Memórias: Pina Bausch

4 07 2015

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No dia 30 de junho de 2009, faleceu a alemã Pina Bausch, coreógrafa, dançarina, pedagoga da dança e diretora de balé que rompeu com o balé clássico e a dança moderna. Por António José André.
Pina Bausch nasceu, no dia 27 de jullho de 1940, em Solingen (Alemanha) e era filha do dono dum restaurante. Gostava de passar o tempo debaixo das mesas a observar os fregueses. Desde cedo, entusiasmou-se pela dança.
As suas primeiras apresentações lúdicas no balé infantil ocorreram, em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou a sua formação na Folkwangschule de Essen, fundada pelo célebre coreógrafo Kurt Joos.
Em Joos, encontrou um “renovador da dança expressiva” e uma pessoa de confiança. Além disso, a atmosfera criativa daquela escola era inspiradora e, até hoje, une todas as artes: teatro, música, dança, gravura e pintura.
Pina Bausch concluiu o curso de Dança e Pedagogia da Dança, em 1958. Após receber uma bolsa de estudos, viajou para os EUA onde estudou com Antony Tudor e José Limón, dançando na Juilliard School of Music e na Metropolitan Opera.
A pedido de Kurt Joos, Pina Bausch regressou à Alemanha, em 1962. Começou a dançar como solista no recém-fundado balé da Folkwang, apresentando-se em Amsterdão, Hamburgo, Londres e no Festival de Salzburgo.
Pina Bausch avançou para coreógrafa e diretora do corpo de bailé de Wuppertal. Após receber o primeiro prémio num concurso de coreografia de Colónia, assumiu a direção do estúdio de dança da Folkwang.
Aos 33 anos, foi contratada para dirigir o Balé do Teatro de Wuppertal, em 1973. A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa chocou grande parte do público. O que ocorria no palco não era aquilo que constava no programa impresso.
O público expressava a sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. A ruptura com as tradições foi uma tarefa árdua, sobretudo num teatro subvencionado pelo Estado. Mas Bausch não recuou na sua conceção de dança.
Baseada em Brecht e Weill, Pina Bausch rompeu com todas as formas tradicionais do teatro-dança. Em 1976, voltou-se para uma dança cénica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado.
Colagens de música popular, clássica, free jazz e outros fragmentos culminaram numa nova forma de encenação, caraterizada por ações paralelas, contraposições estéticas e uma linguagem corporal incomum para a época.
A sua companhia tornou-se a principal representante da dança da Alemanha. Pina Bausch começou a acumular prémios: o Prémio Europeu de Teatro, o Praemium Imperiale japonês, a Cruz de Mérito do governo alemão, a condecoração da Legião de Honra.
Nos palcos internacionais, a companhia de Bausch apresentou-se em co-produções com Universidades de Dança dos Estados Unidos, o Hong Kong Arts Fstival, a Expo 1998, em Portugal, o Theatre de la Ville de Paris e muitos outros.
Leia mais em: http://www.pinabausch.org/en/pina/biography

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