Memórias: António Aleixo

14 11 2018

Hoje na história: no dia 16 de novembro de 1949, morreu António Aleixo. Foi um poeta popular português. Famoso pela sua ironia e pela crítica social, é recordado por ter sido simples, humilde e ter deixado uma obra poética singular. Por António José André.
António Aleixo nasceu a 18 de fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António. Começou a frequentar a Escola Primária, em 1907. Revelou o seu talento de improvisador, quando tinha dez anos de idade.
Entre 1912 e 1919, António Aleixo foi aprendiz de tecelão e pastor de rebanhos. Entre 1919 e 1921, esteve no serviço militar. Em 1924, alistou-se na polícia. Entre 1928 e 1930, esteve em França e foi servente de pedreiro.
António Aleixo regressou a Portugal. Entre 1931 e 1933, foi vendedor de gravatas, cauteleiro e cantor nas feiras portuguesas, atividades que lhe renderia a alcunha de “poeta-cauteleiro”.
Em 1943, António Aleixo foi internado no Sanatório dos Covões (Coimbra), por causa duma tuberculose. Em Coimbra, conheceu novos amigos, que reconheceram o seu talento: Armando Gonçalves e Miguel Torga.
António Aleixo faleceu, no dia 16 de novembro de 1949, com 65 anos, em Loulé, após uma vida recheada de pobreza, mudanças de emprego, emigração e tragédias familiares e doenças,
Famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo é recordado por ter sido simples, humilde e por ter deixado como legado uma obra poética singular.
António Aleixo deixou a seguinte obra escrita: “Quando Começou a Cantar”, «Este livro que vos deixo», «O Auto do Curandeiro», «O Auto da Vida e da Morte», «O Auto do Ti Jaquim» e «Inéditos».
Em sua homenagem, foi construído um monumento, em Loulé, em frente ao “Café Calcinha”. O antigo Liceu de Portimão passou a chamar-se Esc. Secundária Poeta António Aleixo. Existe a «Fundação António Aleixo», que atribui bolsas de estudo aos mais carenciados.

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Memórias: Eugène Pottier

7 11 2018

No dia 6 de novembro de 1887, morreu Eugène Pottier. Foi um poeta, desenhador, operário e militante socialista francês. Escreveu o texto daquela que é uma das canções mais conhecidas no mundo: “A Internacional”. Por António José André.
Eugène Pottier nasceu a 4 de outubro de 1816, em Paris. Era filho de uma família pobre. Começou a trabalhar aos 13 anos, embalando caixões, em Lille. Aos 14 anos escreveu a sua primeira poesia: “Viva a Liberdade!”
Esteve presente nos diferentes acontecimentos do movimento operário europeu do século XIX. Pottier fundou a Câmara Sindical de Desenhadores. e filiou-se na Primeira Internacional.
Em 1871, Pottier foi eleito por unanimidade para o Conselho da Comuna de Paris. Lutou nas barricadas em defesa da Comuna. Após a derrota destes movimento revolucionário, refugiou-se na Inglaterra e, depois, nos EUA.
Durante o seu exílio e assumindo a condição de imigrante, Eugène Pottier escreveu o poema “Operários dos EUA e Operários de França”, no qual refletia sobre a vida dos trabalhadores sob o jugo do sistema capitalista.
Estava convencido que os trabalhadores de todas as latitudes, para além das fronteiras nacionais, tinham as eismas necessidades e o mesmo interesse de lutar para tornar possível a revolução proletária mundial.
Em 1880, quando o governo francês concedeu uma amnistía geral, Pottier regressou a Paris. Participou na fundação do Partido Operário Francês e escreveu para o jornal “O Socialista”, com Paul Lafargue.
Eugène Pottier manteve a sua atividade política e literária até à morte, no dia 8 de novembro de 1887. O cortejo fúnebre foi acompanhado por cerca de 10 mil pessoas, que empunhavam bandeiras vermelhas
Os restos mortais de Eugène Pottier estão no cemitério de Peré Lachaise, onde também estão enterrados os revolucionários, que foram fuzilados após a derrota da Comuna de París.
Eugene Pottier escrevera, em junho de 1871, o texto daquela que é uma das canções mais conhecidas no mundo: “A Internacional”. Infelizmente, morreu antes dela ser transformada em música, por Pierre Degeyter. Em 1889, foi cantada, pela primeira vez, no Congreso da Segunda Internacional.





Memórias: Carlos Lamarca

24 10 2018

Hoje na história: no dia 23 de outubro de 1937, nasceu Carlos Lamarca. Foi um militar brasileiro e um dos dirigentes da luta armada contra a ditadura militar instaurada, em 1964. Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos. Por António José André.
Carlos Lamarca nasceu, no Rio de Janeiro, a 23 de outubro de 1937. Era filho de um carpinteiro. Fez o Ensino Secundário num Colégio de padres e, depois, entrou na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre.
Em 1955, Lamarca foi transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (Rio de Janeiro). Em 1960, chegou a aspirante a oficial. Depois foi colocado no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna (S.P.).
Lamarca foi enviado para as Forças de Paz da ONU, na Palestina. Essa experiência marcou-o quanto às injustiças sociais. Ao chegar ao Brasil, foi colocado na Polícia do Exército (Porto Alegre), quando ocorreu o golpe militar de 1964.
Em 1965, Lamarca voltou para Quitaúna. Em 1967, foi promovido a capitão. Entretanto, fez contactos com grupos de esquerda que defendiam a luta armada para derrubar a ditadura, instalada com o golpe de 1964
Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou o quartel de Quitaúna (S.P.), com 63 espingardas, algumas metralhadoras e muitas munições para se juntar à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Quando deixou Quitaúna, separou-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba na véspera da sua deserção.
Lamarca tornou-se um dos mais ativos militantes da luta armada contra o regime militar. Viveu clandestinamente 10 meses, em São Paulo, antes de seguir para o Vale da Ribeira com 16 militantes para começarem o treino de guerrilha.
Em maio de 1970, o Vale da Ribeira foi cercado por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu escapar. Nessa operação, foram presos quatro guerrilheiros.
Lamarca participou em diversas ações, como assaltos a bancos, e comandou o rapto do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro. Depois, fugiu para a Baía.
Lamarca voltou para São Paulo, planeando e comandando ações armadas. Ficou 2 anos e 8 meses na clandestinidade. Em 1971, saiu da VPR e passou a fazer parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Em junho de 1971, Lamarca foi para o sertão da Baia com a missão de estabelecer uma base do MR-8. Em agosto desse ano, com a prisão de um militante em Salvador, que conhecia o seu paradeiro, começou o cerco à região, por parte das forças integrantes da “Operação Pajuçara”,
Depois de um tiroteio entre essas forças e Zequinha, que acompanhava Lamarca já adoentado, os dois iniciaram uma fuga, percorrendo cerca de 300 quilómetros, em 20 dias. Em 17 de setembro de 1971, Lamarca e Zequinha foram fuzilados, em Ipupiara (Baia).
Essa operação foi uma das mais violentas, sobretudo em Buritis, onde houve torturas e assassinatos na praça pública e diante da população.
Em 2007, a Comissão de Amnistia do Ministério da Justiça concedeu a patente de coronel do Exército a Carlos Lamarca e o estatuto de perseguidos políticos à sua esposa, Maria Pavan Lamarca, e aos dois filhos. Em 2010, acatando uma ação do Clube Militar, a juíza Cláudia Maria Pereira Bastos Neiva suspendeu a decisão da Comissão de Amnistia.
Carlos Lamarca tinha 34 anos, quando morreu. “Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos





Memórias: Lucky Dube

18 10 2018

No dia 18 de outubro de 2007, morreu Lucky Dube. Foi um músico sul-africano e ativista anti-apartheid, tendo sido o artista da África do Sul que mais vendeu discos na história do Reggae. Por António José André.
Lucky Dube nasceu, em Ermelo (Mpumalanga), no dia 3 de agosto de 1964. Os pais separaram-se antes do seu nascimento. Juntamente com os seus dois irmãos, passou grande parte da infância com a avó.
Na infância, Dube trabalhou como jardineiro, mas percebeu que não ganhava o suficiente para alimentar a família e começou a frequentar a Escola. Ali juntou-se a um coro e formou a sua primeira banda “The Band Air Route”.
Enquanto estudava, Dube descobriu o movimento Rastafari. Aos 18 anos, criou a banda “Love Brothers”, que tocava música Pop. Depois dum quinto álbum, os trabalhos posteriores foram gravados como Lucky Dube.
Lucky Dube gravou 22 álbuns em zulu, inglês e africâner durante cerca de vinte e cinco anos de carreira e foi o artista sul-africano que mais vendeu discos na história do Reggae.
Lucky Dube ficou conhecido pelas suas canções sobre os enormes problemas africanos tendo sido um dos grandes críticos do regime do Apartheid. Um dos seus álbuns foi banido pelo governo segregacionista.
No dia 18 de outubro de 2007, Lucky Dube foi morto num pequeno bairro de Johanesburgo. Os relatórios da polícia sugeriram que Dube foi morto por carjackers. Este crime chocou a África do Sul.
Pode escutar aqui “Together as One”, um dos hinos contra o Apartheid:





Memórias: Emily Davison

11 10 2018

No dia 11 de outurbro de 1872, nasceu Emily Davison. Foi uma militante inglesa que defendeu, lutou e morreu pelos direitos das mulheres. Por António José André.
Emily Davison nasceu, no dia 11 de Outubro de 1872, em Blackheath (sudeste de Londres). Filha de Margaret Davison e Charles Davison, tinha duas irmãs, um irmão e muitos meio-irmãos.
Teve um bom desempenho na Escola e ganhou uma bolsa para estudar Literatura no Holloway College. Emily Davison foi obrigada a interromper os estudos devido à morte do pai e às dificuldades da mãe, que não podia pagar as taxas mensais.
Apesar das dificuldades e com esforço, Emily Davison preparou-se e foi professora, em Edgbaston e Worthing, o que lhe permitiu ter dinheiro para voltar a estudar. Depois, obteve o Bacharel, no colégio St. Hugh’s pertencente à Universidade de Oxford e deu aulas, em Berkshire.
Em 1906, Emily Davison filiou-se na Women’s Social and Political Union, movimento fundado por Emmeline Pankhurst com o lema “Ações, Não Palavras”. Em 1908, abandonou o seu emprego como professora para se dedicar a tempo inteiro na luta pelos direitos das mulheres.
Emily Davison foi detida e presa várias vezes. Uma vez, por atacar um homem que confundiu com o ministro da Fazenda, David Lloyd George. Noutra ocasião, fez greve de fome, na prisão de Strangeways. Na prisão de Holloway, atirou-se duma escada e sofreu danos na coluna vertebral.
No dia 4 de junho de 1913, durante a Corrida de Cavalos de Epsom, onde se reunia a alta sociedade britânica e milhares de espetadores, Emily Davison atravessou a cerca e manifestou-se. Mas foi pisada cavalo do rei Jorge V.
Emily Davison faleceu, no dia 5 de junho de 1913, no hospital “Casa Epsom”, devido a uma fratura no crânio e lesões internas. A sua família insistiu na apuração das causas do acidente, mas nada foi conclusivo.
A luta das mulheres inglesas continuou… Em 1918, as mulheres com mais de 30 anos obtiveram o direito ao voto. Ironia das ironias…





Memórias: Mercedes Sosa

4 10 2018

No dia 4 de outubro de 2009, morreu Mercedes Sosa. Foi uma cantora argentina. das grandes expoentes do movimento conhecido como “Nueva Canción”. Ficou conhecida como a voz das/dos “sem voz”. Por António José André.
Mercedes Sosa nasceu a 9 de julho de 1935, em San Miguel de Tucumán (noroeste da Argentina). Desde pequena, gostava de expressões artísticas populares. Mais tarde, gostava de bailar e ensinar danças folclóricas.
Quando tinha 15 anos, ganhou um concurso promovido pela rádio da sua cidade, apresentando-se com o pseudónimo de Gladys Osório. Foi o início de uma carreira dedicada à música folclórica argentina e latino-americana.
Em 1965, Mercedes Sosa foi a revelação do Festival Nacional de Folclore de Cósquin. Em 1967, realizou a sua primeira tournée pelos Estados Unidos e Europa. No início dos anos 70, gravou “Cantata sudamericana” e “Mujeres argentinas”, dois álbuns que a confirmaram como grande artista.
As obras desse período evidenciaram a sua rebeldia para com os tradicionalismos e a sua relação inorgânica de trinta anos com o Partido Comunista Argentino.
Essa relação custar-lhe-ia a perseguição da extrema direita, do governo Juan Perón e a censura das canções nos meios de comunicação durante a ditadura militar argentina
Em 1979, durante um concerto na cidade de La Plata, foi presa juntamente com o público. A partir daí começou o exílio que a levou a Paris e Madrid. Em 1982, regressou à Argentina, quando os militares deixaram o poder.
Nesse ano, realizou também uma sequência de apresentações, que foram compiladas num disco histórico: “En Vivo en Argentina”. Desde então, foi uma figura de relevância internacional e gravou canções com os melhores músicos do seu tempo.
Mecedes Sosa ficou conhecida como a voz das/dos “sem voz”. Tornou-se uma das grandes expoentes do movimento “Nueva Canción”, que propunha uma evolução da música folclórica com a integração de outras vertentes populares.
Escutemos esta bela canção:





Memórias: Wangari Maathai

26 09 2018

No dia 25 de setembro de 2011, morreu Wangari Maathai. Foi uma professora, bióloga e ativista queniana. Lutou para melhorar a vida das mulheres e pela defesa do meio ambiente. Foi a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel da Paz. Por António José André.
Wangari Maathai nasceu no dia 1 de abril de 1940, na vila de Ihithe (distrito de Nyeri), então colônia britânica. Em 1956, concluíu a Escola Primária e entrou na Loreto High School, em Limuru (Quénia).
Em 1959, findou o ensino secundário. Em 1969, recebeu uma bolsa da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. e foi estudar para os Estados Unidos. Em 1964, obteve o bacharelato em Biologia, no Mount St Scholastica College, em Atchison (Kansas).
Em 1966, Maathai obteve o título de Mestre em Ciências, na Universidade de Pittsburgh. Posteriormente, foi trabalhar como pesquisadora em Medicina Veterinária na Alemanha: em Munique e Giessen.
Depois, regressou ao Quénia. Em 1971, Maathai doutorou-se em Medicina Veterinária na Universidade de Nairobi. Depois, foi professora e responsável do Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi.
Maathai manteve a sua atividade profissional a par da preocupação pelas condições extremas de pobreza em que viviam milhares de mulheres quenianas. Desde 1976, foi ativista no Conselho Nacional de Mulheres do Quénia. Vindo a presidi-lo, entre 1981 e 1987.
Sob o lema “não podemos ficar sentadas a ver como morrem de fome os nossos filhos”, promoveu a criação do “Green Belt Movement” com o objetivo de plantar árvores para impedir a erosão dos solos, fornecer sombras e criar uma fonte de abastecimento de madeira para melhorar as condições de vida das populações.
Esse projeto era destinado e protagonizado maioritariamente por mulheres. Em 1986, o seu ãmbito ampliou-se a mais de trinta países africanos. Até hoje, o movimento plantou mais de 15 milhões de árvores e gerou rendimento para 80 mil pessoas
O ativismo político de Maathai contra o regime ditatorial de Daniel Arap Moi, fez com que manifestase vontade de se candidatar à presidência do Quénia, mas desistiu. Em 2002, foi eleita deputada no Parlamento do Quénia.
Em 2003, foi nomeada Ministra do Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem. Em 2004, Maathai fundou o Partido Verde do Quénia. Em 2004, recebeu o Prémio Nobel da Paz, sendo a primeira mulher africana a receber esse prémio. Em 2005, foi eleita Presidente do Conselho Económico, Social e Cultural da UA (União Africana).





Memórias: Paulo Freire

19 09 2018

No dia 19 de setembro de 1921, nasceu Paulo Freire. Foi um pedagogo e filófoso brasileiro. Influenciou o movimento chamado “Pedagogia Crítica” e destacou-se na área da educação popular, voltada para a escolarização e para a formação da consciência política. Por António José André.
Paulo Frreire nasceu, no dia 19 de setembro de 1921, em Recife (Pernambuco). Aprendeu a ler e a escrever com os pais no quintal da casa onde nascera. Em 1929, mudou-se com a família para Jaboatão.
Em 1933, Paulo Freire perdeu o pai e os estudos foram adiados. Em 1943, entrou na Faculdade de Direito do Recife onde se licenciou. Depois, doutorou-se em Filosofia da Educação na mesma universidade.
As suas primeiras atividades profissionais foram o ensino da língua portuguesa e a alfabetização de pessoas pobres. Na década 60, destacou-se por desenvolver um método de alfabetização de adultos/as que dispensava o uso das cartilhas tradicionais.
O método “Paulo Freire” consistia em procurar palavras e temas significativos da vida do/a aluno/a, mostrando o seu significado social de modo a superar a visão acrítica do mundo e ter uma postura conscientizada.
Em 45 dias, Paulo Freire alfabetizou 300 trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte. Esses excelentes resultados fizeram com que o método fosse incluído no Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart.
Após o golpe militar de 1964, Paulo Freire esteve preso durante 70 dias. Depois teve que se exilar na Bolívia e no Chile, onde desenvolveu atividades educativas e humanitárias, além de escrever algumas obras.
Em 1968, Paulo Freire escreveu a sua obra mais célebre: “Pedagogia do Oprimido”. Até 1980, foi desenvolvendo atividades relacionadas com a alfabetização em Genebra e em países africanos de língua portuguesa
Em 1980, Paulo Freire regressou ao Brasil. Filiou-se no Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, tendo sido supervisor do programa do PT para a Alfabetização de Adultos.
Paulo Freire publicou, entre outros, o seguintes livros: “Educação como prática da Liberdade”, “Cartas à Guiné-Bissau. Registos de uma Experiência em Processo”, “Educação e Mudança” e “Pedagogia de Autonomia”.
Paulo Freire destacou-se pelo seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política. Faleceu, no dia 2 de maio de 1997, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.





Memórias: José Orozco

13 09 2018

No dia 7 de setembro de 1949, morreu José Clemente Orozco. Foi um pintor mexicano, que se destacou no Muralismo juntamente com Diego Rivera e Alfaro Siqueiros. Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. Por António José André.
José Clemente Orozco nasceu, no dia 23 de novembro de 1883, em Zapotlán (México). Aos dois anos mudou-se com a famíla para Guadalajara. Aos cinco anos, foi para a Cidade de México.
Em 1890, Orozco entrou na Escola Primaria anexa à Escola Normal de Professores. À noite, tinha aulas de desenho na Academia de Belas Artes de S. Carlos. Em 1897, a familia enviou-o para a Escola Agrícola de S. Jacinto
Orozco deixou a Escola Agricola para estudiar Arquitetura, mas a sua obsessão pela pintura, fê-lo entrar na Academia de Belas Artes, onde esteve de 1906 a 1910.
Em 1916, Orozco fez a sua primeira exposição na livraria Biblos da Cidade do México. Em 1917, viajou pelos Estados Unidos, tendo morado em San Francisco e Nova Iorque, vivendo da pintura de cartazes.
Em 1922, Orozco juntou-se a Diego Rivera e Alafaro Siqueiros no Sindicato dos Pintores. Em 1926, por encomenda da Secretaria da Educação, pintou em Orizaba, o mural “Reconstrução” no edificio que hoje é Palácio Municipal.
Em 1927, Orozco voltou para Nova Yorque, onde pintou uma série de óleos – “Queensboro Bridge”, “Winter” e “The Subway” – demostrando o caráter desumanizado da grande cidade.
Em 1934, Orozco regressou ao México. Produziu “Katharsis”, no Palácio de Belas Artes. É a representação sangrenta do conflito entre o homem moderno e o mundo caótico e mecanizado que o rodeia e o oprime.
Em 194, produziu dois murais no Corte Suprema do México com 4 motivos. Em 2 deles, critica e satiriza a prática da justiça. Num outro, refere-se às riquezas naturais do país sob proteção da bandeira e do jaguar, símbolos nacionais. O último tema, relaciona-se com os movimentos sociais operários.
Entre 1941 e 1944, Orozco dedicou-se à pintura de cavalete e a uma outra grande obra mural na abóbada e nas paredes do coro da igreja de Jesus Nazareno.
Até 1946, Orozco integrou com Rivera e Siqueiros a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Nesse ano, recebeu o Prémio Nacional de Belas Artes.
No ano seguinte, Orozco encarregou-se da pintura do teto da Câmara Legislativa de Guadalajara. O tema relacionava-se com o decreto que se promulgou naquele lugar abolindo a escravatura.
José Orozco interessou-se pelos valores universais e não insistiu nos valores nacionais. O seu estilo era de um realismo expressionista ligado às velhas tradições artísticas mexicanas e com um intenso dinamismo.





Memórias: Edward Palmer Thompson

29 08 2018

No dia 28 de agosto de 1993, morreu Edward Palmer Thompson. Foi um historiador marxista, escritor e militante socialista inglês. É considerado um dos maiores historiadores do século XX. Por António José André.
E.P. Thompson nasceu em Oxford, no dia 3 de fevereiro de 1924. Estudou História na Universidade de Cambridge, mas interrompeu o curso e alistou-se no exército para lutar contra o nazismo durante a IIª Guerra Mundial.
Enquanto estudava história, tornou-se militante do Partido Comunista da Grã-Bretanha (PCGB). Thompson licenciou-se, em 1946. Depois, alistou-se como voluntário numa brigada de solidariedade para com a Jugoslávia.
No partido, Thompson criou um grupo de historiadores, em 1946, ao qual pertenceram Eric Hobsbawm, Christhopher Hill, Doroty Thompson, entre outros. A militância nesse grupo foi fundamental para a sua formação.
Em 1948, Thompson foi contratado pela Universidade de Leeds para dar aulas noturnas a trabalhadores. Essa experiência foi fundamental para escrever a sua obra “A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa”.
Em 1956, Thompson e cerca de sete mil membros romperam com o PCGB. Nesse ano, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética revelou os crimes de Estaline e a URSS invadiu a Hungria.
Os dissidentes do PCGB constituíram o núcleo do movimento político “Nova Esquerda” e fundaram a revista “New Reasoner Review”. Desse grupo faziam parte vários intelectuais marxistas: Raymond Willians, John Saville, Doroty Thompson, Ralph Miliband…
Em 1959, a “New Reasoner Review” fundiu-se com a “Universities and Left Review” (da qual fazia parte o jovem Perry Anderson) para criar a revista “New Left Review”, instrumento de debate teórico e político na Inglaterra e uma das principais revistas de orientação marxista no mundo.
Na década 80, Edward P. Thompson participou em diversas campanhas políticas, sobretudo como militante do movimento pacifista antinuclear.
Thompson lecionou em diversas Universidades: Warwich e Manchester (Inglaterra); Pittsburg, Rutgers, Brown e Dartmoth College (EUA); Queen’s de Kingston (Canadá). Morreu, no dia 28 de agosto de 1993, em Worcester.
Thompson deixou uma vasta obra onde abordou histórias do Trabalho e da Cultura. As suas preocupações eram avessas ao dogmatismo. A sua trajetória intelectual esteve ligada à trajetória da sua militância política.





Memórias: René Magritte

14 08 2018

No dia 15 agosto de 1967, morreu René Magritte. Foi um pintor surrealista belga, que deixou uma extensa obra artística. Foi influenciado por Breton, Ducjhamp, Miró, Dali e Chirico, mas mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia. Por António José André.
René Magritte nasceu em Lessines (sul da Bélgica), no dia 21 de novembro de 1898. A família tinha baixos recursos: o pai era alfaiate; a mãe era chapeleira. Magritte e os seus dois irmãos mudaram frequentemente de casa. A mãe suicidou-se, quando Magritte era adolescente.
Em 1910, René Magritte começou a estudar pintura em Châtelet. Prosseguiu os estudos, em Charleroi, quando tinha 15 anos. Nessa altura, eram evidentes as influências que teve de Fântomas, das viagens de Robert Louis Stevenson e da literatura de Edgar Allan Poe.
Em 1916, Magritte entrou na Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde permaneceu dois anos. As suas primeiras obras foram cubistas e depois futuristas. Enquanto estudava, andava em tertúlias e discussões políticas nos cafés de Bruxelas, conhecendo alguns pintores e poetas
Em 1920, Magritte realizou a sua primeira exposição profissional no Centro de Artes de Bruxelas. Em 1926, assinou contrato com a Galeria “Centaure” e pode dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Nesse ano, inspirado na obra de Chirico, apresentou a sua primeira obra surrealista, “O Jóquei Perdido”.
Em 1927, mudou-se para Paris, entrando em contato com o movimento de vanguarda liderado por André Breton. Em 1928, produziu “Os Amantes” no qual os rostos estão cobertos por panos. Nesse ano, produziu “O Falso Espelho” no qual o olho humano reflete um céu com nuvens.
Em 1930, Magritte regressou a Bruxelas aprofundando a sua técnica e rejeitando a suposta espontaneidade do automatismo surreal. São dessa época as obras: “O Retrato” (1938) e “O Tempo Trespassado” (1939).
Apesar de ter produzido um grande número de obras, Magritte começou a ser reconhecido na década de 60. Tendo sido influenciado por Breton, Duchamp, Miró, Dali e Chirico, mostrou a sua irreverência, subvertendo a realidade a partir das coisas simples do dia-a-dia.





Memórias: Ciclismo – Glória e tragédia de Ottavio Bottecchia

3 08 2018

Nesta época do ano, em que muitas Voltas se dão, muitas competições se organizam e o ciclismo continua a ser uma modalidade popular, recordamos Ottavio Bottecchia com este belo texto de Marcos Pereda.

A senhora Bottecchia dá à luz pela oitava vez. Imaginamo-la cansada, certamente envelhecida de forma prematura. Oito filhos são muitos, embora na última década do século XIX essa quantidade não fosse rara. Mas é fácil dizer isto estando de fora, claro. O seu oitavo filho. Está esgotada, não quer pensar: põe Ottavio, de nome. E ficou Ottavio Bottecchia.

A fome ficou marcada no rosto do menino. As maçãs do rosto afundadas, a pele pálida, a testa clara, com rugas que o sol põe, quando estás exposto o dia inteiro. E o nariz, o nariz geométrico, o apêndice que te intimida, te observa, te estuda. O nariz lendário de Bottecchia do qual até Dino Buzzati acabará por falar. Nada menos.

Estamos no começo do século XX e os Bottecchia têm que se mudar. Abandonam a pequena povoação de Friul, muito perto de Treviso, e viajam para a Alemanha, terra prometida, à procura de um pedaço de pão para dar às suas crianças. Ali, em terras alemãs, Ottavio começa a trabalhar. De pedreiro. Trabalho duro, descarnado, ingrato. Os seus músculos endurecem, o seu caráter torna-se taciturno, concentrado. É um rapaz. É um operário. Em seguida, muito pouco depois, será um soldado.

Começa a Primera Guerra Mundial e Ottavio, que tinha voltado com a sua famíia para Itália, é chamado para as fileiras. O mesmo país que fez emigrar a sua família pela falta de oportunidades reclama agora o seu sangue para se defender da terra que os acolheu e alimentou durante anos. Ottavio vai, claro, para o Exército Real Italiano e alí é rapidamente incorporado na divisão dos Bersaglieri.

A dos ciclistas-soldados que acabam por se converter em lenda nas suas máquinas “Bianchi”, as mesmas que têm no guiador uma peça semelhante às usadas agora nas provas de contrarrelógio e que, naquela altura, servia para apoiar a espingarda. Aos Bersaglieri queria pertencer, mais do que nenhuma outra coisa na vida, o personagem pintoresco e trágico, Enrico Toti. Mas essa foi, seguramente, outra história…

O caso é que, inclusivamente entre todos aqueles ciclistas-soldados, se destaca Ottavio Bottecchia pela sua força, pela velocidade que era capaz de alcançar em longuíssimas distâncias pedalando sem mostrar fadiga. E, por isso, o seu destino não é outro senão o de transportar mensagens entre as línhas de defesas italianas. Por outras palavras, um dos exercicios mais arriscados que se possa imaginar.

Pelo menos, em duas ocasiões, Ottavio entra em batalha e ao que parece mostra-se confiante e tranquilo, fazendo gala de enorme sangue frio e pontaria certeira. Sai dessas emboscadas ileso e com uma medalha de prata do Ejército Italiano, pelo seu valor. Mas continua na guerra. Antes do final da Guerra terá sofrido um ataque com gás mostarda e sofreu de malária. Ah! E as suas pernas estão mais fortes que nunca, tanto que, assinado o Tratado de Versalhes, Bottecchia toma uma decisão: ser ciclista profissional.

Não será fácil. Viajará até França para trabalhar, de novo, como pedreiro, e competir nalgumas pequenas corridas. Ali, entre os seus companheiros de trabalho, vão sendo forjados sentimentos políticos no jovem Ottavio. Porque Bottecchia era socialista. Tinha aprendido a ler graças aos panfletos socialistas que os seus colegas lhe deixavam – naquela união tão curiosa entre o desporto e a política da qual falará mais tarde Gramsci, em sentido contrário, quando conta que na prisão os presos políticos do fascismo mantinham o contacto com o exterior graças à leitura da “Gazzetta dello Sport” e as glórias dos ciclistas italianos – e o seu sentimento proletário encarna-se profundamente. Não será, claro, a última vez que falamos das ideias de Ottavio…

Na bicicleta, o jovem Bottecchia demonstra rapidamente as suas qualidades: tenacidade, fortaleza, capacidade extrema de sofrimento. E uma qualidade de escalador como, dizem, nunca dantes vista. O treino na Frente Italiana parece ter dado os seus frutos. A sua estrela cada vez brilha mais e a ninguém surpreende que seja selecionado pela equipa Automoto-Hutchinson, uma das mais potentes da época, para correr na Volta à França de 1923.

Aquela corrida é completamente dominada pelo principiante e só a sua disciplina o afasta da vitória, que vai parar ao chefe de equipa, Henri Pelissier. Quando o francés ordena a Bottecchia que o espere em qualquer etapa, o italiano obedece sem problemas, parando e deixando passar minutos enquanto limpa com esmero a bicicleta, tirando a lama, engraixando os travões… Todos estão conscientes que foi o melhor, mas termina em segundo lugar, em París. No ano seguinte fará ainda melhor.

Henry e Charles Pelissier mantêm, desde há tempos, um conflito azedo com Desgrange, o criador e diretor da Volta, que não gosta de modos toscos, dos costumes escandalosos dos irmãos. A situação torna-se irremediável quando Desgrange descobre Henri a atirar uma camisola de lã ao chão, algo completamente proibido. Desqualificação, discussão, insultos… Os Pelissier ficam fora da Volta e nesse mesmo día concederam uma entrevista a Albert Londrés cujo título é já símbolo do ciclismo: “Os Forçados da Rota”…

A consequência desportiva deste facto é que Bottecchia tem caminho livre para se impor na carreira e fá-lo-á com uma superioridade abismal sobre os outros, deixando algumas histórias que se recordam sempre, como quando na etapa “Casse Desserte” sai da bicicleta para percorrer os últimos metros a pé, cantando a plenos pulmões canções militares transalpinas. Dias depois será o primeiro italiano a impor-se, em París. Glória para a nova estrela.

Menos no seu país de origem, claro, onde as suas ideias de esquerda casam pouco com as novas políticas que o Duce está a impor. Que falem, que falem de Bottecchia, mas só como desportista. Nada de dar voz às suas pretensiões políticas. Nada de o converter em líder, em símbolo, para certos grupos. Nada disso. Um ciclista e só um ciclista. E veremos o que fazer com ele…

No ano seguinte, Bottecchia ganha a segunda Volta à França vestindo a camisola amarela, desde o primeiro dia. É, dizem, o mais sólido ciclista que existiu. Em 1926, vê-se condenado a abandonar metade da etapa “Bayona-Luchon”, que percorre a tetralogía pireneica, a do Círculo da Morte, sob um nevão asgardiano que passou para a história como a jornada mais dura de sempre da Volta. Um dia de tantos retalhos, de tantas peças, de tantos homens duros que nem penedos a chorar desconsolados nas bermas… Picado pelo seu amor própio, incapaz de dar uma só pedalada mais, Bottecchia promete voltar no ano seguinte para se vingar e vencer pela terceira vez, em Paris. Nunca o poderá tentar tentar.

“Meu maior temor é que as minhas ideias tragam alguma desgraça à minha família”, disse uma vez Ottavio. Em maio de 1927, os seus piores presságios parecem tornar-se reais quando o seu irmão Giovanni, também ciclista, é empurrado por um carro que se põe em fuga, enquanto treina. Giovanni cai no chão, magoado. Ottavia cala e continua a preparar-se. Planeia mudar-se para França por causa da Volta. Volta que nunca chegará a correr.

São nove da manhã de três de junho de 1927, e um agricultor caminha hesitante. Viu algo estranho apoiado no muro das suas terras. Um fardo, um corpo humano. É um ciclista. As feridas são tremendas e quase não lhe permitem reconhecer Ottavio Bottecchia, o grande Ottavio. Levam-no para o hospital de Gemona, mas não há nada a fazer. Falece uns días depois.

Abre-se uma investigação. O que se passou com o ídolo? A conclusão é vaga: uma queda provocou os golpes e, por extensão, a sua morte. Mas não escapa a ninguém que essa explicação é insustentável: a bicicleta estava a vários metros de Bottecchia e apresentava apenas pequenos estragos. Não, não foi um acidente. Todos murmuram. Foram eles, os fascistas. Foram eles que o seguiram, lhe deram uma tareia, o deixaram moribundo. Eles. A ele. Ao vermelho. Tudo é silêncio naqueles gritos desgarrados. Itália gemerá sem que ninguém a escute durante décadas.

Muitos anos depois, um sacerdote recebe a última confissão de um agricultor moribundo. Foi ele, diz, que matou o ciclista há tanto tempo. Foi ele, que o fez porque lhe estava a roubar umas uvas das suas terras. Apanhou uma pedra e golpeou-o. Não queria fazê-lo, foi un acidente. Fui eu. E expira. E o sacerdote conta à imprensa. Caso encerrado, o de Botecchia. Foi um cúmulo de desgraças.

Sem política, sem vinganças. Só que… só que em junho não há uvas para roubar e não te matam por causa delas. E o sacerdote em questão tinha sido um fervoroso fascista durante o Regime. E que, em definitivo, nada estava explicado sobre tudo o que se podia explicar. Porque, ainda hoje, não sabemos como morreu o homem que, quase certamente, mataram por causa das suas ideas. Fica a sua recordação, os seus gestos. Fica, também, o seu mistério.

Marcos Pereda é um escritor, jornalista e professor universitário.

Tradução: António José André

Nota: Ottavio Bottecchia nasceu no dia 1 de agosto de 1894.

Artigo publicado em http://ctxt.es/es/20160127/Deportes/3894/Ottavio-Bottecchia-ciclismo-Italia-I-Guerra-Mundial-bersaglieri-Tour-de-Francia-fascismo-Mussolini.htm





Memórias: George Rodger

27 07 2018

 

  Foto de George Rodger com a família em 1990.

No dia 24 de julho de 1995, morreu George Rodger. Foi um fotógrafo britânico, cujo trabalho teve grande projeção. Foi um dos fundadores da agência “Magnum Photos”. Por António José André.
George Rodger nasceu no dia 19 de março de 1908, em Hale (Grã-Bretanha). Era um fotógrafo autodidata que pretendia ser escritor, sentindo necessidade de retratar o mundo tal como era.
Depois de concluir os estudos, Rodger alistou-se na marinha mercante britânica com a intenção de viajar. Nessa altura, começou a escrever sobre viagens e comprou uma câmara de bolso Kodak para ilustrar as histórias.
Em 1929, já tinha dado a volta ao mundo 3 vezes, mas não tinha encontrado alguém interessado em publicar as suas histórias. Depois de um período difícil nos EUA, trabalhou como fotógrafo para a revista “The Listener”.
Mais tarde, Rodger colaborou com a “Black Star Agency, publicando fotografias na “Tattler”, “Sketch”, “Bystander” e “Illustrated London News”. As suas fotografias chamaram a atenção dos responsáveis da revista “Life”.
Com o começo da Segunda Guerra Mundial, tornou-se correspondente de guerra da revista americana “Life”. Entre 1939 e 1945, visitou mais de 60 países, fazendo a cobertura de 18 combates e campanhas de guerra.
Os trabalhos mais importantes de Rodger foram: os bombardeamentos de Londres, a libertação de Burma, a batalha de Monte Cassino, a libertação de Paris e a libertação do Campo de Concentração de Bergen-Belsen.
Rodger foi um dos primeiros fotógrafos a entrar no Campo de Concentração de Bergen-Belsen. As fotos que tirou aos sobreviventes e a montes de cadáveres foram publicadas nas revistas “Time” e “Life”.
Essas fotos acabaram por ser uma das maiores provas do que acontecia nos campos de concentração da Alemanha nazi. Essa experiência marcou-o muito e Roger abandonou a carreira de fotógrafo de guerra.
Então resolveu explorar o mundo, indo para desertos, florestas e várias partes do mundo. O seu trabalho de documentação de pessoas de África e do Médio Oriente ilustraram várias revistas e livros do mundo.
Em 1947, Rodger juntou-se a Robert Capa, Cartier-Bresson e David Seymour para criar a agência “Magnum Photos”, onde foi Vice-Presidente. Até à década de 80, fez mais de quinze viagens a África.
As suas reportagens a cores do Sahara, dos tuaregues e da vida animal, foram publicadas pela revista “National Geographic”. O seu trabalho teve grande projeção. George Rodger morreu, no dia 24 de juho de 1995.





Memórias: Langston Hughes

23 05 2018

No dia 22 de maio de 1967, morreu Langston Hughes. Foi um poeta, novelista, dramaturgo, colunista e ativista social norte-americano. Foi um dos líderes do movimento modernista “Harlem Renaissance”. Por António José André.
Hughes nasceu dia 1 Fevereiro de 1902, no Missouri. Passou a infância com a avó materna, no Kansas. Viveu algum tempo com o pai, no México, deixando-o por causa do desprezo pela raça. Viajou por mar e trabalhou em França e Itália. Depois, apareceu na cena literária de Harlem, publicando nas revistas “Crisis” e “Oportunity” (de 1921 a 1925).
Langston Hughes foi o mais famoso do movimento modernista “Harlem Renaissance”, que contou com muitos outros autores: Claude McKay, Jean Toomer, Zora Neale Hurston… Esse movimento também lançou as carreiras musicais de Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan…
“The negro Artist and the Racial Mountain” (1926) converteu-se no Manifesto desse movimento. Em 1935, pôs em cena o drama “Mulato”, violenta acusação contra o sistema racial do Sul, centrado num personagem alienado, tanto no mundo dos negros, como no dos brancos.
A experiência da Guerra civil espanhola, que presenciou em 1937, como correspondente na frente republicana, inspirou-lhe vibrantes poesías levando-o a um compromisso político com posições claramente de esquerda, pasando a fser perseguido durante o macartismo.
Hughes foi um dos maiores expoentes da “Harlem Renaissance”, sendo o principal representante da cultura afro-americana e um dos mais brilhantes poetas. A sua escrita e as suas intervenções públicas tiveram como objetivo o progresso social e civil da população afro-americana dos Estados Unidos.
O seu trabalho viria a influenciar outros autores: Léon Damas, Léopold Senghor e Aimé Césaire… Langston Hughes foi um dos escritores que mais influenciaram a poesia contemporânea africana de língua inglesa, em particular, a da África do Sul.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=B3PmUcJbFAo





Memórias: Halldór Laxness

16 02 2018

No dia 8 de fevereiro de 1998, morreu Halldór Laxness. Foi um escritor islandês. Tendo sido controverso pelas suas posturas radicais, foi uma figura dominante na literatura islandesa, ao longo do século XX. Por António José André.
Laxness nasceu, no dia 23 de abril de 1902, como Halldór Kiljan GudJonsson, mas adotou como seu apelido o nome de um bairro da periferia de Reiquiavique, cidade onde nasceu.
Aos 14 anos, Laxness escreveu o seu primeiro artigo, publicado no jornal “Morgunblaðið”. Aos 19 anos, publicou o seu primeiro conto no mesmo jornal. Durante a sua juventude, Laxness viajou bastante e residiu fora da Islândia.
Nos vários países da Europa continental onde viveu, sentiu-se influenciado pelo surrealismo e pelo expresionismo alemão. A sua posterior estadia nos Estados Unidos, fê-lo deixar a fé católica, tornando-se ateu.
O socialismo foi o prisma através do qual Laxness observou o mundo durante os anos trinta e quarenta, tendo sido defensor da União Soviética, até à invasão da Hungría, em 1956.
Laxness foi duramente atacado pela sociedade conservadora. Mas os jovens islandeses víam nele alguém capaz de dar novos valores à sociedade..Tendo sido controverso pelas suas posturas radicais, Laxness foi uma figura dominante na literatura islandesa, ao longo do século XX.
Durante a sua vida, Laxness escreveu 51 romances, poesia, artigos de jornal, livros de viagens, peças de teatro, contos e outras obras. Em 1955, ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
A sua obra, traduzida em mais de 45 línguas, tem grande sucesso em todo o mundo. Em Portugal, foram editadas pela Cavalo de Ferro: “Os peixes também sabem cantar”, “Gente Independente” e “O Sino da Islândia”.





Memórias: Coretta Scott King

6 02 2018

No dia 30 de janeiro de 2006, morreu Coretta Scott King. Foi uma escritora, cantora e ativista norte-americana. Defendendo a igualdade e a justiça, lutou pelos direitos dos negros e das mulheres. Defendendo a paz, foi contra a Guerra do Vietname e a invasão do Iraque. Por António José André.
Coretta Scott nasceu no dia 27 de abril de 1927, em Marion (Alabama). Frequentou o ensino básico, em Lincoln (localidade a seis quilómetros da sua), tendo que fazer o percurso a pé, pois o sistema de segregação racial não lhe permitia andar no autocarro uitilzado pelos estudantes brancos.
A partir de 1945, Coretta Scott entrou para um colégio, em Antioquia (Ohio), onde também sofreu injustiças raciais. Decidida e segura de que poderia competir com as pessoas “de diferentes origens raciais, étnicas ou culturais”, especializou-se como professora do Ensino Primário.
Com grande talento musical, Coretta Scott tocava trompete, piano e violino. Também cantava num coro e deu o primeiro concerto, na Segunda Igreja Batista, em Springfield (Ohio). Em 1951, matriculou-se no Conservatório de Nova Inglaterra, em Boston. Em 1954, licenciou-se em música.
Conheceu Martin Luther King Jr. (estudante de Teologia), em Boston. Ambos partilhavam os ideias de justiça e liberdade. Casaram-se, em 1953. Mudaram-se para Montgomery (Alabama), em 1954. Luther King passou a ser ministro da Igreja Baptista e era reconhecido como lider dos direitos civis.
Coretta Scott King participou ativamente na organização das marchas e protestos cívicos. Deu “Concertos de Liberdade”, cantando, lendo poesia e dando palestras sobre a história dos direitos civis. Estes concertos serviam para angariar fundos para a Southern Christian Leadership Conference (organização fundada por Luther King, em 1957).
No dia 4 de abril de 1968, Luther King foi assassinado, em Memphis (Tennesse). Quatro dias depois, Coretta Scott King e os filhos voltaram a Memphis para liderar uma Marcha, que tinha sido planeada por Luther King.
Em junho de 1968, Coretta discursou na Campanha dos Pobres, em Washington DC. Nesse ano, fundou o Centro King, entidade para auxiliar e promover a igualdade racial. Em maio de 1969, liderou uma manifestação de trabalhadores hospitalares, em Charleston (Carolina do Sul).
Coretta Scott King, além de lutar pela igualdade racial, participou no movimento contra a Guerra do Vietname. Ela tornou-se ativa no movimento das mulheres e apoiou o movimento em defesa dos direitos LGBT. Defendendo a paz mundial, manifestou-se contra a invasão do Iraque.





Memórias: Patrice Lumumba

24 01 2018

No dia 17 de janeiro de 1961, morreu Patrice Lumumba. Foi um dirigente políico congolês, que defendia a unidade e a luta dos povos africanos contra o colonialismo e o imperialismo. Por António José André.
Lumumba nasceu, dia 2 de julho de 1925, em Onalua (região de Sankuru), quando o seu país estava sob o domínio colonial belga. Depois de receber uma educação familiar, frequentou uma escola de missionários católicos e uma escola protestante.
Em 1943, após concluir os estudos básicos, Lumumba saiu da sua terra natal e começou um novo percurso de vida: foi empregado na companhia Symaf (Syndicat Minier Africain) e no serviço de correios.
Em 1958, depois de ter sido eleito presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores Congoleses, Lumumba fundou o MNC (Movimento Nacional Congolês): primeiro partido político africano/congolês.
Nesse ano, participou na I Conferência dos Povos Africanos, onde se encontrou com outros dirigentes africanos: Sekou Touré (Guiné Conakry), Julius Nyerere (Tanzânia), Tom Mboia (Quénia), e Kwame Nkruma (Gana).
Inspirado pelos ideais do pan-africanismo, Lumumba assumiu uma militância anticolonial, defendendo a unidade nacional entre as diferentes etnias do Congo e a libertação do domínio belga.
Lumumba centrou a sua ação política na unidade nacional. Essa postura valeu-lhe o ódio dos colonialistas que queriam derrubá-lo, instigando a rivalidade entre etnias, mediante suborno, promessas e intimidações.
Em 1959, Lumumba participou, em Bruxelas, na fase final das negociações para a independência do então Congo Belga, onde foram assinados os protocolos sobre a transição para um governo congolês.
No dia 30 de junho de 1960, quando foi proclamada a independência do Comgo (depois Zaire e, atualmente, República Democrática do Congo), Patrice Lumumba tomou posse como Primeiro-Ministro.
Defendendo um país independente e unitário, Lumumba foi considerado demasiado próximo da União Soviética. A decisão de eliminá-lo foi atribuída à CIA e ao governo belga, contando com a colaboração do general Mobutu.
No dia 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi morto sob tortura. Numa carta deixada à sua mulher, Pauline Opangu, dizia: “A minha fé é inquebrável. Sei e sinto no fundo de mim que, cedo ou tarde, o país libertar-se-á de todos os inimigos internos e externos e levantar-se-á para dizer não ao vergonhoso e degradante colonialismo”. O assassinato de Patrice Lumumba, transformou-o num símbolo da luta anticolonialista africana.





Memórias: Andrei Tarkovski

28 12 2017

No dia 28 de dezembro de 1986, faleceu Andrei Tarkovski. Foi um realizador de cinema russo. Era conhecido no estrangeiro como o realizador soviético menos ortodoxo. Após a sua morte e depois da queda do regime, passou a ser um ícone para várias gerações.. Por António José André.
Tarkovski nasceu, no dia 4 de abril 1932. Os pais viviam numa vila na região do Volga. O seu pai era o poeta Arseni Tarkovsky e a suamãe uma atriz. A mãe criou-o sózinha, porque o pai os deixara, quando ele cinco cinco anos.
Quando se mudaram para Moscovo, foi estudar na Escola de Zamoskvorechye, onde conheceu o poeta Andrei Voznesensky. Tarkovski estudou música e pintura, evidenciando uma veia artística.
Tarkovski formou-se em Geologia, mas abandonou a profissão por amor ao Cinema. Entrou para a Escola Soviética de Cinema (VGIK), onde teve como tutor o realizador Mijail Romm.
O seu primeiro filme foi «A Infância de Ivan» (1962). O filme seguinte «Andrei Rublev» (1966) foi considerado uma obra-prima. Tarkovsky abordara a vida dum grande pintor, mostrando o silêncio que se mantinha na União Soviética.
Depois fez duas obras-primas, «Solaris» (1972) e «Stalker» (1979). Sem grandes recursos materiais e tecnológicos, estes filmes foram um conributo para a ficção.do século XX. O seu último filme foi, “Sacrificio” (1986).
Tarkovsky era um existencialista. Queria conhecer a fundo a consciência humana. Um dia afrimou que “através do Cinema era necessário apontar os problemas mais complexos do mundo”.
Tarkovski era conhecido no estrangeiro como o realizador “soviético” menos ortodoxo, No entanto, os seus filmes tinham uma distriuiição mínima no seu país. Em 1984, Tarkovsky exilou-se em Itália. Após a sua morte e depois da queda do regime, passou a ser um ícone para várias gerações.

 





Hoje na História: Independência da Finlândia

5 12 2017

No dia 6 de dezembro de 1917, a Finlândia tornou-se independente, após oito séculos dominada por vários países. Hoje é uma referência em qualidade de vida e tecnologia. A Finlândia emancipou-se da Rússia. proclamando a sua independência, no dia 6 de dezembro de 1917, e aproveitando as desordens provocadas pela Iª Guerra Mundial e pela Revolução Russa.
No dia 6 de dezembro, é celebrada a independência da Finlândia, duramente conquistada. No dia 28 de fevereiro, celebra-se a identidade finlandesa: – aniversário da publicação de “Kalevala” (epopeia nacional da Finlândia, escrita por Elias Lönnrot).
A Finlândia (em finlandês: ‘‘Suomi’’ ou ‘‘País dos Mil Lagos’’) foi inicialmente povoada por lapões e depois por nómadas estonianos e húngaros. Estes údeixaram um idioma bastante particular do grupo linguístico fino-úgrico, próximo do mongol e do turco.
Em 1157, os suecos ocuparam o território. Em 1809, a Suécia cedeu a Finlândia ao czar Alexandre I, após o Tratado de Hamina, tornando-se um grão-ducado dos czares russos..





Hoje na história: Karlheinz Stockhausen

4 12 2017

Hoje na história: no dia 5 de dezembro de 2007, morreu Karlheinz Stockhausen. Foi um compositor alemão de música contemporânea e colega de Pierre Boulez.
Stockhausen. é considerado um dos maiores compositores do final do século XX. Foi responsável por grandiosos trabalhos artísticos. As suas obras revolucionaram a percepção de ritmo, melodia e harmonia.
Das suas obras destacam-se: “Helikopter-Streichquartettum” – quarteto de cordas com helicópteros e “Licht”” – ópera baseada em textos sânscritos e budistas que tem suas partes distribuídas pelos dias da semana.
Visite também: http://www.stockhausen.org/





Hoje na história: Sócrates – o futebolista

2 12 2017

No dia 4 de dezembro de 2011, morreu Sócrates Sampaio de Oliveira (mais conhecido como Sócrates, Doutor Sócrates ou Magrão). Foi um futebolista, médico e ativista brasileiro. Tabagista inveterado e alcoólatra, faleceu devido a uma cirrose hepática.
Como futebolista, Sócrates foi considerado como um dos maiores futebolistas do Brasil e, segundo a FIFA. um dos maiores do mundo. Notabilizou-se também pela sua militância política, particularmente nos anos 1980, quando liderou um movimento pela democratização do futebol e participou do movimento “Diretas, Já”!





Hoje na história: Christa Wolf

30 11 2017

No dia 1 de dezenbro de 2011, faleceu Christa Wolf. Foi uma escritora, ensaísta e crítica literária alemã. Era provavelmente a mais importante ficionista da extinta República Democrática da Alemanha (RDA).
A sua obra foi marcada, desde cedo, por uma procura de autenticidade pessoal num mundo que sacrificava o indivíduo às abstrações coletivas, espelhando as utopias e desilusões de uma geração que viveu sob o nazismo e o “socialismo real”.
Comprometida políticamente, Wolf foi uma ativista contra o regime nazi como retrata o livro “Mostra da Infância”. Em “O Céu Dividido” (1963) faz reflexões sobre a divisão da Alemanha. Tambiém abordou a temática feminista em “Cassandra” (1983).
Durante décadas, Wolf foi militante do Partido Socialista Unificado da Alemanha, ainda que nem sempre tde acordo com as decisões políticas tomadas na RDA. De facto, juntou-se aos protestos doutros intelectuais contra a expulsão da RDA Alemania do cantor e poeta Wolf Biermann.





Hoje na história: Concedida licença para construir o Canal de Suez.

29 11 2017

No dia 30 de novembro de 1854, o rei egípcio Said Pascha assinou a licença para a construção de um canal entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho: o Canal de Suez.  Pascha concedeu ao engenheiro francês Ferdinand Marie de Lesseps a autorização para explorar o Canal durante 99 anos. Lesseps concretizou um anseio que existia, desde o Antigo Egito.
Os romanos tiveram essa ideia; quando invadiram a região, construíndo canais que ligaram o sul até ao delta do Nilo. Sem o canal, as mercadorias teriam de ser transportadas por terra entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Antes de Lesseps, engenheiros e cientistas planearam uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram por causa dum erro de cálculo de uma equipa encarregada por Napoleão, em 1800.
Convencido que os níveis dos dois mares eram os mesmos, Lesseps convenceu o rei Said Pascha da viabilidade do seu projeto, após ter passado um mês na corte real para conseguir a permissão da obra. O primeiro passo foi criar a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal durante 99 anos.
No dia 25 de abril de 1859, foi iniciada a obra. Com um alto custo, esse foi o maior projeto da navegação marítima mundial. O canal foi construído com 171 quilmetros de comprimento, tendo larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros.
No dia 17 de novembro de 1869, foi aberto à navegação marítima o caminho que aproximava a Europa da Ásia. Cerca de 1,5 milhão de egípcios participaram na sua construção e cerca de 125 mil morreram. Mas o canal começou logo a ser motivo de disputas políticas. No final dos trabalhos, o Egito e a França eram seus proprietários.
No entanto, a dívida externa do Egito obrigou-o a vender parte do canal ao Reino Unido, que garantia assim a rota para as Índias. Portanto, em 1875, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses. O caminho marítimo diminuía em 10 mil quilômetros a distância até as colónias na Ásia. França, Inglaterra e Egito decidiram manter a neutralidade desta área.
Mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelitas no Canal do Suez. Posteriormente, em guerras da região, o canal foi várias vezes bombardeado e chegou a ser fechado, em 1967. Passados oito anos, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir aquele caminho.

 

 





Hoje na história: Mario Monicelli

28 11 2017

No dia 29 de novembro de 2010, faleceu Mario Monicelli. Foi um importante argumentista e diretor de cinema italiano. Entre os seus filmes mais conhecidos, estão: “Boccaccio” (1962), “Casanova” (1965), “O pequeno burguês” (1977). Mais recentemente, fez: “Um Outro Mundo é Possível” (2001) e “Cartas da Palestina” (2002). O seu último filme foi: “As Rosas do Deserto” (2006).
Diversos outros filmes merecem destaque, na sua longa carreira, onde trabalhou com os maiores atores da Itália: Totò, Vittorio De Sica, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Monica Vitti, Enrico Montesano, Giancarlo Giannini, Giuliano Gemma, Gian Maria Volonté…





Hoje na história: Erico Veríssimo

27 11 2017

No dia 28 de novembro de 1975, faleceu Erico Verissimo. Foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX. Natural do Rio Grande do Sul, o autor costumava colocar o Estado nos contos, crônicas e romances que escrevia. Diferentemente de outros escritores, Erico Veríssimo não utilizava uma linguagem caracterizada pelo regionalismo.
A sua obra mais importante de Veríssimo é “O Tempo e o Vento”, uma trilogia histórica que chegou a ser adaptada para a televisão. “Incidente em Antares” e “Olhai os Lírios do Campo” também receberam versões televisivas. O filho de Érico, Luis Fernando Veríssimo seguiu a carreira do pai e se estabeleceu como escri





Memórias: El Lissitzky

25 11 2017

No dia 23 de novembro de 1890, nasceu El Lissitzky. Foi um arquiteto, designer, fotógrafo, pintor e tipógrafo russo. Lissitzky foi uma figura relevante da vanguarda russa. Influenciado por Malevich e pelo construtivismo, produziu uma série de obras chamadas “PROUN” (“Projeto para a Afirmação do Novo”) e foi autor de inúmeras mostras de arte e trabalhos de propaganda da União Soviética. Por António José André.
Lissitzky (cujo verdadeiro nome era Lazar Morduchovitch) nasceu, no dia 23 de novembro de 1890, em Polchinok. Interessado desde cedo pelo desenho, matriculou-se no Instituto Técnico de Damstard, em 1909. Regressou à Rússia, em 1914, por causa do início da I Guerra Mundial.
Em 1915, entrou para o Instituto Politécnico de Riga e terminou os estudos como Engenheiro-Arquiteto. Começou a lecionar com 15 anos, atividade que manteve ao longo da vida.
Com a revolução de 1917, Lissitzky entrou nos movimentos vanguardistas do seu país, colaborando na decoração das rua de Moscovo. Em 1919, conheceu Malevich e tornou-se suprematista.
Em 1919, Lissitzky foi convidado por Chagal (juntamente com Malevich) para fazer parte da Academia de Arte Livre de Vitebsk, onde ensinou arquitetura e artes gráficas.  Nesse ano, Lissitzky fez o seu primeiro quadro “PROUN” (palavra formada pelas iniciais de “Projeto para a Afirmação do Novo”, em russo) e aderiu ao grupo Unovis.
Nos quadros “PROUN”, combinou elementos suprematistas e construtivistas para unir arte e arquitectura em harmonia com os modernos meios tecnológicos.
Lissitzky ficou responsável para fazer a ponte entre a vanguarda russa e o resto da Europa ocidental. Em 1920, passou a ser membro do Inkhuk (Instituto de Cultura Artística de Moscovo).
Em 1921, associou-se ao grupo construtivista, através da sua amizade com Tatlin (professor no Laboratório Estatal Superior de Arte e Técnica). Em 1922, organizou uma Exposição na Galería Van Diemen, em Berlím.
Nos anos 20, o papel de Lissitzkyfoi fundamental para propagar a nova arte russa na Europa, através de viagens, textos e organização de exposições, tendo exercido uma importante influência sobre los artistas da Bauhaus.
Lissitzky fundou com Ladovski o grupo ASNOVA (1923-1925), tentando aplicar os princípios do construtivismo na arquitetura. De 1922 a 1928, viveu na Alemanha.
Lissitzky realizou grande propaganda cultural como editor e desenhador de capas para revistas, chegando a expor as suas ideias acerca da arquitetura na revista “Gelstaltung”.
Em 1923, experimentou novos projetos tipográficos para o livro de Maiakovsky. Em 1924, passou uma temporada na Suíça, colaborando com Schwitters na revista dadaísta “Merz” e num livro de Arp.
En 1925, regressou a Moscovo. Em 1926, colaborou na organização da Internationale Kunstausstellung de Dresde, que acolheu obras de Mondrian, Picabia, Moholy-Nagy e Gabo;
Lissitzky fez cartazes e desenvolveu novos conceitos de desenho gráfico com formas geométricas simples, conseguindo uma captação imediata das mensagens propagandísticos.
Lissitzky trabalhou em muitos sectores, sobretudo na arquitetura e desenho de interiores. Móveis, ilustração e composição de revistas também ocuparam grande parte da sua vida.
El Lissitzky morreu, no dia 30 de dezembro de 1941, em Moscovo. A sua obra exerceu grande influência nos movimentos construtivistas. Foi pioneiro em técnicas que viriam a dominar o design gráfico ao longo do século XX.





Hoje na história: Ada Lovelace

25 11 2017

No dia 27 de novembro de 1852, faleceu Ada Lovelace,. Foi uma matemática e escritora inglesa. É considerada a primeira programadora de toda a história. Tudo isso aconteceu muito antes do ser humano conceber a ideia de existir um computador pessoal (que dirá smartphones!), lá no século XIX.
Ada Lovelace criou o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Durante o período em que esteve envolvida nesse projeto, Ada Lovelace desenvolveu os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de ter publicado um conjunto de notas sobre a máquina analítica.





Hoje na história: Roelof Frankot

24 11 2017

No dia 24 de novembro de 1911, nasceu Roelof Frankot, Foi um pintor e fotógrafo holandês. Teve uma forte relação forte com o movimento COBRA. As suas artes finais eram similares às desse movimento; pinturas muito abstratas e espontâneas em cores fortes. As publicações das suas pinturas eram acompanhadas de pequenos poemas escritos por ele mesmo. Frankot foi considerado um inovador da arte holandesa. Durante a sua carreira, fez muitas exposições na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.





Hoje na história: Lautréamont

23 11 2017

No dia 24 de novembro de 1870, morreu Lautréamont. Foi um poeta uruguaio, que viveu em França. A sua poesia foi apreciada por André Breton, que o considerava um precursor do surrealismo. Foi autor da obra: “Os Cantos de Maldoror”.
“Lautréamont” nasceu, em Montevideu (Urugyuai), e passou a infância no Uruguai, onde o pai era cônsul francês. Foi enviado para estudar, em França, onde foi aluno do Liceu de Tarbes. Em 1867, mudou-se para Paris, a fm de estudar na Escola Politécnica. Desde esse momento, a sua vida gerou uma lenda que o apresentava como enigmático e extravagante.
Em 1869, Lautreamont publicou “Os Cantos de Maldoror”, obra de poesia em prosa, composta por seis partes, com imagens apocalípticas que apelam à violência e à destruição. Nessa altura, os “Cantos” não foram distribuídos com medo do editor sofrer represálias.
A obra foi publicada, em 1920, quando os surrealistas a reinvindicaram como antecedente do surrealismo. Nota: a banda portuguesa “Mão Morta” trabalhou temas e fez encenação com base nos “Cantos de Maldoror”.

 





Hoje na história: El Lissitzky

22 11 2017

No dia 23 de novembro de 1890, nasceu El Lissitzky. Foi um arquiteto, designer, fotógrafo, pintor e tipógrafo russo. Foi uma figura relevante da vanguarda russa. Influenciado por Kazimir Malevich e pelo construtivismo, produziu uma série de obras chamadas “PROUN” (“Projetos de Afirmação do Novo na Arte”). Foi autor de inúmeras mostras de arte e trabalhos de propaganda para a União Soviética. A sua obra exerceu grande influência na Bauhaus e nos movimentos construtivistas, tendo sido pioneiro em técnicas que viriam a dominar o design gráfico ao longo do século XX. Por António José André.

Eis alguns trabalhos deste grande artista;

Veja também: https://pt.slideshare.net/MargThompson/el-lissitzky-15412407

 





Memórias: Ken Saro-Wiwa

15 11 2017
  •                            Ken Saro-Wiwa

    Na dia 10 de novembro de 1995, morreu Ken Saro-Wiwa. Foi um escritor, produtor de televisão e ecologista nigeriano. Lutou contra a degradação da vida das pessoas, terras e águas do delta do Níger. Acabou executado. Por António José André.
    Saro-Wiwa liderou o MOSOP (Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni) organização pacifista que lutava contra a degradação do delta do Níger, explorado por várias petrolíferas, entre as quais a Shell.
    Por causa do seu ativismo, Saro-Wiwa foi preso a mando do regime militar de Sani Abacha, em 1994. Num processo judicial fraudulento, foi condenado à morte com mais oito ativistas.
    Os nove ativistas foram condenados, apesar dos múltiplos protestos internacionais e da diplomacia silenciosa das organizações internacionais, incluindo a União Europeia.
    Estes nove ativistas foram enforcados, no dia 10 de novembro de 1995. A execução destes ativistas gerou contestação internacional, de tal modo que a Nigéria foi suspensa da Commonwealth durante mais de três anos.
    Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte dos nove ativistas pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos da sua imagem neste caso.
    As petrolíferas no rio Níger
    Em 1958, as petrolíferas começaram a transformar as terras férteis de Ogoni, que segundo Saro-Wiwa eram um “paraíso”, numa paisagem lunar negra. As operações de produção de petróleo contaminaram o solo. Essa exploração irresponsável trouxe aos camponeses pobreza e doenças.
    O MOSOP exigiu que as áreas danificadas fossem reabilitadas e que a população também partilhasse os lucros do petróleo. Lucros que constituem cerca de 90% das receitas do Governo nigeriano, através das quais vários regimes militares e elites corruptas financiam as suas vidas luxuosas.
    Indemnizações da Shell
    Em janeiro de 1993, 300 mil pessoas manifestaram-se para exigir o pagamento de indemnizações e a reparação causada por danos ambientais. O regime do ditador Sani Abacha reagiu com violência aos protestos e ocupou a região dos Ogoni.
    Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte dos nove ativistas pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos da sua imagem neste caso.
    Segundo a ONU, serão precisos pelo menos mais 30 anos para que sejam superados os danos ambientais no delta do Níger.
    Veja também:
    https://www.youtube.com/watch?v=Mxn7vR8XH_M





Memórias: Christoph Probst

7 11 2017

Cristoph Probst nasceu, no dia 6 de novembro de 1919, em Murnau (Alemanha). Foi membro do movimento de não-violência “Rosa Branca”, que resistiu ao nazismo durante o Terceiro Reich. Por António José André.
Cristoph Probst era de uma família ligada ao comércio e sem dificuldades económicas. O seu pai era especialista em sânscrito e relacionava-se com artistas que depois foram considerados “decadentes” pelo regime nazi.
Depois de frequentar escolas do enisno básico e secundário que não reproduziam as ideias nazis, Cristoph Probst foi estudar Medicina, na Universidade Ludwig Maximilian (Munique).
Nessa altura, Cristoph Probst conheceu os irmãos School (Sophie e Hans), Alexander Schmorell e outros estudantes que faziam parte do grupo de resistência anti-nazi: “Rosa Branca”.
Probst não participou na redação dos panfletos do movimento “Rosa Branca”, mas fez um desenho para o sétimo panfleto. Esse desenho estava entre os panfletos que Hans e Sophie levaram para a Universidade.
No dia 18 de fevereiro de 1943, foram descobertos e presos pela Gestapo. No dia 22 de fevereiro de 1943, foram condenados pelo juiz Roland Freisler do Tribunal Popular nazi e executados por guilhotina, na Prisão Stadelheim
Rosa Branca: movimento de não-violência
É quase comum dizer que o regime nazi se solidificou na Alemanha de Hitler sem encontrar oposição significativa. Mas há exemplos de pessoas que tiveram coragem para fazer frente a um dos regimes mais bárbaros da história.
É o caso do movimento de não-violência conhecido como “Rosa Branca”. De inspiração católica, este movimento de resistência anti-nazi era composto por alunos da Universidade de Munique e do seu professor de Filosofia.
A campanha do movimento “Rosa Branca”, desenrolou-se entre 1942 e 1943, consistindo, entre outras coisas, na distribuição de planfletos expondo as suas ideias contra o Terceiro Reich.
Os membros centrais do grupo eram Sophie Scholl, Hans Scholl e Christoph Probst. Capturados pela Gestapo após Sophie ter sido encontrada com panfletos, foram todos decapitados, no dia 22 de Janeiro de 1943.
Contudo, a sua mensagem não morreu e atravessou fronteiras. Em ataques posteriores dos aviões das forças aliadas, milhões de panfletos que tinham chegado ao Reino Unido, foram lançados pela Alemanha.
Os seus textos citavam autores bastante conhecidos (Aristóteles, Schiller, Novalis e Goethe) e passagens da Bíblia. A primeira carta do movimento denunciava os “crimes horríveis” do regime nazi que lançariam um véu de profunda vergonha sobre todos os alemães.
Pela defesa dos seus ideais, arriscando a vida num dos períodos mais negros da humanidade, os membros do movimento “Rosa Branca” são considerados hoje em dia como herois e ícones da luta contra os crimes hediondos que nenhum deles queria tolerar.
Veja também aqui um excerto do filme “Sophie Scholl – The Final Days”:





100 Anos da Revolução Russa

1 11 2017

A Revolução Russa é considerada um dos principais acontecimentos da história contemporânea. Não só se tornou num clarão de esperança para os povos dos quatro cantos do mundo, como marcou o rumo do século XX e chegou aos dias de hoje.
A fim de celebrar o seu centenário, vai haver uma sessão pública, no dia 4 de novembro (sábado), promovida Por Mão Própria, cuja tema será, “100 Anos da Revolução Russa”. O evento, que contará com a presença de Francisco Louçã, Andrea Peniche e Jorge Gouveia Monteiro, será moderado por Catarina Agreira e decorrerá, no Salão Brazil, a partir das 21h30. Entrada livre.

Proposta de programa:
21h30 – visionamento de imagens;
21h45 – exposição de ideias e debate;
23h45 – set com músicas revolucionárias:
24h00 – Dj Magia Negra





Memórias: Luís Buñuel

24 02 2017

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No dia 22 de fevereiro de 1900, nasceu Luís Buñuel. Foi um realizador de cinema espanhol, cuja obra o tornou um dos mais controversos do mundo. Foi influenciado por Salvador Dali e Frederico Garcia Lorca, entre outros. Por António José André.
Em 1906, Buñuel entrou para o Colégio dos Irmãos Coraçonistas, onde começou os primeiros estudos. Completou o ensino médio no Instituto de Segunda Enseñanza de Saragoça. Em 1917, foi para Madrid com o obejtivo de tirar o curso de engenheiro agrónomo. Depois estudou Ciências Naturais.
Em Madrid, conheceu Salvador Dalí e Garcia Lorca, bem como outras personalidades (Rafael Alberti, Emílio Prados, Pedro Garfías e Pepín Bello), que exerceram grande influência na sua obra. Interessou-se por teatro e montou uma peça de teatro cómica com Garcia Lorca e Dalí.
Apreciava o cinema cómico norte-americano e atores como: Buster Keaton e Harold Lloyd. Escreveu poemas para as revistas “Ultra” e “Horizonte”. Estudou História na Universidade de Madrid, fazendo amizade com Miguel de Unamuno, Juan Jiménez, Manuel de Falla, Ortega y Gasset.
Em 1925, mudou-se para Paris e trabalha como assistente de Jean Epstein. Em 1926, montou a peça de teatro “El Retablo de Maese Pedro”, em Amsterdão. Publicou poemas e crítica cinematográfica em “Cahiers d’Art” e “La Gaceta Literaria”.
Um filme Fritz Lang “As Três Luzes” impressionou-o e começou a dedicar-se ao cinema. Entrou para a Academia de Cinema de Paris, onde assistiu aos cursos de Epstein. Em 1927, escreveu o seu primeiro guião para a celebração do centenário da morte de Goya.
Em 1929, rodou “Um Cão Andaluz”, curta metragem muda de 17 minutos, verdadeiro manifesto surrealista. A sua estreia causou escândalo e teve a exibição suspensa por atentar contra os princípios morais e costumes estabelecidos. Em 1930, dirigiu “A Idade do Ouro”.
Em 1931, a Metro-Goldwyn Mayer contratou-o por seis meses. Aí conheceu Charles Chaplin e Sergei Eisenstein. Regressou a Espanha. Em 1932, afastou-se do surrealismo e aproximou-se do Partido Comunista, colaborando com a Associação de Escritores e Artistas Revolucionários.
Nesse ano, fez o documentário “Terra sem Pão”, proibido pela censura. Quando começou a Guerra Civil, Buñuel foi destacado para França a fim de coordenar as missões de propaganda. Ajudou André Malraux a rodar “Sierra de Teruel”.
Depois, o governo republicano enviou-o a Hollywood para supervisionar filmes sobre a Guerra Civil. Em 1941, Buñuel foi contratado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, como produtor associado na área de documentários.
Em 1946, chegou ao México para filmar uma adaptação de “A Casa de Bernarda Alba de Lorca”. Projeto que foi suspenso. Em 1949, naturalizou-se mexicano e dirigiu “La Gran Calavera”. Em 1950, rodou “Os Esquecidos”, dando início a uma série de filmes de denúncia social.
Em 1951, Buñuel filmou “La Hija del Engaño”, “Una Mujer Sin Amor” e “Subida ao Céu”. Em 1952, rodou “O Bruto” e “Robinson Crusoé”. Em 1953, rodou “Escravos do Rancor” e “A Ilusão Viaja de Trem”. Em 1954, filmou “O Rio e a Morte”. Em 1955, rodou “Ensaio de um Crime”.
Em 1956, Buñuel dirigiu “La Mort en ce Jardin”, co-produção franco-mexicana. Em 1958, rodou “Nazarin” com o qual conquista a Palma de Ouro, em Cannes. Regressou a Espanha, em 1961, rodando “Viridiana” que recebe furiosos ataques da Santa Sé.
Em 1963, Buñuel dirigiu “Diário de uma Camareira”. Depois de interpretar alguns pequenos papeis no cinema, filmou “Simon do Deserto”, inspirando-se em ideias de Lorca. Com a estreia de “La Belle de Jour”, em 1966, conquista um estrondoso êxito e o Leão de Ouro de Veneza.
Em 1970, Buñuel rodou “Tristana”, filme sobre a obra de Galdós, com um grande elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey e Franco Nero. Em 1972, rodou “O Charme Discreto da Burguesia” e obtém o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 1974, Buñuel rodou “O Fantasma da Liberdade”. Em 1977, terminou o seu último filme “Esse Obscuro Objeto do Desejo”. Em 1982, foi publicado “Meu Último Suspiro”, memórias ditadas a Jean-Claude Carrière.
Veja também: http://www.luisbunuel.org/biogra/biograf.html





Memórias: Anta Diop

2 01 2017

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No dia 29 de dezembro de 1923, nasceu Anta Diop. Foi um historiador, antropólogo, filósofo, matemático e físico senegalês. Escreveu diversas obras sobre a raça humana e a cultura africana pré-colonial. Diop foi um dos maiores historiadores africanos do século XX. Por António José André.
Diop nasceu, em Thieytou (Senegal). Formou-se em História, no Senegal. Em 1946, mudou-se para Paris e formou-se em Matemática. Ao mesmo tempo, matriculou-se na Faculdade de Filosofia e Letras da Sorbonne e participou na criação da Associação de Estudantes Africanos, em Paris.
Em 1947, Diop iniciou investigações linguísticas sobre o wolof e o sérère. Ao concluir Filosofia, começou a estudar Física, sob a direção de Frederic Joliot-Curie (genro de Marie Curie). Traduziu parte da Teoria da Relatividade, de Einstein, para o seu idioma: o wolof.
Em 1951, a Universidade de Paris recusou a sua tese de doutoramento sobre a ideia de que o antigo Egito tinha sido uma cultura negra. Em 1955, a tese de Diop foi publicada no livro, “Nations Nègres et Culture” (‘Nações Negras e Cultura’).
Em 1960, Diop teve êxito na defesa da sua tese e obteve o doutoramento. Nesse ano publicou, “Les Fondements Economiques et Culturels d’un Etat Federal d’Afrique Noire (‘Os Fundamentos Económicos e Culturais de um Estado Federal da África Negra’).
Diop regressou ao Senegal, onde continuou a escrever e a investigar. A Universidade de Dakar criou um laboratório de radiocarbono para o ajudar na investigação. Diop usou essa técnica para determinar o conteúdo de melanina das múmias egípcias.
Naquela época, Diop começou a sua atividade política, participando na criação do partido da oposição: o Bloc des Masses Sénégalaises (BMS). Foi preso, em julho de 1962, e libertado um mês depois. Em 1963, o BMS foi declarado ilegal e foi dissolvido, mas Diop criou um novo partido, que também foi dissolvido pelo Governo de Leopold Sedar Senghor, em 1964.
Em 1966, no 1º Festival das Artes Negras, recebeu o Prémio de escritor que mais influência exerceu no pensamento africano do século XX. Em 1974, participou num debate, promovido pela Unesco (Cairo), onde apresentou as suas teorias a outros especialistas em egiptologia.
Em 1976, Diop criou um novo partido, o Rassemblement National Democratique (RND), que foi declarado ilegal. Leopold Senghor deixou o poder, em 1980. O seu sucessor, Abdou Diouf, aboliu as leis que proibiam a formação de partidos políticos.
Deste modo, o RND foi legalmente reconhecido. No entanto, após as eleições, Diop recusou assumir o cargo de deputado na Assembleia Nacional, como froma de protesto, por considerar que as eleições tinham sido fraudulentas.
Anta Diop faleceu, no dia 7 de fevereiro de 1986. O seu corpo foi enterrado na sua aldeia natal, Caytou (Thieytou, Senegal).





Memórias: John Cassavetes

11 12 2016

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A 10 de dezembro de 1929, nasceu John Cassavetes. Foi um ator e diretor de cinema norte-americano. Considerado “pai do cinema independente dos EUA”, tornou-se uma referência por causa do seu estilo quase artesanal de trabalho. Por António José André.

Filho de imigrantes gregos, Cassavetes cresceu, em Long Island. Licenciou-se na Academia de Artes Dramáticas (Nova Iorque), em 1950. Foi ator de teatro e teve pequenos papéis em filmes. Participou em dramas televisivos, onde se especializou na interpretação de jovens delinquentes.

Nos finais de 1950, foi protagonista principal da série televisiva “Johnny Staccato”, que lhe deu fama e dinheiro para investir na produção do seu primeiro filme “Shadows”, que tinha um orçamento exíguo e contou com a presença de alunos dum seminário organizado por Cassavetes.

Este filme teve êxito e deu início à chamada Escola de Nova Iorque. Depois foi contratado pela Paramount, rodando dois filmes, que não o satisfizeram. Começou uma nova etapa com “Faces” (1968), onde pretendeu mostrar a mediocridade da vida burguesa norte-americana.

Seguiram-se: “Os maridos” (1970), “Assim Falou o Amor (1971), “Uma Mulher Sob Influência” (1974), considerada uma das suas obras-primas, “A Morte de Um Apostador Chinês” (1976), “Noite de Estreia” (1977), “Glória” (1980), “Amantes” (1984) e “Um Grande Problema” (1986).

Cassavetes também participou como ator em filmes de reconhecidos diretores:  Robert Aldrich, Roman Polanski, Brian de Palma, John Hough…

Cassavetes foi um realizador independente e experimental. Tornou-se uma referência por causa do seu estilo quase artesanal de trabalho: orçamentos reduzidos, produção independente e a mesma equipa de técnicos e atores, geralmente amigos seus. Os seus filmes sofreram cortes e tiveram problemas na distribuição, mas conseguiram reconhecimento em festivais internacionais: San Sebastian, Veneza e Berlím.

Cassavetes faleceu, a 3 de fevereiro de 1989, por causa de uma cirrose hepática. Os seus restos mortais encontram-se no cemitério de Westwood Village Memorial.





Memórias: Aldous Huxley

24 11 2016

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No dia 22 de novembro de 1963, faleceu Aldous Huxley. Foi um escritor inglês conhecido pela obra “Admirável Mundo Novo”. Huxley publicou contos, ensaios, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes. Foi entusiasta do uso responsável do LSD e também uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas. Por António José André.
Huxley cresceu numa família de tradição intelectual. Licenciou-se em literatura inglesa, no Balliol College de Oxford (1913-1915). Trabalhou para a revista “Athenaeum” e, como crítico de teatro, na “Westminster Gazzette”.
As suas primeiras publicações foram coleções de versos: “The Burning Wheel” (1916), “Jonah” (1917) e “Leda” (1920). Em 1921, publicou a novela “Férias em Crome”, uma crítica mordaz aos ambientes intelectuais.
Huxley viajou constantemente pela Europa, Estados Unidos, América e India. Em 1932, publicou o seu livro mais conhecido, “Admirável Mundo Novo”: ficção futurista e pessimista duma sociedade regida por castas, onde imagina uma substância ou droga utilizada para fins totalitários.
A partir de 1940, Huxley começou uma “época mística”, aproximando-se à literatura religiosa da India. A partir de 1950, Huxley iniciou uma etapa relacionada com experiências com drogas, das quais resultou, “As Portas da Perceção” (1954), uma obra que teve muita influência na sociedade norte-americana. Como foi o caso da escolha do nome para a banda “The Doors”.
Considerado um dos iniciadores do psicadelismo, pelas suas meditações e experiências com mezcalina e LSD, Huxley também foi uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas.





29 NOV: Apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo”

10 11 2016

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No dia 29 de novembro (3ªfeira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria , para a apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo” (Edições Combate)**. O evento, que contará com as presenças de Alda Sousa (Prof. Universitária), Catarina Agreira (Estudante) e João Gaspar (Jornalista), decorrerá no Café Santa Cruz (Coimbra), às 21h30.
Em 2017, assinalar-se-ão os 100 anos da Revolução Russa. Esta edição comemorativa do clássico de John Reed, prefaciada por Francisco Louçã e ilustrada por Catherine Boutaud, constitui um documento fundamental para a compreender em tudo aquilo que ela teve de transformador e contraditório.
** Ver em: http://www.combate.info/





Memórias: Primeira Internacional

28 09 2016

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No dia 28 de setembro de 1864, foi fundada, em Londres, a Associação Internacional de Trabalhadores (conhecida como Primeira Internacional), que defendia a abolição dos exércitos nacionais, o direito à greve e a coletivização dos bens de produção. Por António José André.
Na década de 1860, uma conjugação de acontecimentos sacudiu a letargia em que o mundo revolucionário e sindical se encontrava. Em 1861, Garibaldi comandando as suas tropas, que enverganvam camisas vermelhas, ocupou a Sicilia e integrou-a, juntamente com Nápoles, no Reino de Itália (em formação).
A unificação da península italiana foi a primeira grande derrota das forças ultraconservadoras da Europa: a Igreja Católica e o Império Austro-Húngaro. A isso juntou-se a Guerra da Secessão, nos Estados Unidos, a abolição da escravatura e a rebelião polaca (1863) contra o domínio czarista.
Em todos esses acontecimentos, houve uma onda de solidariedade internacional a favor das lutas pela liberdade. Impactadas com o que acontecia no mundo, as lideranças sindicais e ativistas socialistas começaram a pensar em fundar uma organização que defendesse a luta dos trabalhadores e das nações oprimidas.
A Primeira Internacional era uma confederação de diversas tendências ideológicas. sindicalistas que não queriam envolver-se na política, cooperativistas prudhonianos, blanquistas, republicanos e democratas radicais. Solicitaram a Karl Marx que redigisse uma declaração de princípios e os estatutos provisórios.
O programa de lutas incluía uma conjunto de reivindicações e propostas: permanente solidariedade com todos trabalhadores e as suas lutas; promoção do trabalho cooperativo; redução da jornada das mulheres e crianças; estímulo à organização sindical; defesa da autodeterminação das nações…
O Conselho Geral da Primeira Internacional era formado por George Odger (presidente), George Wheeler (tesoureiro), Karl Marx (secretário pela Alemanha), G.Fontana (secretário pela Itália), J. Holtorp (secretário pela Polónia), Herman Jung (secretário pela Suíça) e P. Lebez (secretário pela França).
As atividades da Primeira Internacional foram interrompidas, em 1870, e retomadas no Congresso de Paris (1889) sob o nome de Segunda Internacional. Em 1914, a Segunda Internacional sofreu golpes e adotou posições nacionalistas.





22 SETEMBRO – Apresentação do livro: “Segurança Social: Defender a Democracia”

16 09 2016

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No próximo dia 22 de setembro (5ª.feira), vai haver mais uma sessão pública, promovida Por Mão Própria, para a apresentação do livro “Segurança Social: Defender a Democracia“. O evento, que contará com as presenças de dois autores, Francisco Louçã e José Luís Albuquerque, será apresentado por Pedro Nogueira Ramos, no Café Santa Cruz, às 21h30.
“Segurança Social: Defender a Democracia” (Bertrand Editora, 2016), obra coordenada por Francisco Louçã, José Luís Albuquerque, Vítor Junqueira e João Ramos de Almeida, que teve a colaboração de Manuel Pires, Maria Clara Murteira, Nuno Serra e Ricardo Antunes, foi prefaciada por Ferro Rodrigues.

“Este livro nasceu dos trabalhos das Oficinas Sobre Políticas Alternativas, desenvolvidas durante dos anos da troika no âmbito do Observatório sobre Crises e Alternativas (do Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra). Nessas Oficinas cruzaram-se diversos investigadores em políticas sociais, e um dos seus temas foi o futuro da Segurança Social.
Para todos esses investigadores, o conceito de Estado Social corresponde a uma forte política redistributiva que defina regras de proteção do rendimento pessoal dos trabalhadores e das suas condições de vida. A redistribuição é aqui entendida como a conjugação de pelo menos quatro políticas essenciais (pensões mas também formas de proteção social com o apoio ao rendimento no desemprego e na doença; serviço nacional de saúde; educação pública; e habitação), mas é a primeira que é discutida.
Conhecendo as dificuldades e resistências ao desenvolvimento dessas regras sociais, o livro apresenta perguntas e sugere respostas sobre a Segurança Social. Muitas destas questões são as mais correntes, muitas delas as mais difíceis. E, mesmo quando os autores discutem respostas diferentes, partem de uma preocupação comum: os sistemas de proteção social são formas essenciais da democracia. Procura-se, por isso, responder com cuidado, com informação estatística, com os documentos de referência e com grande inquietação.
O futuro da Segurança Social tornou-se um dos temas mais importantes das pressões internacionais sobre o Estado português e um dos debates nacionais mais intensos. Responde-se a esse debate com este livro. Contra as ideias feitas, estudamos os dados concretos; contra as ideias simples, apresentamos soluções detalhadas; e contra as soluções destruidoras, o livro mostra que se pode construir um sistema sólido de segurança social, que garanta o futuro do contrato inter-geracional que é o pilar da democracia.”





Memórias: Georges Simenon

9 09 2016

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No dia 4 de setembro de 1989, faleceu o escritor belga de língua francesa, Georges Simenon. Foi um dos mais célebres autores dos romances policiais. As tiragens dos seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. Por António José André.
Georges Simenon nasceu numa sexta-feira, dia 13 de fevereiro de 1903, em Liège (Bélgica). No colégio jesuíta de Saint-Servais, tomou consciência da sua inferioridade social: a maioria dos colegas eram internos; ele frequentava a escola em regime de semi mensalidade, especial para crianças modestas.
Simenon abandonou os estudos, antes de completar o secundário, trabalhando como aprendiz de confeitaria e bibliotecário. Aos 15 anos, tornou-se repórter no jornal católico “Gazette de Liège”, assinando com pseudónimo.
Os textos de Georges Simenon começaram a ser apreciados pelo seu tom cáustico. Colaborou com vários jornais, demonstrando uma proficuidade precoce: entre 1919 e 1922, escreveu cerca de 800 textos. Em 1920, Georges Simenon escreveu o primeiro romance, “Au Pont des Arches”.
Mudou-se para Paris com Régine Renchon, estudante de Belas-Artes com quem se casou. Para sobreviver, Simenon escreveu romances populares a um ritmo torrencial e com os diversos pseudónimos.
Em 1928, o casal Simenon viajou de navio durante meses pelos canais e rios de França. Essa seria uma das muitas viagens que se tornaram habituais e que forneceriam uma vasta paisagem à obra de Georges Simenon.
Em setembro de 1929, surgiu o comissário Maigret, em “Train de Nuit”, escrita com o pseudónimo Christian Brulls. “Pietr-le-Letton” foi o primeiro romance do comissário Maigret, assinado por Georges Simenon e publicado, em 1930.
Em 1931, foi lançada a coleção Maigret. O comissário passou a rivalizar com personagens célebres de romances policiais (Sherlock Holmes e Hercule Poirot) pois era mais humano. O sucesso da série foi imediato.
Maigret desvendava os mais variados tipos de crimes, tendo como pano de fundo painéis e críticas sociais. Os romances começam a ser adaptados para o cinema e o prestígio do autor cresceu entre a crítica.
Simenon começou a publicar romances pela Gallimard (maior editora francesa da época), mantendo um fluxo de romances na editora Fayard. Durante a ocupação nazi, a publicação de livros foi dificultada, em França.
Em 1945, o casal foi para os Estados Unidos. Com o apoio de um novo agente literário, Simenon reorganizou a sua obra e começou a publicar pela editora francesa,”Presses de la Cité”.
No final da década de 40 o prestígio literário de George Simenon cresceu na América do Norte e noutras zonas fora do eixo França-Bélgica, surgindo os primeiros estudos críticos sobre a sua obra.
Simenon tornou-se membro da Academia Real de Língua e Literatura francesas da Bélgica e foi eleito presidente da Mystery Writers of America, a mais importante associação de autores de crime e mistério.
Na década de 50, o escritor voltou a residir na França. Em 1972, decidiu parar de escrever. “Maigret et M. Charles” foi o 192º e último romance assinado por Georges Simenon.
Simenon escreveu 192 romances, 158 novelas, obras autobiográficas, numerosos artigos e reportagens com o seu nome. Escreveu 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos com pseudónimos diferentes.: Jean du Perry, Georges Sim, Christian Brulls, Luc Dorsan, Gom Gut, Georges Martin-Georges, Georges d’Isly, Gaston Vialis, G. Vialo, Jean Dorsage, J. K. Charles, Germain d’Antibes, Jacques Dersonne.
Diferente de muitos autores, Simenon propunha uma intriga simples com personagens fortes. Os seus romances colocam o leitor num mundo rico de formas, cores, sentimentos e sensações.





Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

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No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.





Memórias: Ottavio Bottecchia

4 08 2016

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No dia 1 de agosto de 1894, nasceu Ottavio Bottecchia. Foi um ciclista italiano, que venceu duas vezes a Volta à França, em 1923 e 1925. Era comunista e morreu aos 33 anos num acidente misterioso. Por António José André.
Bottecchia nasceu em Colle Umbertonuma, pequena aldeia da Úmbria (Itália). De família humilde e quase analfabeto, começou a trabalhar como pedreiro até aprender a andar de bicicleta, na época da Iª Guerra Mundial.
Bottecchia foi encontrado moribundo, a 3 de Junho de 1927, com uma fratura no crânio, numa clavícula e escoriações noutros ossos. Levado para o hospital de Gemona del Friuli, acabaria por falecer 11 dias depois. Tinha 33 anos de idade.
A estranha morte de Ottavio Bottecchia
Bottecchia faleceu, a 14 de junho de 1927, em circunstâncias estranhas. Um agricultor de Peonis, localidade próxima da povoação onde residia Bottecchia, encontrou-o moribundo na berma da estrada.
Oficialmente, a sua morte foi considerada resultado de um acidente, quando treinava. A primera teoria falava de uma insolação que o fizera cair ao solo. A sua bicicleta estava a alguns metros dali: não sido roubada, nem danificada.
Alguns, defenderam que teria sido a participação de uma quadrilha de fascistas, como represália pelas ideias comunistas de Bottecchia e pela sua oposição frontal ao regime de Mussolini.
A investigação oficial encerrou, dando por certa a teoria do acidente e a famiíia do ciclista, que receceu uma suculenta indemnização pela sua morte, não mostrou interesse em procurar saber mais.
Mas, nos anos seguintes, para acrescentar confusão à história, 2 pessoas culparam-se da morte de Bottecchia. Primeiro, foi um emigrante italiano detido, em Nova Iorque, que declarou ter assassinado Bottecchia a mando de um dirigente fascista.
Duas décadas depois, um camponês propietário da vinha, onde tinha sido encontrado o corpo moribundo de Bottecchia, confessara ter assassinado acidentalmente o ciclista.
Quase nove décadas depois da morte de Bottecchia, as causas da mesma continuam envoltas – tal como a sua personalidade – num manto misterioso.





Memórias: Mário Dionísio

25 07 2016

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No dia 16 de Julho de 1916, nasceu em Lisboa, Mário Dionísio. Foi escritor, professor e crítico de arte. Foi um dos mais importantes teorizadores do neo-realismo português. Por António José André.

Mário Dionísio frequentou os liceus Luís de Camões e Gil Vicente, em Lisboa, e o liceu André Gouveia, em Évora. Em 1940, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Durante vinte anos, Mário Dionísio foi professor do ensino secundário no Liceu Camões, em Lisboa. Depois do 25 de Abril, foi professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, até 1986.

Mário Dionísio colaborou em diversos jornais e revistas: Altitude, Diário de Lisboa, Gazeta Musical, Mundo Literário, Presença, Revista de Portugal, Seara Nova e Vértice.

Enquanto artista plástico, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em muitas exposições colectivas, Realizou a sua primeira exposição individual, em 1989.

Mário Dionísio prefaciou obras de vários autores: Alves Redol, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, José Gomes Ferreira, Júlio Pomar e Manuel da Fonseca.

No domínio da ficção, Mário Dionísio publicou, entre outras obras, “As Solicitações e Emboscadas” (1950), “Riso Dissonante” (1950), “Memória de um Pintor Desconhecido” (1965) e “Le Feu Qui Dort” (1967).

Em Setembro de 2009, abriu a Casa da Achada, em Lisboa, que constitui um importante pólo cultural onde se pode encontrar o espólio de Mário Dionísio. Veja aqui: http://www.centromariodionisio.org/





Memórias: Vinicius de Moraes

11 07 2016

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No dia 9 de julho de 1980, morreu Vinicius de Moraes, um dos mais populares poetas brasileiros. Vinicius foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, cantor e compositor. Por António José André.
Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu, dia 19 de Outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da perfeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista amadora.
Vinicius viveu toda a infância no Rio de Janeiro. Nasceu no bairro da Gávea e, aos três anos, mudou-se para Botafogo, morando com os avós e frequentando a Escola Primaria. Foi na sua infância que escreveu os primeiros versos.
Em 1924, Vinicius entrou para o Colégio Santo Inácio, onde cantava no coro da igreja. Em 1929, a família voltou para Gávea. Nesse ano, entrou para a Faculdade de Direito. Em 1933, concluiu o curso e publicou “O Caminho para a Distância”.
Em 1935, publicou o livro “Forma e Exegese”. Em 1938, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas, na Universidade de Oxford. Nesse ano, publicou “Os Novos Poemas”.
Com o inicio da II Guerra Mundial, voltou para o Rio de Janeiro. Nos anos seguintes publicou muitos poemas e ficou conhecido como um dos grandes poetas do amor, tornando-se assim um dos mais populares da Literatura Brasileira.
A sua obra foi vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, Vinicius considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação. No campo musical, teve como principais parceiros: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Escute aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TueK35ZEW-c





Memórias: Carlos Gardel

27 06 2016

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No dia 24 de junho de 1935, morreu Carlos Gardel. O avião em que viajava chocou com um outro, ao descolar do Aeroporto da cidade de Medellin (Colômbia). Carlos Gardel é sinónimo de tango e uma das personalidades artísticas mais queridas da Argentina. Por António José André.

Carlos Gardel nasceu, no dia 11 de dezembro de 1890, na cidade de Toulouse (França). O seu verdadeiro nome era Charles Romuald Gardès. Filho de pai desconhecido, chegou a Buenos Aires com a mãe, Marie Berthe, quando tinha apenas dois anos.

Carlos Gardel viveu a sua infância e adolescência no bairro do Mercado de Abasto. Pobre, desde cedo, fazia pequenos trabalhos para ajudar a sua mãe. Começou a sua carreira em cafés e reuniões de bairro.

Em 1911, conheceu o uruguaio, José Razzano, e formou com ele um duo, “El Morocho y El Oriental”, que interpretava ritmos populares locais. Naquele momento, mudou o seu apelido para Gardel e converteu-se no fenómeno musical da década.

Em 1914, cresceu a sua popularidade, quando passou a apresentar-se regularmente no cabaré Armenonville, em Buenos Aires. Naquela época, o tango ainda era uma música meramente instrumental e dançante, sem letra.

Em 1917, surgiu a canção “Mi noche triste”, da autoria de Samuel Castriota e Pascual Contursi. Gardel interpretou-a e converteu-se, assim, no primeiro cantor de tangos. Ainda, em 1917, rodou o primeiro dos seus filmes, “Flor de Durazno”.

Na década de 1920, Carlos Gardel fez uma tournée pela Europa. O tango passou a ser admirado em diversas cidades de França e Espanha. A consagração deu-se, em Paris, onde foi aclamado por plateias que chegavam ao êxtase.

Depois do seu regresso à Argentina, em 1925, Carlos Gardel dedicou-se inteiramente à gravação de discos. O extraordinário sucesso das suas interpretações renderam-lhe uma imensa popularidade.

No início da década de 1930, Carlos Gardel já era uma celebridade mundial. A sua popularidade levou a companhia norte-americana Paramount Pictures a contratá-lo para quatro filmes que foram rodados, em França.

Em 1934, invadiu o mercado musical norte-americano. Carlos Gardel recebeu incontáveis convites para cantar em rádios, gravar discos e participar em filmes centrados na sua figura de cantor, que o transformaram num ídolo.

Foi em 1935, por ocasião de uma tournée em diversos países da América Latina, ocorreu o desastre que o matou. Gardel encontrava-se no auge da sua carreira. Milhões de admiradores em todo o mundo choraram sua morte.

O mito de Carlos Gardel atravessou vigorosamente todo o século XX. O tango está indissoluvelmente ligado ao seu nome. Os seus restos estão enterrados no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.





Memórias: José Luís Borges

17 06 2016

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No dia 14 de junho de 1986, morreu o argentino, Jorge Luís Borges. Foi um dos escritores mais importantes do século XX e procedia de uma família que contribuiu para a independência da Argentina. Borges foi um crítico literário, tradutor e ensaísta. Por António José André.

Nascido em Buenos Aires, a 24 de agosto de 1899, Jorge Luís Borges cresceu no bairro Palermo. Aprendeu a ler inglês com a avó Fanny Haslam. Com 10 anos publicou uma tradução para castelhano de “O Príncipe Feliz”, de Oscar Wilde.

Quando começou a Iª Guerra Mundial, Borges estava com a família, em Genebra (Suíça). Nessa altura devorava obras francesas, desde os clássicos (Voltaire ou Victor Hugo) aos simbolistas, até ao expressionismo alemão.

Em 1918, a família passou a morar, em Espanha. Primeiro, em Barcelona e depois, em Maiorca, onde publicou os seus primeiros versos, exaltando a Revolução Bolchevique sob o título, “Somos Vermelhos”.

Em 1921, regressou a Buenos Aires, fundando com outros jovens a revista “Prismas” e depois a “Proa”. O seu primeiro livro de poemas foi “Fervor de Buenos Aires” (1923). Publicou “Luna de Frente” (1925) e “Cuaderno San Martín” (1928).

Borges publicou “Evaristo Carriego” (1930), a “Discusión” (1932) e “História Universal da Infâmia” (19359. Nessa década, a sua fama cresceu na Argentina, porém a sua consagração internacional chegaria muito depois.

Borges fez crítica literária e traduziu obras de Virginia Woolf, Henri Michaux e William Faulkner. Em 1938, teve um grave acidente por causa da falta de visão. A partir daí, teve que se resignar a ditar os seus contos fantásticos.

Em 1945, instaurou-se o peronismo na Argentina. Por ter assinado manifestos antiperonistas, o governo demitiu Borges de bibliotecário e nomeou-o inspetor das aves e coelhos dos mercados.

Renunciou ao cargo e passou a ganhar a vida como conferencista. Mostrou-se um forte opositor do regime peronista e, nessa época, publicou “O Aleph” (1949). Borges continuou a publicar antologias de contos e volumes de ensaios até à queda do peronismo.

Em 1955, o novo governo argentino nomeou-o, devido ao seu grande prestígio literário, diretor da Biblioteca Nacional e também foi eleito para a Academia Argentina de Letras.

Borges saudou a queda de Estela Peron, em 1976, e a ascensão da Junta Militar. Arrependeu-se depois, quando entrevistou o ditador e quis saber do paradeiro de intelectuais desaparecidos.

Mas o mal estava feito. Ganhou fortes inimizades na Europa e o sueco Artur Ludkvist afirmou que Borges nunca receberia o Prémio Nobel. O Prémio Cervantes compensou em parte o facto de nunca ter recebido o Nobel.

José Luís Borges foi o escritor argentino com maior projeção internacional. Criou uma cosmovisão bastante singular, baseada num modo de entender conceitos como os do tempo, espaço, destino ou realidade.





Memórias: Criação do Selo de Correio

7 05 2016

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No dia 6 de maio de 1840, surgiu o selo de correio em Londres. Antes dessa data, o porte de cartas era pago pelo destinatário em função da distância. O selo de correio é uma estampilha (adesiva ou fixa), destinada a comprovar o pagamento de uma taxa por serviços postais. Por António José André.

Em 1837, um professor inglês, Rowland Hill, redigiu um memorando para o primeiro ministro, Lorde Melbourne. Nesse texto, intitulado “Postal Reform; its Importance and Practicability” (A Reforma Postal: a Sua Importância e Praticidade), propondo o pagamento do porte antecipado por um preço proporcional ao peso e distância percorrida no país. O pagamento seria garantido por um selo adesivo e um carimbo que anulanva a sua reutilização.

A reforma foi incluída no orçamento aprovado pelo Parlamento britãnico, em agosto de 1839. Rowland Hill começou a trabalhar, detalhando o projeto através de um concurso de artistas. Milhares de correspondentes anónimos fizeram chegar às suas mãos as mais variadas sugestões.

O primeiro selo de correio, Penny Black, permitia enviar uma carta com o peso máximo de 14 gramas, pelo custo de um penny. Os selos de correio são a mais popular forma de pagamento para a troca de correspondência.





Memórias: Joan Miró

26 04 2016

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No dia 20 de abril de 1893, nasceu Joan Miró. Foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista catalão. Miró criou formas imaginárias, figuras coloridas e símbolos próprios formados por manchas e linhas carregadas. Por António José André.

Joan Miró nasceu, em Barcelona (Espanha). Não completou os seus estudos, apesar da insistência da família. Estudou comércio e trabalhou durante dois anos ao balcão de uma farmácia até sofrer uma crise nervosa. Passou um longo tempo na casa da família, em Mont-Roig del Camp. Em 1912, voltou para Barcelona, ingressando na Academia de Artes, dirigida por Francisco Gali, que o apresentou às últimas tendências artísticas europeias.

Inicialmente, Joan Miró apresentou uma pintura com um estilo expressionista, com influencias fauvistas e cubistas, distorcendo formas e usando cores pouco reais, que destruíam os valores tradicionais. Entre 1915 e 1919, Miró vivia entre Mont-Roig e Barcelona. Em 1919, foi para Paris, onde conheceu Picasso e Tristan Tzara, um dos fundadores do Dadaísmo. Aos poucos a sua pintura evoluiu para uma maior definição de forma.

Em 1924, a pintura de Miró foi influenciada pelo movimento surrealista, surgido, em Paris, apresentando cenas oníricas e paisagens imaginárias. É dessa época a tela “O Carnaval do Arlequim”. Em 1928, Miró pintou “O Interior Holandês”, uma das pinturas marcantes do artista. Nesse  ano, o Museu de Arte Moderna adquiriu duas telas de Joan Miró.

Após uma viagem à Holanda, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, fez ressurgir elementos figurativos nas suas obras. Na década de 1930, Miró tornou-se mundialmente famoso, expondo em galerias francesas e americanas. Fez ilustrações para livros e cenários para bailado. Miró passou a interessar-se por colagens e murais. O seu grafismo reduziu-se a linhas, pontos e manchas coloridas.

Auando eclodiu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Miró estava, em Paris, e a sua produção artística foi fortemente influenciada pelos horrores da guerra. São dessa época “O Ceifeiro” e “Cabeça de Mulher”. No começo da Segunda Guerra Mundial, Miró regressou a Espanha. Nessa época conclui “Constelação”. A partir de 1944, iniciou uma série de murais para o edifício da UNESCO, em Paris, e para a Universidade de Harvard.

Em 1954, Miró ganhou o Prémio de gravura da Bienal de Veneza. Em 1956, mudou-se para Palma de Maiorca. Em 1959, ganhou o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1975, abriu a Fundação Miró, em Barcelona. Joan Miró faleceu, em Palma de Maiorca (Espanha), no dia 25 de dezembro de 1983.





MEMÓRIAS: A INVENÇÃO DO LÁPIS

6 04 2016

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No dia 6 de abril de 1564, foi inventado o lápis, na Inglaterra, um utensílio que continua a ser útil nos dias de hoje. O lápis foi concebido para marcar, riscar e até mesmo cortar superfícies. Por António José André.

O lápis é uma ferramenta para escrever, desenhar ou até riscar papel, habitualmente constituído por um estilete cilíndrico de grafite revestido de madeira – o tradicional lápis de escrever preto. Mudando-se o material do estilete, produzem-se de forma similar lápis de diversas cores.

O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.

Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.

O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.

Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.

Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.

De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.

A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.

A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.

Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.

Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidor de lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.