uma figura proeminente nos movimentos pacifista e pelo reconhecimento dos direitos civis. A sua vida pessoal ficou inevitavelmente ligada à sua obra. Por António José André.
Zinn era filho de imigrantes judeus da Europa Central. Essa origem percorreu a sua vida e obra. Durante a IIª Guerra Mundial incorporou-se na força aérea norte-americana e participou no bombardeamento “experimental” de Royan (mais tarde, chamado de napalm). Essa missão transformou-o num pacifista resoluto.
Após a IIª Guerra Mundial, estudou história, defendendo um doutorado e lecionou em várias universidades. Nunca hesitou em empenhar-se em manifestações, por vezes, duramente reprimidas. Lutou contra a segregação racial e contra a Guerra do Vietname.
Em 1980, publicou “História popular dos Estados Unidos”, obra traduzida em numerosas línguas e adaptada para crianças em desenhos animados. O livro mudou toda a percepção da historiografia norte-americana ao desmontar a sua versão oficial e heróica.
Zinn dedicou, entre outras peças de teatro, uma a Emma Goldman, militante anarquista do começo do século XX, que foi expulsa dos EUA para a Rússia revolucionária.
A influência de Howard Zinn no seu país e no mundo, foi imensa. A partir de 2003, multiplicou conferências e posicionamentos públicos contra as diferentes intervenções norte-americanas e, em particular, contra a invasão do Iraque.
Zinn não era pessinista. Repetia que as liberdades tinham progredido nos EUA, depois da IIª Guerra Mundial, mas o povo poderá impor dentro dalguns anos as mudanças que se acreditariam impossíveis.

Como tributo a Zinn, pode escutar “Down”, canção dos Pearl Jam, que conviveram com ele: https://www.youtube.com/watch?v=jrnf9WoYqJo





Memórias: Calvin and Hobbes

30 12 2015

Calvin_&_Hobbes_Original

No dia 31 de dezembro de 1995, foi publicada a última tira de “Calvin & Hobbes”, série criada, escrita e ilustrada pelo norte-americano Bill Watterson. A série foi publicada em mais de 2000 jornais de todo o mundo, entre 18 de novembro de 1985 e 31 de dezembro de 1995. Por António José André.

Calvin & Hobbes foi considerada uma obra prima pela sua visão do mundo, pela imaginação do protagonista e pelas situações suas insólitas. Watterson abandonou a criação, em 1995, mas as tiras continuam a ser publicadas.

Calvin era um rapaz de seis anos de idade cheio de personalidade com o companheiro, Hobbes, um tigre sábio, que para ele está tão vivo como um amigo verdadeiro, mas para os outros não passa de um tigre de peluche.

Além de diversas outras formas e seres inventados por Calvin, tal como extra-terrestres, super-heróis, dinossauros, etc., muitas vezes acabavam por ser substituídos pela sua professora aos berros nas aulas

De acordo com algumas visões, as fantasias de Calvin constituíam uma fuga à realidade cruel do mundo moderno e uma boa oportunidade de explorar a natureza humana por parte de Bill Watterson.

O nome Calvin foi inspirado no reformador religioso do século XVI, João Calvino, que discorreu acerca da depravação total do homem, ou seja, que o homem está naturalmente inclinado para promover o mal ao seu próximo.

Hobbes recebeu o nome de Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII que tinha aquilo que Watterson chamou de “visão obscura da natureza humana”, sendo o autor da famosa máxima “O homem é o lobo do homem”.

Ainda que tenha obtido recursos monetários dos seus desenhos, Bill Watterson professou um sentimento anticapitalista e proibiu expressamente a editora de vender os direitos para lançar no mercado artigos baseados na BD.

Bill Watterson passou vários anos em conflito com a Universal Press e existem algumas tiras que se referem a isso. Apesar dessa proibição, hoje em dia não é difícil encontrar t-shirts, porta-chaves ou autocolantes com imagens de Calvin.





27 OUT – Apresentação de “Cassador de Muros”

22 10 2015

zihm

No próximo dia 27 de outubro (terça feira), vai haver uma sessão pública, promovida “Por Mão Própria”, no Café Santa Cruz, às 21h30, para a apresentação do livro “Cassador de Muros”/1. O evento contará com as presenças de Ana Filomena Amaral (Autora do Livro), João Fonseca (Jornalista) e Beatriz Martins (Moderadora).

1/“Cassador de Muros” (Chiado Edfitora – 2014) é um livro de Ana Filomena Amaral, mestre em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Possui o curso de pós-graduação em Ciências Documentais/Biblioteconomia e uma larga experiência como intérprete e tradutora de várias línguas europeias, mantendo particular contacto com a língua alemã.
O cassador de muros, o seu sexto romance, narra a odisseia de um jornalista que percorre os países onde ainda existem muros na tentativa de os cassar, ao mesmo tempo que cassa os seus próprios também.

Veja evento em: https://www.facebook.com/events/1085405908157829/





Memórias: Marcel Duchamp

3 08 2015

225px-Marcel_Duchamp_01

No dia 28 de julho de 1887, nasceu o pintor e escultor, Marcel Duchamp, que foi um dos grandes representantes do dadaísmo. A sua obra foi um gesto crítico radical e influenciou experimentações artísticas posteriores. Por António José André.
Em 1901, pintou as suas primeiras obras com grande influência impressionista. Em 1903, deixou a casa da família e foi morar para Paris com o irmão. Nessa época, tentou entrar na Escola de Belas Artes, mas reprovou no exame.
Entãp, foi estudar artes na Academia Julian. Entre 1906 e 1907, Marcel Duchamp fez vários trabalhos de conotação humorística. Em 1907, cinco dos seus trabalhos foram selecionados para o Primeiro Salão de Artistas de Humor.
Em 1911, Marcel Duchamp começou a pintar com influência cubista. É desta fase a sua obra “Sonata”. Nesse ano, Marcel criou a sua primeira obra inovadora “Retrato de jogadores de xadrez”.
Em 1912, a sua obra “Nu descendo uma escada” estava na confluência entre o Cubismo e o Futurismo, destacando-se pelo título, que Duchamp pretendeu incorporar ao espaço mental da obra.
Em 1913, Marcel Duchamp criou o ready-made (usou objetos práticos, transformando-os em obras de arte) com “Roda de bicicleta sobre um banquinho”. O caso mais célebre foi “Fonte”, urinol em louça enviado para uma exposição, em Nova Iorque, recusado pelo comité de seleção.
Em 1915, Marcel Duchamp foi morar para Nova Iorque. Em 1916, surgiu o dadaísmo e Marcel Duchamp passou a fazer parte do grupo de dadaístas de Nova Iorque. Em 1920, viajou para Paris e entrou em contato com dadaístas europeus, entre eles André Breton.
Em 1923, apresentou “O grande vidro”, pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo dividida em duas seções. A parte superior chamou de “A noiva desnudada pelos seus celibatários” e a inferior de “Moinho de chocolate”.
Em 1941, Marcel Duchamp produziu a “Caixa-maleta”,que continha modelos reduzidos das suas obras. Em 1943, criou a “Caixa verde”, contendo fotos, desenhos, cálculos e notas. Marcel Duchamp faleceu, no dia 2 de outubro de 1968, em França.





Memórias: Frida Kahlo

20 07 2015

frida_kahlo_self_portrait_0
No dia 13 de julho de 1954, morreu Frida Kahlo, grande pintora mexicana e uma das maiores pintoras do século XX. Comunista e revolucionária, Frida foi criadora da sua própria personagem e tema da sua obra. Por António José André.
Frida Kahlo nasceu na cidade do México, em 6 de julho de 1907. Em 1913, foi-lhe diagnosticada uma poliomielite, doença que acabou por deixar sequelas na sua perna direita. Em 1922, iniciou os estudos na Escola Nacional, onde teve a oportunidade de observar Diego Rivera a pintar o mural “A Criação”.
Em 17 de setembro de 1926, sofreu um acidente, quando viajava de autocarro. tendo uma rutura da coluna em 3 lugares. Um cano atravessou-lhe a bacia até à região púbica, produzindo uma tripla fratura da pélvis. Assim, ficou impedida de ter filhos. Esse acidente marcaria toda a sua vida.
Durante a convalescença, começou a pintar os seus primeiros quadros. Em 1927, reencontrou-se com Diego Rivera, quando ele regressou da União Soviética. O pintor mostrou interesse pela artista e pela sua obra. Dois anos depois, casaram-se e viajaram para os Estados Unidos.
Em Nova Iorque, Frida Kahlo pintou “My dress hanging there”, quadro que prenunciava a sua obra repleta de símbolos, com influência da estética popular e religiosa mexicana. Em 1934, regressaram ao México e instalaram-se, em San Ángel. Sofre. O processo de desfiguração do seu corpo é constante e isso refletiu-se nos seus trabalhos.
Separou-se de Diogo Rivera e viajou para Nova Iorque. Em 1937, Frida regressaria ao México, época em que Leon Trotsky e Natália, chegaram ao país. Frida foi recebê-los e.instalaram-se na sua casa de Coyoacán. Foi um ano muito prolífico para Frida. Produziu “Minha irmã e eu”, “O defunto Dimas”, “Meus avós, meus país e eu” e vários autorretratos.
Em 1938, André Breton chegou ao México e partilhou as suas ideias com Frida. Nesse ano, Frida foi a Paris visitar a exposição “México”, que André Breton organizou com obras pré-hispânicas e 18 quadros de Frida.
Em 1940, Frida participou da Exposição Internacional do Surrealismo na Galeria de Arte Mexicana com as telas “As Duas Fridas” e “A Mesa Ferida”. No dia 21 de agosto desse ano, Trotsky foi assassinado. A sua admiração pelo dirigente revolucionário russo levaram a ter um romance com ele.
Frida voltou aos Estados Unidos para receber tratamento médico. Participou na Exposição Internacional Golden Gate (São Francisco) e na Exposição Vinte Séculos de Arte Mexicana (Nova Iorque). No final desse ano, voltou a juntar-se a Rivera. Em 1941, regressaram ao México e Frida pintou vários auto-retratos.
Em 1942, expôs no Museu de Arte Moderna (Nova Iorque). Em 1943, foi nomeada professora da Escola de Pintura e Escultura La Esmeralda. De 1944 a 1949, participou em exposições nacionais e internacionais. Em 1950, Frida ficou internada nove meses por causa da complicação do enxerto dum osso na coluna vertebral.
Em 1951, pintou várias naturezas mortas e o “Retrato do meu pai Wilhelm Kahlo”. Em 1953, Frida organizou uma ampla Exposição individual na Galeria de Arte Contemporânea (México). Depois foi internada para a amputação da perna direita, devido a um quadro de gangrena.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=ou0EOcpdJm4





Apresentação de Privataria

13 07 2015

TOPO-FB-privataria

No dia 15 de julho (quarta-feira), haverá uma sessão pública, no Café Santa Cruz, às 18h, promovida Por Mão Própria*, para a apresentação do livro “Privataria”/1 (Bertrand Editora – 2015). O evento vai contar com as presenças de Mariana Mortágua (Economista e co-autora do livro), Jorge Costa (Jornalista e co-autor do livro) e Mariana Oliveira (Jornalista e moderadora da sessão).

1/ “Privataria: Quem Ganha e Quem Perde com as Privatizações em Portugal”
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados (os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos), é isso mesmo: uma revolução.
Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do “mercado comum”, ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»





Memórias: Pina Bausch

4 07 2015

17_2_pina_bausch_krueger

No dia 30 de junho de 2009, faleceu a alemã Pina Bausch, coreógrafa, dançarina, pedagoga da dança e diretora de balé que rompeu com o balé clássico e a dança moderna. Por António José André.
Pina Bausch nasceu, no dia 27 de jullho de 1940, em Solingen (Alemanha) e era filha do dono dum restaurante. Gostava de passar o tempo debaixo das mesas a observar os fregueses. Desde cedo, entusiasmou-se pela dança.
As suas primeiras apresentações lúdicas no balé infantil ocorreram, em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou a sua formação na Folkwangschule de Essen, fundada pelo célebre coreógrafo Kurt Joos.
Em Joos, encontrou um “renovador da dança expressiva” e uma pessoa de confiança. Além disso, a atmosfera criativa daquela escola era inspiradora e, até hoje, une todas as artes: teatro, música, dança, gravura e pintura.
Pina Bausch concluiu o curso de Dança e Pedagogia da Dança, em 1958. Após receber uma bolsa de estudos, viajou para os EUA onde estudou com Antony Tudor e José Limón, dançando na Juilliard School of Music e na Metropolitan Opera.
A pedido de Kurt Joos, Pina Bausch regressou à Alemanha, em 1962. Começou a dançar como solista no recém-fundado balé da Folkwang, apresentando-se em Amsterdão, Hamburgo, Londres e no Festival de Salzburgo.
Pina Bausch avançou para coreógrafa e diretora do corpo de bailé de Wuppertal. Após receber o primeiro prémio num concurso de coreografia de Colónia, assumiu a direção do estúdio de dança da Folkwang.
Aos 33 anos, foi contratada para dirigir o Balé do Teatro de Wuppertal, em 1973. A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa chocou grande parte do público. O que ocorria no palco não era aquilo que constava no programa impresso.
O público expressava a sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. A ruptura com as tradições foi uma tarefa árdua, sobretudo num teatro subvencionado pelo Estado. Mas Bausch não recuou na sua conceção de dança.
Baseada em Brecht e Weill, Pina Bausch rompeu com todas as formas tradicionais do teatro-dança. Em 1976, voltou-se para uma dança cénica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado.
Colagens de música popular, clássica, free jazz e outros fragmentos culminaram numa nova forma de encenação, caraterizada por ações paralelas, contraposições estéticas e uma linguagem corporal incomum para a época.
A sua companhia tornou-se a principal representante da dança da Alemanha. Pina Bausch começou a acumular prémios: o Prémio Europeu de Teatro, o Praemium Imperiale japonês, a Cruz de Mérito do governo alemão, a condecoração da Legião de Honra.
Nos palcos internacionais, a companhia de Bausch apresentou-se em co-produções com Universidades de Dança dos Estados Unidos, o Hong Kong Arts Fstival, a Expo 1998, em Portugal, o Theatre de la Ville de Paris e muitos outros.
Leia mais em: http://www.pinabausch.org/en/pina/biography





Memórias: Manu Chao

30 06 2015

manu-chao-640x360

No dia 21 de junho de 1961, nasceu Manu Chao, músico hispano-francês criador de um estilo que sintetiza músicas de todo o mundo e uma figura destacada dos movimentos anti-globalização. Por António José André.
Manuel Chao nasceu, em París, filho de Ramón Chao (jornalista) e de Felisa (física), ambos galegos imigrantes. Manu conviveu desde cedo com intelectuais, compositores, músicos e pintores, refugiados das várias ditaduras latino-americanas que frequentavam a casa dos seus pais.
Essa foi certamente a base do multiculturalismo que impregna o seu trabalho musical. Manu Chao foi um aluno brilhante e nos tempos livres jogava futebol com amigos e escutava música, desde o rock até às canções revolucionárias.
Desde pequeno, Manu Chao aprendeu o rigor intelectual do pai (correspondente da revista Triunfo e Le Monde diplomatique). Ramón Chao relatou posteriormente que o filho tinha impressionado alguns amigos seus: Alejo Carpentier e António Saura.
Na adolescência, esteve imerso na cena alternativa de Paris, que se desenvolvia em locais improvisados (bares, casas ocupadas ou fábricas abandonadas) e integrou algumas bandas: Joint de Culasse, Los Carayos e Hot Pants (rockabilly).
Em 1987, foi criada a banda Mano Negra. O nome foi uma homenagem a uma organização anarquista que existiu, em Espanha, no final do século XIX. Mano Negra era um rock multi-étnico (rumba, hip-hop, salsa e punk cantadas em francês, espanhol, inglês e árabe).
Em 1988, os Mano Negra publicaram o seu primeiro disco “Patchanka”, nome com que batizaram o seu estilo. A faixa “Mala Vida” ganhou a reputação de rumba electrizante e o sucesso garantiu-lhes um contrato com a Virgin.
Em 1989, gravaram “Puta’s Fever”, que foi um sucesso graças ao single “King Kong Five” (mistura de hip-hop com guitarras hardcore). “King of Bongo” (1991) foi um álbum orientado para o rock e cantado na sua maioria em inglês.
Durante a Conferência Mundial Eco-92, no Rio de Janeiro, os Mano Negra contaram com a participação de Jello Biafra (da banda norte-americana Dead Kennedys). Os Mano Negra tocaram também nas Noites do Parque, em Coimbra.
Depois duma digressão nos Estados Unidos, fazendo as primeiras partes de Iggy Pop, os Mano Negra concentraram-se na América Latina. Em 1992, alugaram um barco e fizeram uma digressão por cidades costeiras do Brasil, Venezuela e México.
Durante essa experiência, ouviram falar de linhas ferroviárias abandonadas na Colômbia e decidiram reparar um comboio para percorrerem a selva e atuarem em povoações onde nunca tinha tocado banda alguma.
Essa aventura foi extenuante e acabou por exacerbar as tensões numa banda já instável (variava entre 8 e 12 membros). Depois de publicarem “Casa Babylon (1994), os Mano Negra dissolveram-se. Manu Chao e alguns membros atuaram com o nome Radio Bemba, por causa das disputas legais da sua separação.
Colaborando com várias bandas (os mexicanos Tijuana No, os brasileiros Skank, os argentinos Todos Tus Muertos ou Tonino Carotone), Manu Chao preparou “Clandestino” (1998): o seu primeiro disco a solo.
“Clandestino” foi um êxito, tanto pelas letras como pela mistura de inglês, francês, espanhol, galego e português. Músicas como “Desaparecido” e a faixa título tocaram em rádios e TVs, mas Manu Chao não quis uma digressão convencional.
Em 2000, Manu Chao participou no Free Jazz Festival (Rio de Janeiro), onde esteve Caetano Veloso e outros artistas brasileiro. Entretanto, Manu embarcou na “Feira das Mentiras”, espetáculo circense com o qual percorreu Espanha.
Quando publicou “Próxima estación: Esperanza” (2001), a sua dimensão social crescera. O disco foi gravado com uma banda estável e garantiu a Manu Chao manter-se como um dos artistas mais populares.
Na sua digressão de 2001, a capacidade de convocatória de Manu Chao manifestou-se em cidades de toda a Europa e em Nova Iorque. Num concerto em Barcelona aglomerou cerca de 90.000 pessoas.
Em 2005, Manu Chao gravou a faixa “Soledad Cidadão”, numa participação especial com a banda brasileira Paralamas do Sucesso. Nesse ano, tocou no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desde 2010, Manu Chao tem tocado gratuitamente em vários cidades brasileiras: Santos, Belém, São Paulo e Fortaleza.
O ativismo político de manu Chao adquiriu uma estatura quase mítica: viajante impenitente, membro do movimento ATTAC, simpatizante dos zapatistas e da legalización da marijuana, impulsionador de um sem fim de projetos…
Veja também: http://www.manuchao.net/





Memórias: Ella Fitzgerald

19 06 2015

ella_0

No dia 15 de junho de 1996, morreu Ella Fitzgerald, grande ícone da história da música popular norte-americana. Ella elevou o swing, o bebop e as baladas ao seu mais alto potencial. Por António José André.
Ella Fitzgerald nasceu em Newport News (Virginia-EUA), no dia 25 de abril de 1917. Mudou-se com a mãe para Nova Iorque, após a morte do pai. Frequentou a escola pública, cantou no coral do colégio e recebeu educação musical.
O seu primeiro sonho era ser dançarina. Inspirada pelo bailarino “Snake Hips” Tucker, estudou os seus movimentos e praticou-os. Em 1932, faleceu a mãe. O trauma provocou uma queda no seu desempenho escolar, deixando a escola.
Ella trabalhou como vigia num bordel e numa casa de apostas ligada à máfia. Acabou por ser presa e enviada para um reformatório. Fugiria de lá, morando na rua e acabando por ser internada no Asilo de Orfãos de Riverdale (Bronx).
Numa noite de 1934, o Apollo Theater promoveu um show para amadores, após o espetáculo de dança das Irmãs Edwards. Este número conquistaria a plateia. Ella, com apenas 16 anos, subiu ao palco, teve vergonha de dançar e resolveu cantar.
Ella Fitzgerald entoou “Judy”, no estilo de Connee Boswell, e “The Object of My Affection” das Boswell Sisters, impressionando o público e conquistando um prémio de 25 dólares. Esse foi o início da sua famosa carreira.
Ella Fitzgerald foi convidada a juntar-se à banda de Chick Webb. Em pouco tempo, tornou-se a sua principal atração, conquistando vários sucessos com a sua marca registrada: A-tisket, A-tasket (1938).
Ella Fitzgerald gravou com diversos músicos, inclusivamente com Benny Goodman. Em 1939, após a morte de Webb, liderou a banda durante 3 anos e já era uma figura muito respeitada no meio musical.
Com “Jazz at the Philharmonic” (título duma série de concertos e gravações de jazz, produzidos por Norman Granz), o prestígio de Ella Fitzgerald cresceu. As gravações com Cole Porter, Ira e George Gershwin tiveram um enorme sucesso.
Ella Fitzgerald foi uma das primeiras intérpretes do “scat” (género que abriu espaço a palavras sem sentido, como dubidubidá, babedibabá, babedubidabedubabá), colocando o seu nome entre os inovadores do jazz,
Nos anos 50 e 60, Ella Fitzgerald gravou duetos com Billie Holiday, Duke Ellington e Louis Armstrong. O seu verdadeiro génio residiu nas interpretações impecáveis das belas canções populares do seu tempo.
Nos anos 70 e 80, Ella trabalhou com um trio, encabeçado pelo pianista Tommy Flanagan, e com dezenas de orquestras sinfónicas. Em 1990, Ella Fitzgerald retirou-se dos palcos para cuidar da sua saúde.
Dos primeiros dias nas ruas de Harlem até aos céus da fama, a vida de Ella Fitzgerald representou uma história de sucesso. Ao longo de 58 anos de carreira, conquistou 13 Grammys e vendeu mais de 40 milhões de discos.





Memórias: Henry Miller

10 06 2015

o-dia-em-que-jack-kerouac-quase-conheceu-henry-miller.html

No dia 7 de junho de 1980, faleceu Henry Valentine Miller, escritor norte-americano, considerado o predecessor do estilo de escritores como Charles Bukowski. Miller foi um grande subversivo da sua época. Por António José André.

Filho de pais alemães, Henry Miller nasceu, em Nova Iorque, no dia 26 de dezembro de 1891, onde passou a infância. Mais tarde na sua juventude, Miller foi ativo no Partido Socialista (o seu ídolo era o socialista negro Hubert Harrison).
Miller teve vários empregos, entre eles como funcionário de uma companhia de telégrafos, antes de se decidir pela carreira literária. Outsider irremediável, tentou trabalhar na alfaiataria do seu pai, local onde ganhou o gosto por “roupas finas”.
Em 1930, Henry Miller mudou-se para Paris, onde morou até à eclosão da 2ª Guerra Mundial. Ali publicou os seus primeiros livros, vivendo em condições precárias, dependendo da benevolência de amigos, tais como Anaïs Nin.
Escreveu literatura libertária, nos anos 30, tempo em que teve os seus livros proibidos nos Estados Unidos. Em 1940, Henry Miller voltou para os Estados Unidos, fugindo da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, radicou-se na Califórnia.
Em função do estilo realista e da descrição detalhada das suas experiências sexuais, os livros de Henry Miller foram acusados de obscenos e proibidos nos Estados Unidos (até 1964).
Henry Miller escreveu, entre outros livros, “Trópico de Câncer” (1934), “Trópico de Capricórnio” (1939) e a trilogia autobiográfica “Sexus” (1949), “Plexus” (1952) e “Nexus” (1959).
Apelidado de escritor pornográfico, Henry Miller também escreveu livros de viagem e ensaios sobre literatura e arte, tal como “O Tempo dos Assassinos (um estudo sobre Rimbaud).
“O Tempo dos Assassinos” foi um ensaio sobre a obra de Arthur Rimbaud, onde Miller sentiu afinidade com o angustiado poeta francês que abandonou a literatura (aos 20 anos) para se tornar traficante de armas e escravos, em África.
“C’est le temp de les assassins” era o verso final dum poema do jovem Rimbaud, que fugiu de casa aos 16 anos para se juntar aos communards, que tomaram o poder, em 1871, durante a Comuna de Paris.
Em 1990, o realizador norte-americano Philip Kaufman realizou um filme sobre o período da vida em que Miller e Anais se conheceram: “Henry and June”, baseado nos diários de Anaïs Nin.





Memórias: Walt Whitman

4 06 2015

tumblr_inline_np0m9d5OEU1qe6nze_250

No dia 31 de maio de 1819, nasceu Walt Whitman: poeta, ensaísta e jornalista norte-americano. Na sua obra poética, Whitman defendeu a abolição da escravatura, os direitos da mulher, o amor livre e o desenvolvimento tecnológico. Por António José André.
Whitman nasceu em West Hills, Long Island (Nova Iorque). A família mudou-se para Brooklyn, quando Whitman tinha quatro anos de idade. Até aos doze anos, frequentou a escola oficial e depois trabalhou como aprendiz numa tipografia.
Em 1835, trabalhou como impressor e, no verão seguinte, começou a ensinar, em East Norwich. De 1836 a 1838, deu aulas em Hampstead, Babylon, Long Swamp e Smithtown. De 1838 a 1839, editou o semanário “Long Islander”, em Huntington.
Voltou a dar aulas, depois de participar como jornalista na campanha presidencial de Van Buren (1840/1841). Em maio de 1841, Whitman regressou a Nova Iorque, voltando a trabalhar como impressor.
De 1842 a 1844, editou o jornal diário “Aurora” e o “Evening Tatler”. Em 1845, regressou a Brooklyn. Durante um ano, escreveu para o “Long Island Star”. De 1846 a 1848, Whitman tornou-se editor do “Daily Eagle”, de Brooklyn.
Em fevereiro de 1848, partiu com o irmão Jeff para Nova Orleães, onde trabalhou no “Crescent”. Whitman deixou Nova Orleães, em maio desse ano, regressando a Brooklyn, através do Mississippi e dos Grandes Lagos.
De 1848 e 1849, editou o “Freeman”, de Brooklyn. Em 1850, montou uma tipografia e uma papelaria. Em 1855, Whtiman publicou a 1ª edição de “Leaves of Grass”, cujos custos suportou, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.
A obra poética de Whitman centrou-se na coletânea “Leaves of Grass”, dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve 8 edições durante a vida do poeta.
Em 1873, uma doença vascular deixou-o parcialmente paralítico. Passou a morar com a família, em Camden (Nova Jersey). Em fins de 1891, publicou a última edição de “Leaves of Grass” e morreu, poucos meses depois.
Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América, introduzindo uma nova subjetividade na conceção poética e fez da sua poesia um hino à vida.

Veja também:





Memórias: Miles Davis

29 05 2015

miles_davis_0

 No dia 26 de maio de 1926, nasceu Miles Davis, em Alton (Illinois – EUA), um dos maiores inovadores do jazz e um dos mais influentes músicos do século XX. Por António José André.
Miles Davis mudou-se para a cidade de San Luis com os seus familiares. Aos 13 anos, um familiar ofereceu-lhe um trompete. Posteriormente, Davis foi estudar para Nova Iorque na prestigiada Escola de Música Juilliard.
Em 1945, Davis realizou a sua primeira gravação. Abandonou a Escola de Música e juntou-se ao quinteto de Charlie Parker. Um ano antes tocara na orquestra de Billy Eckstine, que incluía grandes figuras do jazz moderno.
Nos finais dos anos 40, Davis encontrou-se com Gil Evans com o qual abriria o caminho para o cool jazz. Com ele gravou “Birth of the Cool”, “Miles Ahead”, “Porgy and Bess” e “Sketches of Spain”. Rodeou-se de músicos de bebop e fundou o hard bop: uma forma musical revolucionária que teve importantes consequências.
Em 1959, surgiu “Kind of Blue”. Acompanharam-no o saxofonista, John Coltrane, o contrabaixista, Paul Chambers, Julian “Cannonball” Adderley, no alto sax, Jimmy Cobb, na bateria, e Bill Evans ao piano.
Este trabalho é considerado uma obra-prima no género e com grande influência de diversos géneros como o rock e a música clássica. É reconhecido como uma das maiores produções de todos os tempos.
Nos finais dos anos 60 começou a experimentar mais ritmos do rock e instrumentos elétricos. Nos anos 70, dirigiu-se para sons do funk. Miles Davis Foi um dos músicos mais inovadores da sua geração e contribuíu para formar jovens talentos como Tony Williams ou Herbie Hancock.
Miles Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz, desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Faleceu, no dia 28 de setembro de 1991, deixando mais de 120 gravações, incluindo várias ao vivo.
Discografia
Birth of the Cool – Capitol Records (1949)
Volume 1 – Blue Note (1952)
Volume 2 – Blue Note (1953)
Miles Davis and The Modern Jazz Giants – Prestige (1954)
‘Round about midnight – Columbia (1955)
Cookin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Steamin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Relaxin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Workin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Miles Ahead Miles Davis + 19 – Columbia (1957)
L’Ascenseur pour l’Echafaud – Fontana (1958)
Milestones – Columbia (1958)
Somethin’ Else con Cannonball Adderley – Blue Note (1958)
’58 Stella By Starlight – Columbia (1958)
Porgy and Bess – Columbia (1958)
Sketches of Spain – Columbia (1959)
Kind of Blue – Columbia (1959)
Some Day My Prince Will Come – Columbia (1961)
In Person, Saturday Night at The Blackhawk, San Francisco – Columbia (1961)
Seven Steps to Heaven – Columbia (1963)
Quiet Nights c/Gil Evans – Columbia (1963)
My Funny Valentine + Four & More: The Complete Concert – Columbia (1964)
E.S.P. – Columbia (1965)
Cookin’ at The Plugged Nickel – Columbia (1965)
Miles Smiles – Columbia (1966)
Sorcerer – Columbia (1967)
Nefertiti – Columbia (1967)
Filles De Kilimanjaro – Columbia (1968)
Miles in the Sky – Columbia (1968)
Water Babies – Columbia (1967-1968)
In a Silent Way – Columbia (1968)
Bitches Brew – Columbia (1970)
Live-Evil – Columbia (1971)
On the Corner – Columbia (1971)
Big Fun – Columbia (1974)
Dark Magus – Columbia (1974)
Get Up With It – Columbia (1974)
Agharta – Columbia (1975)
Pangea – Columbia (1975)
The Man with the Horn – Columbia (1981)
We Want Miles – Columbia (1981)
Star People – Columbia (1983)
Decoy – Columbia (1983)
You’re Under Arrest – Columbia (1985)
Aura – Warner (1985)
Tutu – Warner (1986)
Amandla – Warner (1989)
Miles & Quincy Live at Montreaux – Warner (1991)

Vale a pena recordar: https://www.youtube.com/watch?v=tSGUPsAeL34





Memórias: Catarina Eufémia

18 05 2015

cfe1

No dia 19 de maio de 1954, morreu Catarina Efigénia Sabino Eufémia, quando protestava contra a miséria, assassinada a tiro por um tenente da GNR. Catarina Eufémia é um ícone da resistência contra o salazarismo. Por António José André.
Filha de camponeses sem terra, Catarina Eufèmia nasceu, no 13 de fevereiro de 1928, em Baleizão (aldeia do Alentejo). Os pais trabalhavam num latifúndio e Catarina trabalhava em casa. Nem sequer teve tempo para ir à escola.
Catarina Eufémia começou a trabalhar nos latifúndios, durante a adolescência, e aprendeu tudo sobre o trabalhos no campo, da sementeira à ceifa. Aos 17 anos, casou-se com António Joaquim (operário da CUF) e foi viver para o Barreiro.
Mais tarde, António Joaquim foi dispensado da CUF e o casal regressou a Baleizão. António Joaquim conseguiu emprego de cantoneiro, em Quintos. Mas o seu salário não chegava para sustentar a família e Catarina voltou a trabalhar nos latifúndios.
No dia 19 de maio de 1954, Catarina Eufémia liderou um grupo de 14 ceifeiras que exigiam o aumento de mais dois escudos por jorna diária. Na herdade do Olival, o grupo foi cercado por soldados da GNR e o tenente Carrajola matou Catarina.
Durante o funeral, a GNR dispersou à bastonada a multidão que protestava contra a sua morte. No tumulto, nove camponeses foram presos. Depois foram julgados e condenados a dois anos de prisão.
Para evitar romarias subversivas, por ordem da GNR, o corpo de Catarina não foi sepultado em Baleizão, mas em Quintos. Em 1974, depois da Revolução dos Cravos, os restos mortais de Catarina foram transladados de Quintos para Baleizão.
Nota: o tenente Carrajola não foi a tribunal, nem sequer foi castigado. Foi apenas transferido de Baleizão para Aljustrel, onde morreu, em 1964 (de morte natural).
Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, entre outros/as, dedicaram-lhe poemas. Em sua homenagem, o poeta Vicente Campinas escreveu “Cantar Alentejano”, musicado e cantado por Zeca Afonso.

Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=KpK2szckVrI





Memórias: Frente Polisário

13 05 2015

frente_polisario

No dia 10 de maio de 1973, foi constituída a Frente Polisário, movimento político que luta pela independência do Sahara Ocidental, atualmente sob o domínio de Marrocos. Por António José André.
Em 1975, o governo espanhol decidiu sair do chamado Sahara Ocidental, impondo o seu último ato imperialista, ao dividir o território entre os governos do Marrocos e da Mauritânia.
Naquela ocasião, as populações não foram consultadas sobre os destinos do território saarauí. Da dominação hispânica passou para a dominação dos seus vizinhos africanos.
Assim que a mudança foi oficializada, o povo saarauí resistiu ao novo processo de ocupação do território. A Frente Polisário conseguiu vencer a ocupação mauritana e continua a lutar contra a ocupação marroquina.
Desde lá, houve vários conflitos entre a Frente Polisário e as tropas marroquinas. Em 1987, o governo marroquino construíu um muro com 1800 Km, isolando as terras geridas pela Frente Polisário.
Em 1991, a ONU negociou um cessar-fogo em que ambas as partes se comprometeram a realizar um referendo no qual a população do Sahara Ocidental votasse e decidisse sobre o destino político da região.
O plebiscito foi marcado para 1992, mas ainda não se realizou, porque não houve acordo sobre quem teria direito a votar: Marrocos quer que seja toda a população residente; a Frente Polisário só aceita que sejam os habitantes contados no censo de 1974. Isso impediria o voto dos marroquinos emigrados para a região em disputa, desde 1974.
Em 2007, Muhammad VI, rei de Marrocos, propôs que o Sahara Ocidental fosse anexado integralmente em troca duma autonomia política local. Face a essa proposta, a Frente Polisário acusou o governo marroquino de usar uma estratégia contra a legitimidade da autonomia política plena do Sahara Ocidental.
Desde então, as negociações ficaram num compasso de espera e o território saarauí continua a ser colonizado. Do ponto de vista económico, o Sahara Ocidental é um território rico em ferro, cobre, fosfato e urânio.

Leia também: https://app.box.com/s/dk8g3q2u37p1h3gnef1du9jytklebo6b





Memórias: Keith Haring

9 05 2015

keith-haring4

No dia 4 de maio de 1958, nasceu, em Kutztown (Pensilvânia-EUA), Keith Haring, artista gráfico e ativista norte-americano. O seu trabalho foi o reflexo da cultura nova-iorquina dos anois 80. Por António José André.
Desde muito pequeno, Haring apaixonou-se por desenho, aprendendo técnicas de cartoons com o pai e inspirando-se na cultura popular à sua volta. Estudou arte na Escola Ivy of Art, em Pittsburgo, onde começou a usar telas para imprimir camisas
Em 1978, entrou para a Escola de Artes Visuais (SVA), em Nova Iorque, onde encontrou um grupo que desenvolvia arte fora dos museus e galerias: nas ruas suburbanas, no metropolitano, em clubes e danceterias.
Haring tornou-se amigo da artistas gráficos (Kenny Scharf e Basquiat), artistas performáticos e músicos. Também se inspirou no trabalho de Jean Dubuffet, Pierre Alechinsky, Burroughs, Brion Gysin e no manifesto de Robert Henri “The Art Spirit”.
Com essas influências, Haring colocou todo o seu talento num tipo único de expressão gráfica, baseada na supremacia da linha. Também fez performances instalações e colages, enquanto mantinha um compromisso com o desenho.
Em 1980, Haring encontrou um meio que possibilitou a comunicação com o público: os painéis de publicidade do metropolitano que não eram utilizados e estavam cobertos com papel preto.
Haring começou a criar desenhos com giz branco sobre esses painéis. Entre 1980 e 1985, produziu centenas de desenhos num ritmo muito rápido: às vezes, criava quarenta desenhos por dia.
Esses graffittis tornaram-se populares, em Nova Iorque. O metropolitano tornou~se, como disse Haring, um “laboratório” para trabalhar as suas ideias e fazer as suas experiências com linhas simples.
Em 1986, abriu a Pop Shop, uma loja que vendia camisas, brinquedos, posteres e crachás com os seus graffittis – uma extensão do seu trabalho a baixo custo para o público o que tornava a sua arte acessível.
Entre 1982 e 1989, Keith Haring produziu mais de 50 trabalhos para projetos de solidariedade, hospitais, centros de cuidados com crianças e orfanatos, em dezenas de cidades de todo o mundo.
Em 1988, desde que lhe foi diagnosticado o SIDA, inaugurou a Keith Haring Foundation para arrecadar fundos destinados a outras organizações de luta contra o SIDA. Nos últimos anos de vida, usou a sua fama para falar da doença.
Exprimindo os seus conceitos de nascimento, amor, morte, sexo e guerra, e usando mensagens sucintas e diretas, Haring foi capaz de assegurar o acesso ao seu trabalho, tornnado-o numa linguagem mundialmente reconhecida no século XX.
Haring morreu, aos 31 anos, de complicações causadas pelo SIDA, em 1990. Desde a sua morte, é assunto de muitas palestras e exposições. Os seus trabalhos podem ser vistos em coleções nos grandes museus de todo o mundo.
Veja também:





Memórias: Guernica

1 05 2015

800px-Guernica_Gernikara

No dia 26 de abril de 1937, Guernica (ou Gernika, em euskera), vila histórica do País Basco, foi bombardeada pelas tropas de Francisco Franco aliadas das tropas nazis de Hitler e fascistas de Mussolini. Por António José André.
Nesse dia, além dos seus 5 mil habitantes, Guernica encontrava-se cheia de refugiados/as doutras cidades próximas e de combatentes a caminho de Bilbau, principal cidade da região, para defendê-la dos ataques das tropas fascistas.
As sirenes tocaram, às 15h30, e a população desesperada procurou refúgio sabendo que se avizinhava um ataque. Após as sirenes, começou o primeiro ataque, sob as ordens do tenente coronel alemão, Wolfram von Richthofen, da Legião Condor.
Um avião Dornier alemão e 3 aviões Savoias italianos lançaram toneladas de bombas numa ponte da vila e na estação de comboio, atingindo casas e a igreja de São João. Pouco depois, 3 aviões He-111 alemães despejaram bombas na cidade.
Um novo e mais pesado bombardeamento, às 18h, foi levado a cabo por dezanove aviões Ju-52 alemães que lançaram bombas explosivas e incendiárias com o objetivo de dizimar toda a cidade.
Houve um quarto ataque, dessa vez com metralhadoras. A quantidade de fumo resultante dos bombardeamentos e do fogo propiciou a destruição. Morreram entre 150 e 300 bascos/as, tendo ficado feridas e mutiladas centenas de pessoas.
Os horrores desse ataque foram contados ao mundo por George Steer, jornalista do “The Time”, que visitou a vila pouco após a sua destruição, e por Pablo Picasso no seu quadro “Guernica”, onde colocou o sofrimento das vítimas inocentes da guerra.
Poucos edifícios ficaram de pé, em Guernica. Ficaram apenas intactos os prédios das Juntas (governo local) e a Árvore de Guernica: símbolo máximo da resistência e da sobrevivência do povo basco.
Após esse ataque, a guerra continuou e a efémera República Basca sucumbiu. Os líderes bascos foram para o exílio (os que tiveram sorte) e muitos foram presos, torturados e mortos, no período imediatamente posterior à Guerra Civil Espanhola.
A ditadura de Franco foi cruel para com bascos/as, catalães, galegos e espanhóis. Até 1976, milhares de pessoas foram torturadas, mortas, desaparecidas ou atiradas para valas comuns de modo a nunca serem identificadas.
Faz hoje 78 anos que Guernica foi bombardeada. Esse foi um dos períodos mais terríveis da história moderna – prenúncio da II Guerra Mundial – onde se cometeram imensos horrores, que jamais serão esquecidos.
Guernica constitui hoje um importante pólo da cultura basca. No Museu da Paz (Gernikako Bakearen Museoa), encontram-se as marcas da guerra preservadas para que permaneçam na memória da população e dos/as visitantes.





Memórias: Charles Darwin

27 04 2015

images

No dia 19 de abril de 1882, faleceu Charles Robert Darwin: naturalista britânico que alcançou fama com a teoria da evolução e seleção natural das espécies. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859. Por António José André.
Darwin nasceu, em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury. O seu pai era Físico, filho de Erasmus Darwin, poeta, filósofo e naturalista. A sua mãe, Susannah Wedgood Darwin morreu quando ele tinha 8 anos de idade. Aos 16 anos foi estudar medicina na Universidade de Edimburgo. Depois foi para a Universidade de Cambridge, com o objetivo (imposto pelo pai) de se tornar clérigo da Igreja.
A vida religiosa não agradava a Darwin e, em 31 de dezembro de 1831, aceitou o convite para se tornar membro duma expedição científica a bordo do navio Beagle. Darwin passou 5 anos a navegar pela costa do Pacífico e América do sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e grandes ilhas.
Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico e zoologista. A viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida de pesquisador e escritor. Em 24 de novembro de 1859, publicou o livro “A Origem das Espécies”. A teoria de Darwin defendia que os organismos vivos evoluem através de um processo de seleção natural.
A ideia da evolução orgânica não era nova. Tinha sido aventada antes, entre outros, pelo seu avô, Erasmus Darwin, e por Lamarck, que no começo do século XIX desenhou o primeiro diagrama evolucionário – uma cadeia que ia desde organismos unicelulares até ao homem. No entanto, foi com Darwin que a ciência apresentou uma explicação prática do fenómeno da evolução.
A primeira edição de “A Origem das Espécies” esgotou-se rapidamente. A maioria dos cientistas abraçou a sua teoria, mas os cristãos ortodoxos condenaram o trabalho como uma heresia. A controvérsia quanto às ideias de Darwin aprofundou-se com a publicação de livros sobre plantas e animais: “A descendência do Homem e a seleção em relação ao sexo” e “A expressão da emoção em homens e animais”.
À época da morte de Darwin, a sua teoria da evolução já era universalmente aceite. Subsequentes desenvolvimentos na genética e na biologia molecular levaram a algumas mudanças no entendimento da teoria evolucionista, porém as ideias de Darwin permanecem até hoje como essenciais no campo da biologia.





Memórias – Vladimir Maiakovski

16 04 2015

maiakovski_4002

No dia 14 de abril de 1930, suicidou-se Vladimir Maiakovski, dramaturgo e teórico russo, também chamado de “o poeta da Revolução” e “o maior poeta do futurismo”. Por António José André.
Vladimir Maiakovski nasceu a 19 de julho de 1893, na aldeia de Bagdádi (arredores de Kutaíssi – Geórgia). Filho de Vladimir Konstantinovitch e Aleksandra Aleksieievna (camponeses pobres), Maiakovski tinha 2 irmãs mais velhas: Liudmila e Olga.
A infância miserável – após a transferência forçada da família para Moscovo, após a morte do pai, em 1906 – e o contato precoce com o movimento revolucionário que despontava na Rússia marcariam para sempre a vida de Maiakovski.
Nessa época, o Império Russo foi sacudido por lutas sociais. Em 1905, após o massacre de milhares de trabalhadores – conhecido como “Domingo Sangrento” – explodiram manifestações de operários, camponeses e soldados exigindo o fim da monarquia e a instauração de uma república democrática.
Era a Revolução de 1905. Maiakovski, aos 12 anos, acompanhava os acontecimentos políticos através de jornais e panfletos socialistas, integrando-se nas manifestações. A partir daí, o Maiakovski passou a ler a literatura marxista.
Em 1908, entrou para a ala bolchevique do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, executando tarefas de propaganda em círculos operários, sendo eleito para o comité municipal de Moscovo. Era conhecido como camarada Constantin.
Maiakovski foi preso, pela primeira vez, em 1908. Foi preso novamente, em 1909. A pena durou onze meses. Durante a pena, leu muitos clássicos da literatura – Dostoievski, Tolstoi, Gogol, Pushkin – e escreveu poemas.
Ao sair da prisão, decidiu aprofundar os conhecimentos em Arte, entrando para a Escola de Belas Artes de Moscovo. Ali conheceu o pintor e poeta David Burliuk e com outros artistas lançou, em 1912, o manifesto “Bofetada no gosto público”, criando o movimento cubo-futurista russo.
O futurismo russo diferenciava-se do futurismo surgido em Itália, sob a direção de Marinetti. Enquanto este defendia a guerra imperialista (e depois o fascismo de Mussolini), os futuristas russos abraçaram a vitoriosa Revolução de Outubro de 1917, incorporando-se na construção da nova sociedade.
Maiakovski trabalhou febrilmente pela Revolução bolchevique. O seu objetivo era forjar uma arte renovada, na forma e no conteúdo, capaz de elevar a cultura geral das massas e prepará-las para os enormes desafios da nova pátria soviética.
A sua poesia expressava confiança e admiração pela Revolução, como parteira do novo mundo e do novo homem, livres da exploração. “Nossa Marcha”, “À Esquerda”, “Versos sobre o passaporte soviético”, “Nós, os Comunistas”, “150 milhões”, “A plenos pulmões” são apenas alguns exemplos.
Além da poesia, Maiakovski escreveu ensaios teóricos, peças de teatro e roteiros para cinema. Atuou – a maioria das vezes como ator principal – e ajudou a conceber os cenários e figurinos das montagens dos seus textos.
Durante a guerra civil, entre 1918 e 1921, esteve na Agência Telegráfica Russa, pintando inúmeros cartazes de agitação e propaganda. Em todas as obras incitava o povo a impulsionar a produção económica e a lutar contra os inimigos da revolução e contra os resquícios da moral burguesa.
Maiakovsky manteve contatos estreitos e projetos paralelos com grandes nomes da arte soviética: Máximo Gorki, Serguei Eisenstein, Dziga Vertov, o compositor Shostakovitch e o dramaturgo Meyerhold.

Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=T3-CSJuRMnw





Memórias: Yuri Gagarin

31 03 2015

Yuri-Gagarin-720x637

No dia 27 de março de 1968, morreu Yuri Gagarin num acidente aeronáutico perto da pista do centro de treino de astronautas, chamado “Cidade das Estrelas”, a nordeste de Moscovo. Gagarin foi o primeiro homem a viajar no espaço. Por António José André.
Yuri Gagarin foi um astronauta soviético e o primeiro homem a viajar no espaço a bordo da Vostok 1 (em russo, significa “Oriente”), que tinha 4,4 m de comprimento, 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 kg. Aquela nave tinha 2 módulos: o módulo de equipamentos (com instrumentos, antenas, tanques e combustível para os retrofoguetes) e a cápsula onde ficava o cosmonauta.
No dia 27 de março de 1968, Gagarin estava no assento da frente dum monoreator MIG 15. No assento de trás estava o coronel Vladimir Seregin, como piloto instrutor. Gagarin fazia uma requalificação para voltar a voar, após oito anos de dedicação a protocolos e a cerimónias duma vida de ídolo, de Herói da União Soviética.
O Mig desceu em parafuso, de uma altitude de 16 mil pés, através de uma camada de nuvens e colidiu contra o solo. Não constaram indícios de crise de comando entre o piloto instrutor e o requalificante. Os tripulantes estavam biomedicamente aptos. Tratando-se de uma operação militar, as autoridades soviéticas valeram-se da prerrogativa de manter em sigilo quaisquer outros aspetos envolvidos no acidente.
A primeira fatalidade foi que Seregin e Gagarim passaram a cerca de 200 metros de um outro jato, um Sukhoy SU 15, e podem ter sido afetados pela onda de choque supersónica desse avião. O fato é que mergulharam na camada de nuvens abaixo deles, provavelmente desestabilizados.
A segunda fatalidade foi um erro na informação que tinham sobre a altitude da base da camada de nuvens. A torre tinha dito 3.500 pés (mais de mil metros), espaço suficiente para retomar a atitude de voo sem riscos, principalmente tratando-se de um avião ágil e resistente como o MIG 15. Estando conscientes durante a descida, simplesmente aguardariam pelo fim da camada, para horizontalizar o avião. Mas na verdade a base da camada estava mais abaixo, a cerca de 500 metros de altitude. Isso complicou as coisas.
Igor Kusnetsov, ex-coronel da força aérea soviética, fez uma minuciosa pesquisa do acidente e chegou à conclusão de que uma conduta de ar do MIG tinha sido deixada aberta, depois do voo anterior. Ao perceberem o problema, Seregin e Gagarin optaram por mergulhar imediatamente à procura de menores altitudes. Durante o mergulho teriam perdido a consciência.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=8IGAUIyoNBI

 





24 03 2015

masina_0

No dia 23 março de 1994, faleceu Giulietta Masina: uma grande atriz de cinema italiana e companheira do realizador de cinema, Frederico Fellini. Por António José André.
Giulia Anna Masina nasceu, em Giorgio di Piano (Itália), no dia 22 de fevereiro de 1921, sendo filha do violinista e professor de música, Gaetano Masina, e da maestrina, Angela Flavia Pasqualin.
Licenciou-se em Filosofia e Letras, na Universidade de Roma. Durante os estudos cultivou uma grande paixão pelas artes. Entre 1941 e 1942, participou em espetáculos de prosa, dança e música no teatro universitário.
Trabalhou na rádio como atriz de séries escritas por Federico Fellini, com quem se casou, em 30 de outubro de 1943, estabelecendo uma parceria artística e afetiva das mais importantes do cenário artístico italiano.
Em 1946, estreou-se no cinema num dos filmes mais emblemáticos do neorrealismo cinematográfico, “Paisá” de Roberto Rossellini. Em 1948, obteve o seu primeiro papel importante no filme “Sem Piedade”, de Alberto Lattuada.
Giulietta alcançou a fama internacional, no papel de Gelsomina, no filme “Estrada da Vida” (1954), uma das obras-primas de Fellini. Gelsomina era uma mulher humilde e ingénua, vendida pela mãe a Zampano (Anthony Quinn), um homem brutal que trabalhava num circo itinerante.
Em 1958, recebeu o prémio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, por interpretar Cabíria (uma prostituta pobre da periferia de Roma), no filme “Noites de Cabíria”. Tendo Felllini recebido o Óscar de melhor filme estrangeiro.
Giulietta participou em “Julieta dos Espíritos” (1965), filme que marcou um momento de inflexão na obra de Fellini, e em “Ginger e Fred” (1986), filme onde Fellini aproveitou para dar uma visão particular do mundo da televisão.
Giulietta ainda trabalhou com outros realizadores de cinema: Claude Chabrol, em “Landru, o Barba Azul” (1963), Bryan Forbes, em “A Louca de Chaillot” (1969) e Juraj Jakubisko, em “Perinbaba” (1985).
A influência de Masina em Fellini foi notável. Mulher de acentuado catolicismo, fez com que algumas ideias de Fellini passassem por aquele filtro e, possivelmente, não se explicariam aspetos da cinematografia de Fellini sem a presença de Giulietta.
Giulietta Masina morreu aos 73 anos, em Roma, cinco meses após a morte de Fellini. Para o seu funeral, pediu que o trompetista Mauro Maur tocasse o tema de Gelsomina de Nino Rota, colaborador de Fellini nas bandas sonoras.
Em 1997, a convite de Maddalena Fellini, irmã de Fellini, Caetano Veloso e outros músicos brasileiros participaram num espetáculo de homenagem ao realizador e a Giulietta Masina. Maddalena sabia que ele tinha composto ‘Giulietta Masina’, uma faixa do álbum “Caetano” (1987).
Pode escutar aqui:





Memórias: Albert Einstein

19 03 2015

images1

No dia 14 de março de 1879, nasceu Albert Einstein: pacifista e cientista mundialmente conhecido. Além das suas contribuições revolucionárias para o avanço da ciência, foi um cidadão do mundo com um empenho cívico exemplar. A sua vida merece ser recordada. Por António José André.
Einstein nasceu, no dia 14 de março de 1879, em Ulm (Alemanha), numa família alemã, burguesa e liberal, de ascendência judia. Frequentou a escola, em Munique. Em 1895, mudou-se sózinho para a Suíça. Em 1896, ingressou no Instituto Politécnico de Zurique (Suíça), onde se licenciou, em 1900.
Em 1901, renunciou à cidadania alemã, a fim de evitar o serviço militar, naturalizando-se suíço. Em 1902, começou a trabalhar no Departamento Nacional de Patentes, em Berna. Naquela época, dedicava-se ao estudo da física teórica, obtendo o doutoramento, em 1905, ao publicar 3 teses que antecipavam as suas descobertas mais importantes.
Einstein foi docente em Berna (1909), na Universidade de Zurique (1910), na universidade de Praga (1911) e no Instituto Politécnico de Zurique. Em 1914, foi nomeado professor da Universidade de Berlim e da Academia das Ciências Prussiana. Instalou-se, em Berlim, e readquiriu a nacionalidade alemã.
Três meses depois, deflagrou a Primeira Guerra Mundial. Einstein opôs-se desde o início à guerra e negou assinar um manifesto de 93 catedráticos a favor do conflito. Poucos dias depois, redigiu um anti-manifesto com o médico Georg Nikolai (também pacifista), mas só conseguiram 4 subscritores.
O pacifismo de Eisntein e a sua origem judaica tornaram-no impopular entre os nacionalistas alemães, hostilidade agravada pelos seus êxitos científicos e pelo seu reconhecimento internacional, sobretudo após a confirmação observacional da Teoria da Relatividade geral, em 1919.
O ativismo político de Einstein cresceu após o fim da Primeira Guerra Mundial, advogando o pacifismo, a não-violência e a cooperação internacional. Nesse sentido utilizou todas as plataformas, os fóruns e redes de contactos científicos, colaborando com a Liga das Nações.
A década de 20 foi de intensa actividade cívica e científica, pontuada por numerosos convites e viagens ao estrangeiro. Em 1922, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Física pela interpretação do efeito fotoelétrico. Mas, encontrando-se de viagem ao Japão, não participou da cerimónia da entrega do prémio.
Em 1932, Einstein gravou um disco intitulado “Mein Glaubensbekenntnis” (A Minha Confissão de Fé). Em janeiro de 1933, Hitler chegou ao poder na Alemanha. Einstein, judeu e socialista, encontrava-se ameaçado. Foi avisado por amigos e aconselhado a emigrar. Passou 6 meses na Bélgica e partiu para os EUA, em outubro de 1933.
Em 1940, Eistein renunciou de novo à cidadania alemã, naturalizando-se como cidadão norte-americano e foi acompanhando a evolução dos acontecimentos na Alemanha e no mundo, assumindo funções na Universidade de Princeton (EUA).
Quando os EUA lançaram 2 bombas atómicas contra o Japão, no final da Segunda Guerra, Einstein ficou chocado. Na última etapa da sua vida, contribuiu para um novo e forte impulso do movimento pacifista e anti-imperialista, no plano internacional, com repercussões duradouras.
Em fevereiro de 1955, elaborou um Manifesto com Bertrand Russel – mais tarde subscrito por Max Born, Percy W. Bridgman, Leopold Infeld, Frederic Joliot-Curie, Herman J. Muller, Linus Pauling, Cecil F. Powell, Joseph Rotblat e Hideki Yukawa – que apelava à renúncia da força entre os dois blocos político-militares emergentes da Segunda Guerra Mundial.
Estes esforços contribuíram para o posterior surgimento de vários movimentos pacifistas e anti-nucleares, bem como para os sucessos diplomáticos que conduziram aos vários Tratados anti-nucleares.
Eisntein faleceu, no dia 18 de abril de 1955, em Princeton (EUA). No testamento, doou o seu espólio científico à Universidade Hebraica de Jerusalém. Além disso, insistiu para que nunca fosse erigido um monumento em sua memória. As suas cinzas foram dispersas em local desconhecido.

Veja mais em: http://www.alberteinstein.info/





Memórias: Alexandra Kollontai

13 03 2015

alexandra-kollontai-1_0

No dia 9 de março de 1952, faleceu, em Moscovo, Alexandra Kollontai: revolucionária, feminista e teórica do marxismo. Alexandra foi uma das mais destacadas dirigentes femininas da Revolução de Outubro de 1917. Por António José André.
De família abastada e aristocrática, cujo pai, Mikhail Domontovich, era um general czarista de origem ucraniana e a mãe uma finlandesa de origem camponesa, Alexandra Domontovich nasceu, no dia 31 de março de 1872, na Finlândia.
Alexandra estudou em colégios da elite, tendo passado a infância entre Petrogrado e a Finlândia. Em 1888, a família limitou-lhe o acesso aos estudos. Assim, após concluir o bacharelato, foi autodidata: estudou francês e literatura russa.
Em 1893, apesar da oposição dos pais, casou-se com Vladimir Mikhaylovich Kollontai, jovem oficial do Exército advindo duma família pobre e cujos pais foram expulsos das propriedades no Cáucaso pelas autoridades czaristas.
Em 1895, Alexandra Kollontai sentiu-se atraída pelo marxismo, participando num círculo literário que promovia inúmeras discussões políticas e num trabalho educacional como voluntária entre pobres da periferia da capital russa.
Em 1898, acabou-se o seu casamento com Vladimir Mikhaylovich Kollontai. Nesse ano, aderiu ao Partido Social Democrata Operário Russo (PSDOR) e partiu para a Suíça, a fim de estudar marxismo.
Na Universidade, Alexandra conheceu a obra de Karl Kautski e de Rosa de Luxemburgo. A partir de 1899, trabalhou na agitprop do PSDOR, escrevendo artigos e fazendo palestras que expunham as ideias políticas do partido.
Em 1900, foi para a Inglaterra, interessada em estudar o movimento operário daquele país. Após alguns meses, Alexandra regressou à Rússia, escrevendo inúmeros artigos e tornando-se uma destacada militante socialista.
Em 1905, Alexandra participou ativamente na Revolução, atuando no movimento de mulheres. Encontrou-se com Lenine, pela primeira vez, numa reunião clandestina, tornando-se amiga do dirigente bolchevique e de Nadezhda Krupskaia.
Nesse ano, encontrou-se com a dirigente Vera Zasulich, pedindo conselhos sobre como organizar o trabalho entre as operárias. Nesse inverno, deu palestras sobre o papel das mulheres na economia, a história das relações conjugais, etc.
Em 1907, durante o VII Congresso da II Internacional, Alexandra juntamente com Clara Zetkin, propôs a realização de campanhas a favor dos direitos das mulheres trabalhadoras e do estabelecimento do dia 8 de março, como dia internacional de luta das mulheres operárias.
Em 1908, organizou um clube de mulheres, sendo perseguida pela sua atividade política e despertando ódio por parte do aparelho repressivo devido à sua origem burguesa. Fugiu para o exterior onde ficou de dezembro de 1908 até março de 1917.
Durante esse período, Alexandra militou em defesa do socialismo e, particularmente, da luta das mulheres em vários países: Alemanha, Inglaterra, França, Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Bélgica e Estados Unidos.
Em 1917, Alexandra regressou à Rússia, após a revolução de fevereiro, participando ativamente na luta do Partido Bolchevique pela conquista do poder. Como delegada do Soviete de Petrogrado, editou o jornal “A Operária” e organizou o I Congresso das Mulheres Operárias da cidade.
Após a Revolução de Outubro, Alexandra foi Comissária do Povo (equivalente a ministro de Estado) do Bem Estar Social, participando ativamente da elaboração das novas leis do Estado soviético sobre os direitos da mulher, o casamento, a família, etc.
Nesse ano, casou-se com Pavel Dibenko, marinheiro e revolucionário de grande prestígio, que após a Revolução passou a exercer as funções no Comissariado do Povo para a Marinha. Esse segundo casamento durou cinco anos.
Em 1918, opondo-se ao Tratados de Paz com a Alemanha, Kollontai renunciou ao cargo no governo. Naquele ano, escreveu “O Comunismo e a Família” e organizou o I Congresso das Mulheres Operárias da Rússia, onde foi criado o Zhenutder (departamento de mulheres do Partido Comunista), presidido por Inesa.
Em 1920, depois de graves problemas de saúde de Inesa, Alexandra assumiu a direção do Zhenutder e do Secretariado Internacional das Mulheres da Internacional Comunista (III Internacional), organizando uma intensa campanha em defesa da mulheres.
Em 1922, Alexandra Kollontai integrou a Oposição Operária e foi destituída da direção do Departamento de Mulheres. Com a ascensão do estalinismo, depois da morte de Lenine, praticamente toda a velha guarda do Partido Bolchevique foi eliminada e grande parte das conquistas revolucionárias foram destruídas.
Alexandra Kollontai adaptou-se, dalgum modo, ao regime, tendo sido a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de embaixadora: na Suécia (de 1923 a 1925), no México (de 1926 a 1927), na Noruega (de 1926 a 1930) e. de novo,na Suécia (de 1930 a 1945).
– – – – – – – – – – – – – – – –
Obra: além de numerosos artigos de temática política, económica e feminista, destacamos as seguintes obras:
A Situação da Classe Operária na Finlândia (1903)
A Luta de Classes (1906)
Primeiro Almanaque Operário (1906)
Base Social da Questão Feminina (1908)
A Finlândia e o Socialismo (1907)
Quem Precisa da Guerra? (1915)
A Classe Operária e a Nova Moral (1918)
A Nova Mulher (1918)
A Moral Sexual (1921)
A Oposição Operária (1921)
– – – – – – – – – – – – – – –
Veja também:
https://www.marxists.org/archive/kollonta/





Memórias: Olof Palme foi assassinado há 29 anos

4 03 2015

olof_palme_1968_1

No dia 28 de fevereiro de 1986, o primeiro ministro sueco, Olof Palme, foi abatido pelas costas à saída dum cinema, no centro de Estocolmo. O crime chocou a Suécia e o mundo todo. Embora tenha havido várias teorias sobre o assassinato, a identidade do culpado permaneceu um mistério. Por António José André
Nesse dia, à saída do Grand Cinema, perto da meia-noite, o casal Palme foi atacado por um atirador solitário. Olof ficou ferido gravemente. Um segundo tiro feriu a senhora Palme de raspão. Olof acabaria por falecer às 00h06m, do dia 1 de março.
Olof Palme era uma personalidade política extremamente popular no seu país e no mundo. Como primeiro ministro, procurava viver uma vida tão comum quanto possível. Costumava sair sem guarda-costas. Na noite do assassinato, foi uma dessas ocasiões.
Após a graduação universitária, Olof viajou 3 meses pelos Estados Unidos. Mais tarde disse que o que ouvira e vira nos EUA influenciou os seus ideais politicos e sociais. De regresso à Suécia, tornou-se secretário do primeiro ministro sueco Tage Erlander.
Olof Palme foi considerado uma das grandes figuras da social-democracia escandinava: justiça social, igualdade e paz eram os seus ideais. Era um político enérgico e criativo, dedicando-se a temas como o socialismo, a paz e a solidariedade.
Olof Palme recusou-se ser manietado pela mentalidade estreita da Guerra Fria, assumindo uma posição decidida contra a Guerra do Vietname e lutando pela libertação dos povos oprimidos dos países do chamado Terceiro Mundo.
Em 1969, Olof Palme tornou-se primeiro ministro, liderando duas grandes reformas da constituição: a redução das duas câmaras do Parlamento para uma só; a remoção do ultimo dos poderes constitucionais da monarquia sueca
Entre 1970-1973, Olof Palme interessou-se diretamente pelas questões do mercado de trabalho, promovendo uma lei que aumentou a garantia do emprego. O empregador não poderia despedir facilmente um trabalhador.
Olof Palme foi um líder dínâmico do movimento trabalhista, sendo odiado pelas forças reacionárias. Opôs-se firmemente ao armamento nuclear e ao apartheid na África do Sul. Defendia o Exército de Libertação da Palestina e Cuba de Fidel Castro.





O QUE QUER A EUROPA

27 02 2015

1508-1

Na terça-feira, dia 3 de março, haverá uma sessão, no Café Santa Cruz, em Coimbra, às 21h30, cujo mote será “O que quer a Europa”/1 e contará com as presenças de Elies Soukiazis (Economista), José Soeiro (Sociólogo) e Manuel Portugal (Jornalista).
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
1/“O que quer a Europa” (Relógio D’Água – 2015) é um livro do filósofo esloveno Slavoj Žižek que inclui uma entrevista a Alexis Tsipras (atual primeiro ministro da Grécia), um debate entre este e Žižek sobre «O Papel da Esquerda Europeia» e uma abordagem de Žižek à questão da dívida.
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
Do prefácio de Alexis Tsipras: «E é aqui que reside a verdadeira mensagem dos protestos populares “irracionais” que se espalham por toda a Europa: os contestatários sabem muito bem o que não querem; não pretendem ter respostas fáceis e já prontas; mas o que o seu instinto lhes diz é, todavia, verdade: aqueles que estão no poder também não sabem. Na Europa, hoje, os guias dos cegos são outros cegos.» Slavoj Žižek «Declarou-se que este programa seria extremamente rápido e eficaz, e que a Grécia em breve “nasceria de novo” e regressaria à via do crescimento. Mas, três anos passados sobre a assinatura do “Memorando”, a situação vai de mal a pior. A economia afunda-se cada vez mais, e os impostos ficam evidentemente por recolher, pela simples razão de que os cidadãos gregos são incapazes de os pagar. A redução da despesa atingiu agora o fulcro da coesão social, criando as condições duma crise humanitária.»
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –





Memórias: Nat King Cole morreu há 50 anos

22 02 2015

index1

No dia 15 de fevereiro de 1965, morreu Nat King Cole, um dos mais importantes cantor e pianista de pop jazz do século XX. A sua voz e o seu estilo contribuíram para o tornar popular e influenciaram outros artistas, tais como Ray Charles e Oscar Peterson. Por António José André.

Nathaniel Adams Coles nasceu no dia 17 de março de 1919, em Montgomery (Alabama, EUA). Filho duma família pobre, mas apaixonada pela música, muito cedo aprendeu a tocar piano, apoiado pela mãe. Em 1923, a família mudou-se para Chicago.
Em 1931, já tocava órgão e cantava na igreja onde o pai pregava. Cole foi bastante influenciado por Earl Hines, o pianista mais famoso de Chicago. As suas primeiras gravações foram, em 1936, quando fazia parte da banda do irmão Eddie, contrabaixista. Nesse ano, mudou-se para Los Angeles.
Em 1937, formou The King Cole Trio com o guitarrista Oscar Moore e o baixista Wesley Prince, tornando-se músicos tornando-se residentes do clube Swanne Inn(Hollywood). O mais curioso é que esse grupo não tinha um baterista e o próprio conceito de trio de jazz foi praticamente estabelecido por este formato.
Em 1943, Cole gravou “Straighten Up And Fly Right”, o primeiro solo vocal com o seu trio, que se tornou num sucesso, a nível nacional. O sucesso foi aumentando e osa espetáculos com o seu trio foram reduzindo. Nesse ano, chegou ao topo do “rhythm & blue”, com duas músicas: “That Ain’t Right” e “All for You”.
Em 1946, lançou “(I Love You) For Sentimental Reasons”, que chegou ao topo da música pop. A canção “The Christmas Song” foi gravada com uma orquestra e tornou-se um clássico da época natalícia.
Cole rivalizava em sucesso com o seu contemporâneo Frank Sinatra, pois dezenas de músicas que caíram no gosto popular, algo extraordinário para um artista negro em pleno período de discriminação racial. Cole chegou a apresentar-se para públicos brancos e negros separadamente.
O cantor foi um dos primeiros negros a ter um programa semanal na rádio e, no princípio dos anos 50, já era internacionalmente famoso. Em 1956, começou a fazer um programa semanal na televisão norte-americana, mas acabou porque os patrocinadores não queriam os produtos associados a um homem negro.
Cole também participou nalguns filmes: “Cat Balou”, “Blue Gardenia” e “St Louis Blues” (1958) – ficção sobre a vida de W. C. Handy. Cole acumulou um grande número de sucessos, cantando também em espanhol e português. Nesta língua, ficou marcada a sua interpretação de “Não Tenho Lágrimas”, de Max Bulhões e Milton de Oliveira.
Pelo seu hábito de fumar diariamente três maços de cigarro, Cole acabou a sua carreira muito cedo, por causa dum cancro na garganta. Apesar de se ter tornado mundialmente famoso com o seu canto, foi no piano e com o seu trio que influenciou o mundo do Jazz.
Em 1991, a sua filha, a cantora Natalie Cole, lançou o álbum “Unforgettable With Love”, utilizando uma nova tecnologia que permitiu gravar duetos com o pai, usando velhos registos musicais. O álbum manteve-se em primeiro lugar nos tops durante 5 semanas, ganhando o Grammy de Melhor Álbum do Ano.





Memórias: Mcarthismo começou há 65 anos

14 02 2015

josephmccarthy1

No dia 9 de fevereiro de 1950, Joseph McCarthy, senador por Wisconsin, anunciou num discurso que tinha uma lista com nomes de mais de duzentos funcionários que eram “comunistas”. O “mcarthismo” teve um efeito aterrorizador para milhões de cidadãos. Por António José André.

Os meses precedentes mostraram-se penosos para a política de Guerra Fria dos Estados Unidos. Na China, tinha sido proclamada a vitória da Revolução comunista. Na URSS, tinha sido detonado um engenho atómico.

As acusações disparatadas de McCarthy proporcionaram uma explicação para o desastre da política externa norte-americana: os agentes subversivos comunistas estavam a trabalhar bem no governo, em Washington.

No auge da Guerra Fria, o discurso do senador McCarthy encontrou eco nacional e avivou os medos dos norte-americanos quanto à existência de agentes subversivos no Departamento de Estado..

Em poucos meses, instalou-se uma verdadeira paranóia, que desestabilizou os democratas no poder. Em 1952, após a eleição de Eisenhower, McCarthy presidiu ao Comité de Atividades Antiamericanas.

Em 1954, o poder de McCarthy ruiu, quando passou a atingir importantes personalidades militares. O Senado condenou publicamente o macarthismo, pondo fim a um dos períodos mais nefastos da história norte-americana.

O “mcarthismo” caracterizou-se por inúmeras perseguições – contra intelectuais e artistas sobre os quais pairasse qualquer suspeita de serem de esquerda –, por prisões de dirigentes sindicais e por processos de espionagem contra funcionários do Estado e cidadãos comuns, por depurações e pelas temerosas “listas negras”. A

lém do clima de medo, essa “caça às bruxas” levou inocentes à morte, como foi o conhecido caso Rosemberg.

Veja também: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_Negra_de_Hollywood





Memórias: Buster Keaton morreu há 49 anos

2 02 2015

image.php

No dia 1 de Fevereiro de 1966, faleceu Buster Keaton, rival profissional e amigo de Charlie Chaplin. Teve uma carreira espetacular, mas foi prejudicado por interferências da indústria cultural e do álcool. Por António José André.
Keaton nasceu, no dia 4 de outubro de 1896, numa caravana de circo, em Pickway (Kansas-EUA), povoação que foi literalmente apagada do mapa por causa dum ciclone.
Os seus familiares eram intérpretes de vaudeville de ascendência escocesa. A sua vida esteve ligada ao mundo do espetáculo, desde criança, participando nas representações dos seus pais, que trabalhavam com o famoso Houdini.
Aos 4 anos, estreou-se no mundo das variedades, iniciando uma carreira espetacular. Numa das representações, Keaton fez uma improvisação que levou Houdini a exclamar «What a bastard!». Por desvio da expressão «bust», Keaton passou a chamar-se Buster.
Aos 13 anos, Keaton fazia acrobacias com os seus padis, constituindo um grupo artístico chamado «Os três Keatons». Continuou a trabalhar no espetáculo familiar, até 1917, ano em que se dissolveu o número de vaudeville dos pais.
Keaton começou a carreira no teatro, onde se tornou famoso por cair e ser violentamente atacado sem sofrer dano algum. Com 21 anos entrou no mundo do cinema, com Mack Sennet, realizando uma série de cortos que o tornaram na primeira figura da Metro. O seu inexpressivo rosto deu-lhe fama.
Pouco tempo depois, encontrou-se com Roscoe Arbuckle (“Bucha”), que o convidou para trabalhar na sua companha, “La Comique Film”, cujas comédias passariam a ser supervisionadas e produzidas por Joseph Schenck.
Em 1917, apareceu no seu primeiro filme, “Bucha, Assassino”, entrando num armazém, quando os atores principais “Bucha” e Al St.John lançavam sacos de farinha, um dos quais bateu na cara de Keaton, fazendo-o cair no chão.
Participou nalguns filmes que se tornaram imortais: “O Navegante” (1924), “O Rei dos Cowboys” (1925), “O Maquinista da General” (1926), “O Cameraman” (1928), “O Herói do Rio” (1928), etc.
Com a chegada do cinema sonoro, iniciou-se a decadência de Keaton. “A Comparsa” (1929) foi o seu últrimo filme mudo. Foi despedido da MGM por alcoolismo, em meados dos anos 30. A partir daí, passou por diferentes companhias, realizando curtas metragens.
Trabalhou para os Irmãos Marx, como ator secundário em vários filmes, entre os quais “San Diego, I Love You” (1944), de Reginald LeBorg. No México, filmou “O Moderno Barba Azul” (1946), contracenando com Ángel Garaza.
Depois apareceu em papéis secundários e de menor categoria. Sofreu uma crise nervosa e foi hospitalizado durante um ano. Nos anos 50, a sua sorte profissional melhorou graças a aparições televisivas e teatrais
Reapareceu no filme “Luzes da Ribalta” (1952) com Charles Chaplin. Apareceu nalguns filmes, como “O Crepúsculo dos Deuses” (1950), “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1957), o filme biográfico “The Buster Keaton Story” (1957), em que Donald O’Connor encarnou Keaton.
A merecida homenagem e reconhecimento dos críticos em relação aos filmes realizados no seu glorioso período mudo, foram o prelúdio do Oscar honorífico que lhe foi outorgado pelos seus companheiros, em 1959.
Chegada a década de 60, Keaton teve tempo de intervir em filmes divertidos, como “Pajama Party” (1964), de Don Weiss, e “Escravo das Arábias em Roma” (1966) de Richard Lester, o último trabalho antes da sua morte.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=-ocwpU-Ph-0





Memórias: Primeira emissão televisiva há 89 anos

26 01 2015

FE_VI_inBetrieb_a

No dia 26 de janeiro de 1926, os membros da Royal Institution assistiram, em Londres, à primeira emissão de televisão da história. Isso foi há 89 anos Por António José André.
A sessão ocorreu no laboratório do inventor, engenheiro e empresário escocês John Logie Baird. Tratava-se duma pequena imagem animada de 30 linhas verticais (a preto e branco), que permitia distinguir claramente a silhueta duma personagem transmitida a partir dum emissor na sala vizinha.
A televisão de Baird foi o resultado duma longa cadeia de inovações. Tudo começou, em 1875, quando o norte-americano G.R.Carey sugeriu o emprego de selénio, material cuja resistência elétrica varia em função da iluminação, para a transmissão de imagens à distância.
Alguns anos mais tarde, em 1883, o alemão Paul Nipkow inventou e patenteou um disco giratório capaz de analisar imagens, o “telescópio elétrico”. John Logie Baird inspirou-se nesse invento para planear o seu dispositivo.
A expressão “televisão” apareceu antes da invenção de John Logie Baird, durante a Exposição Universal de Paris, em 1900.
Em 1923, o pesquisador norte-americano de origem russa Vladimir Zworykin inventou uma câmara eletrónica (o iconoscópio), origem da televisão eletrónica. Em 18 de novembro de 1929, quando trabalhava para a Westinghouse, Zworykin apresentou o primeiro receptor de televisão inteiramente eletrónico.
Mais tarde, concorrendo com Baird, o inventor norte-americano Charles Jenkins fez, em junho de 1925, uma demonstração pública de transmissão de imagens animadas de modo similar à base de disco giratório analisador de imagens.
Em julho de 1928, John L. Baird deu os primeiros ensaios da televisão a cores. As primeiras emissões regulares televisionadas, a partir do emissor de Daventry, chegaram mais tarde, em 30 de setembro de 1929, associadas à BBC.





Memórias: Revolta Espartaquista na Alemanha

5 01 2015

tumblr_nhpkvcrq9U1qap9gno1_500

No dia 5 de janeiro de 1919, uma grande manifestação de trabalhadores, em Berlim, tomou de assalto edifícios públicos e redações de jornais, percorrendo as ruas da cidade. Tendo começado espontaneamente, o levantamento recebeu o apoio dos comunistas alemães, ficando para a História como a Revolta Espartaquista. Por António José André.

A Liga Espartaquista (alusiva a Spartacus, líder da maior revolta de escravos da Antiga Roma) era uma facção dissidente da social-democracia alemã. Foi fundada, em 1915, por Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, Clara Zetkin e outro e já tinha desempenhado um papel importante na revolução alemã de 1918. Poucas semanas antes, transformou-se no Partido Comunista Alemão.

Os acontecimentos precipitaram-se a partir de dezembro de 1918, depois do derrube da monarquia. Uma contra-ofensiva do governo, presidido por Friedrich Ebert e Phillip Scheidemann, exonerou o chefe de polícia da capital, Emil Eichhorn, membro do Partido Social-Democrata Independente (USPD).

Friedrich Ebert e Phillip Scheidemann consideravam intoleráveis as manifestações permanentes das massas, em Berlim, acusando Emil Eichhorn de incapacidade para manter a ordem pública e de permitir que a polícia se transformasse numa instituição “quase revolucionária”.

Mas o chefe de polícia recusou obedecer às ordens do ministro do Interior, afirmando que a sua autoridade só podia ser questionada pelo conselho de operários e soldados de Berlim. A direção do USPD apoiou-o e resolveu resistir, convocando as massas para uma manifestação.

Os espartaquistas apoiavam a ação nas ruas, mas defendiam uma greve geral e que o exército fosse desarmado. Rosa Luxemburgo, principal teórica do comunismo alemão, apoiou a revolta, ressalvando que a greve deveria servir para medir forças, aguardando a reação do governo, e para avaliar a repercussão junto dos trabalhadores doutras regiões do país.

A manifestação de 5 de janeiro teve um sucesso surpreendente. A característica abertamente comunista dos acontecimentos fez com que o governo social-democrata de Ebert e Sheidemann (levado ao poder com a implantação da República de Weimar) reagisse truculentamente.

A milícia protofascista dos Freikorps (originalmente formada pelo empresariado alemão para defender a monarquia) foi enviada para esmagar a revolta. Sob o comando de Gustav Noske, também social-democrata, os paramilitares prenderam os líderes da revolta.

No dia 15 de janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo, Liebknecht e Wilhelm Pieck foram presos e levados para o Hotel Adlon, em Berlim, onde foram interrogados. Nesse dia, os paramilitares (que mais tarde apoiariam os nazis), levaram-nos do hotel. Nessa altura, Pieck consegue fugir. Rosa e Liebknecht levaram coronhadas na cabeça, foram colocados num carro e baleados na cabeça.

Somente em 1999, uma investigação do governo alemão concluiu que os paramilitares tinham recebido ordens e dinheiro dos governantes social-democratas para matar os líderes espartaquistas. Com o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, a Alemanha nazi celebrou o seu primeiro triunfo.





Memórias: A URSS foi fundada há 82 anos

30 12 2014

5_May_1919-Trotsky_Lenin_Kamenev

No dia 30 de dezembro de 1922, foi fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que reunia sete repúblicas: Rússia, Transcaucásia, Ucrânia, Bielorrússia, Uzbequistão, Turquemenistão e Tadiquistão. Por António José André.
A Rússia foi o primeiro Estado proletário do mundo. Esse regime foi estabelecido, após a queda da monarquia czarista, em março, e o derrube do governo provisório de Kerensky, em novembro de 1917 (outubro, pelo calendário russo da época).
Depois de assumir o poder, os bolcheviques instauraram um governo provisório para dirigir o país. O órgão mais importante do novo governo era o Conselho dos Comissários do Povo (SovNarKom), presidido por Vladimir Ilitch Lenin.
O governo revolucionário, tomou imediatamente diversas medidas destinadas a modificar totalmente a sociedade russa: reforma agrária e fim da propriedade privada da terra; extinção de todos os títulos de nobreza; desapropriação de indústrias, bancos e grandes estabelecimentos comerciais, que passaram para o Estado; nacionalização dos bancos e investimentos estrangeiros; criação do Exército Vermelho, com a finalidade de garantir a Revolução; instituição do Partido Comunista (antigo Partido Bolchevique); sistema de partido único instalou na Rússia a chamada “ditadura do proletariado”. Todos esses itens constaram da Constituição Provisória de 1918.
O novo regime enfrentou a forte oposição dos setores ligados ao antigo regime czarista. Militares, nobres, elementos da burguesia (industriais, banqueiros, comerciantes), começaram a atacar o novo regime, contando com o apoio militar doutros países (França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos).
Teve lugar uma prolongada guerra civil, que causou milhões de mortos, vítimas não apenas da guerra, mas principalmente da fome, pois a produção agrícola caiu assustadoramente e o sistema de abastecimento ficou totalmente desorganizado.
A guerra civil terminou, quando o Exército Vermelho, comandado por Trotski, derrotou os últimos contingentes contra-revolucionários e após a assinatura, em 1921, do Tratado de Riga,
Em fevereiro desse ano, o governo criou a Comissão Estatal do Planeamento Económico (Gosplan), com o objetivo de centralizar o planeamento e a execução da política económica.
Como a guerra civil tinha devastado o país e a fome atingia grande parte da população, o governo decidiu voltar a utilizar algumas formas de produção capitalistas: os agricultores podiam comercializar os produtos; os comerciantes podiam abrir pequenos estabelecimentos; pequenas fábricas podiam ser dirigidas por particulares; foram admitidas diferenças de salários; o capital estrangeiro podia ser investido no país. Essas medidas receberam o nome de Nova Política Econômica (NEP).
Em 1922, a Alemanha reconheceu a União Soviética (Tratado de Rapallo), sendo seguida pela maioria dos Estados ocidentais, com exceção dos Estados Unidos, que só fizeram o mesmo após dois anos.
Em julho de 1923, entrou em vigor uma nova Constituição, que estabeleceu como órgão de governo mais importante o Soviete Supremo, composto por delegados de todas as repúblicas, encarregados da escolha do Conselho Executivo.
Em 1924, foi adotada a constituição que se baseava teoricamente na ditadura do proletariado e era economicamente fundada na propriedade pública da terra e dos meios de produção de acordo com a proclamação revolucionária de outubro de 1917.





Memórias: Joe Strummer morreu há 12 anos

23 12 2014

joe_strummer_1

 No dia 22 de dezembro de 2002, faleceu Joe Strummer, co-fundador, vocalista, letrista e guitarrista dos Clash, mas também conhecido pela sua luta antirracista, antifascista e anticapitalista.
Em 1974, Joe Strummer criou a banda 101´ers (garage rock), que tocava nos pubs londrinos. Em 1976, formou os Clash com Mick Jones (guitarra e voz), Paul Simonon (baixo) e Topper Headon (bateria).
Em março de 1977, os Clash lançaram o primeiro single. Em agosto desse ano, lançaram o álbum “The Clash” – um marco na história do punk, tal como o primeiro álbum dos Ramones. O disco é energia do princípio ao fim, até na versão “Police and Thieves” – um clássico de Junior Marvin e Lee Perry.
Em Novembro de 1978, foi lançado o segundo disco dos Clash, “Give´em enough Rope”, bastante diferente do anterior. Joe Strummer e Mick Jones tinham estado na Jamaica. O novo disco foi mais produzido e refletia um verdadeiro retrato político-social da Europa.
Em dezembro de 1979, os Clash lançaram aquele que seria um dos clássicos do punk rock: “London Calling”. Em dezembro de 1980, lançaram o triplo álbum “Sandinista”, onde a banda abusa de experimentalismos e da tecnologia da época.
Em maio de 1982, os Clash lançaram o álbum “Combat Rock”. Novamente, diferente de tudo que já haviam feito. Apesar do sucesso comercial que a banda tinha, começaram os problemas internos.
Primeiro, foi a saída do baterista Topper Headon, imediatamente substituído por Terry Chimes, mas também não durou muito. Depois, Mick Jones deixou a banda para se dedicar a um novo projeto: os Big Audio Dynamite.
Mesmo assim, Joe Strummer não desistiu e contratou dois guitarristas e, em Novembro de 1984, saiu o álbum “Cut The Crap”. No início de 1986, Joe Strummer e Paul Simonon decidiram acabar com os Clash.
Em 1989, Strummer produziu algumas faixas e lançou o primeiro disco a solo, “Earthquake Weather”. Em 1990, substituiu Shane McGowan, vocalista dos Pogues. Em 1999, Joe Strummer e os Mescaleros lançaram o álbum, “Rock Art and the X Ray Style”. Em 2002, Strummer gravou o terceiro álbum com os Mescaleros, “Global A Go Go” – um tributo a Joey Ramone.

Muito mais haveria para falar sobre Joe Strummer, cujo desaparecimento comoveu o autor desta linhas, mas veja também o documentário “Viva Joe Strummer”: https://www.youtube.com/watch?v=nHy-ApqKP9Q

 





emórias: Há 70 anos nascia Chico Mendes

16 12 2014

chico_mendes_with_sandino_mendes_0

No dia 15 de dezembro de 1944, nasceu Chico Mendes: seringueiro, político e ativista ambientalista brasileiro. Há 70 anos nascia um homem à frente do seu tempo. Por António José André.
Em 1953, Chico Mendes entrou para a profissão de seringueiro: era sua única opção, já que lhe foi negada a oportunidade de estudar. Até 1970, os donos dos seringais não permitiam a existência de escolas. Chico Mendes só aprendeu a ler aos 20 anos de idade.
Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e moradores da Amazónia, tornou-se líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, as suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros.
Em 1975, fundou o movimento sindical no Acre. Participando ativamente nas lutas dos seringueiros, criou o Conselho Nacional de Seringueiros, uma organização não-governamental para a defesa das condições de vida e de trabalho das comunidades que dependem da floresta.
Chico Mendes também lutou pela posse da terra contra os grandes proprietários, algo impossível de se pensar na região amazónica e naquela época. Dessa forma, entrou em conflito com os donos das madeireiras, dos seringais e das fazendas de gado.
Em 1977, participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governou o país desde 1964 a 1985
Naquela época, Chico Mendes sofreu as primeiras ameaças de morte, por parte dos fazendeiros. Ao mesmo tempo, começou a enfrentar vários problemas com o seu próprio partido: o MDB não era solidário com as suas ideias e lutas.
Em 1979, o vereador Chico Mendes encheu a Câmara Municipal com debates entre dirigentes sindicais, populares e religiosos. Lembre-se: era no tempo da ditadura militar. Foi acusado de subversão e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o facto ou seria morto.
Em 1980, decidiu ajudar à criação do Partido dos Trabalhadores, tornando-se seu dirigente no Acre. Em 1982, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar à violência, mas foi absolvido por falta de provas.
Em 1985, quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, a luta dos seringueiros ganhava repercussão nacional e internacional. Nessa ocasião, propôs a criação da “União dos Povos da Floresta” para unir os interesses dos índios e seringueiros em defesa da floresta amazónica. O seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, bem como a garantia da reforma agrária para beneficiar os seringueiros.
Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de membros da UNEP (órgão do meio ambiente ligado à ONU), em Xapuri. Ali, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais.
A seguir, Chico Mendes foi convidado para fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado da viagem a Washington foi imediato: um mês depois, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos.
Chico Mendes foi acusado pelos fazendeiros e políticos de prejudicar o “progresso do Estado do Acre”. Em contrapartida, recebeu vários prémios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas com mais destaque na defesa da ecologia.
Chico Mendes realizaria alguns dos seus sonhos, ao assistir à criação das primeiras reservas extractivistas, no Acre, e ao conseguir a desapropriação do Seringal Cachoeira de Darly Silva, em Xapuri.
Foi quando as ameaças de morte se tornaram mais frequentes: Chico Mendes denunciou o facto às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Mas nada conseguiu.
Pouco mais de um ano após a sua ida ao Senado norte-americano, Chico Mendes foi assassinado à porta da sua casa. Em 1990, o fazendeiro Darly Silva e o seu filho, Darci Pereira, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão pela morte de Chico Mendes.





10 DEZ: novo livro de Cesário Borga

8 12 2014

th_72414cb6a57e756d13984d10339137c1_1414851472K_9789896575670

Quarta-feira, dia 10 de dezembro, haverá uma sessão pública, no Café Santa Cruz, às 21:30h, onde será apresentado o livro “Ethel – Amanhã em Lisboa”.

Esta sessão contará com as intervenções de Cesário Borga (Autor do Livro e Jornalista) e Ana Peixinho (Docente da FLUC). A moderação será feita por José Dias.

“Ethel – Amanhã em Lisboa” (Planeta Editora) é uma história de amor entre uma jovem judia e um traficante de volfrâmio, passada durante a II Guerra Mundial.

Depois do sucesso de «O Agente da Catalunha», romance de Cesário Borga, que foi correspondente da RTP, em Espanha (1998-2005), chega agora o segundo romance do conceituado jornalista, que confirma o surgimento de um novo autor de ficção. Leia o resto deste artigo »





Memórias: Francis Picabia faleceu há 61 anos

3 12 2014

images

No dia 30 de novembro de 1953, faleceu Francis-Marie Martinez Picabia: pintor e poeta vanguardista.
Francis Picabia nasceu, a 22 de janeiro de 1879, em Paris e era duma família aristocrática. Em 1890, estudou na Escola de Belas Artes e na Escola das Artes Decorativas, em Paris.
Em 1894, começou a sua carreira no âmbito do impressionismo e do fauvismo, influenciado por Picasso e Sisley, produzindo obras que lhe proporcionaram um certo êxito comercial.
O seu temperamento inquieto e subversivo levou-o a procurar outros caminhos, entrando na órbitra do cubismo e produzindo obras com elementos simbólicos e títulos sem relação com o tema.
Entre 1909 e 1911, foi membro do grupo “Puteaux” e conheceu os irmãos Duchamp: Marcel, Suzanne e Raymond. Em 1913, foi aos E.U.A. onde contactou com o fotógrafo Alfred Stieglitz e o grupo dadaísta norte-americano.
Depois conheceu o grupo dadaísta de Zurique, ficando encantado com o dadaísmo. Em 1917, publicou o primeiro número da sua revista dadaísta “391”, contando com as colaborações de Apollinaire, Tristan Tzara, Man Ray e Arp.
A este período corresponde o seu estilo “maquinista” por se centrar na representação de máquinas. A partir de 1919, frequentou o grupo surrealista de Paris. Em 1924, realizou uma cenografia para o filme “Entr’acte”, de René Clair.
Em 1925, estabeleceu-se na Costa Azul, onde desenvolveu um novo estilo definido como dos monstros e das transparências. Depois regressou a Paris e criou com André Breton a revista “491”.
Veja também: http://www.picabia.com/FP_WEB/FR/accueil.awp