Leonardo Boff: “A Terra não aguenta mais”

11 11 2009

COP15_LOGO_B_MA crise ambiental vai estar em primeiro plano na Conferência do Clima de Copenhaga, que se realizará, de 13 a 18 de Dezembro próximo. Mas as perspectivas não são optimistas, pois falta um consenso para se alcançar um acordo definitivo. A propósito segue um texto de Leonardo Boff – teólogo brasileiro e um dos fundadores da Teologia da Libertação.

 “Actualmente há três crises estruturais: a crise social mundial, a crise do aquecimento crescente e a crise da sustentabilidade da Terra. A nível social, quase metade da humanidade vive abaixo do nível de miséria. Os números são aterradores: 20% dos mais ricos consomem 82,4 % da riqueza da Terra e 20% dos mais pobres têm que se contentar com 1,6%.

Quanto ao aquecimento da Terra, as previsões mais dramáticas falam de um aumento de 4°C, em 2035. Especula-se que, até ao final do século, haja um aumento de 7°C. Quanto à crise da sustentabilidade, segundo estudos dignos de crédito, em 1961 precisávamos de metade da Terra para responder às necessidades humanas. Em 1981, necessitávamos da Terra inteira. Em 1995, ultrapassámos 10% da capacidade de reposição. Em 2008, superámos 30%.

Se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se mantiver entre 2-3% por ano, como está previsto, em 2050, necessitaremos de duas Terras para dar resposta ao consumo, o que é impossível porque contamos só com uma. O actual modelo de produção – capitalista – parte do falso pressuposto que a Terra é como um grande baú do qual se podem retirar recursos indefinidamente. Hoje torna-se claro que a Terra é um planeta pequeno, velho e limitado.

Temos que nos dirigir para uma outra forma de produção e assumir diferentes hábitos de consumo. Produzir para responder às necessidades humanas em harmonia com a Terra, respeitando os seus limites, com um sentido de solidariedade para com as gerações futuras. Esse é o novo paradigma de civilização.

Devemos fazer o possível para estabilizar o clima, evitando que o aquecimento da Terra seja maior que 2 ou 3ºC e que a vida possa continuar. Compreendendo que esse aquecimento já implicará a devastação da biodiversidade e o holocausto de milhões de pessoas, cujos territórios não serão habitáveis, especialmente em África e no Sudeste asiático.

Preocupa-me a irresponsabilidade de muitos governos, especialmente dos países ricos, que não querem estabelecer metas para a redução das emissões de gases de efeito de estufa e salvar o clima. Uma verdadeira eco-miopía!  As grandes empresas, por exemplo as petrolíferas, não querem mudar porque perderiam os seus ganhos actuais. Há que entender a interdependência do poder político com o económico. O grande poder é o económico. Os Estados, em muitos casos, não representam os interesses dos povos, mas os dos grandes actores económicos.”

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