Memórias: Marco Ferreri

9 05 2019

No dia 9 de maio de 1997, faleceu Marco Ferreri. Foi um realizador de cinema e ator italiano. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Por António José André.
Marco Ferreri nasceu a 11 de maio de 1928, em Milão. Durante a sua juventude, estudou Medicina Veterinária na Universidade de Milão. Não concluíu o curso por causa do seu interesse pela Sétima Arte.
Os primeros contactos de Ferreri com o cinema foram enquanto estudava Medicina Veterinária e trabalhava para uma empresa de licores. Esse emprego levou-o a produzir spots publicitários dessas bebidas.
Marco Ferreri foi diretor de produção e começou a fazer filmes para o humorista Rafael Azcona. Em 1950, colaborou nas filmagens de “Cronaca di un Amore”, de Michelangelo Antonioni.
Em 1951, Ferreri fundou com Riccardo Ghione uma revista sobre cinema “Documento Mensile”, que contou com a colaboração de gente célebre: Alberto Moravia, Luchino Visconti e Vittorio de Sica.
Até 1958, Ferreri dedicou-se à publicação e divulgação dessa revista e à produção de filmes de baixo orçamento.
Em 1959, estreou-se como realizador, em Espanha, onde filmou “El Pisito”. Até 1968, muitos dos seus filmes foram afetados pela censura. Entre eles contou-se “Una Storia Moderna” (1963), protagonizado por Ugo Tognazzi. Em 1969, teve sucesso de bilheteira com o filme “Dillinger É Morto”.
Marco Ferreri procurou impor uma forte carga filosófica nos seus filmes. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Conseguiu-o com o filme “Liza, a Submissa” (1972), uma sátira protagonizada por Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni.
O filme que lhe trouxe reconhecimento internacional foi “A Grande Farra” (1973). Apesar de ter feito uma crítica à sociedade de consumo, o filme foi um sucesso internacional. Em Portugal, o filme só foi exibido após o 25 de abril.
Marco Ferreri gostava de ser polémico. Em “A Última Mulher”(1976), filmou uma cena de autocastração de um engenheiro. Em “Ciao Maschio” (1978), contou a história de um iluminador teatral que se suicida por não conseguir enfrentar a gravidez da namorada e a morte do seu macaco de estimação.
Em 1983, Ferreri voltou a trabalhar com Marcello Mastroianni no filme “A História de Piera”. Em 1996, dirigiu o seu último filme “Nitrato d’Argento”.
Marco Ferreri faleceu, em Paris, a 9 de maio de 1997.

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Memórias: Charles Alston

3 05 2019

No dia 27 de abril de 1977, morreu Charles Alston. Foi um professor, pintor e escultor afro-americano. Fundou o Harlem Art Workshop durante a Grande Depressão. Os seus primeiros murais inspiraram-se em Diego Rivera e José Orozco. Mais tarde, o Movimento Pelos Direitos Civis teve nele uma grande influência. Por António José André.

Charles Alston nasceu em Charlotte (Carolina do Norte – EUA), no dia 28 de novembro de 1907. Filho do reverendo Primus Alston e de Ana Miller Alston, foi o mais jovem de cinco filhos. Em 1910, perdeu repentinamente o pai.

Em criança, Charles Alston copiava desenhos de comboios e carros feitos pelo seu irmão, Wendell. Também fazia esculturas em barro. Em 1915, a família mudou-se para Harlem (Nova Iorque). 

Durante a Grande Depressão, a população de Harlem sofreu economicamente. A fortaleza estóica vivida pela comunidade ficou expressa mais tarde nas obras de arte de Charles Alston. 

Na Escola Primária de Manhattan, as capacidades artísticas de Charles Alston eram conhecidas e pediam-lhe para desenhar todos os cartazes da Escola. Durante o Ensino Secundário, fez a sua primeira pintura a óleo. 

Charles Alston estudou na DeWitt Clinton High School, destacando-se pela excelência académica e foi editor de arte da revista da escola, “The Magpie”. Para além disso, estudou Desenho e Anatomia na National Academy of Design. 

Em 1925, Charles Alston frequentou a Universidade de Columbia. Entrou em Arquitetura, mas perdeu interesse ao constatar a falta de êxito de muitos arquitetos afro-americanos. 

Depois, experimentou Medicina até que entrou em Belas Artes. Charles Alson ligou-se a Alpha Phi Alpha, trabalhando no Columbia Daily Spectator e desenhando caricaturas para a revista da Escola Jester of Columbia. 

Charles Alston também trabalhou em restaurantes e clubes de Harlem, onde incrementou o amor pelo jazz e pela música negra. Em 1929, licenciou-se e foi estudar no Teachers College. Em 1931, obteve o Mestrado.

Entre 1942 e 1943, Charles Alston esteve no exército no Arizona. Depois regressou a Nova Iorque e casou-se com Myra Logan. Em janeiro de 1977, ficou viúvo. Meses mais tarde, a 27 de abril de 1977, morreu após uma longa luta contra o cancro.





Memórias: Lélia Abramo

13 04 2019

No dia 9 de abril de 2004, morreu Lélia Abramo. Foi uma atriz, sindicalista, jornalista e militante política brasileira. Lutou pelas liberdades durante todo o ciclo da ditadura militar e esteve presente em muitas atividades políticas da vida brasileira. Por António José André.
Lélia Abramo nasceu a 8 de fevereiro de 1911, em São Paulo (Brasil). Os seus pais eram imigrantes italianos. Ela fazia parte de uma família com grande militância política e presença nas artes.
A sua mãe, Afra Iole, era filha de Bortolo Scarmagnan, militante anarco-sindicalista e organizador da Greve Geral de 1917, em São Paulo. Dois dos seus irmãos (Lívio Abramo e Beatriz Abramo) eram artistas plásticos e os outros (Athos Abramo, Fúlvio Abramo e Cláudio Abramo) eram jornalistas.
A casa da sua família era um reduto para o encontro entre jornalistas, escritores, artistas e políticos da esquerda brasileira. No Brasil, Lélia Abramo participou na fundação da Oposição de Esquerda e na Frente Única Antifascista.
Entre 1938 e 1950, ela viveu em Itália, testemunhando os dramas da 2ª Guerra Mundial (bombardeamentos, comida racionada, suspensão das liberdades). Em 1958, iniciou a sua carreira de atriz com 47 anos.
Ao longo da vida, Lélia Abramo participou em 27 telenovelas, 14 filmes e 27 peças de teatro. Ajudou a construir uma dramaturgia que ínluia temas como as questões sociais .
Em 1964, Lélia Abramo foi convidada para participar da inauguração da TV Globo. Mas, a partir de 1973, passou a ser ignorada pela Globo, quando assumiu a presidência do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetaculos de Diversões (SATED) do Estado de São Paulo.
Lélia Abramo liderou a luta pela legalização da profissão de ator, que foi reconhecida na lei, em maio de 1978. Durante todo o ciclo da ditadura militar, ela lutou pela liberdade de expressão.
Fundadora do Partido dos Trabalhadores, Lélia Abramo assinou a ata da fundação do PT com Mário Pedrosa, Manuel da Conceição, Sérgio Buarque de Holanda, Moacir Gadotti e Apolônio de Carvalho. E esteve presente em muitas atividades políticas, como na campanha “Diretas Já!”.
No dia 9 de abril de 2004, Lélia Abramo morreu, vítima de uma embolia pulmonar, com 92 anos. Ela “nunca vergou a espinha, nunca sacrificou a consciência à conveniência e, desde muito jovem, se opôs à injustiça da sociedade…” (prefácio do livro “Vida e Arte).

 





Memórias: Allen Ginsberg

4 04 2019

No dia 5 de abril de 1997, morreu Allen Ginsberg. Foi um escritor, filósofo e ativista norte-americano. Fez parte do núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural, nos anos 50 e 60. Por António José André.
Allen Ginsberg nasceu a 3 de junho de 1926, em New Jersey (EUA). O pai era professor, poeta e socialista. A mãe era comunista radical. Em criança, viveu episódios paranóicos da mãe e descobriu que gostava de meninos.
Na Escola Secundária, Ginsberg encantou-se com a obra de Walt Whitman. Depois de findar o secundário, inscreveu-se na Universidade de Columbia (Nova Iorque) graças a uma bolsa da associação Young Men’s Hebrew.
Naquela cidade, tornou-se amigo dalguns jovens (Lucien Carr, Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady) interessados em drogas, literatura e sexo. Ginsberg e os seus companheiros foram expulsos da Universidade.
Ginsberg acreditava que aquele grupo se dirigia para uma nova visão poética. Experimentou anfetaminas e marijuana. Frequentou bares gays. E começou uma relação amorosa com Neal Cassady.
Em 1954, Ginsberg mudou-se para São Francisco, cidade onde a Beat Generation estava a ganhar força graças à atividade dos poetas, Kenneth Rexroth e Lawrence Ferlinghetti, fundadores da editora e livraria “City Lights”.
Ginsberg tinha escrito muita poesia, mas quase nada tinha publicado. Em 1956, a City Lights Books publicou, “Howl and Other Poems” (“Uivo e Outros Poemas”). Considerado “obsceno”, foi apreendido pelos serviços alfandegários e pela polícia, sendo alvo dum longo processo judicial.
Os argumentos de vários poetas, críticos e professores universitários (Kenneth Rexroth, Walter V. T. Clark e Mark Schorer) convenceram o juiz. Terminado o processo, tornou-se o livro de poesia mais vendido nos EUA.
Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs foram o núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural nos anos 50 e 60.
Ginsberg viajou pelo mundo. Descobriu o budismo. Apaixonou-se por Peter Orlovsky: seu companheiro para o resto da vida. Nos anos 1960, ajudou Timothy Leary a divulgar o LSD. Em 1968, foi um ativista importante contra a Guerra do Vietname.
Ativista durante toda a vida, Ginsberg falava abertamente sobre drogas, homossexualidade e liberdade. Manteve uma publicação regular ao longo da vida. Os seus livros constituíam um apelo à paz e à defesa dos mais desfavorecidos.
Ginsberg manteve a sua agenda social ativa até 5 de abril de 1997: dia em que morreu, na sequência de cancro do fígado. Tinha 70 anos. Antes de morrer, ligou aos amigos e familiares dizendo o seu último poema.
Datado de 30 de março, “Things I’ll Not Do” (Nostalgias) era uma lista de coisas que gostaria de fazer: visitar a Bulgária; beber chá de menta em Marrocos; olhar para a Esfinge, enquanto o sol se punha no deserto…
Leia também: http://www.litkicks.com/AllenGinsberg





Conversas sobre Cannabis – 1

2 04 2019

Começaram ontem as “Conversas sobre Cannábis”, promovidas Por Mão Própria, contando com as presenças de Bruno Maia (Médico), Laura Santos (Cannativa), Luís Hortas (Novo Olhar) e João Bizarro (Jornalista). Falou-se, entre outros assuntos, sobre a história desta planta e seus derivados, bem como da sua utilização para fins medicinais e recreativos. Em junho, vão continuar estas “Conversas sobre Cannabis”.





1 ABR: Conversas sobre Cannabis

26 03 2019

No dia 1 de abril (2ª feira), vai haver “Conversas sobre Cannaábis”, às 18h, na Galeria Santa Clara (Coimbra). O evento, que contará com a presença de Bruno Maia (Médico), Laura Santos (Cannativa) e Luís Hortas (Novo Olhar), será moderado por João Bizarro (Jornalista). Contamos contigo. Traz amigos/as…
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Portugal não pode perder mais tempo…
Segundo o último inquérito nacional: 1 em cada 10 portugueses já consumiu cannábis, pelo menos 1 vez na vida, mas há tendência para o aumento, entre pessoas de 25 a 44 anos; quase meio milhão de portugueses consome cannábis; jovens começam a consumir com idade média de 17 anos, mas demonstram uma diminuição do consumo.
A política proibicionista não é uma solução…
A legalização da cannábis para uso recreativo está em debate. Defende-se a venda deste produto a maiores de 18 anos e que não padeçam de doença psíquica. Propõe-se a proibição de publicidade a produtos à base de cannábis e a estabelecimentos de venda. Defendem-se embalagens neutras e informativas, que alertem para eventuais danos para a saúde.
Propõe-se a legalização da cannábis para consumo pessoal não-medicinal. A lei deverá regular a produção, o cultivo, a comercialização, a aquisição, a detenção e o consumo da planta ou seu derivados.
Legalizar a compra e venda pode ser uma fonte de receita fiscal….





Memórias: Spike Lee

19 03 2019

No dia 20 de março de 1957, nasceu Spike Lee. É um realizador, escritor, produtor e ator norte-americano. Também ensina Cinema na Universidade de Nova Iorque. É uma das figuras mais controversas da cultura afro-americana. Por António José André.
Spike Lee nasceu no dia 20 de março de 1957, em Atlanta (sul dos EUA), com o nome de Shelton Jackson Lee. Filho de Bill Lee (baixista de Jazz) e de Jaqueline (professora de arte), que o apelidou de Spike.
Spike mudou-se com a família, quando tinha 3 anos, para Brooklyn (Nova Iorque). Estudou no St.Ann’s College. Depois, frequentou o Morehouse College de Atlanta (escola para a comunidade afro-americana), onde se diplomou em Comunicação Social (1978).
Frequentou a Escola de Arte da Universidade de Nova Iorque, onde realizou uma série de curtas metragens, que foram usadas na sua tese (1983). Posteriormente, a série foi apresentada e premiada no Festival de Locarno.
A sua primeira longa metragem “Lola Darling” (1986), foi escrita e interpretada por ele próprio e laureada, em Cannes. Esse filme constitui um dos maiores registos do cinema afro-americano.
Spike é um dos poucos realizadores que consegue equilibrar os seus interesses políticos com os da indústria de Hollywood. Todas as suas produções têm éxito, quer pela controvérsia que geram, quer pelo conteúdo.
A sua produtora, “40 Acres & Mule Filmworks”, divide as produções dos seus filmes com anúncios para televisão e videoclips para Tracy Chapman, Miles Davis, Chaka Khan, Anita Baker, Public Enemy e Michael Jackson.
Combinando a arte com o negócio, Spike Lee encarregou-se de campanhas de publicidade para a Levi´s e para a Nike, filmando Michael Jordan para uma linha de roupa e sapatilhas ‘Air Jordan’.
Spike Lee é um dos realizadores de cinema mais apreciados e uma das figuras mais controversas da cultura afro-americana. Entre os seus filmes, destacam-se “MalcolmX” (1992), “Faça a Coisa Certa” (1989) e “BlaKkKlansman: O Infiltrado” (2018).
Veja aqui a sua filmografia:
http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-9680/filmografia/