Memórias: Yuri Gagarin

31 03 2015

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No dia 27 de março de 1968, morreu Yuri Gagarin num acidente aeronáutico perto da pista do centro de treino de astronautas, chamado “Cidade das Estrelas”, a nordeste de Moscovo. Gagarin foi o primeiro homem a viajar no espaço. Por António José André.
Yuri Gagarin foi um astronauta soviético e o primeiro homem a viajar no espaço a bordo da Vostok 1 (em russo, significa “Oriente”), que tinha 4,4 m de comprimento, 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 kg. Aquela nave tinha 2 módulos: o módulo de equipamentos (com instrumentos, antenas, tanques e combustível para os retrofoguetes) e a cápsula onde ficava o cosmonauta.
No dia 27 de março de 1968, Gagarin estava no assento da frente dum monoreator MIG 15. No assento de trás estava o coronel Vladimir Seregin, como piloto instrutor. Gagarin fazia uma requalificação para voltar a voar, após oito anos de dedicação a protocolos e a cerimónias duma vida de ídolo, de Herói da União Soviética.
O Mig desceu em parafuso, de uma altitude de 16 mil pés, através de uma camada de nuvens e colidiu contra o solo. Não constaram indícios de crise de comando entre o piloto instrutor e o requalificante. Os tripulantes estavam biomedicamente aptos. Tratando-se de uma operação militar, as autoridades soviéticas valeram-se da prerrogativa de manter em sigilo quaisquer outros aspetos envolvidos no acidente.
A primeira fatalidade foi que Seregin e Gagarim passaram a cerca de 200 metros de um outro jato, um Sukhoy SU 15, e podem ter sido afetados pela onda de choque supersónica desse avião. O fato é que mergulharam na camada de nuvens abaixo deles, provavelmente desestabilizados.
A segunda fatalidade foi um erro na informação que tinham sobre a altitude da base da camada de nuvens. A torre tinha dito 3.500 pés (mais de mil metros), espaço suficiente para retomar a atitude de voo sem riscos, principalmente tratando-se de um avião ágil e resistente como o MIG 15. Estando conscientes durante a descida, simplesmente aguardariam pelo fim da camada, para horizontalizar o avião. Mas na verdade a base da camada estava mais abaixo, a cerca de 500 metros de altitude. Isso complicou as coisas.
Igor Kusnetsov, ex-coronel da força aérea soviética, fez uma minuciosa pesquisa do acidente e chegou à conclusão de que uma conduta de ar do MIG tinha sido deixada aberta, depois do voo anterior. Ao perceberem o problema, Seregin e Gagarin optaram por mergulhar imediatamente à procura de menores altitudes. Durante o mergulho teriam perdido a consciência.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=8IGAUIyoNBI

 

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