Memórias: Coretta Scott King

6 02 2018

No dia 30 de janeiro de 2006, morreu Coretta Scott King. Foi uma escritora, cantora e ativista norte-americana. Defendendo a igualdade e a justiça, lutou pelos direitos dos negros e das mulheres. Defendendo a paz, foi contra a Guerra do Vietname e a invasão do Iraque. Por António José André.
Coretta Scott nasceu no dia 27 de abril de 1927, em Marion (Alabama). Frequentou o ensino básico, em Lincoln (localidade a seis quilómetros da sua), tendo que fazer o percurso a pé, pois o sistema de segregação racial não lhe permitia andar no autocarro uitilzado pelos estudantes brancos.
A partir de 1945, Coretta Scott entrou para um colégio, em Antioquia (Ohio), onde também sofreu injustiças raciais. Decidida e segura de que poderia competir com as pessoas “de diferentes origens raciais, étnicas ou culturais”, especializou-se como professora do Ensino Primário.
Com grande talento musical, Coretta Scott tocava trompete, piano e violino. Também cantava num coro e deu o primeiro concerto, na Segunda Igreja Batista, em Springfield (Ohio). Em 1951, matriculou-se no Conservatório de Nova Inglaterra, em Boston. Em 1954, licenciou-se em música.
Conheceu Martin Luther King Jr. (estudante de Teologia), em Boston. Ambos partilhavam os ideias de justiça e liberdade. Casaram-se, em 1953. Mudaram-se para Montgomery (Alabama), em 1954. Luther King passou a ser ministro da Igreja Baptista e era reconhecido como lider dos direitos civis.
Coretta Scott King participou ativamente na organização das marchas e protestos cívicos. Deu “Concertos de Liberdade”, cantando, lendo poesia e dando palestras sobre a história dos direitos civis. Estes concertos serviam para angariar fundos para a Southern Christian Leadership Conference (organização fundada por Luther King, em 1957).
No dia 4 de abril de 1968, Luther King foi assassinado, em Memphis (Tennesse). Quatro dias depois, Coretta Scott King e os filhos voltaram a Memphis para liderar uma Marcha, que tinha sido planeada por Luther King.
Em junho de 1968, Coretta discursou na Campanha dos Pobres, em Washington DC. Nesse ano, fundou o Centro King, entidade para auxiliar e promover a igualdade racial. Em maio de 1969, liderou uma manifestação de trabalhadores hospitalares, em Charleston (Carolina do Sul).
Coretta Scott King, além de lutar pela igualdade racial, participou no movimento contra a Guerra do Vietname. Ela tornou-se ativa no movimento das mulheres e apoiou o movimento em defesa dos direitos LGBT. Defendendo a paz mundial, manifestou-se contra a invasão do Iraque.

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Memórias: Rosa Parks

1 11 2017

No dia 24 de outubro de 2005, faleceu a ativista negra norte-americana Rosa Parks. Em 1955, Parks recusou ceder o seu lugar no autocarro a um branco, despoletando o movimento que marcaria o início da luta anti-segregacionista nos EUA. Por António José André.
No dia 24 de otubro de 2005, faleceu Rosa Parks. Foi uma ativsita negra norte-americana. Ficou famosa, no dia 1 de dezembro de 1955, por se recusar a ceder o seu lugar no autocarro a um branco. Esse facto despoletou o movimento “Boicote aos Autocarros de Montgomery”, que viria a marcar o início da luta anti-segregacionista nos EUA. Por António José André
No dia 4 de fevereiro de 1913, nasceu Rosa McCauley (conhecida como Rosa Parks), no Estado do Alabama (EUA). De família humilde, desde cedo teve que deixar de estudar e trabalhar como costureira para ajudar a família.
Em 1932, casou-se com Raymond Parks, que era ativista da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People), organização norte-americana que sempre lutou pelos direitos civis dos negros nos EUA.
Rosa tornou-se militante da NAACP, ajudando nas ações da organização e incentivando outras pessoas a lutar pela mesma causa. Assim como todos os negros que viviam nos estados do sul dos EUA, Rosa era obrigada a conviver com as consequências das leis que segregavam a sociedade.
O dia 1 de dezembro de 1955 iria mudar a vida de Rosa Parks. Todos os autocarros do Alabama cumpriam as regras ditadas pelo Estado: brancos sentados nos bancos da frente; negros nos bancos de trás. Nesse dia, Rosa entrou no autocarro e sentou-se no lugar que devia, por lei: na parte de trás.
Durante o trajeto, o autocarro encheu de tal forma que não havia mais lugares disponíveis. Entretanto, entrou um passageiro branco e exigiu que Rosa Parks cedesse o lugar para ele se sentar. Mas ela recusou-se.
Foi ameaçada de prisão, mas manteve-se calada, corajosamente sentada no seu lugar, apesar dos insultos racistas e das agressões físicas e verbais das quais foi vítima. A polícia foi chamada e Rosa foi levada para a esquadra.
Rosa Parks foi presa. Depois de pagar uma fiança de 15 dólares (hoje, equivalente a 500 dólares), foi libertada e recebeu de Martin Luther King o incentivo para que prosseguisse na luta pela igualdade dos direitos civis.
Desde o fim da Guerra Civil (1860-1864), o sul dos EUA mantinha um espírito racista e segregacionista fortemente enraizado. O incidente de Rosa Parks detonou uma revolta latente, mas contida pelo peso do medo.
Foi lançada a campanha “Boicote aos Autocarros de Montgomery”, que teve impacto e deu proeminência nacional a Martin Luther King, como defensor dos direitos civis. As manifestações de Montgomery desenharam o modelo que as futuras ações não-violentas do movimento negro adotariam.
Em 13 de novembro de 1956, o Supremo Tribunal dos EUA declarou as leis segregacionistas de Montgomery como ilegais e inconstitucionais. A partir daí 1956, Rosa já se poderia sentar nos bancos da frente do autocarro.
Depois daquele episódio, Rosa foi afastada do emprego e impossibilitada de arranjar outro. Em 1957, ela e o marido tiveram que se mudar para Detroit, devido às constantes ameaças de morte que os dois sofriam. Mesmo assim, não deixaram de lutar pelos direitos civis.
Em 1964, o movimento cívico obteve uma vitória, quando o Congresso norte-americano aprovou a Lei de Direitos Civis, que garantia, entre outros, o direito de acesso, sem distinção de cor, a todos os serviços públicos do país.
Em 1996, Rosa recebeu do presidente Bill Clinton a Medalha Presidencial da Liberdade. Em 1999, recebeu do Congresso norte-americano a Medalha de Ouro. Rosa Parks faleceu, no dia 24 de outubro de 2005, com 92 anos.
Três dias depois, o Senado norte-americano aprovou uma resolução em sua homenagem, permitindo que os seus restos mortais fossem enterrados na Rotunda do Capitólio (Washington).