Memórias – Vladimir Maiakovski

16 04 2015

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No dia 14 de abril de 1930, suicidou-se Vladimir Maiakovski, dramaturgo e teórico russo, também chamado de “o poeta da Revolução” e “o maior poeta do futurismo”. Por António José André.
Vladimir Maiakovski nasceu a 19 de julho de 1893, na aldeia de Bagdádi (arredores de Kutaíssi – Geórgia). Filho de Vladimir Konstantinovitch e Aleksandra Aleksieievna (camponeses pobres), Maiakovski tinha 2 irmãs mais velhas: Liudmila e Olga.
A infância miserável – após a transferência forçada da família para Moscovo, após a morte do pai, em 1906 – e o contato precoce com o movimento revolucionário que despontava na Rússia marcariam para sempre a vida de Maiakovski.
Nessa época, o Império Russo foi sacudido por lutas sociais. Em 1905, após o massacre de milhares de trabalhadores – conhecido como “Domingo Sangrento” – explodiram manifestações de operários, camponeses e soldados exigindo o fim da monarquia e a instauração de uma república democrática.
Era a Revolução de 1905. Maiakovski, aos 12 anos, acompanhava os acontecimentos políticos através de jornais e panfletos socialistas, integrando-se nas manifestações. A partir daí, o Maiakovski passou a ler a literatura marxista.
Em 1908, entrou para a ala bolchevique do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, executando tarefas de propaganda em círculos operários, sendo eleito para o comité municipal de Moscovo. Era conhecido como camarada Constantin.
Maiakovski foi preso, pela primeira vez, em 1908. Foi preso novamente, em 1909. A pena durou onze meses. Durante a pena, leu muitos clássicos da literatura – Dostoievski, Tolstoi, Gogol, Pushkin – e escreveu poemas.
Ao sair da prisão, decidiu aprofundar os conhecimentos em Arte, entrando para a Escola de Belas Artes de Moscovo. Ali conheceu o pintor e poeta David Burliuk e com outros artistas lançou, em 1912, o manifesto “Bofetada no gosto público”, criando o movimento cubo-futurista russo.
O futurismo russo diferenciava-se do futurismo surgido em Itália, sob a direção de Marinetti. Enquanto este defendia a guerra imperialista (e depois o fascismo de Mussolini), os futuristas russos abraçaram a vitoriosa Revolução de Outubro de 1917, incorporando-se na construção da nova sociedade.
Maiakovski trabalhou febrilmente pela Revolução bolchevique. O seu objetivo era forjar uma arte renovada, na forma e no conteúdo, capaz de elevar a cultura geral das massas e prepará-las para os enormes desafios da nova pátria soviética.
A sua poesia expressava confiança e admiração pela Revolução, como parteira do novo mundo e do novo homem, livres da exploração. “Nossa Marcha”, “À Esquerda”, “Versos sobre o passaporte soviético”, “Nós, os Comunistas”, “150 milhões”, “A plenos pulmões” são apenas alguns exemplos.
Além da poesia, Maiakovski escreveu ensaios teóricos, peças de teatro e roteiros para cinema. Atuou – a maioria das vezes como ator principal – e ajudou a conceber os cenários e figurinos das montagens dos seus textos.
Durante a guerra civil, entre 1918 e 1921, esteve na Agência Telegráfica Russa, pintando inúmeros cartazes de agitação e propaganda. Em todas as obras incitava o povo a impulsionar a produção económica e a lutar contra os inimigos da revolução e contra os resquícios da moral burguesa.
Maiakovsky manteve contatos estreitos e projetos paralelos com grandes nomes da arte soviética: Máximo Gorki, Serguei Eisenstein, Dziga Vertov, o compositor Shostakovitch e o dramaturgo Meyerhold.

Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=T3-CSJuRMnw