Memórias: Manu Chao

30 06 2015

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No dia 21 de junho de 1961, nasceu Manu Chao, músico hispano-francês criador de um estilo que sintetiza músicas de todo o mundo e uma figura destacada dos movimentos anti-globalização. Por António José André.
Manuel Chao nasceu, em París, filho de Ramón Chao (jornalista) e de Felisa (física), ambos galegos imigrantes. Manu conviveu desde cedo com intelectuais, compositores, músicos e pintores, refugiados das várias ditaduras latino-americanas que frequentavam a casa dos seus pais.
Essa foi certamente a base do multiculturalismo que impregna o seu trabalho musical. Manu Chao foi um aluno brilhante e nos tempos livres jogava futebol com amigos e escutava música, desde o rock até às canções revolucionárias.
Desde pequeno, Manu Chao aprendeu o rigor intelectual do pai (correspondente da revista Triunfo e Le Monde diplomatique). Ramón Chao relatou posteriormente que o filho tinha impressionado alguns amigos seus: Alejo Carpentier e António Saura.
Na adolescência, esteve imerso na cena alternativa de Paris, que se desenvolvia em locais improvisados (bares, casas ocupadas ou fábricas abandonadas) e integrou algumas bandas: Joint de Culasse, Los Carayos e Hot Pants (rockabilly).
Em 1987, foi criada a banda Mano Negra. O nome foi uma homenagem a uma organização anarquista que existiu, em Espanha, no final do século XIX. Mano Negra era um rock multi-étnico (rumba, hip-hop, salsa e punk cantadas em francês, espanhol, inglês e árabe).
Em 1988, os Mano Negra publicaram o seu primeiro disco “Patchanka”, nome com que batizaram o seu estilo. A faixa “Mala Vida” ganhou a reputação de rumba electrizante e o sucesso garantiu-lhes um contrato com a Virgin.
Em 1989, gravaram “Puta’s Fever”, que foi um sucesso graças ao single “King Kong Five” (mistura de hip-hop com guitarras hardcore). “King of Bongo” (1991) foi um álbum orientado para o rock e cantado na sua maioria em inglês.
Durante a Conferência Mundial Eco-92, no Rio de Janeiro, os Mano Negra contaram com a participação de Jello Biafra (da banda norte-americana Dead Kennedys). Os Mano Negra tocaram também nas Noites do Parque, em Coimbra.
Depois duma digressão nos Estados Unidos, fazendo as primeiras partes de Iggy Pop, os Mano Negra concentraram-se na América Latina. Em 1992, alugaram um barco e fizeram uma digressão por cidades costeiras do Brasil, Venezuela e México.
Durante essa experiência, ouviram falar de linhas ferroviárias abandonadas na Colômbia e decidiram reparar um comboio para percorrerem a selva e atuarem em povoações onde nunca tinha tocado banda alguma.
Essa aventura foi extenuante e acabou por exacerbar as tensões numa banda já instável (variava entre 8 e 12 membros). Depois de publicarem “Casa Babylon (1994), os Mano Negra dissolveram-se. Manu Chao e alguns membros atuaram com o nome Radio Bemba, por causa das disputas legais da sua separação.
Colaborando com várias bandas (os mexicanos Tijuana No, os brasileiros Skank, os argentinos Todos Tus Muertos ou Tonino Carotone), Manu Chao preparou “Clandestino” (1998): o seu primeiro disco a solo.
“Clandestino” foi um êxito, tanto pelas letras como pela mistura de inglês, francês, espanhol, galego e português. Músicas como “Desaparecido” e a faixa título tocaram em rádios e TVs, mas Manu Chao não quis uma digressão convencional.
Em 2000, Manu Chao participou no Free Jazz Festival (Rio de Janeiro), onde esteve Caetano Veloso e outros artistas brasileiro. Entretanto, Manu embarcou na “Feira das Mentiras”, espetáculo circense com o qual percorreu Espanha.
Quando publicou “Próxima estación: Esperanza” (2001), a sua dimensão social crescera. O disco foi gravado com uma banda estável e garantiu a Manu Chao manter-se como um dos artistas mais populares.
Na sua digressão de 2001, a capacidade de convocatória de Manu Chao manifestou-se em cidades de toda a Europa e em Nova Iorque. Num concerto em Barcelona aglomerou cerca de 90.000 pessoas.
Em 2005, Manu Chao gravou a faixa “Soledad Cidadão”, numa participação especial com a banda brasileira Paralamas do Sucesso. Nesse ano, tocou no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desde 2010, Manu Chao tem tocado gratuitamente em vários cidades brasileiras: Santos, Belém, São Paulo e Fortaleza.
O ativismo político de manu Chao adquiriu uma estatura quase mítica: viajante impenitente, membro do movimento ATTAC, simpatizante dos zapatistas e da legalización da marijuana, impulsionador de um sem fim de projetos…
Veja também: http://www.manuchao.net/

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Memórias: Joe Strummer morreu há 12 anos

23 12 2014

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 No dia 22 de dezembro de 2002, faleceu Joe Strummer, co-fundador, vocalista, letrista e guitarrista dos Clash, mas também conhecido pela sua luta antirracista, antifascista e anticapitalista.
Em 1974, Joe Strummer criou a banda 101´ers (garage rock), que tocava nos pubs londrinos. Em 1976, formou os Clash com Mick Jones (guitarra e voz), Paul Simonon (baixo) e Topper Headon (bateria).
Em março de 1977, os Clash lançaram o primeiro single. Em agosto desse ano, lançaram o álbum “The Clash” – um marco na história do punk, tal como o primeiro álbum dos Ramones. O disco é energia do princípio ao fim, até na versão “Police and Thieves” – um clássico de Junior Marvin e Lee Perry.
Em Novembro de 1978, foi lançado o segundo disco dos Clash, “Give´em enough Rope”, bastante diferente do anterior. Joe Strummer e Mick Jones tinham estado na Jamaica. O novo disco foi mais produzido e refletia um verdadeiro retrato político-social da Europa.
Em dezembro de 1979, os Clash lançaram aquele que seria um dos clássicos do punk rock: “London Calling”. Em dezembro de 1980, lançaram o triplo álbum “Sandinista”, onde a banda abusa de experimentalismos e da tecnologia da época.
Em maio de 1982, os Clash lançaram o álbum “Combat Rock”. Novamente, diferente de tudo que já haviam feito. Apesar do sucesso comercial que a banda tinha, começaram os problemas internos.
Primeiro, foi a saída do baterista Topper Headon, imediatamente substituído por Terry Chimes, mas também não durou muito. Depois, Mick Jones deixou a banda para se dedicar a um novo projeto: os Big Audio Dynamite.
Mesmo assim, Joe Strummer não desistiu e contratou dois guitarristas e, em Novembro de 1984, saiu o álbum “Cut The Crap”. No início de 1986, Joe Strummer e Paul Simonon decidiram acabar com os Clash.
Em 1989, Strummer produziu algumas faixas e lançou o primeiro disco a solo, “Earthquake Weather”. Em 1990, substituiu Shane McGowan, vocalista dos Pogues. Em 1999, Joe Strummer e os Mescaleros lançaram o álbum, “Rock Art and the X Ray Style”. Em 2002, Strummer gravou o terceiro álbum com os Mescaleros, “Global A Go Go” – um tributo a Joey Ramone.

Muito mais haveria para falar sobre Joe Strummer, cujo desaparecimento comoveu o autor desta linhas, mas veja também o documentário “Viva Joe Strummer”: https://www.youtube.com/watch?v=nHy-ApqKP9Q

 





Gorillaz: último álbum

22 03 2010

Gorillaz – a banda virtual criada por Damon Albam (cantor dos Blur), e Janie Hewlett (criador de desenhos animados) – acabou de lançar um novo álbum: “Plastic Beach”.
Para a gravação deste álbum, foram convidados vários músicos: Mick Jones e Paul Simonon (ex-guitarrista e ex-baixista dos Clash) e Lou Reed.
Murdoc Niccals confirmou que este será o último disco dos Gorillaz.





WAR CHILD HEROES

22 01 2009

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Está na forja uma nova e sumptuosa compilação, “War Child Heroes”, dedicada às crianças vítimas da guerra, que incluirá versões diversas: Scissor Sisters (Roxy Music -‘Do The Strand’), TV On The Radio (David Bowie-‘Heroes’), Hot Chip (Joy Division-‘Transmission’), The Kooks (The Kink-‘Victoria’), Peaches (Iggy And Stooges – ‘Search And Destroy’), Yeah Yeah Yeahs (Ramones- Sheena Is A Punk Rocker’), e a excelente faixa «Straight To Hell» dos Clash, tocada por Mick Jones e Lily Allen, afilhada de Joe Strummer (na foto abaixo).

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