Os nossos pés

31 03 2009

pesOs nossos pés percorrem cidades que não são as que vêem os olhos. Enquanto caminhamos e observamos fachadas, monumentos e semáforos, pés lutam por entre diversos objectos tombados nas ruas.

As cidades são disfarces para que os nossos pés andem também disfarçados. Talvez uns pés humildes, franciscanos, aspirem sempre a usar sandálias contra o zelo excessivo de um dono que insiste em usar sapatos ou botas elegantes.

 

Máxima que uns pés doloridos ditam aos viajantes: nunca digas que foste aonde os teus pés te levaram, nem os culpes pelas tuas andanças e extravagâncias. Por eles, estarias muito bem em lugares distintos.

 

Talvez os nossos pés sejam cada um diferente do outro e odeiem usar sapatos iguais, como aqueles gémeos uniformizados por pais amantes da simetria e sem qualquer imaginação criativa.

 

Por isso, às vezes, quando vamos comprar sapatos, é comum que um deles nos aperte. É a maneira do pé nos dizer que, na realidade, preferiria outro modelo completamente diferente.

 

Muitas vezes os pés caem connosco. O mesmo acontece aos pés que deslizam sobre patins: são pés que se esquecem de ser pés. O sonho dos pés – ou o seu pesadelo – deve ser andar em cima de nós e não por baixo.

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