Memórias: 1956 – Jogo violento entre a Hungria e a União Soviética

11 08 2016

ervinzador

No dia 6 de dezembro de 1956, realizou-se um jogo de pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética. Apelidado de ‘Sangue na Água’, o jogo decorreu enquanto os tanques do Exército Vermelho reprimiam o levantamento popular húngaro. Por António José André.
A semifinal de pólo aquático, que decorreu durante os Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, foi uma disputa das mais violentas da história do desporto mundial.
A seleção húngara tinha deixado o país com a impressão de que o levantamento popular correra bem. A sua viagem começara, dia 30 de outubro, chegando a Melbourne, no dia 20 de novembro.
Não sabiam que o Exército Vermelho tinha invadido a Hungria, dia 4 de novembro, deixando 2500 soldados húngaros mortos e milhares de pessoas presas, inclusivamente o primeiro-ministro, Imré Nagy.
No dia 6 de dezembro de 1956, a tensão era grande na piscina, quando as duas seleções (húngara e russa) entraram para disputar a semifinal. A Hungria era forte: ganhara quatro edições anteriores: 3 de ouro e 1 de prata.
A seleção húngara decidiu irritar os russos. Fluentes na língua, que tinham sido obrigados a estudar, insultavam e provocavam os adversários. Em menos de um minuto, um jogador russo foi castigado temporariamente.
Na piscina, trocavam-se socos, pontapés, caneladas, empurrões, cuspidelas, gritos e insultos. Entretanto, Zador, estrela da equipa húngara, metera dois golos. A poucos minutos do fim, o russo Prokopov desferiu-lhe um soco.
O atleta ensanguentado foi retirado da água para receber tratamento médico. O jogo aqueceu! Os suplentes entraram na pisicina. A arbitragem perdeu o controlo e acabou por suspender o jogo.
O jogo, apelidado de ‘Sangue na Água”, terminou com a vitória da Hungria por 4-0. Na final, a seleção húngara venceu a Jugoslávia por 2-1 e conquistou uma medalha de ouro.
Após as Olímpíadas de Melbourne, muitos atletas húngaros não regressaram ao seu país. Zador foi viver para São Francisco (E.U.A.), como técnico de natação. Nos Olímpíadas de Munique (1972), Zador voltou a ver o brilho do ouro olímpico pois era treinador do fabuloso nadador, Mark Spitz.