Memórias: Buster Keaton morreu há 49 anos

2 02 2015

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No dia 1 de Fevereiro de 1966, faleceu Buster Keaton, rival profissional e amigo de Charlie Chaplin. Teve uma carreira espetacular, mas foi prejudicado por interferências da indústria cultural e do álcool. Por António José André.
Keaton nasceu, no dia 4 de outubro de 1896, numa caravana de circo, em Pickway (Kansas-EUA), povoação que foi literalmente apagada do mapa por causa dum ciclone.
Os seus familiares eram intérpretes de vaudeville de ascendência escocesa. A sua vida esteve ligada ao mundo do espetáculo, desde criança, participando nas representações dos seus pais, que trabalhavam com o famoso Houdini.
Aos 4 anos, estreou-se no mundo das variedades, iniciando uma carreira espetacular. Numa das representações, Keaton fez uma improvisação que levou Houdini a exclamar «What a bastard!». Por desvio da expressão «bust», Keaton passou a chamar-se Buster.
Aos 13 anos, Keaton fazia acrobacias com os seus padis, constituindo um grupo artístico chamado «Os três Keatons». Continuou a trabalhar no espetáculo familiar, até 1917, ano em que se dissolveu o número de vaudeville dos pais.
Keaton começou a carreira no teatro, onde se tornou famoso por cair e ser violentamente atacado sem sofrer dano algum. Com 21 anos entrou no mundo do cinema, com Mack Sennet, realizando uma série de cortos que o tornaram na primeira figura da Metro. O seu inexpressivo rosto deu-lhe fama.
Pouco tempo depois, encontrou-se com Roscoe Arbuckle (“Bucha”), que o convidou para trabalhar na sua companha, “La Comique Film”, cujas comédias passariam a ser supervisionadas e produzidas por Joseph Schenck.
Em 1917, apareceu no seu primeiro filme, “Bucha, Assassino”, entrando num armazém, quando os atores principais “Bucha” e Al St.John lançavam sacos de farinha, um dos quais bateu na cara de Keaton, fazendo-o cair no chão.
Participou nalguns filmes que se tornaram imortais: “O Navegante” (1924), “O Rei dos Cowboys” (1925), “O Maquinista da General” (1926), “O Cameraman” (1928), “O Herói do Rio” (1928), etc.
Com a chegada do cinema sonoro, iniciou-se a decadência de Keaton. “A Comparsa” (1929) foi o seu últrimo filme mudo. Foi despedido da MGM por alcoolismo, em meados dos anos 30. A partir daí, passou por diferentes companhias, realizando curtas metragens.
Trabalhou para os Irmãos Marx, como ator secundário em vários filmes, entre os quais “San Diego, I Love You” (1944), de Reginald LeBorg. No México, filmou “O Moderno Barba Azul” (1946), contracenando com Ángel Garaza.
Depois apareceu em papéis secundários e de menor categoria. Sofreu uma crise nervosa e foi hospitalizado durante um ano. Nos anos 50, a sua sorte profissional melhorou graças a aparições televisivas e teatrais
Reapareceu no filme “Luzes da Ribalta” (1952) com Charles Chaplin. Apareceu nalguns filmes, como “O Crepúsculo dos Deuses” (1950), “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1957), o filme biográfico “The Buster Keaton Story” (1957), em que Donald O’Connor encarnou Keaton.
A merecida homenagem e reconhecimento dos críticos em relação aos filmes realizados no seu glorioso período mudo, foram o prelúdio do Oscar honorífico que lhe foi outorgado pelos seus companheiros, em 1959.
Chegada a década de 60, Keaton teve tempo de intervir em filmes divertidos, como “Pajama Party” (1964), de Don Weiss, e “Escravo das Arábias em Roma” (1966) de Richard Lester, o último trabalho antes da sua morte.
Veja também: https://www.youtube.com/watch?v=-ocwpU-Ph-0

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