Hoje na história: Christa Wolf

30 11 2017

No dia 1 de dezenbro de 2011, faleceu Christa Wolf. Foi uma escritora, ensaísta e crítica literária alemã. Era provavelmente a mais importante ficionista da extinta República Democrática da Alemanha (RDA).
A sua obra foi marcada, desde cedo, por uma procura de autenticidade pessoal num mundo que sacrificava o indivíduo às abstrações coletivas, espelhando as utopias e desilusões de uma geração que viveu sob o nazismo e o “socialismo real”.
Comprometida políticamente, Wolf foi uma ativista contra o regime nazi como retrata o livro “Mostra da Infância”. Em “O Céu Dividido” (1963) faz reflexões sobre a divisão da Alemanha. Tambiém abordou a temática feminista em “Cassandra” (1983).
Durante décadas, Wolf foi militante do Partido Socialista Unificado da Alemanha, ainda que nem sempre tde acordo com as decisões políticas tomadas na RDA. De facto, juntou-se aos protestos doutros intelectuais contra a expulsão da RDA Alemania do cantor e poeta Wolf Biermann.

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Memórias: Pina Bausch

4 07 2015

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No dia 30 de junho de 2009, faleceu a alemã Pina Bausch, coreógrafa, dançarina, pedagoga da dança e diretora de balé que rompeu com o balé clássico e a dança moderna. Por António José André.
Pina Bausch nasceu, no dia 27 de jullho de 1940, em Solingen (Alemanha) e era filha do dono dum restaurante. Gostava de passar o tempo debaixo das mesas a observar os fregueses. Desde cedo, entusiasmou-se pela dança.
As suas primeiras apresentações lúdicas no balé infantil ocorreram, em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou a sua formação na Folkwangschule de Essen, fundada pelo célebre coreógrafo Kurt Joos.
Em Joos, encontrou um “renovador da dança expressiva” e uma pessoa de confiança. Além disso, a atmosfera criativa daquela escola era inspiradora e, até hoje, une todas as artes: teatro, música, dança, gravura e pintura.
Pina Bausch concluiu o curso de Dança e Pedagogia da Dança, em 1958. Após receber uma bolsa de estudos, viajou para os EUA onde estudou com Antony Tudor e José Limón, dançando na Juilliard School of Music e na Metropolitan Opera.
A pedido de Kurt Joos, Pina Bausch regressou à Alemanha, em 1962. Começou a dançar como solista no recém-fundado balé da Folkwang, apresentando-se em Amsterdão, Hamburgo, Londres e no Festival de Salzburgo.
Pina Bausch avançou para coreógrafa e diretora do corpo de bailé de Wuppertal. Após receber o primeiro prémio num concurso de coreografia de Colónia, assumiu a direção do estúdio de dança da Folkwang.
Aos 33 anos, foi contratada para dirigir o Balé do Teatro de Wuppertal, em 1973. A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa chocou grande parte do público. O que ocorria no palco não era aquilo que constava no programa impresso.
O público expressava a sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. A ruptura com as tradições foi uma tarefa árdua, sobretudo num teatro subvencionado pelo Estado. Mas Bausch não recuou na sua conceção de dança.
Baseada em Brecht e Weill, Pina Bausch rompeu com todas as formas tradicionais do teatro-dança. Em 1976, voltou-se para uma dança cénica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado.
Colagens de música popular, clássica, free jazz e outros fragmentos culminaram numa nova forma de encenação, caraterizada por ações paralelas, contraposições estéticas e uma linguagem corporal incomum para a época.
A sua companhia tornou-se a principal representante da dança da Alemanha. Pina Bausch começou a acumular prémios: o Prémio Europeu de Teatro, o Praemium Imperiale japonês, a Cruz de Mérito do governo alemão, a condecoração da Legião de Honra.
Nos palcos internacionais, a companhia de Bausch apresentou-se em co-produções com Universidades de Dança dos Estados Unidos, o Hong Kong Arts Fstival, a Expo 1998, em Portugal, o Theatre de la Ville de Paris e muitos outros.
Leia mais em: http://www.pinabausch.org/en/pina/biography