Memórias: Frida Kahlo

16 07 2019

No dia 13 de julho de 1954, morreu Frida Kahlo, grande pintora mexicana e uma das maiores pintoras do século XX. Comunista e revolucionária, ela foi criadora da sua própria personagem e tema da sua obra. Por António José André.
Frida Kahlo nasceu na cidade do México, em 6 de julho de 1907. Em 1913, foi-lhe diagnosticada uma poliomielite, doença que acabou por deixar sequelas na sua perna direita. Em 1922, iniciou os estudos na Escola Nacional, onde teve a oportunidade de observar Diego Rivera a pintar o mural “A Criação”.
Em 17 de setembro de 1926, sofreu um acidente, quando viajava de autocarro. tendo uma rutura da coluna em 3 lugares. Um cano atravessou-lhe a bacia até à região púbica, produzindo uma tripla fratura da pélvis. Assim, ficou impedida de ter filhos. Esse acidente marcaria toda a sua vida.
Durante a convalescença, começou a pintar os seus primeiros quadros. Em 1927, reencontrou-se com Diego Rivera, quando ele regressou da União Soviética. O pintor mostrou interesse pela artista e pela sua obra. Dois anos depois, casaram-se e viajaram para os Estados Unidos.
Em Nova Iorque, Frida Kahlo pintou “My dress hanging there”, quadro que prenunciava a sua obra repleta de símbolos, com influência da estética popular e religiosa mexicana. Em 1934, regressaram ao México e instalaram-se, em San Ángel. Sofre. O processo de desfiguração do seu corpo é constante e isso refletiu-se nos seus trabalhos.
Separou-se de Diogo Rivera e viajou para Nova Iorque. Em 1937, Frida regressaria ao México, época em que Leon Trotsky e Natália, chegaram ao país. Frida foi recebê-los e.instalaram-se na sua casa de Coyoacán. Foi um ano muito prolífico para Frida. Produziu “Minha irmã e eu”, “O defunto Dimas”, “Meus avós, meus país e eu” e vários autorretratos.
Em 1938, André Breton chegou ao México e partilhou as suas ideias com Frida. Nesse ano, Frida foi a Paris visitar a exposição “México”, que André Breton organizou com obras pré-hispânicas e 18 quadros de Frida.
Em 1940, Frida participou da Exposição Internacional do Surrealismo na Galeria de Arte Mexicana com as telas “As Duas Fridas” e “A Mesa Ferida”. No dia 21 de agosto desse ano, Trotsky foi assassinado. A sua admiração pelo dirigente revolucionário russo levaram a ter um romance com ele.
Frida voltou aos Estados Unidos para receber tratamento médico. Participou na Exposição Internacional Golden Gate (São Francisco) e na Exposição Vinte Séculos de Arte Mexicana (Nova Iorque). No final desse ano, voltou a juntar-se a Rivera. Em 1941, regressaram ao México e Frida pintou vários autorretratos.
Em 1942, expôs no Museu de Arte Moderna (Nova Iorque). Em 1943, foi nomeada professora da Escola de Pintura e Escultura La Esmeralda. De 1944 a 1949, participou em exposições nacionais e internacionais. Em 1950, Frida ficou internada nove meses por causa da complicação do enxerto dum osso na coluna vertebral.
Em 1951, pintou várias naturezas mortas e o “Retrato do meu pai Wilhelm Kahlo”. Em 1953, Frida organizou uma ampla Exposição individual na Galeria de Arte Contemporânea (México). Depois foi internada para a amputação da perna direita devido a um quadro de gangrena.
Veja também:
https://www.esquerda.net/artigo/memorias-frida-kahlo/37783

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Memórias: Vinicius de Moraes

11 07 2019

No dia 9 de julho de 1980, morreu Vinicius de Moraes: um dos mais populares poetas brasileiros. Vinicius foi escritor, diplomata,  jornalista e músico. Por António José André.

Vinícius de Moraes nasceu a 19 de Outubro de 1913, no Bairro da Gávea (Rio de Janeiro). Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Perfeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista amadora.

Aos três anos, Vinicius de Moares mudou-se para Botafogo, indo morar com os avós. Frequentou a Escola Primaria, escrevendo os seus primeiros versos. Em 1924, Vinicius de Moares entrou para o Colégio Santo Inácio, cantando no coro da Igreja. Em 1929, a família voltou para Gávea.

Nesse ano, Vinicius de Moares entrou para a Faculdade de Direito. Em 1933, concluiu o curso e publicou “O Caminho para a Distância”. Em 1935, publicou o livro “Forma e Exegese”. Em 1938, ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar Língua e Literatura inglesas, na Universidade de Oxford. Nesse ano, publicou “Os Novos Poemas”.

Com o início da II Guerra Mundial, Vinicius de Moares voltou para o Rio de Janeiro. Nos anos seguintes publicou muitos poemas e tornou-se assim um dos mais populares da Literatura brasileira. A sua obra foi vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música.

Vinicius de Moares considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação.  No campo musical, teve como principais parceiro, entre outros, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto e Chico Buarque.

Escute aqui “O operário em construção” de Vinicius de Moraes:





Memórias: Primeiro filme LGBTI surgiu há 100 anos

30 06 2019

No dia 28 de maio de 1919, decorreu a estreia do filme alemão “Diferente dos Outros”(“Anders als die Andern”). Escrito por Richard Oswald e Magnus Hirschfeld, trata-se da primeira longa-metragem LGBTI da História. Foi uma bandeira que serviu para alavancar a luta pelos direitos sexuais. Por António José André.
Há 100 anos, o filme “Diferente dos Outros” ousou abordar o romance de dois homens. Foi uma bandeira contra o Parágrafo 175 do Código Penal alemão e serviu para alavancar a luta pelos direitos sexuais. É uma história ousada para a época, mas é compreensível que tenha surgido naquele tempo e naquele espaço.
A Revolução Russa de 1917 e a crise económica, causada pela Primeira Guerra Mundial, abalaram a Alemanha. Em 1918, foi derrubado o regime autoritário do Kaiser e proclamada a República de Weimar. Eram tempos de mudança, onde a Liga Espartaquista, liderada por Rosa Luxemburgo, teve um importante papel.
Nesse contexto, muitos direitos políticos e sociais foram conquistados. As artes floresceram no campo da vanguarda: seja na literatura ou no teatro, seja na arquitetura ou no cinema. O Expressionismo alemão deu asas à vida, tal como outras correntes estéticas.
O filme “Diferente dos Outros” era parte do trabalho militante de Magnus Hirschfeld (médico, homossexual e artista judeu), que fundou o Comitê Científico Humanitário (C.C.H.), em 1897.
O C.C.H., fundado em Berlim, realizou Encontros contra o Parágrafo 175 e promoveu uma Petição pedindo a sua revogação, que foi subscrita por muitas personalidades da época (Albert Einstein, Hermann Hesse, Thomas Mann, Rainer Maria Rilke e Leão Tolstói), entre mais de 6 mil assinaturas.
Nota: este parágrafo hediondo, promulgado em maio de 1871, considerava ilegal a homossexualidade e apenas abolido, em março de 1994.
Em 1933, quando o nazismo assumiu o poder, ilegalizou o C.C.H. e destruiu a sua enorme Biblioteca. O filme não sobreviveu na sua totalidade. Foi recortado e reeditado ao longo dos anos. Mas sobreviveu a ousadia de lutar.
Veja o filme reconstituído (em inglês) eaqui: https://vimeo.com/251002359
Ficha técnica
Título: “Diferente dos Outros” (“Anders als die Andern”) – Alemanha, 1919
Género: Drama
Direção: Richard Oswald
Roteiro: Magnus Hirschfeld, Richard Oswald
Elenco: Conrad Veidt, Leo Connard, Ilse von Tasso-Lind, Alexandra Willegh, Ernst Pittschau, Fritz Schulz, Wilhelm Diegelmann, Clementine Plessner, Anita Berber, Reinhold Schünzel, Helga Molander, Magnus Hirschfeld, Karl Giese
Duração: 50 min.
Paul Körner é um violinista famoso. Procurado pelo jovem Kurt Sivers, Körner aceita dar-lhe aulas e algo mais se desenvolve entre eles. Certo dia, os dois são vistos de braços dados na rua, por Franz Bollek. Na Alemanha, a contravenção prevista no Parágrafo 175 do Código Penal, proibia o homossexualidade. Bollek começa a chantagear Körner, ameaçando entregá-lo à polícia. A situação fica insustentável. Sivers desaparece. Levado a tribunal por Bollek, Körner é defendido por Magnus Hirschfeld.





Memórias: Carlos Monsiváis

25 06 2019

No dia 19 de junho de 2010, morreu Carlos Monsiváis. Foi um escritor, jornalista e ativista político mexicano, conhecido pela sua visão sarcástica e linguagem cáustica. Por António José André.
Carlos Monsiváis nasceu a 4 de maio de 1938, na Cidade do México. Estudou na Escola de Economia e na Faculdade de Filosofía e Letras (Universidade Nacional Autónoma de México – UNAM). Posteriormente, trabalharia na UNAM, como catedrático. Também foi docente na Universidade de Essex e no King’s College (Grã-Bretanha) e na Universidade de Harvard.(EUA).
Dotado de uma vasta bagagem cultural, Carlos Monsiváis escreveu, desde muito jovem, para diversos suplementos culturais e jornais mexicanos. Depois, colaborou com “Novedades”, “El Día”, “Excélsior”, “La Jornada”, “El Universal”, “Proceso”, “Siempre!”, “Nexos”, entre outras publicações.
As suas posições políticas e o conhecimento dos fenómenos sociais e culturais, levaram-no a questionar o autoritarismo e o conservadorismo. Carlos Monsiváis foi um ativista político, desde os anos 60, participou nas lutas estudantis. Também defendeu outras causas: o feminismo, a legalização do aborto, a luta contra as touradas, as lutas populares da América Latina (o movimento zapatista, por exemplo)….
Antologias Poéticas, Biografias (de Frida Kahlo e de Octávio Paz, por exemplo) e Ensaios são parte da extensa bibliografia de Carlos Monsiváis. Também se interessou pela Rádio, pelo Cinema e pela Música (foi diretor da coleção de discos “Voz Viva de México”, da UNAM).
Carlos Monsiváis morreu com 72 anos, a 19 de junho de 2010, na Cidade do México. Foi um dos mais importantes escritores contemporâneos, conhecido pela sua visão sarcástica e pela sua linguagem cáustica.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=nXhDHWweb7w





Memórias: Ricardo Rangel

13 06 2019

No dia 11 de junho de 2009, morreu Ricardo Rangel. Foi um fotojornalista e fotógrafo moçambicano. No final dos anos 40, iniciou as primeiras denúncias contra a situação colonial. Enquanto fotografava a cidade dos colonos, Rangel revelava a desumanidade e a crueldade do colonialismo. Por António José André.

Ricardo Achiles Rangel, nasceu a 15 de fevereiro de 1924, em Lourenço Marques (atual Maputo). Descendente de uma família proveniente de gregos, africanos e chineses, cresceu na casa da sua avó situada nos subúrbios da cidade e visitava regularmente os pais.

Em 1941, Ricardo Rangel começou a carreira como aprendiz de fotógrafo no laboratório de Otílio Vasconcelos, o que lhe despertou interesse pela fotografia. Em meados dos anos 40,  trabalhou no laboratório Focus, onde ficou conhecido como impressor de preto e branco.

Em 1952, Ricardo Rangel foi o primeiro repórter fotográfico africano a entrar para o “Notícias da Tarde”. Em 1956, foi para o “Jornal de Moçambique” e depois para o “Notícias. Entre 1960 e 1964, foi fotógrafo-chefe do semanário “A Tribuna”, que abandonou por razões ideológicas.

Em 1964, Ricardo Rangel mudou-se para a cidade da Beira, onde trabalhou como fotógrafo para vários jornais; “Diário de Moçambique”, “Voz Africana” e “Notícias da Beira”. No final dos anos 60, regressou a Lourenço Marques e voltou para o “Notícias”.

Em 1970, Ricardo Rangel juntou-se a quatro jornalistas moçambicanos para fundar um semanário “O Tempo”: única publicação de oposição ao governo colonial. Era fotógrafo-chefe e documentava muitas vezes a pobreza e a política colonial.

Muitas fotografias suas foram proibidas ou destruídas pelos censores do Governo Português e não puderam ser publicadas ou exibidas até à independência de Moçambique, em 1975. Rangel foi alvo frequente da PIDE.

Em 1975, após a independência de Moçambique, Ricardo Rangel teve um papel ativo na formação de novos fotógrafos moçambicanos. Em 1977, foi nomeado chefe dos fotógrafos do “Notícias”, após a maioria dos fotojornalistas terem deixado o país.

Em 1981, Ricardo Rangel foi o primeiro diretor do semanário “Domingo”. Em 1983, fundou o Centro de Formação (Escola de Fotografia), em Maputo, sendo seu diretor até a morte, em 2009. A partir de 1983, mostrou os seus trabalhos em exposições, publicações e museus da Europa e África.

Ricardo Rangel também fundou a Associação Fotográfica Moçambicana. Em 2008, recebeu da Universidade Eduardo Mondlane um doutoramento honorário em Ciências Sociais “pela contribuição para a cultura moçambicana”.

Entre 1998 e 2003, Ricardo Rangel foi deputado eleito pelo grupo de “Cidadãos Juntos Pela Cidade” na Assembleia Municipal de Maputo.

Leia mais em:

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/recordando-ricardo-rangel-o-pao-nosso-de-cada-noite





15 JUN: “O Impossível Capitalismo Verde”

30 05 2019

No dia 5 de junho (4ª feira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria, para a apresentação do livro “O Impossível Capitalismo Verde” (Edições Combate), em Coimbra. O evento, que contará com as presenças de Sofia Nunes (Ativista Climáximo), Anabela Marisa Azul (Bióloga) e moderação de João Gaspar (jornalista), decorrerá no Liquidâmbar, às 18h. Contamos contigo. Traz um/a amigo/a também…

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Descrição

Por um lado, três mil milhões de pessoas vivem em condições indignas. Educação, saúde, energia, água, alimentação, mobilidade, habitação… : individualmente, estas necessidades são modestas, mas analisadas globalmente são gigantescas. Satisfazê-las só é possível aumentado a produção material. Incluindo a transformação dos recursos do meio ambiente. Ou seja, aumentando o consumo de energia, que hoje é a 80% de origem fóssil, fonte de emissões de gases de efeito de estufa.

Por outro lado, duzentos anos de produtivismo levaram o sistema climático do planeta à beira do enfarte. Para determinadas comunidades – em pequenos Estados insulares, nas regiões árticas, em zonas áridas, em vales de regiões montanhosas onde as águas escasseiam com o desaparecimento dos glaciares – o limiar de risco já foi ultrapassado. Para evitar que as alterações climáticas acelerem e que atinjam centenas de milhões de seres humanos impõe-se uma redução radical nas emissões de gases de efeito de estufa. E, por conseguinte, uma redução no consumo de energias fósseis necessárias atualmente à transformação dos recursos naturais. Ou seja, uma redução da produção material.

Daniel Tanuro confronta a necessidade de dar resposta aos anseios da maioria da população do planeta com a crise climática que o capitalismo gerou e ameaça a vida de centenas de milhões de pessoas. “O Impossível Capitalismo Verde” é um livro essencial para compreender os fundamentos do pensamento ecossocialista no século XXI.





Memórias: Marco Ferreri

9 05 2019

No dia 9 de maio de 1997, faleceu Marco Ferreri. Foi um realizador de cinema e ator italiano. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Por António José André.
Marco Ferreri nasceu a 11 de maio de 1928, em Milão. Durante a sua juventude, estudou Medicina Veterinária na Universidade de Milão. Não concluíu o curso por causa do seu interesse pela Sétima Arte.
Os primeros contactos de Ferreri com o cinema foram enquanto estudava Medicina Veterinária e trabalhava para uma empresa de licores. Esse emprego levou-o a produzir spots publicitários dessas bebidas.
Marco Ferreri foi diretor de produção e começou a fazer filmes para o humorista Rafael Azcona. Em 1950, colaborou nas filmagens de “Cronaca di un Amore”, de Michelangelo Antonioni.
Em 1951, Ferreri fundou com Riccardo Ghione uma revista sobre cinema “Documento Mensile”, que contou com a colaboração de gente célebre: Alberto Moravia, Luchino Visconti e Vittorio de Sica.
Até 1958, Ferreri dedicou-se à publicação e divulgação dessa revista e à produção de filmes de baixo orçamento.
Em 1959, estreou-se como realizador, em Espanha, onde filmou “El Pisito”. Até 1968, muitos dos seus filmes foram afetados pela censura. Entre eles contou-se “Una Storia Moderna” (1963), protagonizado por Ugo Tognazzi. Em 1969, teve sucesso de bilheteira com o filme “Dillinger É Morto”.
Marco Ferreri procurou impor uma forte carga filosófica nos seus filmes. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Conseguiu-o com o filme “Liza, a Submissa” (1972), uma sátira protagonizada por Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni.
O filme que lhe trouxe reconhecimento internacional foi “A Grande Farra” (1973). Apesar de ter feito uma crítica à sociedade de consumo, o filme foi um sucesso internacional. Em Portugal, o filme só foi exibido após o 25 de abril.
Marco Ferreri gostava de ser polémico. Em “A Última Mulher”(1976), filmou uma cena de autocastração de um engenheiro. Em “Ciao Maschio” (1978), contou a história de um iluminador teatral que se suicida por não conseguir enfrentar a gravidez da namorada e a morte do seu macaco de estimação.
Em 1983, Ferreri voltou a trabalhar com Marcello Mastroianni no filme “A História de Piera”. Em 1996, dirigiu o seu último filme “Nitrato d’Argento”.
Marco Ferreri faleceu, em Paris, a 9 de maio de 1997.