Hoje na História: Independência da Finlândia

5 12 2017

No dia 6 de dezembro de 1917, a Finlândia tornou-se independente, após oito séculos dominada por vários países. Hoje é uma referência em qualidade de vida e tecnologia. A Finlândia emancipou-se da Rússia. proclamando a sua independência, no dia 6 de dezembro de 1917, e aproveitando as desordens provocadas pela Iª Guerra Mundial e pela Revolução Russa.
No dia 6 de dezembro, é celebrada a independência da Finlândia, duramente conquistada. No dia 28 de fevereiro, celebra-se a identidade finlandesa: – aniversário da publicação de “Kalevala” (epopeia nacional da Finlândia, escrita por Elias Lönnrot).
A Finlândia (em finlandês: ‘‘Suomi’’ ou ‘‘País dos Mil Lagos’’) foi inicialmente povoada por lapões e depois por nómadas estonianos e húngaros. Estes údeixaram um idioma bastante particular do grupo linguístico fino-úgrico, próximo do mongol e do turco.
Em 1157, os suecos ocuparam o território. Em 1809, a Suécia cedeu a Finlândia ao czar Alexandre I, após o Tratado de Hamina, tornando-se um grão-ducado dos czares russos..

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Hoje na história: Karlheinz Stockhausen

4 12 2017

Hoje na história: no dia 5 de dezembro de 2007, morreu Karlheinz Stockhausen. Foi um compositor alemão de música contemporânea e colega de Pierre Boulez.
Stockhausen. é considerado um dos maiores compositores do final do século XX. Foi responsável por grandiosos trabalhos artísticos. As suas obras revolucionaram a percepção de ritmo, melodia e harmonia.
Das suas obras destacam-se: “Helikopter-Streichquartettum” – quarteto de cordas com helicópteros e “Licht”” – ópera baseada em textos sânscritos e budistas que tem suas partes distribuídas pelos dias da semana.
Visite também: http://www.stockhausen.org/





Hoje na história: Sócrates – o futebolista

2 12 2017

No dia 4 de dezembro de 2011, morreu Sócrates Sampaio de Oliveira (mais conhecido como Sócrates, Doutor Sócrates ou Magrão). Foi um futebolista, médico e ativista brasileiro. Tabagista inveterado e alcoólatra, faleceu devido a uma cirrose hepática.
Como futebolista, Sócrates foi considerado como um dos maiores futebolistas do Brasil e, segundo a FIFA. um dos maiores do mundo. Notabilizou-se também pela sua militância política, particularmente nos anos 1980, quando liderou um movimento pela democratização do futebol e participou do movimento “Diretas, Já”!





Hoje na história: Christa Wolf

30 11 2017

No dia 1 de dezenbro de 2011, faleceu Christa Wolf. Foi uma escritora, ensaísta e crítica literária alemã. Era provavelmente a mais importante ficionista da extinta República Democrática da Alemanha (RDA).
A sua obra foi marcada, desde cedo, por uma procura de autenticidade pessoal num mundo que sacrificava o indivíduo às abstrações coletivas, espelhando as utopias e desilusões de uma geração que viveu sob o nazismo e o “socialismo real”.
Comprometida políticamente, Wolf foi uma ativista contra o regime nazi como retrata o livro “Mostra da Infância”. Em “O Céu Dividido” (1963) faz reflexões sobre a divisão da Alemanha. Tambiém abordou a temática feminista em “Cassandra” (1983).
Durante décadas, Wolf foi militante do Partido Socialista Unificado da Alemanha, ainda que nem sempre tde acordo com as decisões políticas tomadas na RDA. De facto, juntou-se aos protestos doutros intelectuais contra a expulsão da RDA Alemania do cantor e poeta Wolf Biermann.





Hoje na história: Concedida licença para construir o Canal de Suez.

29 11 2017

No dia 30 de novembro de 1854, o rei egípcio Said Pascha assinou a licença para a construção de um canal entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho: o Canal de Suez.  Pascha concedeu ao engenheiro francês Ferdinand Marie de Lesseps a autorização para explorar o Canal durante 99 anos. Lesseps concretizou um anseio que existia, desde o Antigo Egito.
Os romanos tiveram essa ideia; quando invadiram a região, construíndo canais que ligaram o sul até ao delta do Nilo. Sem o canal, as mercadorias teriam de ser transportadas por terra entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Antes de Lesseps, engenheiros e cientistas planearam uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram por causa dum erro de cálculo de uma equipa encarregada por Napoleão, em 1800.
Convencido que os níveis dos dois mares eram os mesmos, Lesseps convenceu o rei Said Pascha da viabilidade do seu projeto, após ter passado um mês na corte real para conseguir a permissão da obra. O primeiro passo foi criar a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal durante 99 anos.
No dia 25 de abril de 1859, foi iniciada a obra. Com um alto custo, esse foi o maior projeto da navegação marítima mundial. O canal foi construído com 171 quilmetros de comprimento, tendo larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros.
No dia 17 de novembro de 1869, foi aberto à navegação marítima o caminho que aproximava a Europa da Ásia. Cerca de 1,5 milhão de egípcios participaram na sua construção e cerca de 125 mil morreram. Mas o canal começou logo a ser motivo de disputas políticas. No final dos trabalhos, o Egito e a França eram seus proprietários.
No entanto, a dívida externa do Egito obrigou-o a vender parte do canal ao Reino Unido, que garantia assim a rota para as Índias. Portanto, em 1875, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses. O caminho marítimo diminuía em 10 mil quilômetros a distância até as colónias na Ásia. França, Inglaterra e Egito decidiram manter a neutralidade desta área.
Mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelitas no Canal do Suez. Posteriormente, em guerras da região, o canal foi várias vezes bombardeado e chegou a ser fechado, em 1967. Passados oito anos, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir aquele caminho.

 

 





Hoje na história: Mario Monicelli

28 11 2017

No dia 29 de novembro de 2010, faleceu Mario Monicelli. Foi um importante argumentista e diretor de cinema italiano. Entre os seus filmes mais conhecidos, estão: “Boccaccio” (1962), “Casanova” (1965), “O pequeno burguês” (1977). Mais recentemente, fez: “Um Outro Mundo é Possível” (2001) e “Cartas da Palestina” (2002). O seu último filme foi: “As Rosas do Deserto” (2006).
Diversos outros filmes merecem destaque, na sua longa carreira, onde trabalhou com os maiores atores da Itália: Totò, Vittorio De Sica, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Anna Magnani, Alberto Sordi, Monica Vitti, Enrico Montesano, Giancarlo Giannini, Giuliano Gemma, Gian Maria Volonté…





Hoje na história: Erico Veríssimo

27 11 2017

No dia 28 de novembro de 1975, faleceu Erico Verissimo. Foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX. Natural do Rio Grande do Sul, o autor costumava colocar o Estado nos contos, crônicas e romances que escrevia. Diferentemente de outros escritores, Erico Veríssimo não utilizava uma linguagem caracterizada pelo regionalismo.
A sua obra mais importante de Veríssimo é “O Tempo e o Vento”, uma trilogia histórica que chegou a ser adaptada para a televisão. “Incidente em Antares” e “Olhai os Lírios do Campo” também receberam versões televisivas. O filho de Érico, Luis Fernando Veríssimo seguiu a carreira do pai e se estabeleceu como escri





Memórias: El Lissitzky

25 11 2017

No dia 23 de novembro de 1890, nasceu El Lissitzky. Foi um arquiteto, designer, fotógrafo, pintor e tipógrafo russo. Lissitzky foi uma figura relevante da vanguarda russa. Influenciado por Malevich e pelo construtivismo, produziu uma série de obras chamadas “PROUN” (“Projeto para a Afirmação do Novo”) e foi autor de inúmeras mostras de arte e trabalhos de propaganda da União Soviética. Por António José André.
Lissitzky (cujo verdadeiro nome era Lazar Morduchovitch) nasceu, no dia 23 de novembro de 1890, em Polchinok. Interessado desde cedo pelo desenho, matriculou-se no Instituto Técnico de Damstard, em 1909. Regressou à Rússia, em 1914, por causa do início da I Guerra Mundial.
Em 1915, entrou para o Instituto Politécnico de Riga e terminou os estudos como Engenheiro-Arquiteto. Começou a lecionar com 15 anos, atividade que manteve ao longo da vida.
Com a revolução de 1917, Lissitzky entrou nos movimentos vanguardistas do seu país, colaborando na decoração das rua de Moscovo. Em 1919, conheceu Malevich e tornou-se suprematista.
Em 1919, Lissitzky foi convidado por Chagal (juntamente com Malevich) para fazer parte da Academia de Arte Livre de Vitebsk, onde ensinou arquitetura e artes gráficas.  Nesse ano, Lissitzky fez o seu primeiro quadro “PROUN” (palavra formada pelas iniciais de “Projeto para a Afirmação do Novo”, em russo) e aderiu ao grupo Unovis.
Nos quadros “PROUN”, combinou elementos suprematistas e construtivistas para unir arte e arquitectura em harmonia com os modernos meios tecnológicos.
Lissitzky ficou responsável para fazer a ponte entre a vanguarda russa e o resto da Europa ocidental. Em 1920, passou a ser membro do Inkhuk (Instituto de Cultura Artística de Moscovo).
Em 1921, associou-se ao grupo construtivista, através da sua amizade com Tatlin (professor no Laboratório Estatal Superior de Arte e Técnica). Em 1922, organizou uma Exposição na Galería Van Diemen, em Berlím.
Nos anos 20, o papel de Lissitzkyfoi fundamental para propagar a nova arte russa na Europa, através de viagens, textos e organização de exposições, tendo exercido uma importante influência sobre los artistas da Bauhaus.
Lissitzky fundou com Ladovski o grupo ASNOVA (1923-1925), tentando aplicar os princípios do construtivismo na arquitetura. De 1922 a 1928, viveu na Alemanha.
Lissitzky realizou grande propaganda cultural como editor e desenhador de capas para revistas, chegando a expor as suas ideias acerca da arquitetura na revista “Gelstaltung”.
Em 1923, experimentou novos projetos tipográficos para o livro de Maiakovsky. Em 1924, passou uma temporada na Suíça, colaborando com Schwitters na revista dadaísta “Merz” e num livro de Arp.
En 1925, regressou a Moscovo. Em 1926, colaborou na organização da Internationale Kunstausstellung de Dresde, que acolheu obras de Mondrian, Picabia, Moholy-Nagy e Gabo;
Lissitzky fez cartazes e desenvolveu novos conceitos de desenho gráfico com formas geométricas simples, conseguindo uma captação imediata das mensagens propagandísticos.
Lissitzky trabalhou em muitos sectores, sobretudo na arquitetura e desenho de interiores. Móveis, ilustração e composição de revistas também ocuparam grande parte da sua vida.
El Lissitzky morreu, no dia 30 de dezembro de 1941, em Moscovo. A sua obra exerceu grande influência nos movimentos construtivistas. Foi pioneiro em técnicas que viriam a dominar o design gráfico ao longo do século XX.





Hoje na história: Ada Lovelace

25 11 2017

No dia 27 de novembro de 1852, faleceu Ada Lovelace,. Foi uma matemática e escritora inglesa. É considerada a primeira programadora de toda a história. Tudo isso aconteceu muito antes do ser humano conceber a ideia de existir um computador pessoal (que dirá smartphones!), lá no século XIX.
Ada Lovelace criou o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Durante o período em que esteve envolvida nesse projeto, Ada Lovelace desenvolveu os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de ter publicado um conjunto de notas sobre a máquina analítica.





Hoje na história: Roelof Frankot

24 11 2017

No dia 24 de novembro de 1911, nasceu Roelof Frankot, Foi um pintor e fotógrafo holandês. Teve uma forte relação forte com o movimento COBRA. As suas artes finais eram similares às desse movimento; pinturas muito abstratas e espontâneas em cores fortes. As publicações das suas pinturas eram acompanhadas de pequenos poemas escritos por ele mesmo. Frankot foi considerado um inovador da arte holandesa. Durante a sua carreira, fez muitas exposições na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.





Hoje na história: Lautréamont

23 11 2017

No dia 24 de novembro de 1870, morreu Lautréamont. Foi um poeta uruguaio, que viveu em França. A sua poesia foi apreciada por André Breton, que o considerava um precursor do surrealismo. Foi autor da obra: “Os Cantos de Maldoror”.
“Lautréamont” nasceu, em Montevideu (Urugyuai), e passou a infância no Uruguai, onde o pai era cônsul francês. Foi enviado para estudar, em França, onde foi aluno do Liceu de Tarbes. Em 1867, mudou-se para Paris, a fm de estudar na Escola Politécnica. Desde esse momento, a sua vida gerou uma lenda que o apresentava como enigmático e extravagante.
Em 1869, Lautreamont publicou “Os Cantos de Maldoror”, obra de poesia em prosa, composta por seis partes, com imagens apocalípticas que apelam à violência e à destruição. Nessa altura, os “Cantos” não foram distribuídos com medo do editor sofrer represálias.
A obra foi publicada, em 1920, quando os surrealistas a reinvindicaram como antecedente do surrealismo. Nota: a banda portuguesa “Mão Morta” trabalhou temas e fez encenação com base nos “Cantos de Maldoror”.

 





Hoje na história: El Lissitzky

22 11 2017

No dia 23 de novembro de 1890, nasceu El Lissitzky. Foi um arquiteto, designer, fotógrafo, pintor e tipógrafo russo. Foi uma figura relevante da vanguarda russa. Influenciado por Kazimir Malevich e pelo construtivismo, produziu uma série de obras chamadas “PROUN” (“Projetos de Afirmação do Novo na Arte”). Foi autor de inúmeras mostras de arte e trabalhos de propaganda para a União Soviética. A sua obra exerceu grande influência na Bauhaus e nos movimentos construtivistas, tendo sido pioneiro em técnicas que viriam a dominar o design gráfico ao longo do século XX. Por António José André.

Eis alguns trabalhos deste grande artista;

Veja também: https://pt.slideshare.net/MargThompson/el-lissitzky-15412407

 





Memórias: Ken Saro-Wiwa

15 11 2017
  •                            Ken Saro-Wiwa

    Na dia 10 de novembro de 1995, morreu Ken Saro-Wiwa. Foi um escritor, produtor de televisão e ecologista nigeriano. Lutou contra a degradação da vida das pessoas, terras e águas do delta do Níger. Acabou executado. Por António José André.
    Saro-Wiwa liderou o MOSOP (Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni) organização pacifista que lutava contra a degradação do delta do Níger, explorado por várias petrolíferas, entre as quais a Shell.
    Por causa do seu ativismo, Saro-Wiwa foi preso a mando do regime militar de Sani Abacha, em 1994. Num processo judicial fraudulento, foi condenado à morte com mais oito ativistas.
    Os nove ativistas foram condenados, apesar dos múltiplos protestos internacionais e da diplomacia silenciosa das organizações internacionais, incluindo a União Europeia.
    Estes nove ativistas foram enforcados, no dia 10 de novembro de 1995. A execução destes ativistas gerou contestação internacional, de tal modo que a Nigéria foi suspensa da Commonwealth durante mais de três anos.
    Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte dos nove ativistas pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos da sua imagem neste caso.
    As petrolíferas no rio Níger
    Em 1958, as petrolíferas começaram a transformar as terras férteis de Ogoni, que segundo Saro-Wiwa eram um “paraíso”, numa paisagem lunar negra. As operações de produção de petróleo contaminaram o solo. Essa exploração irresponsável trouxe aos camponeses pobreza e doenças.
    O MOSOP exigiu que as áreas danificadas fossem reabilitadas e que a população também partilhasse os lucros do petróleo. Lucros que constituem cerca de 90% das receitas do Governo nigeriano, através das quais vários regimes militares e elites corruptas financiam as suas vidas luxuosas.
    Indemnizações da Shell
    Em janeiro de 1993, 300 mil pessoas manifestaram-se para exigir o pagamento de indemnizações e a reparação causada por danos ambientais. O regime do ditador Sani Abacha reagiu com violência aos protestos e ocupou a região dos Ogoni.
    Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte dos nove ativistas pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos da sua imagem neste caso.
    Segundo a ONU, serão precisos pelo menos mais 30 anos para que sejam superados os danos ambientais no delta do Níger.
    Veja também:
    https://www.youtube.com/watch?v=Mxn7vR8XH_M





Memórias: Christoph Probst

7 11 2017

Cristoph Probst nasceu, no dia 6 de novembro de 1919, em Murnau (Alemanha). Foi membro do movimento de não-violência “Rosa Branca”, que resistiu ao nazismo durante o Terceiro Reich. Por António José André.
Cristoph Probst era de uma família ligada ao comércio e sem dificuldades económicas. O seu pai era especialista em sânscrito e relacionava-se com artistas que depois foram considerados “decadentes” pelo regime nazi.
Depois de frequentar escolas do enisno básico e secundário que não reproduziam as ideias nazis, Cristoph Probst foi estudar Medicina, na Universidade Ludwig Maximilian (Munique).
Nessa altura, Cristoph Probst conheceu os irmãos School (Sophie e Hans), Alexander Schmorell e outros estudantes que faziam parte do grupo de resistência anti-nazi: “Rosa Branca”.
Probst não participou na redação dos panfletos do movimento “Rosa Branca”, mas fez um desenho para o sétimo panfleto. Esse desenho estava entre os panfletos que Hans e Sophie levaram para a Universidade.
No dia 18 de fevereiro de 1943, foram descobertos e presos pela Gestapo. No dia 22 de fevereiro de 1943, foram condenados pelo juiz Roland Freisler do Tribunal Popular nazi e executados por guilhotina, na Prisão Stadelheim
Rosa Branca: movimento de não-violência
É quase comum dizer que o regime nazi se solidificou na Alemanha de Hitler sem encontrar oposição significativa. Mas há exemplos de pessoas que tiveram coragem para fazer frente a um dos regimes mais bárbaros da história.
É o caso do movimento de não-violência conhecido como “Rosa Branca”. De inspiração católica, este movimento de resistência anti-nazi era composto por alunos da Universidade de Munique e do seu professor de Filosofia.
A campanha do movimento “Rosa Branca”, desenrolou-se entre 1942 e 1943, consistindo, entre outras coisas, na distribuição de planfletos expondo as suas ideias contra o Terceiro Reich.
Os membros centrais do grupo eram Sophie Scholl, Hans Scholl e Christoph Probst. Capturados pela Gestapo após Sophie ter sido encontrada com panfletos, foram todos decapitados, no dia 22 de Janeiro de 1943.
Contudo, a sua mensagem não morreu e atravessou fronteiras. Em ataques posteriores dos aviões das forças aliadas, milhões de panfletos que tinham chegado ao Reino Unido, foram lançados pela Alemanha.
Os seus textos citavam autores bastante conhecidos (Aristóteles, Schiller, Novalis e Goethe) e passagens da Bíblia. A primeira carta do movimento denunciava os “crimes horríveis” do regime nazi que lançariam um véu de profunda vergonha sobre todos os alemães.
Pela defesa dos seus ideais, arriscando a vida num dos períodos mais negros da humanidade, os membros do movimento “Rosa Branca” são considerados hoje em dia como herois e ícones da luta contra os crimes hediondos que nenhum deles queria tolerar.
Veja também aqui um excerto do filme “Sophie Scholl – The Final Days”:





100 Anos da Revolução Russa

1 11 2017

A Revolução Russa é considerada um dos principais acontecimentos da história contemporânea. Não só se tornou num clarão de esperança para os povos dos quatro cantos do mundo, como marcou o rumo do século XX e chegou aos dias de hoje.
A fim de celebrar o seu centenário, vai haver uma sessão pública, no dia 4 de novembro (sábado), promovida Por Mão Própria, cuja tema será, “100 Anos da Revolução Russa”. O evento, que contará com a presença de Francisco Louçã, Andrea Peniche e Jorge Gouveia Monteiro, será moderado por Catarina Agreira e decorrerá, no Salão Brazil, a partir das 21h30. Entrada livre.

Proposta de programa:
21h30 – visionamento de imagens;
21h45 – exposição de ideias e debate;
23h45 – set com músicas revolucionárias:
24h00 – Dj Magia Negra





Memórias: Luís Buñuel

24 02 2017

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No dia 22 de fevereiro de 1900, nasceu Luís Buñuel. Foi um realizador de cinema espanhol, cuja obra o tornou um dos mais controversos do mundo. Foi influenciado por Salvador Dali e Frederico Garcia Lorca, entre outros. Por António José André.
Em 1906, Buñuel entrou para o Colégio dos Irmãos Coraçonistas, onde começou os primeiros estudos. Completou o ensino médio no Instituto de Segunda Enseñanza de Saragoça. Em 1917, foi para Madrid com o obejtivo de tirar o curso de engenheiro agrónomo. Depois estudou Ciências Naturais.
Em Madrid, conheceu Salvador Dalí e Garcia Lorca, bem como outras personalidades (Rafael Alberti, Emílio Prados, Pedro Garfías e Pepín Bello), que exerceram grande influência na sua obra. Interessou-se por teatro e montou uma peça de teatro cómica com Garcia Lorca e Dalí.
Apreciava o cinema cómico norte-americano e atores como: Buster Keaton e Harold Lloyd. Escreveu poemas para as revistas “Ultra” e “Horizonte”. Estudou História na Universidade de Madrid, fazendo amizade com Miguel de Unamuno, Juan Jiménez, Manuel de Falla, Ortega y Gasset.
Em 1925, mudou-se para Paris e trabalha como assistente de Jean Epstein. Em 1926, montou a peça de teatro “El Retablo de Maese Pedro”, em Amsterdão. Publicou poemas e crítica cinematográfica em “Cahiers d’Art” e “La Gaceta Literaria”.
Um filme Fritz Lang “As Três Luzes” impressionou-o e começou a dedicar-se ao cinema. Entrou para a Academia de Cinema de Paris, onde assistiu aos cursos de Epstein. Em 1927, escreveu o seu primeiro guião para a celebração do centenário da morte de Goya.
Em 1929, rodou “Um Cão Andaluz”, curta metragem muda de 17 minutos, verdadeiro manifesto surrealista. A sua estreia causou escândalo e teve a exibição suspensa por atentar contra os princípios morais e costumes estabelecidos. Em 1930, dirigiu “A Idade do Ouro”.
Em 1931, a Metro-Goldwyn Mayer contratou-o por seis meses. Aí conheceu Charles Chaplin e Sergei Eisenstein. Regressou a Espanha. Em 1932, afastou-se do surrealismo e aproximou-se do Partido Comunista, colaborando com a Associação de Escritores e Artistas Revolucionários.
Nesse ano, fez o documentário “Terra sem Pão”, proibido pela censura. Quando começou a Guerra Civil, Buñuel foi destacado para França a fim de coordenar as missões de propaganda. Ajudou André Malraux a rodar “Sierra de Teruel”.
Depois, o governo republicano enviou-o a Hollywood para supervisionar filmes sobre a Guerra Civil. Em 1941, Buñuel foi contratado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, como produtor associado na área de documentários.
Em 1946, chegou ao México para filmar uma adaptação de “A Casa de Bernarda Alba de Lorca”. Projeto que foi suspenso. Em 1949, naturalizou-se mexicano e dirigiu “La Gran Calavera”. Em 1950, rodou “Os Esquecidos”, dando início a uma série de filmes de denúncia social.
Em 1951, Buñuel filmou “La Hija del Engaño”, “Una Mujer Sin Amor” e “Subida ao Céu”. Em 1952, rodou “O Bruto” e “Robinson Crusoé”. Em 1953, rodou “Escravos do Rancor” e “A Ilusão Viaja de Trem”. Em 1954, filmou “O Rio e a Morte”. Em 1955, rodou “Ensaio de um Crime”.
Em 1956, Buñuel dirigiu “La Mort en ce Jardin”, co-produção franco-mexicana. Em 1958, rodou “Nazarin” com o qual conquista a Palma de Ouro, em Cannes. Regressou a Espanha, em 1961, rodando “Viridiana” que recebe furiosos ataques da Santa Sé.
Em 1963, Buñuel dirigiu “Diário de uma Camareira”. Depois de interpretar alguns pequenos papeis no cinema, filmou “Simon do Deserto”, inspirando-se em ideias de Lorca. Com a estreia de “La Belle de Jour”, em 1966, conquista um estrondoso êxito e o Leão de Ouro de Veneza.
Em 1970, Buñuel rodou “Tristana”, filme sobre a obra de Galdós, com um grande elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey e Franco Nero. Em 1972, rodou “O Charme Discreto da Burguesia” e obtém o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 1974, Buñuel rodou “O Fantasma da Liberdade”. Em 1977, terminou o seu último filme “Esse Obscuro Objeto do Desejo”. Em 1982, foi publicado “Meu Último Suspiro”, memórias ditadas a Jean-Claude Carrière.
Veja também: http://www.luisbunuel.org/biogra/biograf.html





Memórias: Anta Diop

2 01 2017

diop

No dia 29 de dezembro de 1923, nasceu Anta Diop. Foi um historiador, antropólogo, filósofo, matemático e físico senegalês. Escreveu diversas obras sobre a raça humana e a cultura africana pré-colonial. Diop foi um dos maiores historiadores africanos do século XX. Por António José André.
Diop nasceu, em Thieytou (Senegal). Formou-se em História, no Senegal. Em 1946, mudou-se para Paris e formou-se em Matemática. Ao mesmo tempo, matriculou-se na Faculdade de Filosofia e Letras da Sorbonne e participou na criação da Associação de Estudantes Africanos, em Paris.
Em 1947, Diop iniciou investigações linguísticas sobre o wolof e o sérère. Ao concluir Filosofia, começou a estudar Física, sob a direção de Frederic Joliot-Curie (genro de Marie Curie). Traduziu parte da Teoria da Relatividade, de Einstein, para o seu idioma: o wolof.
Em 1951, a Universidade de Paris recusou a sua tese de doutoramento sobre a ideia de que o antigo Egito tinha sido uma cultura negra. Em 1955, a tese de Diop foi publicada no livro, “Nations Nègres et Culture” (‘Nações Negras e Cultura’).
Em 1960, Diop teve êxito na defesa da sua tese e obteve o doutoramento. Nesse ano publicou, “Les Fondements Economiques et Culturels d’un Etat Federal d’Afrique Noire (‘Os Fundamentos Económicos e Culturais de um Estado Federal da África Negra’).
Diop regressou ao Senegal, onde continuou a escrever e a investigar. A Universidade de Dakar criou um laboratório de radiocarbono para o ajudar na investigação. Diop usou essa técnica para determinar o conteúdo de melanina das múmias egípcias.
Naquela época, Diop começou a sua atividade política, participando na criação do partido da oposição: o Bloc des Masses Sénégalaises (BMS). Foi preso, em julho de 1962, e libertado um mês depois. Em 1963, o BMS foi declarado ilegal e foi dissolvido, mas Diop criou um novo partido, que também foi dissolvido pelo Governo de Leopold Sedar Senghor, em 1964.
Em 1966, no 1º Festival das Artes Negras, recebeu o Prémio de escritor que mais influência exerceu no pensamento africano do século XX. Em 1974, participou num debate, promovido pela Unesco (Cairo), onde apresentou as suas teorias a outros especialistas em egiptologia.
Em 1976, Diop criou um novo partido, o Rassemblement National Democratique (RND), que foi declarado ilegal. Leopold Senghor deixou o poder, em 1980. O seu sucessor, Abdou Diouf, aboliu as leis que proibiam a formação de partidos políticos.
Deste modo, o RND foi legalmente reconhecido. No entanto, após as eleições, Diop recusou assumir o cargo de deputado na Assembleia Nacional, como froma de protesto, por considerar que as eleições tinham sido fraudulentas.
Anta Diop faleceu, no dia 7 de fevereiro de 1986. O seu corpo foi enterrado na sua aldeia natal, Caytou (Thieytou, Senegal).





Memórias: John Cassavetes

11 12 2016

cassavetes

A 10 de dezembro de 1929, nasceu John Cassavetes. Foi um ator e diretor de cinema norte-americano. Considerado “pai do cinema independente dos EUA”, tornou-se uma referência por causa do seu estilo quase artesanal de trabalho. Por António José André.

Filho de imigrantes gregos, Cassavetes cresceu, em Long Island. Licenciou-se na Academia de Artes Dramáticas (Nova Iorque), em 1950. Foi ator de teatro e teve pequenos papéis em filmes. Participou em dramas televisivos, onde se especializou na interpretação de jovens delinquentes.

Nos finais de 1950, foi protagonista principal da série televisiva “Johnny Staccato”, que lhe deu fama e dinheiro para investir na produção do seu primeiro filme “Shadows”, que tinha um orçamento exíguo e contou com a presença de alunos dum seminário organizado por Cassavetes.

Este filme teve êxito e deu início à chamada Escola de Nova Iorque. Depois foi contratado pela Paramount, rodando dois filmes, que não o satisfizeram. Começou uma nova etapa com “Faces” (1968), onde pretendeu mostrar a mediocridade da vida burguesa norte-americana.

Seguiram-se: “Os maridos” (1970), “Assim Falou o Amor (1971), “Uma Mulher Sob Influência” (1974), considerada uma das suas obras-primas, “A Morte de Um Apostador Chinês” (1976), “Noite de Estreia” (1977), “Glória” (1980), “Amantes” (1984) e “Um Grande Problema” (1986).

Cassavetes também participou como ator em filmes de reconhecidos diretores:  Robert Aldrich, Roman Polanski, Brian de Palma, John Hough…

Cassavetes foi um realizador independente e experimental. Tornou-se uma referência por causa do seu estilo quase artesanal de trabalho: orçamentos reduzidos, produção independente e a mesma equipa de técnicos e atores, geralmente amigos seus. Os seus filmes sofreram cortes e tiveram problemas na distribuição, mas conseguiram reconhecimento em festivais internacionais: San Sebastian, Veneza e Berlím.

Cassavetes faleceu, a 3 de fevereiro de 1989, por causa de uma cirrose hepática. Os seus restos mortais encontram-se no cemitério de Westwood Village Memorial.





Memórias: Aldous Huxley

24 11 2016

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No dia 22 de novembro de 1963, faleceu Aldous Huxley. Foi um escritor inglês conhecido pela obra “Admirável Mundo Novo”. Huxley publicou contos, ensaios, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes. Foi entusiasta do uso responsável do LSD e também uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas. Por António José André.
Huxley cresceu numa família de tradição intelectual. Licenciou-se em literatura inglesa, no Balliol College de Oxford (1913-1915). Trabalhou para a revista “Athenaeum” e, como crítico de teatro, na “Westminster Gazzette”.
As suas primeiras publicações foram coleções de versos: “The Burning Wheel” (1916), “Jonah” (1917) e “Leda” (1920). Em 1921, publicou a novela “Férias em Crome”, uma crítica mordaz aos ambientes intelectuais.
Huxley viajou constantemente pela Europa, Estados Unidos, América e India. Em 1932, publicou o seu livro mais conhecido, “Admirável Mundo Novo”: ficção futurista e pessimista duma sociedade regida por castas, onde imagina uma substância ou droga utilizada para fins totalitários.
A partir de 1940, Huxley começou uma “época mística”, aproximando-se à literatura religiosa da India. A partir de 1950, Huxley iniciou uma etapa relacionada com experiências com drogas, das quais resultou, “As Portas da Perceção” (1954), uma obra que teve muita influência na sociedade norte-americana. Como foi o caso da escolha do nome para a banda “The Doors”.
Considerado um dos iniciadores do psicadelismo, pelas suas meditações e experiências com mezcalina e LSD, Huxley também foi uma das vozes contra as monstruosas técnicas das guerras sucessivas.





29 NOV: Apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo”

10 11 2016

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No dia 29 de novembro (3ªfeira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria , para a apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo” (Edições Combate)**. O evento, que contará com as presenças de Alda Sousa (Prof. Universitária), Catarina Agreira (Estudante) e João Gaspar (Jornalista), decorrerá no Café Santa Cruz (Coimbra), às 21h30.
Em 2017, assinalar-se-ão os 100 anos da Revolução Russa. Esta edição comemorativa do clássico de John Reed, prefaciada por Francisco Louçã e ilustrada por Catherine Boutaud, constitui um documento fundamental para a compreender em tudo aquilo que ela teve de transformador e contraditório.
** Ver em: http://www.combate.info/





Memórias: Primeira Internacional

28 09 2016

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No dia 28 de setembro de 1864, foi fundada, em Londres, a Associação Internacional de Trabalhadores (conhecida como Primeira Internacional), que defendia a abolição dos exércitos nacionais, o direito à greve e a coletivização dos bens de produção. Por António José André.
Na década de 1860, uma conjugação de acontecimentos sacudiu a letargia em que o mundo revolucionário e sindical se encontrava. Em 1861, Garibaldi comandando as suas tropas, que enverganvam camisas vermelhas, ocupou a Sicilia e integrou-a, juntamente com Nápoles, no Reino de Itália (em formação).
A unificação da península italiana foi a primeira grande derrota das forças ultraconservadoras da Europa: a Igreja Católica e o Império Austro-Húngaro. A isso juntou-se a Guerra da Secessão, nos Estados Unidos, a abolição da escravatura e a rebelião polaca (1863) contra o domínio czarista.
Em todos esses acontecimentos, houve uma onda de solidariedade internacional a favor das lutas pela liberdade. Impactadas com o que acontecia no mundo, as lideranças sindicais e ativistas socialistas começaram a pensar em fundar uma organização que defendesse a luta dos trabalhadores e das nações oprimidas.
A Primeira Internacional era uma confederação de diversas tendências ideológicas. sindicalistas que não queriam envolver-se na política, cooperativistas prudhonianos, blanquistas, republicanos e democratas radicais. Solicitaram a Karl Marx que redigisse uma declaração de princípios e os estatutos provisórios.
O programa de lutas incluía uma conjunto de reivindicações e propostas: permanente solidariedade com todos trabalhadores e as suas lutas; promoção do trabalho cooperativo; redução da jornada das mulheres e crianças; estímulo à organização sindical; defesa da autodeterminação das nações…
O Conselho Geral da Primeira Internacional era formado por George Odger (presidente), George Wheeler (tesoureiro), Karl Marx (secretário pela Alemanha), G.Fontana (secretário pela Itália), J. Holtorp (secretário pela Polónia), Herman Jung (secretário pela Suíça) e P. Lebez (secretário pela França).
As atividades da Primeira Internacional foram interrompidas, em 1870, e retomadas no Congresso de Paris (1889) sob o nome de Segunda Internacional. Em 1914, a Segunda Internacional sofreu golpes e adotou posições nacionalistas.





22 SETEMBRO – Apresentação do livro: “Segurança Social: Defender a Democracia”

16 09 2016

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No próximo dia 22 de setembro (5ª.feira), vai haver mais uma sessão pública, promovida Por Mão Própria, para a apresentação do livro “Segurança Social: Defender a Democracia“. O evento, que contará com as presenças de dois autores, Francisco Louçã e José Luís Albuquerque, será apresentado por Pedro Nogueira Ramos, no Café Santa Cruz, às 21h30.
“Segurança Social: Defender a Democracia” (Bertrand Editora, 2016), obra coordenada por Francisco Louçã, José Luís Albuquerque, Vítor Junqueira e João Ramos de Almeida, que teve a colaboração de Manuel Pires, Maria Clara Murteira, Nuno Serra e Ricardo Antunes, foi prefaciada por Ferro Rodrigues.

“Este livro nasceu dos trabalhos das Oficinas Sobre Políticas Alternativas, desenvolvidas durante dos anos da troika no âmbito do Observatório sobre Crises e Alternativas (do Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra). Nessas Oficinas cruzaram-se diversos investigadores em políticas sociais, e um dos seus temas foi o futuro da Segurança Social.
Para todos esses investigadores, o conceito de Estado Social corresponde a uma forte política redistributiva que defina regras de proteção do rendimento pessoal dos trabalhadores e das suas condições de vida. A redistribuição é aqui entendida como a conjugação de pelo menos quatro políticas essenciais (pensões mas também formas de proteção social com o apoio ao rendimento no desemprego e na doença; serviço nacional de saúde; educação pública; e habitação), mas é a primeira que é discutida.
Conhecendo as dificuldades e resistências ao desenvolvimento dessas regras sociais, o livro apresenta perguntas e sugere respostas sobre a Segurança Social. Muitas destas questões são as mais correntes, muitas delas as mais difíceis. E, mesmo quando os autores discutem respostas diferentes, partem de uma preocupação comum: os sistemas de proteção social são formas essenciais da democracia. Procura-se, por isso, responder com cuidado, com informação estatística, com os documentos de referência e com grande inquietação.
O futuro da Segurança Social tornou-se um dos temas mais importantes das pressões internacionais sobre o Estado português e um dos debates nacionais mais intensos. Responde-se a esse debate com este livro. Contra as ideias feitas, estudamos os dados concretos; contra as ideias simples, apresentamos soluções detalhadas; e contra as soluções destruidoras, o livro mostra que se pode construir um sistema sólido de segurança social, que garanta o futuro do contrato inter-geracional que é o pilar da democracia.”





Memórias: Georges Simenon

9 09 2016

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No dia 4 de setembro de 1989, faleceu o escritor belga de língua francesa, Georges Simenon. Foi um dos mais célebres autores dos romances policiais. As tiragens dos seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. Por António José André.
Georges Simenon nasceu numa sexta-feira, dia 13 de fevereiro de 1903, em Liège (Bélgica). No colégio jesuíta de Saint-Servais, tomou consciência da sua inferioridade social: a maioria dos colegas eram internos; ele frequentava a escola em regime de semi mensalidade, especial para crianças modestas.
Simenon abandonou os estudos, antes de completar o secundário, trabalhando como aprendiz de confeitaria e bibliotecário. Aos 15 anos, tornou-se repórter no jornal católico “Gazette de Liège”, assinando com pseudónimo.
Os textos de Georges Simenon começaram a ser apreciados pelo seu tom cáustico. Colaborou com vários jornais, demonstrando uma proficuidade precoce: entre 1919 e 1922, escreveu cerca de 800 textos. Em 1920, Georges Simenon escreveu o primeiro romance, “Au Pont des Arches”.
Mudou-se para Paris com Régine Renchon, estudante de Belas-Artes com quem se casou. Para sobreviver, Simenon escreveu romances populares a um ritmo torrencial e com os diversos pseudónimos.
Em 1928, o casal Simenon viajou de navio durante meses pelos canais e rios de França. Essa seria uma das muitas viagens que se tornaram habituais e que forneceriam uma vasta paisagem à obra de Georges Simenon.
Em setembro de 1929, surgiu o comissário Maigret, em “Train de Nuit”, escrita com o pseudónimo Christian Brulls. “Pietr-le-Letton” foi o primeiro romance do comissário Maigret, assinado por Georges Simenon e publicado, em 1930.
Em 1931, foi lançada a coleção Maigret. O comissário passou a rivalizar com personagens célebres de romances policiais (Sherlock Holmes e Hercule Poirot) pois era mais humano. O sucesso da série foi imediato.
Maigret desvendava os mais variados tipos de crimes, tendo como pano de fundo painéis e críticas sociais. Os romances começam a ser adaptados para o cinema e o prestígio do autor cresceu entre a crítica.
Simenon começou a publicar romances pela Gallimard (maior editora francesa da época), mantendo um fluxo de romances na editora Fayard. Durante a ocupação nazi, a publicação de livros foi dificultada, em França.
Em 1945, o casal foi para os Estados Unidos. Com o apoio de um novo agente literário, Simenon reorganizou a sua obra e começou a publicar pela editora francesa,”Presses de la Cité”.
No final da década de 40 o prestígio literário de George Simenon cresceu na América do Norte e noutras zonas fora do eixo França-Bélgica, surgindo os primeiros estudos críticos sobre a sua obra.
Simenon tornou-se membro da Academia Real de Língua e Literatura francesas da Bélgica e foi eleito presidente da Mystery Writers of America, a mais importante associação de autores de crime e mistério.
Na década de 50, o escritor voltou a residir na França. Em 1972, decidiu parar de escrever. “Maigret et M. Charles” foi o 192º e último romance assinado por Georges Simenon.
Simenon escreveu 192 romances, 158 novelas, obras autobiográficas, numerosos artigos e reportagens com o seu nome. Escreveu 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos com pseudónimos diferentes.: Jean du Perry, Georges Sim, Christian Brulls, Luc Dorsan, Gom Gut, Georges Martin-Georges, Georges d’Isly, Gaston Vialis, G. Vialo, Jean Dorsage, J. K. Charles, Germain d’Antibes, Jacques Dersonne.
Diferente de muitos autores, Simenon propunha uma intriga simples com personagens fortes. Os seus romances colocam o leitor num mundo rico de formas, cores, sentimentos e sensações.





Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

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No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.





Memórias: Ottavio Bottecchia

4 08 2016

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No dia 1 de agosto de 1894, nasceu Ottavio Bottecchia. Foi um ciclista italiano, que venceu duas vezes a Volta à França, em 1923 e 1925. Era comunista e morreu aos 33 anos num acidente misterioso. Por António José André.
Bottecchia nasceu em Colle Umbertonuma, pequena aldeia da Úmbria (Itália). De família humilde e quase analfabeto, começou a trabalhar como pedreiro até aprender a andar de bicicleta, na época da Iª Guerra Mundial.
Bottecchia foi encontrado moribundo, a 3 de Junho de 1927, com uma fratura no crânio, numa clavícula e escoriações noutros ossos. Levado para o hospital de Gemona del Friuli, acabaria por falecer 11 dias depois. Tinha 33 anos de idade.
A estranha morte de Ottavio Bottecchia
Bottecchia faleceu, a 14 de junho de 1927, em circunstâncias estranhas. Um agricultor de Peonis, localidade próxima da povoação onde residia Bottecchia, encontrou-o moribundo na berma da estrada.
Oficialmente, a sua morte foi considerada resultado de um acidente, quando treinava. A primera teoria falava de uma insolação que o fizera cair ao solo. A sua bicicleta estava a alguns metros dali: não sido roubada, nem danificada.
Alguns, defenderam que teria sido a participação de uma quadrilha de fascistas, como represália pelas ideias comunistas de Bottecchia e pela sua oposição frontal ao regime de Mussolini.
A investigação oficial encerrou, dando por certa a teoria do acidente e a famiíia do ciclista, que receceu uma suculenta indemnização pela sua morte, não mostrou interesse em procurar saber mais.
Mas, nos anos seguintes, para acrescentar confusão à história, 2 pessoas culparam-se da morte de Bottecchia. Primeiro, foi um emigrante italiano detido, em Nova Iorque, que declarou ter assassinado Bottecchia a mando de um dirigente fascista.
Duas décadas depois, um camponês propietário da vinha, onde tinha sido encontrado o corpo moribundo de Bottecchia, confessara ter assassinado acidentalmente o ciclista.
Quase nove décadas depois da morte de Bottecchia, as causas da mesma continuam envoltas – tal como a sua personalidade – num manto misterioso.





Memórias: Mário Dionísio

25 07 2016

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No dia 16 de Julho de 1916, nasceu em Lisboa, Mário Dionísio. Foi escritor, professor e crítico de arte. Foi um dos mais importantes teorizadores do neo-realismo português. Por António José André.

Mário Dionísio frequentou os liceus Luís de Camões e Gil Vicente, em Lisboa, e o liceu André Gouveia, em Évora. Em 1940, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Durante vinte anos, Mário Dionísio foi professor do ensino secundário no Liceu Camões, em Lisboa. Depois do 25 de Abril, foi professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, até 1986.

Mário Dionísio colaborou em diversos jornais e revistas: Altitude, Diário de Lisboa, Gazeta Musical, Mundo Literário, Presença, Revista de Portugal, Seara Nova e Vértice.

Enquanto artista plástico, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em muitas exposições colectivas, Realizou a sua primeira exposição individual, em 1989.

Mário Dionísio prefaciou obras de vários autores: Alves Redol, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, José Gomes Ferreira, Júlio Pomar e Manuel da Fonseca.

No domínio da ficção, Mário Dionísio publicou, entre outras obras, “As Solicitações e Emboscadas” (1950), “Riso Dissonante” (1950), “Memória de um Pintor Desconhecido” (1965) e “Le Feu Qui Dort” (1967).

Em Setembro de 2009, abriu a Casa da Achada, em Lisboa, que constitui um importante pólo cultural onde se pode encontrar o espólio de Mário Dionísio. Veja aqui: http://www.centromariodionisio.org/





Memórias: Vinicius de Moraes

11 07 2016

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No dia 9 de julho de 1980, morreu Vinicius de Moraes, um dos mais populares poetas brasileiros. Vinicius foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, cantor e compositor. Por António José André.
Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu, dia 19 de Outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da perfeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista amadora.
Vinicius viveu toda a infância no Rio de Janeiro. Nasceu no bairro da Gávea e, aos três anos, mudou-se para Botafogo, morando com os avós e frequentando a Escola Primaria. Foi na sua infância que escreveu os primeiros versos.
Em 1924, Vinicius entrou para o Colégio Santo Inácio, onde cantava no coro da igreja. Em 1929, a família voltou para Gávea. Nesse ano, entrou para a Faculdade de Direito. Em 1933, concluiu o curso e publicou “O Caminho para a Distância”.
Em 1935, publicou o livro “Forma e Exegese”. Em 1938, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas, na Universidade de Oxford. Nesse ano, publicou “Os Novos Poemas”.
Com o inicio da II Guerra Mundial, voltou para o Rio de Janeiro. Nos anos seguintes publicou muitos poemas e ficou conhecido como um dos grandes poetas do amor, tornando-se assim um dos mais populares da Literatura Brasileira.
A sua obra foi vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, Vinicius considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação. No campo musical, teve como principais parceiros: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Escute aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TueK35ZEW-c





Memórias: Carlos Gardel

27 06 2016

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No dia 24 de junho de 1935, morreu Carlos Gardel. O avião em que viajava chocou com um outro, ao descolar do Aeroporto da cidade de Medellin (Colômbia). Carlos Gardel é sinónimo de tango e uma das personalidades artísticas mais queridas da Argentina. Por António José André.

Carlos Gardel nasceu, no dia 11 de dezembro de 1890, na cidade de Toulouse (França). O seu verdadeiro nome era Charles Romuald Gardès. Filho de pai desconhecido, chegou a Buenos Aires com a mãe, Marie Berthe, quando tinha apenas dois anos.

Carlos Gardel viveu a sua infância e adolescência no bairro do Mercado de Abasto. Pobre, desde cedo, fazia pequenos trabalhos para ajudar a sua mãe. Começou a sua carreira em cafés e reuniões de bairro.

Em 1911, conheceu o uruguaio, José Razzano, e formou com ele um duo, “El Morocho y El Oriental”, que interpretava ritmos populares locais. Naquele momento, mudou o seu apelido para Gardel e converteu-se no fenómeno musical da década.

Em 1914, cresceu a sua popularidade, quando passou a apresentar-se regularmente no cabaré Armenonville, em Buenos Aires. Naquela época, o tango ainda era uma música meramente instrumental e dançante, sem letra.

Em 1917, surgiu a canção “Mi noche triste”, da autoria de Samuel Castriota e Pascual Contursi. Gardel interpretou-a e converteu-se, assim, no primeiro cantor de tangos. Ainda, em 1917, rodou o primeiro dos seus filmes, “Flor de Durazno”.

Na década de 1920, Carlos Gardel fez uma tournée pela Europa. O tango passou a ser admirado em diversas cidades de França e Espanha. A consagração deu-se, em Paris, onde foi aclamado por plateias que chegavam ao êxtase.

Depois do seu regresso à Argentina, em 1925, Carlos Gardel dedicou-se inteiramente à gravação de discos. O extraordinário sucesso das suas interpretações renderam-lhe uma imensa popularidade.

No início da década de 1930, Carlos Gardel já era uma celebridade mundial. A sua popularidade levou a companhia norte-americana Paramount Pictures a contratá-lo para quatro filmes que foram rodados, em França.

Em 1934, invadiu o mercado musical norte-americano. Carlos Gardel recebeu incontáveis convites para cantar em rádios, gravar discos e participar em filmes centrados na sua figura de cantor, que o transformaram num ídolo.

Foi em 1935, por ocasião de uma tournée em diversos países da América Latina, ocorreu o desastre que o matou. Gardel encontrava-se no auge da sua carreira. Milhões de admiradores em todo o mundo choraram sua morte.

O mito de Carlos Gardel atravessou vigorosamente todo o século XX. O tango está indissoluvelmente ligado ao seu nome. Os seus restos estão enterrados no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.





Memórias: José Luís Borges

17 06 2016

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No dia 14 de junho de 1986, morreu o argentino, Jorge Luís Borges. Foi um dos escritores mais importantes do século XX e procedia de uma família que contribuiu para a independência da Argentina. Borges foi um crítico literário, tradutor e ensaísta. Por António José André.

Nascido em Buenos Aires, a 24 de agosto de 1899, Jorge Luís Borges cresceu no bairro Palermo. Aprendeu a ler inglês com a avó Fanny Haslam. Com 10 anos publicou uma tradução para castelhano de “O Príncipe Feliz”, de Oscar Wilde.

Quando começou a Iª Guerra Mundial, Borges estava com a família, em Genebra (Suíça). Nessa altura devorava obras francesas, desde os clássicos (Voltaire ou Victor Hugo) aos simbolistas, até ao expressionismo alemão.

Em 1918, a família passou a morar, em Espanha. Primeiro, em Barcelona e depois, em Maiorca, onde publicou os seus primeiros versos, exaltando a Revolução Bolchevique sob o título, “Somos Vermelhos”.

Em 1921, regressou a Buenos Aires, fundando com outros jovens a revista “Prismas” e depois a “Proa”. O seu primeiro livro de poemas foi “Fervor de Buenos Aires” (1923). Publicou “Luna de Frente” (1925) e “Cuaderno San Martín” (1928).

Borges publicou “Evaristo Carriego” (1930), a “Discusión” (1932) e “História Universal da Infâmia” (19359. Nessa década, a sua fama cresceu na Argentina, porém a sua consagração internacional chegaria muito depois.

Borges fez crítica literária e traduziu obras de Virginia Woolf, Henri Michaux e William Faulkner. Em 1938, teve um grave acidente por causa da falta de visão. A partir daí, teve que se resignar a ditar os seus contos fantásticos.

Em 1945, instaurou-se o peronismo na Argentina. Por ter assinado manifestos antiperonistas, o governo demitiu Borges de bibliotecário e nomeou-o inspetor das aves e coelhos dos mercados.

Renunciou ao cargo e passou a ganhar a vida como conferencista. Mostrou-se um forte opositor do regime peronista e, nessa época, publicou “O Aleph” (1949). Borges continuou a publicar antologias de contos e volumes de ensaios até à queda do peronismo.

Em 1955, o novo governo argentino nomeou-o, devido ao seu grande prestígio literário, diretor da Biblioteca Nacional e também foi eleito para a Academia Argentina de Letras.

Borges saudou a queda de Estela Peron, em 1976, e a ascensão da Junta Militar. Arrependeu-se depois, quando entrevistou o ditador e quis saber do paradeiro de intelectuais desaparecidos.

Mas o mal estava feito. Ganhou fortes inimizades na Europa e o sueco Artur Ludkvist afirmou que Borges nunca receberia o Prémio Nobel. O Prémio Cervantes compensou em parte o facto de nunca ter recebido o Nobel.

José Luís Borges foi o escritor argentino com maior projeção internacional. Criou uma cosmovisão bastante singular, baseada num modo de entender conceitos como os do tempo, espaço, destino ou realidade.





Memórias: Criação do Selo de Correio

7 05 2016

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No dia 6 de maio de 1840, surgiu o selo de correio em Londres. Antes dessa data, o porte de cartas era pago pelo destinatário em função da distância. O selo de correio é uma estampilha (adesiva ou fixa), destinada a comprovar o pagamento de uma taxa por serviços postais. Por António José André.

Em 1837, um professor inglês, Rowland Hill, redigiu um memorando para o primeiro ministro, Lorde Melbourne. Nesse texto, intitulado “Postal Reform; its Importance and Practicability” (A Reforma Postal: a Sua Importância e Praticidade), propondo o pagamento do porte antecipado por um preço proporcional ao peso e distância percorrida no país. O pagamento seria garantido por um selo adesivo e um carimbo que anulanva a sua reutilização.

A reforma foi incluída no orçamento aprovado pelo Parlamento britãnico, em agosto de 1839. Rowland Hill começou a trabalhar, detalhando o projeto através de um concurso de artistas. Milhares de correspondentes anónimos fizeram chegar às suas mãos as mais variadas sugestões.

O primeiro selo de correio, Penny Black, permitia enviar uma carta com o peso máximo de 14 gramas, pelo custo de um penny. Os selos de correio são a mais popular forma de pagamento para a troca de correspondência.





Memórias: Joan Miró

26 04 2016

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No dia 20 de abril de 1893, nasceu Joan Miró. Foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista catalão. Miró criou formas imaginárias, figuras coloridas e símbolos próprios formados por manchas e linhas carregadas. Por António José André.

Joan Miró nasceu, em Barcelona (Espanha). Não completou os seus estudos, apesar da insistência da família. Estudou comércio e trabalhou durante dois anos ao balcão de uma farmácia até sofrer uma crise nervosa. Passou um longo tempo na casa da família, em Mont-Roig del Camp. Em 1912, voltou para Barcelona, ingressando na Academia de Artes, dirigida por Francisco Gali, que o apresentou às últimas tendências artísticas europeias.

Inicialmente, Joan Miró apresentou uma pintura com um estilo expressionista, com influencias fauvistas e cubistas, distorcendo formas e usando cores pouco reais, que destruíam os valores tradicionais. Entre 1915 e 1919, Miró vivia entre Mont-Roig e Barcelona. Em 1919, foi para Paris, onde conheceu Picasso e Tristan Tzara, um dos fundadores do Dadaísmo. Aos poucos a sua pintura evoluiu para uma maior definição de forma.

Em 1924, a pintura de Miró foi influenciada pelo movimento surrealista, surgido, em Paris, apresentando cenas oníricas e paisagens imaginárias. É dessa época a tela “O Carnaval do Arlequim”. Em 1928, Miró pintou “O Interior Holandês”, uma das pinturas marcantes do artista. Nesse  ano, o Museu de Arte Moderna adquiriu duas telas de Joan Miró.

Após uma viagem à Holanda, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, fez ressurgir elementos figurativos nas suas obras. Na década de 1930, Miró tornou-se mundialmente famoso, expondo em galerias francesas e americanas. Fez ilustrações para livros e cenários para bailado. Miró passou a interessar-se por colagens e murais. O seu grafismo reduziu-se a linhas, pontos e manchas coloridas.

Auando eclodiu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Miró estava, em Paris, e a sua produção artística foi fortemente influenciada pelos horrores da guerra. São dessa época “O Ceifeiro” e “Cabeça de Mulher”. No começo da Segunda Guerra Mundial, Miró regressou a Espanha. Nessa época conclui “Constelação”. A partir de 1944, iniciou uma série de murais para o edifício da UNESCO, em Paris, e para a Universidade de Harvard.

Em 1954, Miró ganhou o Prémio de gravura da Bienal de Veneza. Em 1956, mudou-se para Palma de Maiorca. Em 1959, ganhou o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1975, abriu a Fundação Miró, em Barcelona. Joan Miró faleceu, em Palma de Maiorca (Espanha), no dia 25 de dezembro de 1983.





MEMÓRIAS: A INVENÇÃO DO LÁPIS

6 04 2016

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No dia 6 de abril de 1564, foi inventado o lápis, na Inglaterra, um utensílio que continua a ser útil nos dias de hoje. O lápis foi concebido para marcar, riscar e até mesmo cortar superfícies. Por António José André.

O lápis é uma ferramenta para escrever, desenhar ou até riscar papel, habitualmente constituído por um estilete cilíndrico de grafite revestido de madeira – o tradicional lápis de escrever preto. Mudando-se o material do estilete, produzem-se de forma similar lápis de diversas cores.

O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.

Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.

O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.

Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.

Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.

De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.

A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.

A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.

Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.

Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidor de lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.





Memórias: Spike Lee

21 03 2016

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No dia 20 de março de 1957, nasceu o realizador, escritor, produtor e ator norte-americano, Spike Lee. Ele também ensina Cinema na Universidade de Nova Iorque Spike Lee sempre abordou as questões étnicas e os problemas sociais do país. Por António José André.

Nasceu a 20 de março de 1957, em Atlanta (sul dos E.U.A), com o nome de Shelton Jackson Lee. Filho de Bill Lee, um baixista de Jazz, e de Jaqueline, professora de arte (foi a mãe que o apelidou de Spike). Numa época marcada pelos preconceitos raciais, Spike mudou-se com a família, quando tinha 3 anos, para o Brooklyn.

Estudou no St.Ann College e, depois, no Morehouse College de Atlanta (uma escola exclusiva da comunidade afro-americana), onde se diplomou em Comunicação Social (1978). Frequentou a Escola de Arte da Universidade de Nova Iorque, onde realizou uma série de curtas metragens, que foram usadas na sua tese (1983). Posteriormente, foi apresentada e premiada, no Festival de Locarno.

A sua primeira longa metragem “Lola Darling”(1986), foi escrita e interpretada por ele mesmo e laureada, em Cannes. Esse filme constitui um dos maiores registos do cinema afro-americano, condição que é retomada nos seus filmes: “Aulas Turbulentas” (1988) e “Faça a Coisa Certa” (1989).

Spike Lee é um dos poucos realizadores que consegue equilibrar os seus interesses políticos com os da indústria superficial de Hollywood. Todas as suas produções têm sido um éxito, seja pela controvérsia que geram, seja pelo seu conteúdo.

A sua produtora, “40 Acres & A Mule Filmworks”, divide as produções dos seus filmes com comerciais para a televisão e videoclips (para artistas comoTracy Chapman, Miles Davis, Chaka Khan, Anita Baker, Public Enemy e Michael Jackson).

Combinando arte com negócio, Spike Lee encarregou-se de várias campanhas de publicidade para a Levi´s e a Nike, filmando Michael Jordan para a linha de roupa e sapatilhas chamada ‘Air Jordan’. 

Spike Kee também dirigiu o filme “Malcolm X”, sobre o famoso ativista afro-americano dos anos 60, e provou a sua versatilidade em “Uma Família de Pernas pró Ar” (1994), comédia escrita com o seu irmão, e “Irmãos de Sangue” (1995).

Filmografia

2015 – Chi-raq

2013 – Oldboy (remake)

2012 – Michael Jackson – Bad 25

2012 – Go Brazil Go!

2012 – Verão em Red Hook

2009 – Miracle at St. Anna

2006 – O Plano Perfeito

2005 – Quando os diques se rompem: Um requiem em quatro atos (When the leeves broke: A réquiem in four acts)

2005 – Crianças Invisíveis (All the invisible children)

2005 – Jesus children of America

2005 – Miracle’s boys (TV)

2004 – Sucker Free City (TV)

2004 – Elas me Odeiam, Mas me Querem (She hate me)

2002 – A Última Noite

2002 – Ten minutes older: The trumpet

2002 – Jim Brown all American

2001 – Come rain or come shine

2001 – The Concert for New York City (TV)

2001 – A Huey P. Newton Story (TV)

2000 – A Hora do Show (Bamboozled)

2000 – The Original Kings of Comedy

1999 – O Verão de Sam

1998 – Freak (TV)

1998 – Jogada Decisiva

1997 – 4 Little Girls (Documentário)

1996 – Todos a Bordo

1996 – The fine art of separating people from their money

1996 – Garota 6

1995 – Lumière et Compagnie

1995 – Irmãos de Sangue

1994 – Uma Família de Pernas pro Ar

1992 – Malcolm X (filme)

1991 – Febre da Selva

1990 – Mais e Melhores Blues

1989 – Faça a Coisa Certa

1988 – Lute Pela Coisa Certa

1986 – Ela quer tudo (She’s Gotta Have It)

1983 – Joe’s Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads

1981 – Sarah (filme)

1980 – The answer

1977 – Last hustle in Brooklyn





Memórias: Serge Gainsbourg faleceu há 25 anos

5 03 2016

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No dia 2 de março de 1991, faleceu Serge Gainsbourg. Foi um músico, cantor, ator, diretor, pintor, artitsa plástico e poeta francês. Foi um talentoso compositor que soube passear por diversos ritmos e estilos: jazz, mambo, rock and roll, reggae, disco, new wave, pop e funk… Por António José André.

Serge Gainsbourg nasceu, no dia 2 de abril de 1928, em Paris. Era filho de judeus russos que tinham emigrado para França, fugindo da revolução de 1917. O pai era pianista e tocava em clubes parisenses.

Serge começou a vida a pintar e a trabalhar como pianista. O seu primeiro álbum “Du chant à la une!” foi editado, em 1958. Mas a sua carreira começou a crescer, quando passou a compor para France Gall (1966).

A sua canção mais conhecida, “Je T’aime, Moi Non Plus” (1969), foi cantada com a atriz britânica Jane Birkin, que já tinha causado escândalo em cenas do filme “Blow-Up”, de Michelangelo Antonioni.

Também foi ator e realizador de cinema. Contudo, a sua maior personagem foi ele mesmo. Viciado em cigarros e álcool, Serge colecionou escândalos e amantes, que serviram de combustível para a carreira.

Serge Gainsbourg morreu há 25 anos. O seu corpo foi enterrado no cemitério de Montparnasse, em Paris. No dia do seu funeral. o então presidente, François Mitterrand, declarou que Gainsbourg fora “o Baudelaire, o Apollinaire… que tinha elevado a música ao nível da arte”.

Discografia

1958 : Du Chant à la Une!
1959 : N°2
1961 : L’Étonnant Serge Gainsbourg
1962 : N°4
1963 : Gainsbourg Confidentiel
1964 : Gainsbourg Percussions
1967 : Anna (trilha sonora)
1968 : Bonnie & Clyde (com Brigitte Bardot)
1968 : Initials B.B. (com Brigitte Bardot)
1968 : Jane Birkin & Serge Gainsbourg
1971 : Histoire de Melody Nelson
1973 : Vu de l’Extérieur
1975 : Rock Around the Bunker
1976 : L’Homme à Tête de Chou
1979 : Aux Armes et Cætera (Versão Reggae da Marseillaise)
1980 : Enregistrement Public au Théâtre le Palace
1981 : Mauvaises Nouvelles des Étoiles
1984 : Love on the Beat
1985 : Serge Gainsbourg Live (Casino de Paris)
1987 : You’re Under Arrest
1988 : Le Zénith de Gainsbourg
1989 : De Gainsbourg à Gainsbarre (coletânea, Coffret 9 CDs)
2001 : Gainsbourg Forever (caixa integral)
2001 : Le Cinéma de Gainsbourg (caixa com 3 CDs)

Filmografia

como diretor
1976 : Je t’aime… moi non plus
1981 : Le Physique et le figuré (court-métrage)
1983 : Équateur
1986 : Charlotte for Ever
1990 : Stan the Flasher






Memórias: Howard Zinn

30 01 2016

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No dia 27 de janeiro de 2010, faleceu Howard Zinn: historiador, dramaturgo e cientista político norte-americano. Zinn foi uma figura proeminente nos movimentos pacifista e pelo reconhecimento dos direitos civis. A sua vida pessoal ficou inevitavelmente ligada à sua obra. Por António José André.
Zinn era filho de imigrantes judeus da Europa Central. Essa origem percorreu a sua vida e obra. Durante a IIª Guerra Mundial incorporou-se na força aérea norte-americana e participou no bombardeamento “experimental” de Royan (mais tarde, chamado de napalm). Essa missão transformou-o num pacifista resoluto.
Após a IIª Guerra Mundial, estudou história, defendendo um doutorado e lecionou em várias universidades. Nunca hesitou em empenhar-se em manifestações, por vezes, duramente reprimidas. Lutou contra a segregação racial e contra a Guerra do Vietname.
Em 1980, publicou “História popular dos Estados Unidos”, obra traduzida em numerosas línguas e adaptada para crianças em desenhos animados. O livro mudou toda a percepção da historiografia norte-americana ao desmontar a sua versão oficial e heróica.
Zinn dedicou, entre outras peças de teatro, uma a Emma Goldman, militante anarquista do começo do século XX, que foi expulsa dos EUA para a Rússia revolucionária.
A influência de Howard Zinn no seu país e no mundo, foi imensa. A partir de 2003, multiplicou conferências e posicionamentos públicos contra as diferentes intervenções norte-americanas e, em particular, contra a invasão do Iraque.
Zinn não era pessinista. Repetia que as liberdades tinham progredido nos EUA, depois da IIª Guerra Mundial, mas o povo poderá impor dentro dalguns anos as mudanças que se acreditariam impossíveis.

Como tributo a Zinn, pode escutar “Down”, canção dos Pearl Jam, que conviveram com ele: https://www.youtube.com/watch?v=jrnf9WoYqJo





Memórias: Calvin and Hobbes

30 12 2015

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No dia 31 de dezembro de 1995, foi publicada a última tira de “Calvin & Hobbes”, série criada, escrita e ilustrada pelo norte-americano Bill Watterson. A série foi publicada em mais de 2000 jornais de todo o mundo, entre 18 de novembro de 1985 e 31 de dezembro de 1995. Por António José André.

Calvin & Hobbes foi considerada uma obra prima pela sua visão do mundo, pela imaginação do protagonista e pelas situações suas insólitas. Watterson abandonou a criação, em 1995, mas as tiras continuam a ser publicadas.

Calvin era um rapaz de seis anos de idade cheio de personalidade com o companheiro, Hobbes, um tigre sábio, que para ele está tão vivo como um amigo verdadeiro, mas para os outros não passa de um tigre de peluche.

Além de diversas outras formas e seres inventados por Calvin, tal como extra-terrestres, super-heróis, dinossauros, etc., muitas vezes acabavam por ser substituídos pela sua professora aos berros nas aulas

De acordo com algumas visões, as fantasias de Calvin constituíam uma fuga à realidade cruel do mundo moderno e uma boa oportunidade de explorar a natureza humana por parte de Bill Watterson.

O nome Calvin foi inspirado no reformador religioso do século XVI, João Calvino, que discorreu acerca da depravação total do homem, ou seja, que o homem está naturalmente inclinado para promover o mal ao seu próximo.

Hobbes recebeu o nome de Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII que tinha aquilo que Watterson chamou de “visão obscura da natureza humana”, sendo o autor da famosa máxima “O homem é o lobo do homem”.

Ainda que tenha obtido recursos monetários dos seus desenhos, Bill Watterson professou um sentimento anticapitalista e proibiu expressamente a editora de vender os direitos para lançar no mercado artigos baseados na BD.

Bill Watterson passou vários anos em conflito com a Universal Press e existem algumas tiras que se referem a isso. Apesar dessa proibição, hoje em dia não é difícil encontrar t-shirts, porta-chaves ou autocolantes com imagens de Calvin.





27 OUT – Apresentação de “Cassador de Muros”

22 10 2015

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No próximo dia 27 de outubro (terça feira), vai haver uma sessão pública, promovida “Por Mão Própria”, no Café Santa Cruz, às 21h30, para a apresentação do livro “Cassador de Muros”/1. O evento contará com as presenças de Ana Filomena Amaral (Autora do Livro), João Fonseca (Jornalista) e Beatriz Martins (Moderadora).

1/“Cassador de Muros” (Chiado Edfitora – 2014) é um livro de Ana Filomena Amaral, mestre em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Possui o curso de pós-graduação em Ciências Documentais/Biblioteconomia e uma larga experiência como intérprete e tradutora de várias línguas europeias, mantendo particular contacto com a língua alemã.
O cassador de muros, o seu sexto romance, narra a odisseia de um jornalista que percorre os países onde ainda existem muros na tentativa de os cassar, ao mesmo tempo que cassa os seus próprios também.

Veja evento em: https://www.facebook.com/events/1085405908157829/





Memórias: Marcel Duchamp

3 08 2015

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No dia 28 de julho de 1887, nasceu o pintor e escultor, Marcel Duchamp, que foi um dos grandes representantes do dadaísmo. A sua obra foi um gesto crítico radical e influenciou experimentações artísticas posteriores. Por António José André.
Em 1901, pintou as suas primeiras obras com grande influência impressionista. Em 1903, deixou a casa da família e foi morar para Paris com o irmão. Nessa época, tentou entrar na Escola de Belas Artes, mas reprovou no exame.
Entãp, foi estudar artes na Academia Julian. Entre 1906 e 1907, Marcel Duchamp fez vários trabalhos de conotação humorística. Em 1907, cinco dos seus trabalhos foram selecionados para o Primeiro Salão de Artistas de Humor.
Em 1911, Marcel Duchamp começou a pintar com influência cubista. É desta fase a sua obra “Sonata”. Nesse ano, Marcel criou a sua primeira obra inovadora “Retrato de jogadores de xadrez”.
Em 1912, a sua obra “Nu descendo uma escada” estava na confluência entre o Cubismo e o Futurismo, destacando-se pelo título, que Duchamp pretendeu incorporar ao espaço mental da obra.
Em 1913, Marcel Duchamp criou o ready-made (usou objetos práticos, transformando-os em obras de arte) com “Roda de bicicleta sobre um banquinho”. O caso mais célebre foi “Fonte”, urinol em louça enviado para uma exposição, em Nova Iorque, recusado pelo comité de seleção.
Em 1915, Marcel Duchamp foi morar para Nova Iorque. Em 1916, surgiu o dadaísmo e Marcel Duchamp passou a fazer parte do grupo de dadaístas de Nova Iorque. Em 1920, viajou para Paris e entrou em contato com dadaístas europeus, entre eles André Breton.
Em 1923, apresentou “O grande vidro”, pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo dividida em duas seções. A parte superior chamou de “A noiva desnudada pelos seus celibatários” e a inferior de “Moinho de chocolate”.
Em 1941, Marcel Duchamp produziu a “Caixa-maleta”,que continha modelos reduzidos das suas obras. Em 1943, criou a “Caixa verde”, contendo fotos, desenhos, cálculos e notas. Marcel Duchamp faleceu, no dia 2 de outubro de 1968, em França.





Memórias: Frida Kahlo

20 07 2015

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No dia 13 de julho de 1954, morreu Frida Kahlo, grande pintora mexicana e uma das maiores pintoras do século XX. Comunista e revolucionária, Frida foi criadora da sua própria personagem e tema da sua obra. Por António José André.
Frida Kahlo nasceu na cidade do México, em 6 de julho de 1907. Em 1913, foi-lhe diagnosticada uma poliomielite, doença que acabou por deixar sequelas na sua perna direita. Em 1922, iniciou os estudos na Escola Nacional, onde teve a oportunidade de observar Diego Rivera a pintar o mural “A Criação”.
Em 17 de setembro de 1926, sofreu um acidente, quando viajava de autocarro. tendo uma rutura da coluna em 3 lugares. Um cano atravessou-lhe a bacia até à região púbica, produzindo uma tripla fratura da pélvis. Assim, ficou impedida de ter filhos. Esse acidente marcaria toda a sua vida.
Durante a convalescença, começou a pintar os seus primeiros quadros. Em 1927, reencontrou-se com Diego Rivera, quando ele regressou da União Soviética. O pintor mostrou interesse pela artista e pela sua obra. Dois anos depois, casaram-se e viajaram para os Estados Unidos.
Em Nova Iorque, Frida Kahlo pintou “My dress hanging there”, quadro que prenunciava a sua obra repleta de símbolos, com influência da estética popular e religiosa mexicana. Em 1934, regressaram ao México e instalaram-se, em San Ángel. Sofre. O processo de desfiguração do seu corpo é constante e isso refletiu-se nos seus trabalhos.
Separou-se de Diogo Rivera e viajou para Nova Iorque. Em 1937, Frida regressaria ao México, época em que Leon Trotsky e Natália, chegaram ao país. Frida foi recebê-los e.instalaram-se na sua casa de Coyoacán. Foi um ano muito prolífico para Frida. Produziu “Minha irmã e eu”, “O defunto Dimas”, “Meus avós, meus país e eu” e vários autorretratos.
Em 1938, André Breton chegou ao México e partilhou as suas ideias com Frida. Nesse ano, Frida foi a Paris visitar a exposição “México”, que André Breton organizou com obras pré-hispânicas e 18 quadros de Frida.
Em 1940, Frida participou da Exposição Internacional do Surrealismo na Galeria de Arte Mexicana com as telas “As Duas Fridas” e “A Mesa Ferida”. No dia 21 de agosto desse ano, Trotsky foi assassinado. A sua admiração pelo dirigente revolucionário russo levaram a ter um romance com ele.
Frida voltou aos Estados Unidos para receber tratamento médico. Participou na Exposição Internacional Golden Gate (São Francisco) e na Exposição Vinte Séculos de Arte Mexicana (Nova Iorque). No final desse ano, voltou a juntar-se a Rivera. Em 1941, regressaram ao México e Frida pintou vários auto-retratos.
Em 1942, expôs no Museu de Arte Moderna (Nova Iorque). Em 1943, foi nomeada professora da Escola de Pintura e Escultura La Esmeralda. De 1944 a 1949, participou em exposições nacionais e internacionais. Em 1950, Frida ficou internada nove meses por causa da complicação do enxerto dum osso na coluna vertebral.
Em 1951, pintou várias naturezas mortas e o “Retrato do meu pai Wilhelm Kahlo”. Em 1953, Frida organizou uma ampla Exposição individual na Galeria de Arte Contemporânea (México). Depois foi internada para a amputação da perna direita, devido a um quadro de gangrena.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=ou0EOcpdJm4





Apresentação de Privataria

13 07 2015

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No dia 15 de julho (quarta-feira), haverá uma sessão pública, no Café Santa Cruz, às 18h, promovida Por Mão Própria*, para a apresentação do livro “Privataria”/1 (Bertrand Editora – 2015). O evento vai contar com as presenças de Mariana Mortágua (Economista e co-autora do livro), Jorge Costa (Jornalista e co-autor do livro) e Mariana Oliveira (Jornalista e moderadora da sessão).

1/ “Privataria: Quem Ganha e Quem Perde com as Privatizações em Portugal”
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados (os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos), é isso mesmo: uma revolução.
Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do “mercado comum”, ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»





Memórias: Pina Bausch

4 07 2015

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No dia 30 de junho de 2009, faleceu a alemã Pina Bausch, coreógrafa, dançarina, pedagoga da dança e diretora de balé que rompeu com o balé clássico e a dança moderna. Por António José André.
Pina Bausch nasceu, no dia 27 de jullho de 1940, em Solingen (Alemanha) e era filha do dono dum restaurante. Gostava de passar o tempo debaixo das mesas a observar os fregueses. Desde cedo, entusiasmou-se pela dança.
As suas primeiras apresentações lúdicas no balé infantil ocorreram, em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou a sua formação na Folkwangschule de Essen, fundada pelo célebre coreógrafo Kurt Joos.
Em Joos, encontrou um “renovador da dança expressiva” e uma pessoa de confiança. Além disso, a atmosfera criativa daquela escola era inspiradora e, até hoje, une todas as artes: teatro, música, dança, gravura e pintura.
Pina Bausch concluiu o curso de Dança e Pedagogia da Dança, em 1958. Após receber uma bolsa de estudos, viajou para os EUA onde estudou com Antony Tudor e José Limón, dançando na Juilliard School of Music e na Metropolitan Opera.
A pedido de Kurt Joos, Pina Bausch regressou à Alemanha, em 1962. Começou a dançar como solista no recém-fundado balé da Folkwang, apresentando-se em Amsterdão, Hamburgo, Londres e no Festival de Salzburgo.
Pina Bausch avançou para coreógrafa e diretora do corpo de bailé de Wuppertal. Após receber o primeiro prémio num concurso de coreografia de Colónia, assumiu a direção do estúdio de dança da Folkwang.
Aos 33 anos, foi contratada para dirigir o Balé do Teatro de Wuppertal, em 1973. A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa chocou grande parte do público. O que ocorria no palco não era aquilo que constava no programa impresso.
O público expressava a sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. A ruptura com as tradições foi uma tarefa árdua, sobretudo num teatro subvencionado pelo Estado. Mas Bausch não recuou na sua conceção de dança.
Baseada em Brecht e Weill, Pina Bausch rompeu com todas as formas tradicionais do teatro-dança. Em 1976, voltou-se para uma dança cénica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado.
Colagens de música popular, clássica, free jazz e outros fragmentos culminaram numa nova forma de encenação, caraterizada por ações paralelas, contraposições estéticas e uma linguagem corporal incomum para a época.
A sua companhia tornou-se a principal representante da dança da Alemanha. Pina Bausch começou a acumular prémios: o Prémio Europeu de Teatro, o Praemium Imperiale japonês, a Cruz de Mérito do governo alemão, a condecoração da Legião de Honra.
Nos palcos internacionais, a companhia de Bausch apresentou-se em co-produções com Universidades de Dança dos Estados Unidos, o Hong Kong Arts Fstival, a Expo 1998, em Portugal, o Theatre de la Ville de Paris e muitos outros.
Leia mais em: http://www.pinabausch.org/en/pina/biography





Memórias: Manu Chao

30 06 2015

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No dia 21 de junho de 1961, nasceu Manu Chao, músico hispano-francês criador de um estilo que sintetiza músicas de todo o mundo e uma figura destacada dos movimentos anti-globalização. Por António José André.
Manuel Chao nasceu, em París, filho de Ramón Chao (jornalista) e de Felisa (física), ambos galegos imigrantes. Manu conviveu desde cedo com intelectuais, compositores, músicos e pintores, refugiados das várias ditaduras latino-americanas que frequentavam a casa dos seus pais.
Essa foi certamente a base do multiculturalismo que impregna o seu trabalho musical. Manu Chao foi um aluno brilhante e nos tempos livres jogava futebol com amigos e escutava música, desde o rock até às canções revolucionárias.
Desde pequeno, Manu Chao aprendeu o rigor intelectual do pai (correspondente da revista Triunfo e Le Monde diplomatique). Ramón Chao relatou posteriormente que o filho tinha impressionado alguns amigos seus: Alejo Carpentier e António Saura.
Na adolescência, esteve imerso na cena alternativa de Paris, que se desenvolvia em locais improvisados (bares, casas ocupadas ou fábricas abandonadas) e integrou algumas bandas: Joint de Culasse, Los Carayos e Hot Pants (rockabilly).
Em 1987, foi criada a banda Mano Negra. O nome foi uma homenagem a uma organização anarquista que existiu, em Espanha, no final do século XIX. Mano Negra era um rock multi-étnico (rumba, hip-hop, salsa e punk cantadas em francês, espanhol, inglês e árabe).
Em 1988, os Mano Negra publicaram o seu primeiro disco “Patchanka”, nome com que batizaram o seu estilo. A faixa “Mala Vida” ganhou a reputação de rumba electrizante e o sucesso garantiu-lhes um contrato com a Virgin.
Em 1989, gravaram “Puta’s Fever”, que foi um sucesso graças ao single “King Kong Five” (mistura de hip-hop com guitarras hardcore). “King of Bongo” (1991) foi um álbum orientado para o rock e cantado na sua maioria em inglês.
Durante a Conferência Mundial Eco-92, no Rio de Janeiro, os Mano Negra contaram com a participação de Jello Biafra (da banda norte-americana Dead Kennedys). Os Mano Negra tocaram também nas Noites do Parque, em Coimbra.
Depois duma digressão nos Estados Unidos, fazendo as primeiras partes de Iggy Pop, os Mano Negra concentraram-se na América Latina. Em 1992, alugaram um barco e fizeram uma digressão por cidades costeiras do Brasil, Venezuela e México.
Durante essa experiência, ouviram falar de linhas ferroviárias abandonadas na Colômbia e decidiram reparar um comboio para percorrerem a selva e atuarem em povoações onde nunca tinha tocado banda alguma.
Essa aventura foi extenuante e acabou por exacerbar as tensões numa banda já instável (variava entre 8 e 12 membros). Depois de publicarem “Casa Babylon (1994), os Mano Negra dissolveram-se. Manu Chao e alguns membros atuaram com o nome Radio Bemba, por causa das disputas legais da sua separação.
Colaborando com várias bandas (os mexicanos Tijuana No, os brasileiros Skank, os argentinos Todos Tus Muertos ou Tonino Carotone), Manu Chao preparou “Clandestino” (1998): o seu primeiro disco a solo.
“Clandestino” foi um êxito, tanto pelas letras como pela mistura de inglês, francês, espanhol, galego e português. Músicas como “Desaparecido” e a faixa título tocaram em rádios e TVs, mas Manu Chao não quis uma digressão convencional.
Em 2000, Manu Chao participou no Free Jazz Festival (Rio de Janeiro), onde esteve Caetano Veloso e outros artistas brasileiro. Entretanto, Manu embarcou na “Feira das Mentiras”, espetáculo circense com o qual percorreu Espanha.
Quando publicou “Próxima estación: Esperanza” (2001), a sua dimensão social crescera. O disco foi gravado com uma banda estável e garantiu a Manu Chao manter-se como um dos artistas mais populares.
Na sua digressão de 2001, a capacidade de convocatória de Manu Chao manifestou-se em cidades de toda a Europa e em Nova Iorque. Num concerto em Barcelona aglomerou cerca de 90.000 pessoas.
Em 2005, Manu Chao gravou a faixa “Soledad Cidadão”, numa participação especial com a banda brasileira Paralamas do Sucesso. Nesse ano, tocou no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desde 2010, Manu Chao tem tocado gratuitamente em vários cidades brasileiras: Santos, Belém, São Paulo e Fortaleza.
O ativismo político de manu Chao adquiriu uma estatura quase mítica: viajante impenitente, membro do movimento ATTAC, simpatizante dos zapatistas e da legalización da marijuana, impulsionador de um sem fim de projetos…
Veja também: http://www.manuchao.net/





Memórias: Ella Fitzgerald

19 06 2015

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No dia 15 de junho de 1996, morreu Ella Fitzgerald, grande ícone da história da música popular norte-americana. Ella elevou o swing, o bebop e as baladas ao seu mais alto potencial. Por António José André.
Ella Fitzgerald nasceu em Newport News (Virginia-EUA), no dia 25 de abril de 1917. Mudou-se com a mãe para Nova Iorque, após a morte do pai. Frequentou a escola pública, cantou no coral do colégio e recebeu educação musical.
O seu primeiro sonho era ser dançarina. Inspirada pelo bailarino “Snake Hips” Tucker, estudou os seus movimentos e praticou-os. Em 1932, faleceu a mãe. O trauma provocou uma queda no seu desempenho escolar, deixando a escola.
Ella trabalhou como vigia num bordel e numa casa de apostas ligada à máfia. Acabou por ser presa e enviada para um reformatório. Fugiria de lá, morando na rua e acabando por ser internada no Asilo de Orfãos de Riverdale (Bronx).
Numa noite de 1934, o Apollo Theater promoveu um show para amadores, após o espetáculo de dança das Irmãs Edwards. Este número conquistaria a plateia. Ella, com apenas 16 anos, subiu ao palco, teve vergonha de dançar e resolveu cantar.
Ella Fitzgerald entoou “Judy”, no estilo de Connee Boswell, e “The Object of My Affection” das Boswell Sisters, impressionando o público e conquistando um prémio de 25 dólares. Esse foi o início da sua famosa carreira.
Ella Fitzgerald foi convidada a juntar-se à banda de Chick Webb. Em pouco tempo, tornou-se a sua principal atração, conquistando vários sucessos com a sua marca registrada: A-tisket, A-tasket (1938).
Ella Fitzgerald gravou com diversos músicos, inclusivamente com Benny Goodman. Em 1939, após a morte de Webb, liderou a banda durante 3 anos e já era uma figura muito respeitada no meio musical.
Com “Jazz at the Philharmonic” (título duma série de concertos e gravações de jazz, produzidos por Norman Granz), o prestígio de Ella Fitzgerald cresceu. As gravações com Cole Porter, Ira e George Gershwin tiveram um enorme sucesso.
Ella Fitzgerald foi uma das primeiras intérpretes do “scat” (género que abriu espaço a palavras sem sentido, como dubidubidá, babedibabá, babedubidabedubabá), colocando o seu nome entre os inovadores do jazz,
Nos anos 50 e 60, Ella Fitzgerald gravou duetos com Billie Holiday, Duke Ellington e Louis Armstrong. O seu verdadeiro génio residiu nas interpretações impecáveis das belas canções populares do seu tempo.
Nos anos 70 e 80, Ella trabalhou com um trio, encabeçado pelo pianista Tommy Flanagan, e com dezenas de orquestras sinfónicas. Em 1990, Ella Fitzgerald retirou-se dos palcos para cuidar da sua saúde.
Dos primeiros dias nas ruas de Harlem até aos céus da fama, a vida de Ella Fitzgerald representou uma história de sucesso. Ao longo de 58 anos de carreira, conquistou 13 Grammys e vendeu mais de 40 milhões de discos.





Memórias: Henry Miller

10 06 2015

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No dia 7 de junho de 1980, faleceu Henry Valentine Miller, escritor norte-americano, considerado o predecessor do estilo de escritores como Charles Bukowski. Miller foi um grande subversivo da sua época. Por António José André.

Filho de pais alemães, Henry Miller nasceu, em Nova Iorque, no dia 26 de dezembro de 1891, onde passou a infância. Mais tarde na sua juventude, Miller foi ativo no Partido Socialista (o seu ídolo era o socialista negro Hubert Harrison).
Miller teve vários empregos, entre eles como funcionário de uma companhia de telégrafos, antes de se decidir pela carreira literária. Outsider irremediável, tentou trabalhar na alfaiataria do seu pai, local onde ganhou o gosto por “roupas finas”.
Em 1930, Henry Miller mudou-se para Paris, onde morou até à eclosão da 2ª Guerra Mundial. Ali publicou os seus primeiros livros, vivendo em condições precárias, dependendo da benevolência de amigos, tais como Anaïs Nin.
Escreveu literatura libertária, nos anos 30, tempo em que teve os seus livros proibidos nos Estados Unidos. Em 1940, Henry Miller voltou para os Estados Unidos, fugindo da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, radicou-se na Califórnia.
Em função do estilo realista e da descrição detalhada das suas experiências sexuais, os livros de Henry Miller foram acusados de obscenos e proibidos nos Estados Unidos (até 1964).
Henry Miller escreveu, entre outros livros, “Trópico de Câncer” (1934), “Trópico de Capricórnio” (1939) e a trilogia autobiográfica “Sexus” (1949), “Plexus” (1952) e “Nexus” (1959).
Apelidado de escritor pornográfico, Henry Miller também escreveu livros de viagem e ensaios sobre literatura e arte, tal como “O Tempo dos Assassinos (um estudo sobre Rimbaud).
“O Tempo dos Assassinos” foi um ensaio sobre a obra de Arthur Rimbaud, onde Miller sentiu afinidade com o angustiado poeta francês que abandonou a literatura (aos 20 anos) para se tornar traficante de armas e escravos, em África.
“C’est le temp de les assassins” era o verso final dum poema do jovem Rimbaud, que fugiu de casa aos 16 anos para se juntar aos communards, que tomaram o poder, em 1871, durante a Comuna de Paris.
Em 1990, o realizador norte-americano Philip Kaufman realizou um filme sobre o período da vida em que Miller e Anais se conheceram: “Henry and June”, baseado nos diários de Anaïs Nin.





Memórias: Walt Whitman

4 06 2015

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No dia 31 de maio de 1819, nasceu Walt Whitman: poeta, ensaísta e jornalista norte-americano. Na sua obra poética, Whitman defendeu a abolição da escravatura, os direitos da mulher, o amor livre e o desenvolvimento tecnológico. Por António José André.
Whitman nasceu em West Hills, Long Island (Nova Iorque). A família mudou-se para Brooklyn, quando Whitman tinha quatro anos de idade. Até aos doze anos, frequentou a escola oficial e depois trabalhou como aprendiz numa tipografia.
Em 1835, trabalhou como impressor e, no verão seguinte, começou a ensinar, em East Norwich. De 1836 a 1838, deu aulas em Hampstead, Babylon, Long Swamp e Smithtown. De 1838 a 1839, editou o semanário “Long Islander”, em Huntington.
Voltou a dar aulas, depois de participar como jornalista na campanha presidencial de Van Buren (1840/1841). Em maio de 1841, Whitman regressou a Nova Iorque, voltando a trabalhar como impressor.
De 1842 a 1844, editou o jornal diário “Aurora” e o “Evening Tatler”. Em 1845, regressou a Brooklyn. Durante um ano, escreveu para o “Long Island Star”. De 1846 a 1848, Whitman tornou-se editor do “Daily Eagle”, de Brooklyn.
Em fevereiro de 1848, partiu com o irmão Jeff para Nova Orleães, onde trabalhou no “Crescent”. Whitman deixou Nova Orleães, em maio desse ano, regressando a Brooklyn, através do Mississippi e dos Grandes Lagos.
De 1848 e 1849, editou o “Freeman”, de Brooklyn. Em 1850, montou uma tipografia e uma papelaria. Em 1855, Whtiman publicou a 1ª edição de “Leaves of Grass”, cujos custos suportou, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.
A obra poética de Whitman centrou-se na coletânea “Leaves of Grass”, dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve 8 edições durante a vida do poeta.
Em 1873, uma doença vascular deixou-o parcialmente paralítico. Passou a morar com a família, em Camden (Nova Jersey). Em fins de 1891, publicou a última edição de “Leaves of Grass” e morreu, poucos meses depois.
Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América, introduzindo uma nova subjetividade na conceção poética e fez da sua poesia um hino à vida.

Veja também:





Memórias: Miles Davis

29 05 2015

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 No dia 26 de maio de 1926, nasceu Miles Davis, em Alton (Illinois – EUA), um dos maiores inovadores do jazz e um dos mais influentes músicos do século XX. Por António José André.
Miles Davis mudou-se para a cidade de San Luis com os seus familiares. Aos 13 anos, um familiar ofereceu-lhe um trompete. Posteriormente, Davis foi estudar para Nova Iorque na prestigiada Escola de Música Juilliard.
Em 1945, Davis realizou a sua primeira gravação. Abandonou a Escola de Música e juntou-se ao quinteto de Charlie Parker. Um ano antes tocara na orquestra de Billy Eckstine, que incluía grandes figuras do jazz moderno.
Nos finais dos anos 40, Davis encontrou-se com Gil Evans com o qual abriria o caminho para o cool jazz. Com ele gravou “Birth of the Cool”, “Miles Ahead”, “Porgy and Bess” e “Sketches of Spain”. Rodeou-se de músicos de bebop e fundou o hard bop: uma forma musical revolucionária que teve importantes consequências.
Em 1959, surgiu “Kind of Blue”. Acompanharam-no o saxofonista, John Coltrane, o contrabaixista, Paul Chambers, Julian “Cannonball” Adderley, no alto sax, Jimmy Cobb, na bateria, e Bill Evans ao piano.
Este trabalho é considerado uma obra-prima no género e com grande influência de diversos géneros como o rock e a música clássica. É reconhecido como uma das maiores produções de todos os tempos.
Nos finais dos anos 60 começou a experimentar mais ritmos do rock e instrumentos elétricos. Nos anos 70, dirigiu-se para sons do funk. Miles Davis Foi um dos músicos mais inovadores da sua geração e contribuíu para formar jovens talentos como Tony Williams ou Herbie Hancock.
Miles Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz, desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Faleceu, no dia 28 de setembro de 1991, deixando mais de 120 gravações, incluindo várias ao vivo.
Discografia
Birth of the Cool – Capitol Records (1949)
Volume 1 – Blue Note (1952)
Volume 2 – Blue Note (1953)
Miles Davis and The Modern Jazz Giants – Prestige (1954)
‘Round about midnight – Columbia (1955)
Cookin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Steamin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Relaxin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Workin’ with the Miles Davis Quintet – Prestige (1956)
Miles Ahead Miles Davis + 19 – Columbia (1957)
L’Ascenseur pour l’Echafaud – Fontana (1958)
Milestones – Columbia (1958)
Somethin’ Else con Cannonball Adderley – Blue Note (1958)
’58 Stella By Starlight – Columbia (1958)
Porgy and Bess – Columbia (1958)
Sketches of Spain – Columbia (1959)
Kind of Blue – Columbia (1959)
Some Day My Prince Will Come – Columbia (1961)
In Person, Saturday Night at The Blackhawk, San Francisco – Columbia (1961)
Seven Steps to Heaven – Columbia (1963)
Quiet Nights c/Gil Evans – Columbia (1963)
My Funny Valentine + Four & More: The Complete Concert – Columbia (1964)
E.S.P. – Columbia (1965)
Cookin’ at The Plugged Nickel – Columbia (1965)
Miles Smiles – Columbia (1966)
Sorcerer – Columbia (1967)
Nefertiti – Columbia (1967)
Filles De Kilimanjaro – Columbia (1968)
Miles in the Sky – Columbia (1968)
Water Babies – Columbia (1967-1968)
In a Silent Way – Columbia (1968)
Bitches Brew – Columbia (1970)
Live-Evil – Columbia (1971)
On the Corner – Columbia (1971)
Big Fun – Columbia (1974)
Dark Magus – Columbia (1974)
Get Up With It – Columbia (1974)
Agharta – Columbia (1975)
Pangea – Columbia (1975)
The Man with the Horn – Columbia (1981)
We Want Miles – Columbia (1981)
Star People – Columbia (1983)
Decoy – Columbia (1983)
You’re Under Arrest – Columbia (1985)
Aura – Warner (1985)
Tutu – Warner (1986)
Amandla – Warner (1989)
Miles & Quincy Live at Montreaux – Warner (1991)

Vale a pena recordar: https://www.youtube.com/watch?v=tSGUPsAeL34





Memórias: Catarina Eufémia

18 05 2015

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No dia 19 de maio de 1954, morreu Catarina Efigénia Sabino Eufémia, quando protestava contra a miséria, assassinada a tiro por um tenente da GNR. Catarina Eufémia é um ícone da resistência contra o salazarismo. Por António José André.
Filha de camponeses sem terra, Catarina Eufèmia nasceu, no 13 de fevereiro de 1928, em Baleizão (aldeia do Alentejo). Os pais trabalhavam num latifúndio e Catarina trabalhava em casa. Nem sequer teve tempo para ir à escola.
Catarina Eufémia começou a trabalhar nos latifúndios, durante a adolescência, e aprendeu tudo sobre o trabalhos no campo, da sementeira à ceifa. Aos 17 anos, casou-se com António Joaquim (operário da CUF) e foi viver para o Barreiro.
Mais tarde, António Joaquim foi dispensado da CUF e o casal regressou a Baleizão. António Joaquim conseguiu emprego de cantoneiro, em Quintos. Mas o seu salário não chegava para sustentar a família e Catarina voltou a trabalhar nos latifúndios.
No dia 19 de maio de 1954, Catarina Eufémia liderou um grupo de 14 ceifeiras que exigiam o aumento de mais dois escudos por jorna diária. Na herdade do Olival, o grupo foi cercado por soldados da GNR e o tenente Carrajola matou Catarina.
Durante o funeral, a GNR dispersou à bastonada a multidão que protestava contra a sua morte. No tumulto, nove camponeses foram presos. Depois foram julgados e condenados a dois anos de prisão.
Para evitar romarias subversivas, por ordem da GNR, o corpo de Catarina não foi sepultado em Baleizão, mas em Quintos. Em 1974, depois da Revolução dos Cravos, os restos mortais de Catarina foram transladados de Quintos para Baleizão.
Nota: o tenente Carrajola não foi a tribunal, nem sequer foi castigado. Foi apenas transferido de Baleizão para Aljustrel, onde morreu, em 1964 (de morte natural).
Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, entre outros/as, dedicaram-lhe poemas. Em sua homenagem, o poeta Vicente Campinas escreveu “Cantar Alentejano”, musicado e cantado por Zeca Afonso.

Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=KpK2szckVrI





Memórias: Frente Polisário

13 05 2015

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No dia 10 de maio de 1973, foi constituída a Frente Polisário, movimento político que luta pela independência do Sahara Ocidental, atualmente sob o domínio de Marrocos. Por António José André.
Em 1975, o governo espanhol decidiu sair do chamado Sahara Ocidental, impondo o seu último ato imperialista, ao dividir o território entre os governos do Marrocos e da Mauritânia.
Naquela ocasião, as populações não foram consultadas sobre os destinos do território saarauí. Da dominação hispânica passou para a dominação dos seus vizinhos africanos.
Assim que a mudança foi oficializada, o povo saarauí resistiu ao novo processo de ocupação do território. A Frente Polisário conseguiu vencer a ocupação mauritana e continua a lutar contra a ocupação marroquina.
Desde lá, houve vários conflitos entre a Frente Polisário e as tropas marroquinas. Em 1987, o governo marroquino construíu um muro com 1800 Km, isolando as terras geridas pela Frente Polisário.
Em 1991, a ONU negociou um cessar-fogo em que ambas as partes se comprometeram a realizar um referendo no qual a população do Sahara Ocidental votasse e decidisse sobre o destino político da região.
O plebiscito foi marcado para 1992, mas ainda não se realizou, porque não houve acordo sobre quem teria direito a votar: Marrocos quer que seja toda a população residente; a Frente Polisário só aceita que sejam os habitantes contados no censo de 1974. Isso impediria o voto dos marroquinos emigrados para a região em disputa, desde 1974.
Em 2007, Muhammad VI, rei de Marrocos, propôs que o Sahara Ocidental fosse anexado integralmente em troca duma autonomia política local. Face a essa proposta, a Frente Polisário acusou o governo marroquino de usar uma estratégia contra a legitimidade da autonomia política plena do Sahara Ocidental.
Desde então, as negociações ficaram num compasso de espera e o território saarauí continua a ser colonizado. Do ponto de vista económico, o Sahara Ocidental é um território rico em ferro, cobre, fosfato e urânio.

Leia também: https://app.box.com/s/dk8g3q2u37p1h3gnef1du9jytklebo6b





Memórias: Keith Haring

9 05 2015

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No dia 4 de maio de 1958, nasceu, em Kutztown (Pensilvânia-EUA), Keith Haring, artista gráfico e ativista norte-americano. O seu trabalho foi o reflexo da cultura nova-iorquina dos anois 80. Por António José André.
Desde muito pequeno, Haring apaixonou-se por desenho, aprendendo técnicas de cartoons com o pai e inspirando-se na cultura popular à sua volta. Estudou arte na Escola Ivy of Art, em Pittsburgo, onde começou a usar telas para imprimir camisas
Em 1978, entrou para a Escola de Artes Visuais (SVA), em Nova Iorque, onde encontrou um grupo que desenvolvia arte fora dos museus e galerias: nas ruas suburbanas, no metropolitano, em clubes e danceterias.
Haring tornou-se amigo da artistas gráficos (Kenny Scharf e Basquiat), artistas performáticos e músicos. Também se inspirou no trabalho de Jean Dubuffet, Pierre Alechinsky, Burroughs, Brion Gysin e no manifesto de Robert Henri “The Art Spirit”.
Com essas influências, Haring colocou todo o seu talento num tipo único de expressão gráfica, baseada na supremacia da linha. Também fez performances instalações e colages, enquanto mantinha um compromisso com o desenho.
Em 1980, Haring encontrou um meio que possibilitou a comunicação com o público: os painéis de publicidade do metropolitano que não eram utilizados e estavam cobertos com papel preto.
Haring começou a criar desenhos com giz branco sobre esses painéis. Entre 1980 e 1985, produziu centenas de desenhos num ritmo muito rápido: às vezes, criava quarenta desenhos por dia.
Esses graffittis tornaram-se populares, em Nova Iorque. O metropolitano tornou~se, como disse Haring, um “laboratório” para trabalhar as suas ideias e fazer as suas experiências com linhas simples.
Em 1986, abriu a Pop Shop, uma loja que vendia camisas, brinquedos, posteres e crachás com os seus graffittis – uma extensão do seu trabalho a baixo custo para o público o que tornava a sua arte acessível.
Entre 1982 e 1989, Keith Haring produziu mais de 50 trabalhos para projetos de solidariedade, hospitais, centros de cuidados com crianças e orfanatos, em dezenas de cidades de todo o mundo.
Em 1988, desde que lhe foi diagnosticado o SIDA, inaugurou a Keith Haring Foundation para arrecadar fundos destinados a outras organizações de luta contra o SIDA. Nos últimos anos de vida, usou a sua fama para falar da doença.
Exprimindo os seus conceitos de nascimento, amor, morte, sexo e guerra, e usando mensagens sucintas e diretas, Haring foi capaz de assegurar o acesso ao seu trabalho, tornnado-o numa linguagem mundialmente reconhecida no século XX.
Haring morreu, aos 31 anos, de complicações causadas pelo SIDA, em 1990. Desde a sua morte, é assunto de muitas palestras e exposições. Os seus trabalhos podem ser vistos em coleções nos grandes museus de todo o mundo.
Veja também:





Memórias: Guernica

1 05 2015

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No dia 26 de abril de 1937, Guernica (ou Gernika, em euskera), vila histórica do País Basco, foi bombardeada pelas tropas de Francisco Franco aliadas das tropas nazis de Hitler e fascistas de Mussolini. Por António José André.
Nesse dia, além dos seus 5 mil habitantes, Guernica encontrava-se cheia de refugiados/as doutras cidades próximas e de combatentes a caminho de Bilbau, principal cidade da região, para defendê-la dos ataques das tropas fascistas.
As sirenes tocaram, às 15h30, e a população desesperada procurou refúgio sabendo que se avizinhava um ataque. Após as sirenes, começou o primeiro ataque, sob as ordens do tenente coronel alemão, Wolfram von Richthofen, da Legião Condor.
Um avião Dornier alemão e 3 aviões Savoias italianos lançaram toneladas de bombas numa ponte da vila e na estação de comboio, atingindo casas e a igreja de São João. Pouco depois, 3 aviões He-111 alemães despejaram bombas na cidade.
Um novo e mais pesado bombardeamento, às 18h, foi levado a cabo por dezanove aviões Ju-52 alemães que lançaram bombas explosivas e incendiárias com o objetivo de dizimar toda a cidade.
Houve um quarto ataque, dessa vez com metralhadoras. A quantidade de fumo resultante dos bombardeamentos e do fogo propiciou a destruição. Morreram entre 150 e 300 bascos/as, tendo ficado feridas e mutiladas centenas de pessoas.
Os horrores desse ataque foram contados ao mundo por George Steer, jornalista do “The Time”, que visitou a vila pouco após a sua destruição, e por Pablo Picasso no seu quadro “Guernica”, onde colocou o sofrimento das vítimas inocentes da guerra.
Poucos edifícios ficaram de pé, em Guernica. Ficaram apenas intactos os prédios das Juntas (governo local) e a Árvore de Guernica: símbolo máximo da resistência e da sobrevivência do povo basco.
Após esse ataque, a guerra continuou e a efémera República Basca sucumbiu. Os líderes bascos foram para o exílio (os que tiveram sorte) e muitos foram presos, torturados e mortos, no período imediatamente posterior à Guerra Civil Espanhola.
A ditadura de Franco foi cruel para com bascos/as, catalães, galegos e espanhóis. Até 1976, milhares de pessoas foram torturadas, mortas, desaparecidas ou atiradas para valas comuns de modo a nunca serem identificadas.
Faz hoje 78 anos que Guernica foi bombardeada. Esse foi um dos períodos mais terríveis da história moderna – prenúncio da II Guerra Mundial – onde se cometeram imensos horrores, que jamais serão esquecidos.
Guernica constitui hoje um importante pólo da cultura basca. No Museu da Paz (Gernikako Bakearen Museoa), encontram-se as marcas da guerra preservadas para que permaneçam na memória da população e dos/as visitantes.





Hoje na história: Julia Marichal.

1 12 2017

No dia 2 de dezembro de 2011, morreu Julia Marichal. Foi uma atriz e cantora mexicana. Era uma ativista anticrime e promotora da cultura negra no México.
Júlia Marichal começou a sua carreira no filme: “Joselito Vagabundo” (1966). Ela participou em vários filmes e telenovelas. Dedicou os seus últimos anos a preservar o arquivo do escritor Juan de la Cabada.
Foi encontrada morta em sua casa, no dia 2 de dezembro de 2011, por suspeita de homicídio doloso. Pouco tempo depois, os seus assassinos foram capturados.