Memórias: Revolta Espartaquista na Alemanha

5 01 2015

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No dia 5 de janeiro de 1919, uma grande manifestação de trabalhadores, em Berlim, tomou de assalto edifícios públicos e redações de jornais, percorrendo as ruas da cidade. Tendo começado espontaneamente, o levantamento recebeu o apoio dos comunistas alemães, ficando para a História como a Revolta Espartaquista. Por António José André.

A Liga Espartaquista (alusiva a Spartacus, líder da maior revolta de escravos da Antiga Roma) era uma facção dissidente da social-democracia alemã. Foi fundada, em 1915, por Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, Clara Zetkin e outro e já tinha desempenhado um papel importante na revolução alemã de 1918. Poucas semanas antes, transformou-se no Partido Comunista Alemão.

Os acontecimentos precipitaram-se a partir de dezembro de 1918, depois do derrube da monarquia. Uma contra-ofensiva do governo, presidido por Friedrich Ebert e Phillip Scheidemann, exonerou o chefe de polícia da capital, Emil Eichhorn, membro do Partido Social-Democrata Independente (USPD).

Friedrich Ebert e Phillip Scheidemann consideravam intoleráveis as manifestações permanentes das massas, em Berlim, acusando Emil Eichhorn de incapacidade para manter a ordem pública e de permitir que a polícia se transformasse numa instituição “quase revolucionária”.

Mas o chefe de polícia recusou obedecer às ordens do ministro do Interior, afirmando que a sua autoridade só podia ser questionada pelo conselho de operários e soldados de Berlim. A direção do USPD apoiou-o e resolveu resistir, convocando as massas para uma manifestação.

Os espartaquistas apoiavam a ação nas ruas, mas defendiam uma greve geral e que o exército fosse desarmado. Rosa Luxemburgo, principal teórica do comunismo alemão, apoiou a revolta, ressalvando que a greve deveria servir para medir forças, aguardando a reação do governo, e para avaliar a repercussão junto dos trabalhadores doutras regiões do país.

A manifestação de 5 de janeiro teve um sucesso surpreendente. A característica abertamente comunista dos acontecimentos fez com que o governo social-democrata de Ebert e Sheidemann (levado ao poder com a implantação da República de Weimar) reagisse truculentamente.

A milícia protofascista dos Freikorps (originalmente formada pelo empresariado alemão para defender a monarquia) foi enviada para esmagar a revolta. Sob o comando de Gustav Noske, também social-democrata, os paramilitares prenderam os líderes da revolta.

No dia 15 de janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo, Liebknecht e Wilhelm Pieck foram presos e levados para o Hotel Adlon, em Berlim, onde foram interrogados. Nesse dia, os paramilitares (que mais tarde apoiariam os nazis), levaram-nos do hotel. Nessa altura, Pieck consegue fugir. Rosa e Liebknecht levaram coronhadas na cabeça, foram colocados num carro e baleados na cabeça.

Somente em 1999, uma investigação do governo alemão concluiu que os paramilitares tinham recebido ordens e dinheiro dos governantes social-democratas para matar os líderes espartaquistas. Com o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, a Alemanha nazi celebrou o seu primeiro triunfo.