Safo: descobertos versos duma das primeiras poetisas do mundo

7 02 2014

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Safo: descobertos versos duma das primeiras poetisas do mundo

São dois poemas: um dedicado ao seu irmão e outro a um amor não correspondido. Os textos estavam num papiro que um colecionador mostrou a um especialista da Universidade de Oxford.

Charlotte Higgings *

Safo é uma das poetisas mais misteriosas – e também uma das mais amadas – da Grécia antiga. Só um dos seus poemas, de um total calculado em nove volumes, sobreviveu completamente intacto. Além disso, ela é conhecida pelos fragmentos dos seus versos e também adorada pelas delicadas composições de amor, nostalgia e desejo.

Mas foram agora descobertas duas obras desconhecidas da poetisa lírica de Lesbos que viveu no século VI a.C.: uma, é um poema praticamente completo sobre os seus irmãos; a outra, uma peça fragmentária que aparentemente fala de um amor não correspondido. Os poemas foram descobertos quando um colecionador anónimo de Londres mostrou um pedaço de papiro ao Doutor Dirk Obbink, papirólogo da Universidade de Oxford. Segundo Obbink, num artigo que se publicará nos próximos meses, os poemas, conservados no que provavelmente será um papiro do século III d.C., são “sem dúvida” de Safo.

Os elementos do poema mais longo, não só se relacionam com fragmentos que já lhe foram atribuídos, mas além disso o metro e o dialeto em que estão escritas ambas as composições apontam para a poeta grega. O dado decisivo é a referência a um dos seus três irmãos, chamado Caraxo, cuja existência merece dúvidas, desde há muito, já que não o menciona em fragmentos descobertos anteriormente.

Sem dúvida, Heródoto, o historiador do século V a.C., falou desse irmão ao descrever um poema de Safo que conta uma história de amor entre Caraxo e uma escrava njo Egito. Neste poema – ainda que não seja o que menciona Heródoto –, a escritora dirige-se aos seus ouvintes, parecendo admoestá-los por darem como certo o regresso de Caraxo de barco de uma viagem de negócios.

“Rezem a Hera”, diz, “para que Caraxo possa regressar aqui com a sua nau intacta; o resto que fique nas mãos dos deuses, porque a calma rapidamente virá depois de uma grande tempestade”. O poema diz que aqueles a quem o deus Zeus decide salvar das grandes tormentas estão verdadeiramente benzidos e gozam de “uma sorte sem par”. E termina com a esperança de que o outro irmão, Larico, chegue a ser um homem, “librando-nos de una grande preocupação”.
Segundo Tim Whitmarsh, professor de línguas antigas da Universidade de Oxford, o poema pode ser lido como um jogo que trabalha sobre a Odisseia de Homero e a ideia de Penélope, que espera pacientemente em sua casa o regresso de Odisseu. Frequentemente, Safo reelaborava temas homéricos nos seus poemas.
Safo, que nasceu cerca de 630 a.C., é famosa pelos seus poemas líricos de nostalgia, muitas vezes dirigidos a mulheres e meninas. A referência aos seus irmãos Caraxo e Larico por nome é um agregado importante para o conhecimento muito fragmentário da vida da poetisa.
Charlotte Higgins – jornalista da secção de literatura e artes do Guardian.
• Tradução: António José André
• Publicado em: http://www.theguardian.com/world/2014/jan/29/sappho-ancient-greek-poet-unknown-works-discovered

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