29 NOV: Apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo”

10 11 2016

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No dia 29 de novembro (3ªfeira), vai haver uma sessão pública, promovida Por Mão Própria , para a apresentação do livro “10 Dias Que Abalaram o Mundo” (Edições Combate)**. O evento, que contará com as presenças de Alda Sousa (Prof. Universitária), Catarina Agreira (Estudante) e João Gaspar (Jornalista), decorrerá no Café Santa Cruz (Coimbra), às 21h30.
Em 2017, assinalar-se-ão os 100 anos da Revolução Russa. Esta edição comemorativa do clássico de John Reed, prefaciada por Francisco Louçã e ilustrada por Catherine Boutaud, constitui um documento fundamental para a compreender em tudo aquilo que ela teve de transformador e contraditório.
** Ver em: http://www.combate.info/





Memórias – Vladimir Maiakovski

16 04 2015

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No dia 14 de abril de 1930, suicidou-se Vladimir Maiakovski, dramaturgo e teórico russo, também chamado de “o poeta da Revolução” e “o maior poeta do futurismo”. Por António José André.
Vladimir Maiakovski nasceu a 19 de julho de 1893, na aldeia de Bagdádi (arredores de Kutaíssi – Geórgia). Filho de Vladimir Konstantinovitch e Aleksandra Aleksieievna (camponeses pobres), Maiakovski tinha 2 irmãs mais velhas: Liudmila e Olga.
A infância miserável – após a transferência forçada da família para Moscovo, após a morte do pai, em 1906 – e o contato precoce com o movimento revolucionário que despontava na Rússia marcariam para sempre a vida de Maiakovski.
Nessa época, o Império Russo foi sacudido por lutas sociais. Em 1905, após o massacre de milhares de trabalhadores – conhecido como “Domingo Sangrento” – explodiram manifestações de operários, camponeses e soldados exigindo o fim da monarquia e a instauração de uma república democrática.
Era a Revolução de 1905. Maiakovski, aos 12 anos, acompanhava os acontecimentos políticos através de jornais e panfletos socialistas, integrando-se nas manifestações. A partir daí, o Maiakovski passou a ler a literatura marxista.
Em 1908, entrou para a ala bolchevique do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, executando tarefas de propaganda em círculos operários, sendo eleito para o comité municipal de Moscovo. Era conhecido como camarada Constantin.
Maiakovski foi preso, pela primeira vez, em 1908. Foi preso novamente, em 1909. A pena durou onze meses. Durante a pena, leu muitos clássicos da literatura – Dostoievski, Tolstoi, Gogol, Pushkin – e escreveu poemas.
Ao sair da prisão, decidiu aprofundar os conhecimentos em Arte, entrando para a Escola de Belas Artes de Moscovo. Ali conheceu o pintor e poeta David Burliuk e com outros artistas lançou, em 1912, o manifesto “Bofetada no gosto público”, criando o movimento cubo-futurista russo.
O futurismo russo diferenciava-se do futurismo surgido em Itália, sob a direção de Marinetti. Enquanto este defendia a guerra imperialista (e depois o fascismo de Mussolini), os futuristas russos abraçaram a vitoriosa Revolução de Outubro de 1917, incorporando-se na construção da nova sociedade.
Maiakovski trabalhou febrilmente pela Revolução bolchevique. O seu objetivo era forjar uma arte renovada, na forma e no conteúdo, capaz de elevar a cultura geral das massas e prepará-las para os enormes desafios da nova pátria soviética.
A sua poesia expressava confiança e admiração pela Revolução, como parteira do novo mundo e do novo homem, livres da exploração. “Nossa Marcha”, “À Esquerda”, “Versos sobre o passaporte soviético”, “Nós, os Comunistas”, “150 milhões”, “A plenos pulmões” são apenas alguns exemplos.
Além da poesia, Maiakovski escreveu ensaios teóricos, peças de teatro e roteiros para cinema. Atuou – a maioria das vezes como ator principal – e ajudou a conceber os cenários e figurinos das montagens dos seus textos.
Durante a guerra civil, entre 1918 e 1921, esteve na Agência Telegráfica Russa, pintando inúmeros cartazes de agitação e propaganda. Em todas as obras incitava o povo a impulsionar a produção económica e a lutar contra os inimigos da revolução e contra os resquícios da moral burguesa.
Maiakovsky manteve contatos estreitos e projetos paralelos com grandes nomes da arte soviética: Máximo Gorki, Serguei Eisenstein, Dziga Vertov, o compositor Shostakovitch e o dramaturgo Meyerhold.

Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=T3-CSJuRMnw





Memórias: Alexandra Kollontai

13 03 2015

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No dia 9 de março de 1952, faleceu, em Moscovo, Alexandra Kollontai: revolucionária, feminista e teórica do marxismo. Alexandra foi uma das mais destacadas dirigentes femininas da Revolução de Outubro de 1917. Por António José André.
De família abastada e aristocrática, cujo pai, Mikhail Domontovich, era um general czarista de origem ucraniana e a mãe uma finlandesa de origem camponesa, Alexandra Domontovich nasceu, no dia 31 de março de 1872, na Finlândia.
Alexandra estudou em colégios da elite, tendo passado a infância entre Petrogrado e a Finlândia. Em 1888, a família limitou-lhe o acesso aos estudos. Assim, após concluir o bacharelato, foi autodidata: estudou francês e literatura russa.
Em 1893, apesar da oposição dos pais, casou-se com Vladimir Mikhaylovich Kollontai, jovem oficial do Exército advindo duma família pobre e cujos pais foram expulsos das propriedades no Cáucaso pelas autoridades czaristas.
Em 1895, Alexandra Kollontai sentiu-se atraída pelo marxismo, participando num círculo literário que promovia inúmeras discussões políticas e num trabalho educacional como voluntária entre pobres da periferia da capital russa.
Em 1898, acabou-se o seu casamento com Vladimir Mikhaylovich Kollontai. Nesse ano, aderiu ao Partido Social Democrata Operário Russo (PSDOR) e partiu para a Suíça, a fim de estudar marxismo.
Na Universidade, Alexandra conheceu a obra de Karl Kautski e de Rosa de Luxemburgo. A partir de 1899, trabalhou na agitprop do PSDOR, escrevendo artigos e fazendo palestras que expunham as ideias políticas do partido.
Em 1900, foi para a Inglaterra, interessada em estudar o movimento operário daquele país. Após alguns meses, Alexandra regressou à Rússia, escrevendo inúmeros artigos e tornando-se uma destacada militante socialista.
Em 1905, Alexandra participou ativamente na Revolução, atuando no movimento de mulheres. Encontrou-se com Lenine, pela primeira vez, numa reunião clandestina, tornando-se amiga do dirigente bolchevique e de Nadezhda Krupskaia.
Nesse ano, encontrou-se com a dirigente Vera Zasulich, pedindo conselhos sobre como organizar o trabalho entre as operárias. Nesse inverno, deu palestras sobre o papel das mulheres na economia, a história das relações conjugais, etc.
Em 1907, durante o VII Congresso da II Internacional, Alexandra juntamente com Clara Zetkin, propôs a realização de campanhas a favor dos direitos das mulheres trabalhadoras e do estabelecimento do dia 8 de março, como dia internacional de luta das mulheres operárias.
Em 1908, organizou um clube de mulheres, sendo perseguida pela sua atividade política e despertando ódio por parte do aparelho repressivo devido à sua origem burguesa. Fugiu para o exterior onde ficou de dezembro de 1908 até março de 1917.
Durante esse período, Alexandra militou em defesa do socialismo e, particularmente, da luta das mulheres em vários países: Alemanha, Inglaterra, França, Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Bélgica e Estados Unidos.
Em 1917, Alexandra regressou à Rússia, após a revolução de fevereiro, participando ativamente na luta do Partido Bolchevique pela conquista do poder. Como delegada do Soviete de Petrogrado, editou o jornal “A Operária” e organizou o I Congresso das Mulheres Operárias da cidade.
Após a Revolução de Outubro, Alexandra foi Comissária do Povo (equivalente a ministro de Estado) do Bem Estar Social, participando ativamente da elaboração das novas leis do Estado soviético sobre os direitos da mulher, o casamento, a família, etc.
Nesse ano, casou-se com Pavel Dibenko, marinheiro e revolucionário de grande prestígio, que após a Revolução passou a exercer as funções no Comissariado do Povo para a Marinha. Esse segundo casamento durou cinco anos.
Em 1918, opondo-se ao Tratados de Paz com a Alemanha, Kollontai renunciou ao cargo no governo. Naquele ano, escreveu “O Comunismo e a Família” e organizou o I Congresso das Mulheres Operárias da Rússia, onde foi criado o Zhenutder (departamento de mulheres do Partido Comunista), presidido por Inesa.
Em 1920, depois de graves problemas de saúde de Inesa, Alexandra assumiu a direção do Zhenutder e do Secretariado Internacional das Mulheres da Internacional Comunista (III Internacional), organizando uma intensa campanha em defesa da mulheres.
Em 1922, Alexandra Kollontai integrou a Oposição Operária e foi destituída da direção do Departamento de Mulheres. Com a ascensão do estalinismo, depois da morte de Lenine, praticamente toda a velha guarda do Partido Bolchevique foi eliminada e grande parte das conquistas revolucionárias foram destruídas.
Alexandra Kollontai adaptou-se, dalgum modo, ao regime, tendo sido a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de embaixadora: na Suécia (de 1923 a 1925), no México (de 1926 a 1927), na Noruega (de 1926 a 1930) e. de novo,na Suécia (de 1930 a 1945).
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Obra: além de numerosos artigos de temática política, económica e feminista, destacamos as seguintes obras:
A Situação da Classe Operária na Finlândia (1903)
A Luta de Classes (1906)
Primeiro Almanaque Operário (1906)
Base Social da Questão Feminina (1908)
A Finlândia e o Socialismo (1907)
Quem Precisa da Guerra? (1915)
A Classe Operária e a Nova Moral (1918)
A Nova Mulher (1918)
A Moral Sexual (1921)
A Oposição Operária (1921)
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Veja também:
https://www.marxists.org/archive/kollonta/





Memórias: A URSS foi fundada há 82 anos

30 12 2014

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No dia 30 de dezembro de 1922, foi fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que reunia sete repúblicas: Rússia, Transcaucásia, Ucrânia, Bielorrússia, Uzbequistão, Turquemenistão e Tadiquistão. Por António José André.
A Rússia foi o primeiro Estado proletário do mundo. Esse regime foi estabelecido, após a queda da monarquia czarista, em março, e o derrube do governo provisório de Kerensky, em novembro de 1917 (outubro, pelo calendário russo da época).
Depois de assumir o poder, os bolcheviques instauraram um governo provisório para dirigir o país. O órgão mais importante do novo governo era o Conselho dos Comissários do Povo (SovNarKom), presidido por Vladimir Ilitch Lenin.
O governo revolucionário, tomou imediatamente diversas medidas destinadas a modificar totalmente a sociedade russa: reforma agrária e fim da propriedade privada da terra; extinção de todos os títulos de nobreza; desapropriação de indústrias, bancos e grandes estabelecimentos comerciais, que passaram para o Estado; nacionalização dos bancos e investimentos estrangeiros; criação do Exército Vermelho, com a finalidade de garantir a Revolução; instituição do Partido Comunista (antigo Partido Bolchevique); sistema de partido único instalou na Rússia a chamada “ditadura do proletariado”. Todos esses itens constaram da Constituição Provisória de 1918.
O novo regime enfrentou a forte oposição dos setores ligados ao antigo regime czarista. Militares, nobres, elementos da burguesia (industriais, banqueiros, comerciantes), começaram a atacar o novo regime, contando com o apoio militar doutros países (França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos).
Teve lugar uma prolongada guerra civil, que causou milhões de mortos, vítimas não apenas da guerra, mas principalmente da fome, pois a produção agrícola caiu assustadoramente e o sistema de abastecimento ficou totalmente desorganizado.
A guerra civil terminou, quando o Exército Vermelho, comandado por Trotski, derrotou os últimos contingentes contra-revolucionários e após a assinatura, em 1921, do Tratado de Riga,
Em fevereiro desse ano, o governo criou a Comissão Estatal do Planeamento Económico (Gosplan), com o objetivo de centralizar o planeamento e a execução da política económica.
Como a guerra civil tinha devastado o país e a fome atingia grande parte da população, o governo decidiu voltar a utilizar algumas formas de produção capitalistas: os agricultores podiam comercializar os produtos; os comerciantes podiam abrir pequenos estabelecimentos; pequenas fábricas podiam ser dirigidas por particulares; foram admitidas diferenças de salários; o capital estrangeiro podia ser investido no país. Essas medidas receberam o nome de Nova Política Econômica (NEP).
Em 1922, a Alemanha reconheceu a União Soviética (Tratado de Rapallo), sendo seguida pela maioria dos Estados ocidentais, com exceção dos Estados Unidos, que só fizeram o mesmo após dois anos.
Em julho de 1923, entrou em vigor uma nova Constituição, que estabeleceu como órgão de governo mais importante o Soviete Supremo, composto por delegados de todas as repúblicas, encarregados da escolha do Conselho Executivo.
Em 1924, foi adotada a constituição que se baseava teoricamente na ditadura do proletariado e era economicamente fundada na propriedade pública da terra e dos meios de produção de acordo com a proclamação revolucionária de outubro de 1917.





Memórias: Revolução de Outubro

19 11 2014

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No dia 7 de novemrbo (25 de outubro no calendário juliano, então em vigor), os bolcheviques tomaram o poder na Rússia, instauraundo o primeiro Estado socialista da História.

A Revolução de Fevereiro tinha derrubado a autocracia czarista, substituindo-a por um sistema liberal–burguês. O isolamento político do chefe do governo provisório russo, Aleksandr Kerensky, a perda de apoio popular e o fortalecimento dos bolcheviques acabariam por conduzir ao levantamento de outubro.

A Revolução russa de 1917 foi um momento decisivo na História e pode ser considerada um dos maiores acontecimentos do século XX. Tal como a Revolução Francesa, polarizou as opiniões por longo tempo. Na opinião do autor destas linhas constituiu um marco na emancipação da humanidade.

A revolução de Outubro foi um movimento inspirado por uma onda de entusiasmo e pelas visões utópicas da emancipação do poder. Os sovietes (conselhos locais de trabalhadores e camponeses) surgiram por toda a Rússia. Comissões de trabalhadores nas fábricas reivindicaram o exercício da autoridade nas suas áreas. Os camponeses ocuparam as terras e dividiram-nas.

Para os bolcheviques, derrubar o governo provisório não era tudo. Colocar-se no seu lugar e criar uma nova ordem social voltada para as aspirações das massas de trabalhadores e camponeses eram tarefas muito mais complexas. Passados poucos dias, o lema dos bolcheviques “Todo o poder aos sovietes! Paz, pão e terra!” espalhar-se-ia pela imensidão de “todas as Rússias”.