Memória: Há 21 anos morreu Cantinflas

20 04 2014

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Memória: Há 21 anos morreu Cantinflas

Mário Fortino Alfonso Moreno Reyes, ator mexicano, conhecido como Cantinflas, morreu de cancro do pulmão na cidade do México, em 20 de abril de 1993, com 81 anos. Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se num dia chuvoso para o seu funeral, que durou 3 dias. Era enorme a popularidade de Cantinflas, sobretudo nas classes populares.

Nasceu numa família muito humilde e tinha 12 irmãos. Teve uma adolelescência marcada pela pobreza o que o levou a começar a trabalhar muito cedo, primeiro como engraxador e depois como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista.

A sua vida mudou quando, aos vinte anos, trabalhando como empregado num teatro popular teve a oportunidade de substituir o apresentador do espetáculo que adoecera. Ao inverter frases, trocar palavras e abusar do improviso, Cantinflas, conquistou o público.

Em 1930, já era o cómico mais famoso do país. Em 1934, conheceu a atriz Valentina Subarev com quem teve o único filho, Mário Arturo Ivanova. Em 1936, com uma ampla bagagem acumulada no circo, estreou-se no filme “Não Te Enganes, Coração”, ao qual se seguiram “Na Minha Terra É Assim”, “Águila, o Sol” (1937) e “O Signo da Morte” (1939).

Consagrou-se definitivamente como ídolo, em 1940, com o filme “Aí Está o Detalhe”, em cuja última cena e por causa dum delirante discurso passa pelas convenções sociais e muda o veredito do juiz. Este filme possibilitou-lhe fundar a companhia Posa Filmes, produtora de “Gengibre contra Dinamite”, que com quase 50 filmes, bateu recordes de bilheteira nas 3 décadas que se seguiram.

A popularidade deste ator do cinema mexicano deve-se muito ao seu trabalho nos filmes “Nem Sangue, Nem Areia” e “O Gendarme” (1941). Com ambas as obras, Moreno esperava amortizar os recursos investidos na Posa Filmes. Teve êxito: “Nem Sangue, Nem Areia” arrecadou 54 mil pesos em 4 dias. O sucesso extraordinário prosseguiu com “O Gendarme”, considerado um dos seus melhores filmes. .

Em 1944, filiou-se no Sindicato de Trabalhadores da Indústria Cinematográfica. A sua contribuição foi decisiva para a melhoria das condições contratuais do pessoal dos estúdios. Encabeçou uma greve, secundado pelos atores Jorge Negrete e Arturo de Córdova, com quem manteve uma forte polémica na direção da Associação Nacional de Atores.

Nos anos 50, os seus filmes mostram uma mudança: do personagem pitoresco, urbano e popular só restaria um humor baseado no uso reiterado do “cantinflismo”, a habilidade de falar muito e não dizer nada. Em todas elas, Cantinflas converteu-se num crítico da sociedade local e da humanidade, em geral. Arremetia com singular desassombro contra a “aristocracia desnaturalizada”, fazendo com que triunfasse o autêntico sobre o falso. Era o homem que sempre dizia a verdade, se bem que de forma sarcástica.

Excepcionalmente, participou numa superprodução norte-americana “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias” (1957). Decidido a não participar em rodagens fora do seu país, abriu uma única exceção para o filme espanhol “Dom Quixote Cavalga de Novo”, dirigido por Manuel Delgado, com quem tinha trabalhado em filmes como “O Bolero de Raquel” (1956) e “O Padre” (1965), o seu primeiro filme a cores.

Nos seus papéis sempre denunciou as desigualdades sociais e a falta de solidariedade. A última etapa da sua vida, depois de enviuvar em 1966, foi marcada pela participação em ações sociais e políticas, chegando inclusivamente a pronunciar um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Cantinflas será sempre lembrado por fazer triunfar um tipo maroto de bom coração que apresenta algum paralelismo com o Carlitos de Charles Chaplin. Cantinflas herdou de Carlitos o coração e a alma. Só que o pobre Cantinflas, tão pobre quanto o Carlitos, dava-se ao luxo de se compadecer dos ricaços. A sua caraterística central era a disparatada e inesgotável verborreia, que o converteu num outro génio da comédia.

A sua atuação era sobretudo fruto da agilidade e as situações mais disparatadas brotavam com maravilhosa simplicidade. Os filmes nada tinham de extraordinário, porém a sua figura, o seu pessoalíssimo estilo interpretativo e o seu singular sentido do humor ocupam um lugar relevante no firmamento da sétima arte.

 

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